30.4.08

Boarding Gate - Porta de Embarque
Título original: Boarding Gate
De: Olivier Assayas
Com: Asia Argento, Michael Madsen, Carl Ng
Género: Thr
Classificação: M/16
FRA/LUX, 2007, Cores, 106 min.

Photobucket

"Talvez este filme deixe muita gente a coçar a cabeça, intrigada — ou desiludida — por ver o cineasta de Destinos Sentimentais a correr atrás da futilidade. Um «thriller» erótico («ma non troppo») com uma Asia Argento que se vinga de um antigo amante americano em Paris por conta de um novo amante que a descarta em Hong Kong? Velocidade de execução, mais ritmo que tino, a lembrar a «série B», mas liberta de espartilhos? Tudo isso, tudo isso. Boarding Gate é um portal de acesso a um cinema que não está preso aos significados — à coerência simples de uma história que vá, compreensivelmente de A até C passando por B — mas atenta nos significantes — a duração dos planos, a sua cadência interna, a composição e a maneira como as coisas rimam. Difícil de explicar? Vamos ver se consigo."

"Por exemplo, em tudo quanto são referências da fita — a começar pela da prestigiada «Variety», que a demoliu quando foi apresentada no Festival de Cannes de 2007 — se diz que a personagem de Asia Argento é uma ex-prostituta. Não é isso que o filme nos diz, mesmo se nas suas proezas sexuais do passado houve dinheiro envolvido. Essas proezas seriam um fruto submissivo do amor, uma espécie de tributo que ela prestava ao amante rico e poderoso, ambos unidos um ao outro por um laço mais forte que a dependência dos vícios. Mas quem é aquela mulher? Todo o filme formula e reformula em nós essa incessante pergunta, todo ele joga numa cadeia de respostas e de contradições. Dirão os mais avisados: insensatez do argumentista e realizador Olivier Assayas. Dirão os mais temerários: jogo ficcional para o espectador balancear. Retorquirão os sensatos: vale tudo? Responderão os outros: vale tudo o que me for mantendo filado ao curso dos acontecimentos, à flor do ecrã."



"Deste dilema só posso dizer que entendo a sensatez, mas deixei que o jogo me conduzisse e gostei de ir. A última cena entre Asia Argento e Michael Madsen levou-me da lógica ao paradoxo, de Eros a Thanatos, da segurança à surpresa. Julgava eu saber o que ocorria, logo me contraditaram, assentei noutra certeza, depois deram-me a volta, nova certeza se instalou, mas era eu que não sabia nada de nada e a verdade era outra coisa ainda, talvez... Quando um filme é capaz disto sem que o espectador que sou resmungue um «whatever», deixo a sensibilidade sobrepor-se à razão. Boarding Gate não é um grande filme, mas é um exercício ficcional com uma sagacidade e uma efectividade a ter em conta. E com Asia Argento, actriz de bom peso e medida."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 26/04/2008

Afinal, não é só em São Pedro do Sul...

...Jaime Gaspar Gralheiro pegou na obra que abriu a barra de Aveiro para lembrar o seu engenheiro esquecido pela história: Luís Gomes de Carvalho. À peça deu-lhe o nome de A Longa Marcha para o Esquecimento. No ano em que se comemoram 200 anos sobre a abertura da barra propôs que a peça voltasse ao palco. Não teve resposta de Aveiro. »

O que divide o PSD não é o programa ou a ideologia, em sentido estrito, mesmo porque o programa e a ideologia contam pouco num movimento populista. O que divide o PSD é uma questão política, a questão nua e crua do poder: quem manda ou não manda no partido. Mandam os "notáveis", como Ferreira Leite, que no seu tempo Cavaco recrutou, e a "classe média respeitável" da universidade e do "sector privado"? Ou manda o pessoal das câmaras, das distritais, das concelhias, das secções? Manda Arnaut ou Ribau? Morais Sarmento ou Marco António Costa? A resposta determina a divisão do bolo. A guerra é pelo bolo — pelo subsídio e pelo negócio, por lugares no Parlamento, na "Europa", no funcionalismo — e não desaparece pondo à frente do PSD um ícone de uma era de ouro remota e acabada.

28.4.08


Manuela Ferreira Leite apresenta candidatura...
Não sei se resulta, mas é um caminho. Ter um passado político pouco marcante, ser facilmente moldável, ser relativamente jovem e parecer ter poucos anti-corpos fora e dentro do PSD joga a seu favor num partido que parece perdido e ansioso por começar do zero. A sua imagem não está assim tão distante da de Sócrates, quando se candidatou à liderança do PS. É um cabide onde se pode pendurar uma nova roupagem.
Blade Runner - Versão Final
Título original: Blade Runner
De: Ridley Scott
Com: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young
Género: Dra, Thr
Classificação: M/12
EUA, 1982, Cores, 117 min.

Photobucket

"A meio da década de 70 a ficção científica era um género praticamente morto. Por esse tempo, um jovem cineasta, de seu nome George Lucas, teve sérias dificuldades para montar um projecto chamado A Guerra das Estrelas, recusado por tudo quanto era estúdio e gente sensata. Mas quando o filme estreou, em 1977, o êxito foi de tal monta que os estúdios começaram a procurar filmes na mesma onda — até porque as duas sequelas que, entretanto, se produziram (O Império Contra-Ataca, 1980, e O Regresso de Jedi, 1983) cobriram a 20th Century-Fox literalmente de ouro. Steven Spielberg deu uma ajuda à onda com Encontros Imediatos do 3.º Grau (1977), dois anos depois Ridley Scott empurrou o género para o terror (Alien, o 8.º Passageiro) e Robert Wise foi buscar uma velha série de televisão e adaptou os personagens para o grande ecrã, com Star Trek. Mas foi preciso esperar por 1982 para que a coisa explodisse numa girândola estonteante. Esse é o ano de E.T. — O Extraterrestre, de Spielberg, de Tron, de Steven Lisberger, de Veio do Outro Mundo, de John Carpenter, de Star Trek II – A Ira de Khan, de Nicholas Meyer — e de Blade Runner. Contudo, não há abundância sem risco, alguns dos filmes afundaram-se nas bilheteiras – Blade Runner foi um deles."

"Talvez isto hoje seja espantoso para todos os que viram, ao longo dos vinte e seis anos que passaram desde então, a fama do filme consolidar-se, ao ponto de se ter tornado uma referência no género. Só que, nesse ano de 1982, as pessoas estavam muito mais dispostas a deixar-se comover com o extraterrestre ternurento que só queria voltar para casa (ou mesmo a deixar-se assustar pelo monstro rapace que irrompia do peito dos humanos que o incubavam (do que a olhar para o filme de Ridley Scott, complexo e contemplativo."

"Blade Runner tornou-se um filme de culto, mas só em pequenos nichos de espectadores que o idolatravam, intrigados pelo tom de «film noir» futurista, mas em que o futuro era uma coisa glauca, nocturna, superpovoada, fumarenta, perigosa, suja, sem piedade. As maravilhas tecnológicas, esses replicantes que eram tão iguais aos humanos que até podiam ignorar que não tinham nascido de um ventre de mulher, não serviam, de facto, uma prosperidade colectiva que nada no filme indiciava. As pessoas eram massas vegetando num capitalismo sem regras, sob o olhar de poderosas corporações, tão gigantescas e faraónicas que até habitavam em pirâmides imensas. Os replicantes, esses eram uma espécie de escravos, máquinas para substituir os humanos em tarefas ou missões que nenhum homem ou mulher aceitaria — e, no fim, disponíveis para a sucata, desactivados por pré-programado desfecho. Até que um dia se revoltam, implacável e desapiedadamente. E nós não sabemos que mais desejar, se a vitória do detective privado (Harrison Ford a lembrar-nos Bogart) encarregado de os perseguir e eliminar, se a sobrevivência desses seres com que todos os humilhados e oprimidos se hão-de identificar. E a pairar por cima de tudo, a grande dúvida de já não ser possível saber quem é humano quem é replicante, nem ter a certeza — como nenhum de nós tem — de quanto tempo resta de vida. «Para sempre» não é é expressão à escala humana. A música de Vangelis, quase uma melopeia eclesial, mas com batida forte, envolvia o conjunto que deixou toda a gente estupefacta e alguns de nós maravilhados."



"Espantoso espectáculo visual — todos o reconheceram — muito menos foram os que se dispuseram a amar a tragédia dos seus protagonistas, a apreciar a grandeza épica da morte de Rutger Hauer, por exemplo. Depois, ao longo dos anos e muito particularmente depois da aparição do DVD, sucederam-se edições «home video» em sucessivas versões, aparadas sobretudo em relação ao final. Agora está aí o «final cut» (diz o realizador) que, meses após ter sido lançado em DVD, aparece nas salas (e não deveria ter sido ao contrário?). Boa decisão. Há uma ou duas gerações de espectadores que nunca puderam ver num grande ecrã e, por Deus, este é um daqueles filmes em que o tamanho faz mesmo diferença. Não é, decididamente não é, a mesma coisa que os clarões tenham cinco metros ou cinco centímetros de altura no nosso campo de visão. Blade Runner numa sala de cinema é uma experiência visual e sonora — cinematográfica — que convém apreciar, pelo menos uma vez na vida."
Jorge Leitão Ramos, 26/04/2008

24.4.08

Santana Lopes vai candidatar-se à liderança do PSD...

Photobucket

...O anúncio formal da decisão poderá só acontecer na próxima semana, depois de Manuela Ferreira Leite que formaliza a sua candidatura na segunda-feira.

O estado do PSD...


23.4.08

Diário dos Mortos
Título original: Diary of the Dead
De: George A. Romero
Com: Joshua Close, Scott Wentworth, Michelle Morgan
Classificação: M/16
EUA, 2007, Cores, 95 min.

Photobucket

"Diário dos Mortos não estava para ser o que era. Na verdade nem estava previsto ser filme para chegar ao público. À partida tratava-se apenas de um trabalho em que Romero deveria orientar um grupo de alunos de cinema, trabalho, portanto, livre das imposições de bilheteira e mercado, Mas o produtor Peter Grunwald leu o argumento e sugeriu a Romero que o fizesse tendo em vista uma possível exploração comercial, garantindo-lhe, ao mesmo tempo, aquilo que Romero mais presava: a total independência e liberdade criativa, sem pressões de qualquer ordem. Romero aceitou a oferta e o resultado foi este Diário dos Mortos."

Photobucket

"Diário dos Mortos não é, como muitos poderão pensar, uma «sequela» de A Terra dos Mortos, a magnífica obra-prima do género que Romero ofereceu ao público há dois anos atrás, com um elenco de vedetas (Dennis Hopper, Ásia Argento, etc.) e vasto suporte técnico e financeiro da Universal. Aliás, quem veja a série com atenção verificará que, no fim de contas, nenhum é sequela de outro, formando cada um corpo independente, ligados entre si por uma visão crítica dos tempos em que surgiram. Mas Diário dos Mortos, sendo isso mesmo, é também uma obra com características especiais."

Photobucket

"Na verdade o filme forma uma espécie de «revisão» da obra zombie de Romero e retoma praticamente o seu ponto de partida, isto é, o filme de 1968, A Noite dos Mortos-Vivos. Mas não o faz na típica visão nostálgica, antes transpõe a ideia básica para os tempos de hoje, construindo, deste modo, aquela que parece ser a mais feroz e sarcástica crítica à política actual norte-americana e à manipulação dos «media» pelo poder. E tudo isto se faz utilizando um estilo moderno que, porém, não está ali apenas como manifestação de «modernismo», satisfação de qualquer vaidadezinha pessoal, de um autor que não precisa de qualquer estímulo desses."

Photobucket

"Muitos lembrar-se-ão, face a Diário dos Mortos, de filmes como O Projecto Blair Witch ou o excelente e ainda em exibição [REC] (ou, mais atrás, o Manual de Instruções para Crimes Banais, de Remy Belvaux, verdadeiro pioneiro deste tipo de filmes). Como nestes, em Diário dos Mortos, a câmara (e o seu operador, geralmente invisível para nós) é um outro «personagem» e testemunha de todos os acontecimentos."

Photobucket

"A diferença entre o filme de Romero e os restantes do mesmo tipo, é que no seu caso ele não se assume como testemunha única, nem é um exercício de estilo que acaba, geralmente, limitado, pois não pode passar para além do olhar da câmara. Desde o começo que Romero dá uma direcção cinematográfica ao projecto, fazendo do filme um trabalho de montagem que reúne, para além dos testemunhos das duas câmaras que acompanham a equipa, excertos da Net e gravações várias (inclusive de câmaras de vídeo-vigilância), construindo, deste modo, uma narrativa mais rica e coerente. E tal forma é aplicada «dentro» do filme, isto é, parte da iniciativa de uma das personagens, Debra (Michelle Morgan) de divulgar pelo mundo a verdade dos factos, que o poder procura escamotear, carregando o resultado final, que é o «filme no filme», Death of the Dead, na Net para expor a ameaça (e a manipulação) ao mundo inteiro."



"Esta nova fábula apocalíptica é tratada também com muito humor. Para além dos comentários que percorrem o filme, destaque-se a presença de um camponês Amish, com uma forma especial de resolver a crise zombie."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 19/04/2008

22.4.08

Nós Controlamos a Noite
Título original: We Own the Night
De: James Gray
Com: Joaquin Phoenix, Eva Mendes, Mark Wahlberg, Robert Duvall
Género: Dra, Thr
Classificação: M/16
EUA, 2007, Cores, 117 min.

Photobucket

"No seu terceiro filme, de que é autor completo como nos restantes dois, onde assina a realização e o argumento, James Gray volta aos seus temas de eleição: a família e o mundo do crime, e mais particularmente ao do seu primeiro filme, Viver e Morrer em Little Odessa: a incrustação da máfia russa em Nova Iorque, na sequência da emigração que resultou da progressiva desagregação do império soviético, que teve origem na política de «transparência» («glasnost») implantada por Gorbatchov em 1985."

"Nós Controlamos a Noite decorre em 1988 e o seu pano de fundo é o progressivo poder da máfia russa no tráfico de droga e no controlo dos clubes nocturnos, e a guerra que a polícia da cidade vai travar para a controlar e tentar destruir (o que se revela, naturalmente, impossível). Mas sobre este pano de fundo é que se desenha a verdadeira história: a de uma família que parece desagregar-se, mas que saberá reencontrar em si as forças para se reconstituir."

"São três os membros dessa família: Burt Grusinsky, o pai (Robert Duvall), Joseph Grusinsky, o filho mais novo (Mark Wahlberg) e Bobby Green, o filho mais velho que mudou de nome para não ser reconhecido como membro da família (Joaquin Phoenix). Bobby é um empresário da noite, que explora um lucrativo clube nocturno, aberto com capital da máfia russa, e planeia abrir outra sala ainda mais ambiciosa, com os mesmos apoios."

"Se mudou de nome é porque o apelido Grusinsky é conhecido em certos meios: o pai e o irmão são dois agentes da polícia de Nova Iorque, que estão empenhados em combater a nova ameaça que representam os marginais russos. No encontro que os três têm durante uma festa, Burt avisa Bobby de que uma guerra se avizinha e que é preciso escolher o lado a que se pertence. Apesar de Joseph ser o seu filho preferido, por ter seguido as suas pisadas ingressando na polícia, no fundo Burt ama também o filho «pródigo». No desenrolar de uma operação, Joseph é gravemente ferido e Bobby aceita «espiar» os russos para informar o pai. Um drama mais grave irá provocar o «volte-face»: Bobby acaba por entrar para a polícia ajudando o irmão da luta contra a organização mafiosa."

"A propósito de Nós Controlamos a Noite falou-se de Entre Inimigos o filme de Scorsese sobre infiltrados em campos opostos. A comparação, que não era (injustamente) favorável ao filme de Gray, não tem razão de ser. Como já dissemos, Nós Controlamos a Noite antes de ser um «thriller» policial é um filme sobre uma família. E deste ponto de vista tem um dos finais mais pungentes e belos do cinema: a declaração de amor entre os irmãos. E é um filme, também, onde a mulher tem um papel positivo, o que não é frequente neste tipo de filmes, em que costuma ser remetida para papéis de traço forte (assassinas ou polícias), mas nunca como mulher dedicada ao homem que ama, e por ele empenhada. E Eva Mendes compõe essa figura com paixão."

"Não são estas apenas as facetas positivas deste excelente filme. Destaque-se ainda a fotografia de Joaquin Baca-Asay, com especial ênfase para os exteriores nocturnos, e a hábil direcção de James Gray, segura, como sempre, mas com dois momentos de excepção: o tiroteio na casa da droga e, em especial, a sequência da perseguição de carros, que é uma das melhores vistas em cinema, não por características espectaculares, de que Cameron, Friedkin e outros são mestres, mas na construção de uma certa tensão e suspense que deriva do ponto de vista da câmara, aqui praticamente quase sempre colocada dentro de um dos carros."



"Nós Controlamos a Noite é um título que se pode prestar a ambiguidades. Na verdade, o original We Own the Night, era o lema que a polícia nova-iorquina ostentava nas portas dos seus carros naquela época, uma forma de tranquilizar a população, mostrando-se atentos e sempre em acção para garantir a sua segurança. Mas quem, de facto, controlava as noites de Nova Iorque, uma cidade então considerada como uma das mais perigosas do mundo? Era o crime organizado, facto que justificou a acção e a fama de «salvador» de Rudolph Giuliani durante o seu mandato como «mayor» da cidade entre 1994 e 2001, ao fazer da guerra ao crime a sua prioridade, devolvendo segundo rezam as crónicas, a segurança à cidade."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 19/04/2008

18.4.08

Ferreira Leite...

Photobucket

...disponível para candidatura de união no PSD!

EM ACTUALIZAÇÃO:

"Considerando a demissão do presidente do PSD (Luís Filipe Menezes) e a crise aberta no partido, informo os militantes e os portugueses da minha decisão de me candidatar à presidência do PSD", afirmou à Lusa Manuela Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite deverá ser candidata à liderança do PSD. Rui Rio, António Borges e Morais Sarmento deverão ser vice-presidentes.

VÍDEO: As Escolhas de Marcelo.

Marcelo exclui-se da candidatura e lança Ferreira Leite como melhor hipótese.



Luís Filipe Menezes excluiu, esta sexta-feira, a possibilidade de se recandidatar à liderança do PSD.

VÍDEO: Menezes em entrevista à SIC.

O drama do PSD é que quem perder as próximas eleições internas fica em melhor posição para chegar a primeiro-ministro do que quem as ganhar.

«Não estou na corrida» não significa «não estarei na corrida».

Pedro Passos Coelho confirma que é candidato à liderança do PSD.


Só há duas lógicas de candidatura possíveis para se oporem a Menezes (que está a fazer mais uma rábula para regressar com um projecto inquisitorial): uma, de "unidade do partido", uma personalidade que pela sua autoridade nacional, prestígio interno e externo, possa travar o caminho para o espatifar do partido (que é a lógica de Menezes, espatifar para ficar agarrado ao caco maior), e ser credível face a ao PS e a Sócrates; outra, de ruptura, que esteja disposta a correr todos os riscos, inclusive o de perder, para dar uma volta na situação interna do PSD e restituir-lhe o papel reformista que já teve na vida pública portuguesa.

A lógica de Menezes é espatifar para ficar agarrado ao caco maior, a que vai chamar PSD.

Aguiar Branco avança para a corrida à liderança do PSD
[Rec]
Título original: [Rec]
De: Jaume Balagueró, Paco Plaza
Com: Javier Botet, Manuel Bronchud, Martha Carbonell
Género: Ter
Classificação: M/16
ESP, 2007, Cores, 85 min.

Photobucket

"Setembro de 2007. A lembrança ainda está presente: não vimos REC em Veneza. O filme esteve lá, sim, numa secção secundária, mas num festival onde é humanamente impossível ver tudo, outras prioridades se levantam. Filme de terror «puta madre!» feito por «nuestros hermanos», ainda mais encostado a um canto pelos programadores de Marco Müller, convenhamos, não agoirava coisa boa. Outubro de 2007: voltamos a ouvir o nome REC (vem da tecla «record») quando este é exibido pela primeira vez no seu país, no Festival de Sitges (que o premiou), não muito longe da cidade onde foi rodado (Barcelona). O «buzz» à sua volta já é enorme. Fala-se de um filme de terror incrível, que mete mesmo medo, para variar. Não é por acaso que, em Espanha, ele foi interdito a menores de 18 anos, classificação que deve repetir-se agora em Portugal. Fala-se, sobretudo, do filme mais pirateado do momento na Net pelo país vizinho - e quem está familiarizado com estes meandros sabe que os espanhóis não brincam em serviço. O mito alastra, sobretudo na Net, como The Blair Witch Project o fez há quase dez anos, inaugurando uma etapa. De resto, há muito mais do que esta coincidência entre ambos. Já em 2008, em Fevereiro, REC ganha o Fantasporto e junta novo prémio a uma lista que, entretanto, já vai longa. Não admira, portanto, que esta produção espanhola, «indie» como poucas, chegue agora às salas portuguesas. Almodóvar à parte, é coisa rara."



"Realizado por dois cineastas que já tinham colaborado num documentário sobre um «reality show», REC arranca com a simpática Ángela (Manuela Velasco, uma revelação), repórter de TV, apresentadora do programa «Mientras Usted Duerme», que é um título bem sugestivo para o que depois vem. O filme simula um directo, esse directo transforma-se em pesadelo: Ángela e o seu «cameraman» vão acompanhar a vida nocturna dos bombeiros de Barcelona, em seguida chamados de urgência por uma velhota que está a precisar de ajuda. Quando a velhota morde o bombeiro e a porta do prédio se fecha, arranca uma «praga zombie» imprópria para cardíacos. Não há muito a contar para além do dispositivo, que de resto não é novo e vem de The Blair Witch...: noite escura rasgada pelo projector da câmara do repórter; aposta numa câmara subjectiva e ao ombro, só possível com o desenvolvimento tecnológico do vídeo digital; «jump cuts» sucessivos; olhar nervoso, a querer devorar tudo. Olhar que, no limite, é o nosso, já que este filme força o espectador a ser testemunha do seu exorcismo, coloca-o no lugar de quem filma, com os monstrengos prontos a entrarem em campo e sem aviso. Quando assim é o caso, é preciso haver um sentido de humor de «comboio fantasma» (e esta é uma das surpresas) que ultrapasse a encenação da histeria. REC tem, de facto, esse sentido de humor, por mais paradoxal que isto pareça. Ao contrário do recente Cloverfield, onde os efeitos especiais e o monstro que arrasa Nova Iorque acabavam por se tornar um embaraço, REC retira do seu maneirismo, da simplicidade do seu gesto, uma força surpreendente. Não sairá tão cedo da memória."
Francisco Ferreira, Expresso de 12/04/2008

A competência da nossa polícia...

17.4.08

Uma Segunda Juventude
Título original: Youth Without Youth
De: Francis Ford Coppola
Com: Tim Roth, Alexandra Maria Lara, Bruno Ganz
Género: Rom, Thr
Classificação: M/12
EUA, 2007, Cores, 124 min.

Photobucket

"Há 40 anos ele era uma espécie de chefe de fila da geração dos «movie brats», aqueles tipos barbudos que primeiro estudavam cinema e depois saíam das universidades para fazer filmes, coisa nunca vista em Hollywood - a geração de George Lucas, Steven Spielberg, Brian de Palma e de um tal Martin Marcantonio Luciano Scorsese, que vinha de Nova Iorque mas também era um deles. E, se Francis Ford Coppola não era o melhor deles - não teve a perspicácia industrial de Lucas, o sentido do público de Spielberg, a cinefilia arrojada de Brian de Palma, a criativa energia frenética de Scorsese -, foi o que teve uma carreira mais pejada de surpresas e o único cuja vida dava um grande romance americano. Ele conseguiu fazer de um típico filme de indústria - O Padrinho - uma apaixonante obra de autor; desafiou os céus, gastando milhões, rodando Apocalypse Now na selva, com uma equipa que parecia um exército sem sequer ter um argumento definido - e transformou a aventura num genial sucesso; quis reinventar o cinema de estúdio num dos mais portentosos filmes do século - One from the Heart (Do Fundo do Coração) - e perdeu nisso tudo o que tinha, ganhando ainda muitos anos a pagar intermináveis dívidas. Mas também fez filmes menores ou falhanços radicais - como esse desengonçado Jack que nunca entenderei. Agora, há 10 anos que não nos brindava com um filme novo, ocupado como produtor de fitas alheias (entre as quais as da filha, Sofia) e de celebrados vinhos californianos. Nas fotos aparecia-nos de boina, barba muito grisalha, ventre rotundo, quase um pai de família siciliano, entre vinhedos e oliveiras..."

"Até que, a aproximar-se dos 70 anos, nos aparece com um filme pessoal, autofinanciado com vários parceiros europeus, rodado na Roménia a partir de um romance de Mircea Eliade. O tema? Um homem de 70 anos, Dominic Matei, reputado filólogo, que percebe que não terá tempo para acabar a sua obra magna, uma investigação sobre as relações entre a linguagem e a consciência. Desesperado, parte para Bucareste onde tenciona suicidar-se. Mas, ao atravessar a rua, durante uma tempestade, é atingido por um raio. Profundamente queimado e em coma, é transportado ao hospital, onde os médicos constatam que pouco há a fazer. Só que, a pouco e pouco, o nosso homem recupera, nascem-lhe novos cabelos (e já não são brancos), dentes sãos irrompem das gengivas, a pele e a compleição são agora de um homem de 30 e a sua mente tem espantosas capacidades de aprendizagem. Os céus deram-lhe afinal mais tempo, depois do tempo. Mas também materializaram um duplo, um reverso maléfico, um anjo negro para combater."

"Isto é apenas o início de uma história intrincada e, não raras vezes, obscura, que leva o protagonista a vários pontos da Europa e, efectivamente, à conclusão da sua obra, mas a um preço que não vale a pena pagar. Coppola filma-a com enorme elegância e um olhar quase irónico, à medida que desfia (ou emaranha) o novelo, cruzando géneros fílmicos, do «thriller» ao melodrama, numa obra que, no fundo, é uma meditação sobre a velhice e o recorrente mito do rejuvenescimento. Neste sentido, é um filme que lhe vem do fundo do coração, percebe-se que ele foi buscar a Eliade uma espécie de bálsamo, pois Uma Segunda Juventude é um filme que nos diz que o tempo depois do tempo devido é qualquer coisa que não se deve almejar - a menos que queiramos para nós a solidão dos vampiros. Mas também é um filme onde se vê que Coppola quer romper regras (vários fios ficcionais ficam suspensos ou pouco explicados, sonhos, fantasmas, realidade têm texturas não claramente diferenciadas), deixar a imaginação fluir, como se o cineasta quisesse ter, outra vez, a liberdade de um estreante (a poder pôr a câmara de pernas para o ar), a fascinação pelos filmes da mocidade (há muito de cinema dos anos 40/50 em Uma Segunda Juventude). Talvez, por isso, o filme seja tão desconcertante, a uma primeira visão, porque nada nos preparara para isto. Mesmo que uma minúcia analítica nos possa referenciar parentescos e cruzamentos com outras fitas do cineasta, na verdade é um corte, um salto no escuro. Para cúmulo, Uma Segunda Juventude não é nem um recomeço nem uma serena contemplação do ocaso - Coppola não é Visconti, deveras. É, antes, uma obra de turbação, comovente na sua própria precariedade, nas irresolúveis contradições. Difícil, porque nos intriga em vez de nos fascinar - e muito, muito estimulante."



"Entretanto, o filme deve ter cumprido a sua função de bálsamo (a não ser que tenha sido de chicotada psicológica): Coppola já está a filmar de novo - Tetro, com Vincent Gallo e Carmen Maura, por estes dias em início de rodagem em Buenos Aires."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 12/04/2008


A lei do divórcio foi ontem aprovada pela esquerda parlamentar e os votos contra do PSD e do CDS-PP, num debate que aqueceu com as críticas dos sociais-democratas à regulação dos "ajustes de contas" na hora das partilhas.

16.4.08

Autópsia de Um Crime
Título original: Sleuth

De: Kenneth Branagh

Com: Michael Caine, Jude Law, Harold Pinter
Género: Dra, Thr

Classificação: M/16
EUA, 2007, Cores, 86 min.

Photobucket

"Em 1972, no termo de uma das mais prestigiosas carreiras de um cineasta em Hollywood, Joseph L. Mankiewicz retirava-se com uma fita britânica, filmando uma genial peça policial de Anthony Shaffer (Sleuth, adaptada pelo próprio ao cinema) no confronto entre dois actores representativos de duas quase antitéticas correntes. De um lado, o aristocrático Sir Laurence Olivier, o gigante do teatro, distante e reverenciado, do outro um actor ainda em fase de afirmação — Michael Caine —, oriundo da classe operária e sem nenhum «pedigree», para além de ter abandonado a escola ainda adolescente e andado profusamente pela televisão... Os personagens que desempenhavam — um velho escritor famoso e um jovem cabeleireiro que lhe roubou a mulher — estavam em acordo perfeito com esse estatuto e o combate que travavam era terrível e mutuamente aniquilante. O filme era uma obra-prima."

"A ideia de refazer um filme perfeito é sempre uma má ideia. Mas passou pela cabeça de Jude Law, que, obcecado pela fita de Mankiewicz, há muito imaginava interpretar uma nova versão. Todavia, consciente de que refazer o mesmo seria fútil, começou por comanditar a escrita de uma nova peça (inspirada na de Shaffer) ao maior dramaturgo inglês vivo: Harold Pinter. Parece que Pinter a escreveu tendo na cabeça a memória do que conhecera há décadas, sem ler o texto original ou ver o filme de Mankiewicz. Depois, Law foi buscar um cineasta britânico de prestígio (Branagh), ele mesmo um homem de teatro e, cereja sobre o bolo, convenceu Caine a interpretar o papel que fora de Olivier (Law fazendo o que fora de Caine)."

"O resultado da operação tem o sabor de um pastiche hodierno (compare-se o trabalho cenográfico de Tim Harvey, estilizado, frio, cheio de câmaras de vigilância, inabitável e apelativo exercício de «design», com o de Ken Adam, em 1972, talvez o ponto do filme onde a vontade de encontrar equivalentes modernos melhor se espelha). Quem conheça o filme de Mankiewicz vai, compreensivelmente, rejeitar o de Branagh. Mas todos os outros — a fita de 1972 nunca conheceu edição em DVD entre nós, apenas uma, em VHS, há uns vinte anos — irão deliciar-se com os volte-faces do engenhoso «plot» original a que Pinter (para lá de explícitas notações homoeróticas que nem afloram no texto de Shaffer) se mantém fiel. E ninguém negará, nem a Caine, nem a Law, a vibração de grandes intérpretes. Curiosamente, é o trabalho de Caine (porque se mede com o de Olivier, à distância) que mais me estimula, já que introduz uma crueza no personagem que o despe, definitivamente, de algum fascínio que Mankiewicz dele guardou. "



"Autópsia de Um Crime vai agradar a quem menos memória do cinema tiver — mas não é isso o que acontece as mais das vezes?"
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 05/04/2008
Não deixa de ser engraçada a forma como uns quantos relativizam certas vitórias em democracia, sobretudo quando comparadas com a exaltação da vontade popular nos momentos em que a coisa lhes sorri. Um bocadinho ao jeito de, quando perdem o povo estava manietado, quando ganham o povo estava liberto.

15.4.08

Isto existe?...

Alberto João Jardim disse concordar que não se realize uma sessão solene com os deputados na visita do Presidente da República, Cavaco Silva, à região autónoma, porque daria «uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa Regional». Em declarações reproduzidas na edição desta segunda-feira do Jornal de Notícias, Jardim considera que «o fascista do PND, o padre Egdar (do PCP) e aqueles tipos do PS» iam dar «uma imagem péssima da Madeira e ia ter repercussões negativas no Turismo e na própria qualidade do Ambiente».

8.4.08

Transsexual grávido...

...Thomas Beatie, um cidadão norte-americano de 34 anos, casado, está grávido de seis meses. Em declarações durante o programa de Oprah Winfrey no canal ABC na passada quinta-feira, a obstreta Kimberley Jones - que acompanha o transsexual - confirmou que "a gravidez é perfeitamente normal" e que o feto é saudável.

USA For Africa, 'We Are The World'

7.4.08

Corações
Título original: Coeurs
De: Alain Resnais
Com: Sabine Azéma, Lambert Wilson
Género: ComDra
Classificação: M/12
FRA/ITA, 2006, Cores, 120 min.

Photobucket
"Será que os grandes cineastas fazem sempre o mesmo filme? A pergunta não é nova, costuma ser aplicada a Renoir ou a Ford, e pode sê-lo também a Alain Resnais, veterano com 85 anos, referência maior do cinema francês da segunda metade do século XX. «Fazer o mesmo filme» nada tem de pejorativo. Resnais faz, sem dúvida, parte desse grupo restrito de cineastas que têm, digamos, a sua própria mecânica. Autores que, de tão genuínos, se reinventam de um filme a outro, deixando a sensação de que tudo ficou na mesma. Corações, estreado em Veneza 2006 (Leão de Prata para o realizador), é um grande filme melancólico sobre a solidão, como todos os de Resnais. Descobrimos facilmente a rotina: repetição do dramaturgo (o filme adapta a peça Private Fears in Public Places, do londrino Alan Ayckbourn, responsável pelo texto de outro filme de Resnais, Smoking/No Smoking), repetição dos actores (André Dussollier, Sabine Azéma e Pierre Arditi há muito que fazem parte da «família Resnais»), do «décor» (de novo uma Paris recriada em estúdio) e até mesmo de personagens (Dussollier volta a vestir a pele de agente imobiliário depois de É Sempre a Mesma Cantiga)."

"A cantiga é a mesma, de facto. Aqueles que saírem da sala com o coração apertado (e deste filme não se pode sair de outra maneira) dirão que já sentiram isso em qualquer parte, num qualquer momento da vida, talvez noutro filme de Resnais. É provável que o efeito de estranheza venha das personagens de Corações, criaturas sem modelo, sonâmbulos das suas próprias vidas, um pouco como em Minnelli. Passamos o filme todo a olhar para «losers», gente que está a fazer-se mal sem se dar conta, discretamente, no seu quotidiano resignado e medíocre. E, no entanto, há aqui um paradoxo, porque este filme de Resnais não é menos musical que os anteriores («on connaît la chanson...»), e se há música, há comédia. Mas uma comédia triste, em tom menor. Grave e emocionada. Talvez seja perigoso começar a falar de Corações desta maneira. Afinal, nem apresentámos as personagens do «petit théâtre de Resnais», mas o que mais nos intriga aqui é saber para onde foi o desejo destes irmãos e irmãs, destes pais, filhos e amantes, forçados a habitar o mesmo espaço de solidão. Estes corações do filme de Resnais já não batem, isso é claro: estão suspensos no mesmo tempo de Marienbad, no mesmo problema insolúvel. Quando o filme começa, tudo já aconteceu e tudo já terminou, como um passado projectado no futuro, nunca aqui e agora."



"Resnais sabe-o, inventa diálogos, duetos sublimes. Temos Thierry (André Dussollier), agente imobiliário. Trabalha com Charlotte (Sabine Azéma) e vive com a irmã mais nova, Gaëlle (Isabelle Carré). Esta espera pelo seu príncipe encantado, em vão, e é talvez a única personagem na qual Resnais deposita ainda uma réstia de esperança. Uma das clientes de Thierry, Nicole (Laura Morante), procura um três assoalhadas para si e para o companheiro Dan (Lambert Wilson), ex-militar e alcoólico que afoga as mágoas no bar de Lionel (Pierre Arditi). Este último, por sua vez, toma conta do pai acamado (nunca o vemos, a voz é de Claude Rich). Sinopse um pouco complicada, não? Digamos antes que todas as personagens estão perdidas, a meter dó. Passam uma vida inteira juntas sem se conhecerem. Todas partilham essa arte da ilusão em que a humanidade parece viver com os pés um palmo acima da terra. São flocos de neve que se vêem cair da janela. Talvez expliquem, neste palco de teatros em montagem alternada, o que um dia disse Kafka da preguiça: é o pior dos defeitos. «La vie est un roman», para citarmos um velho filme de Resnais, mas o romance acabou, o amor acabou, já não há mais amigos, resta o silêncio e, para isto, para a ruptura, a solidão, a tristeza, não há aspirina nem consolo. De um plano a outro, Corações ameaça evaporar-se. Se calhar é isso que o torna sublime. Coisas muito difíceis de explicar em prosa, de qualquer modo."
Francisco Ferreira, Expresso de 05/04/2008

5.4.08

LOCAL
São Pedro do Sul


As Termas de S. Pedro do Sul receberam o Prémio Especial Termas...


...atribuído pela conceituada feira de termas, spas, saúde e bem-estar, a Protermal, que decorreu em Madrid, de 27 a 30 de Março. A instância foi a única instituição internacional galardoada com um troféu, os restantes oito prémios foram atribuídos a termas espanholas. A decisão do júri resultou de uma análise aos complexos termais portugueses, considerando que os de S. Pedro do Sul "era o melhor".

2.4.08

I'm Not There - Não Estou Aí
Título original: I'm Not There

De: Todd Haynes

Com: Cate Blanchett, Ben Whishaw, Christian Bale, Richard Gere

Género: Dra, Mus

Classificação: M/12

EUA, 2007, Cores, 135 min.

Photobucket

"Se cada pessoa é um mundo, há pessoas que conseguiram que, no espaço de uma vida, coubessem vários mundos. Bob Dylan é uma dessas pessoas. O homem pareceu constantemente escapar às ideias que sobre ele se edificaram, como se houvessem sucessivas máscaras que fosse colocando no rosto - e sempre escondendo o verdadeiro Dylan, que, para começar, nem sequer se chama Dylan, mas Robert Allen Zimmerman... Eu sei, tenho estado por cá desde os tempos em que ele anunciava que os tempos estavam a mudar - e, muito jovem, deixei-me possuir pela voz roufenha e pela harmónica que traçava rasgos no meu peito como um escalpelo que me induzia a procurar cá dentro a minha própria verdade. Tenho estado por cá e não conheço ninguém que não goste de canções de Bob Dylan, nem ninguém que não se tenha afastado da sua música num ponto qualquer do caminho; alguns gritaram «traição!» e voltaram anos depois, outros foram e vieram, outros chegaram tarde - Dylan não tem fiéis."

"O homem que nos induziu à verdade, que foi o profeta de toda uma geração, é tão «fake» como uma moeda de três euros? Este filme de Todd Haynes não ajuda à resposta, mas constrói-se, caleidoscópio, jogo de espelhos, como hipótese tangencial a várias dimensões de Dylan. Para tanto, esfacelou-o em seis diferentes personagens (e outros tantos intérpretes), em diferentes idades e fases da sua vida, às vezes procurando uma proximidade icónica - de que o exemplo acabado é a mimética e extraordinária prestação de Cate Blanchett -, outras vezes buscando algo de puramente simbólico. O resultado não é um «biopic», já que não há uma narrativa com sequência clara, são clarões, visões transfiguradas de um mito, pontuadas, em contínuo, pelas canções do trovador. E como Todd Haynes é um cinéfilo, um homem que pratica cinema referenciado, os amantes de cinema podem dedicar-se a decifrar a sinalética que, de Lester a Peckinpah, de Pennebaker a Fellini, por ali abunda."

"Não tenho a certeza que alguém que ignore tudo de Dylan consiga orientar-se no dédalo - tanto mais que o seu nome jamais é pronunciado no filme, apenas o genérico nos indica ser a fita «inspirada pela vida e obra de Bob Dylan». Mas as canções estão lá, uma massa que tudo varre como um vento empolgante que não deixa margem para dúvidas. Seria, aliás, curioso poder fazer um esquiço do retrato mental que dele constrói alguém que parta dylaniamente virgem para I’m Not There - Não Estou Aí. Não sei mesmo se ali haverá suficiente informação, de tal modo o filme passa e repassa um tecido cultural e histórico bem delimitado (por exemplo: alguém consegue entender que o primeiro Dylan seja um miúdo negro vagabundo e se chame Woody, ignorando quem foi Woody Guthrie, a sua música, o seu percurso e a influência que Bob Dylan nele foi beber?). Para os outros, todavia, para aqueles que (como o autor destas linhas) tiveram nele uma referência, I’m Not There - Não Estou Aí é um extenso prazer, na descoberta das consonâncias, nas bizarrias desconcertantes com que nos surpreende (caso da sequência com Richard Gere, porventura pouco digerível), na escolha de canções (Haynes pode ter muitos defeitos, nenhum deles é uma tendência para o básico), na deriva de corpos (com uns sentimo-nos à vontade, é ele, com outros resistimos), na interrogação dos restantes comparsas. Mas, sobretudo, o prazer de perseguirmos uma personalidade e só encontrarmos reflexos - talvez Bob Dylan não exista deveras, apenas uma lenda, uma saga, como as dos heróis gregos. Cúmulo dos cúmulos: quando, no termo do filme, o verdadeiro Dylan aparece, finalmente, no ecrã, permanece o efeito de estranheza, como se aquele corpo fosse, afinal, apenas mais um a acrescentar à galeria que desfilara à nossa frente durante mais de duas horas. Não devemos espantar-nos: afinal, desde o título que Todd Haynes nos informara que ele não estaria lá. A verdade sobre um ser humano é uma impossibilidade? Talvez a verdade sobre Dylan, a única que seriamente importa, seja a da música e dos poemas, a das canções, e essa é-nos dada em estado puro. O resto são epifenómenos, a transitoriedade humana."



"I’m Not There - Não Estou Aí é uma experiência visual e sonora singularíssima, uma aventura pelo terreno dos significados e dos materiais cinematográficos como poucas vezes experimentamos. Convido-vos a embarcar no navio: a viagem pode não ser esclarecedora, mas é apaixonante."

Jorge leitão Ramos, Expresso de 28/02/2008


1.4.08

9.º C: Heróis Pop...

Photobucket


[via]
Milhares de multas de trânsito poderão prescrever hoje, data em que finda o prazo de processamento das contra- ordenações praticadas durante todo o ano de 2005 e até ao final do primeiro trimestre de 2006.

Este lote de multas é dado como perdido devido à caducidade do prazo e ao facto de a equipa de juristas contratada em função de um protocolo assinado este mês entre o Ministério da Administração Interna (MAI) e a Ordem dos Advogados não ter feito ainda um trabalho significativo.