31.8.08

Hellboy II: O Exército Dourado
Título original: Hellboy II: The Golden Army
De: Guillermo del Toro
Com: Ron Perlman, Selma Blair, Doug Jones
Género: Acç, Ave
Classificacao: M/12
ALE/EUA, 2008, Cores, 120 min.

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"ELE VEIO do reino dos infernos, criancinha, através de um portal aberto pelos nazis quando tentaram uma aliança com o próprio demo. Depois ficou por cá, mas, educado pelos bons ofícios de um professor, tornou-se um compincha — assim se provando quer a teoria do bom selvagem (não há rapazes nem demónios maus por natureza) quer a esperança de que a escola ou, pelo menos, os professores consigam moldar o carácter dos infantes e pô-los com tal igualdade de oportunidades que até um demónio pode ser agente especial do FBI. Hellboy poderá ter vindo das profundezas do Tártaro (e da BD, é claro), mas é apenas um adolescente desajeitado num corpo adulto, vermelho, muito forte e com duas protuberâncias córneas na cabeça, ou não fossem esses, tradicionalmente, os atributos de Belzebu. Além disso, tem uma vontade de protagonismo que põe em causa o óbvio secretismo com que as autoridades querem rodear a sua existência, pela-se por charutos cubanos e é casado com uma mulher literalmente inflamável. Como se percebe, Hellboy não é personagem para se levar a sério. Nem meio a sério. Ou alguém pode acreditar que há um demónio bom a combater pelo Governo americano? "



"Se a personagem não se pode levar a sério, é possível ir pelo lado da comédia. É o que está por detrás dos méritos quer do primeiro quer, agora, do segundo filme — Hellboy II: O Exército Dourado. A comédia e a visualização de qualquer coisa de mais fundo e inquietante que, a rir e a sorrir, lá vai passando mesmo assim. Já que aquele demónio é apenas um bom tipo numa dimensão que não é a dele, o realizador Guillermo del Toro aproveita o ensejo para deixar passar uma dimensão fantástica que pode ser maravilhosa, mas pode também meter muito medo (e eu acho que o ataque das fadas dos dentinhos traduzem bem isso). Como quem diz que não acredita nos monstros que povoam o escuro e acordam nos pesadelos, mas lá que eles existem, existem. E como quem acrescenta que esse lado oculto, esse imaginário fantasmagórico faz-nos imensa falta. É o melhor deste filme. Perdemo-nos no mercado dos «trolls» com mais gozo que no bar em Tatooine onde Obi-Wan Kenobi ia arranjar transporte no primeiro Star Wars; deleitamo-nos na mitologia das florestas — e naquele gigante arbóreo que é largado no asfalto para destilar ódio e fúria e que, no fim, se transforma, numa das sequências mais surpreendentes da fita — mesmo aceitando que a mensagem ecológica é metida às três pancadas. Olhamos o filme na bonomia de um universo fantástico que não quer ser mais do que, honestamente, afixa. Depois de O Labirinto do Fauno, verificamos que Guillermo del Toro continua a poder reivindicar um estilo. Aumentam as expectativas para The Hobbit, o regresso a Tolkien que ele tem em projecto. "
Jorge Leitão ramos, Expresso de 23/08/2008

30.8.08

LOCAL
São Pedro do Sul


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Um exemplo que passou despercebido mostra a relação pouco sadia do Ministro com as forças de segurança e vice-versa. Mostra também como funciona a máquina da propaganda para tentar inverter a imagem de moleza do Ministro. O Ministro, o ministério, ou alguém por ele, “passou” para os jornais a informação de que fora o próprio Ministro que autorizara a atirar a matar no caso do sequestro de Campolide. Na verdade, se tal aconteceu, é sinal que muitas coisas estão erradas no âmbito das forças de segurança.

Primeiro, porque na actuação de polícias altamente especializadas em casos de criminalidade violenta, em particular no caso de forças como os GOE ou os atiradores especiais, existem protocolos de procedimentos que servem de base à sua actuação. Quem está no comando operacional dessas forças tem toda a autoridade para decidir o que for necessário para evitar males maiores, neste caso, proteger reféns em perigo, mesmo que isso signifique atirar a matar em último recurso. Só espero que agora os comandantes operacionais não vão telefonar ao sr. Ministro, seja este ou qualquer outro, para que partilhe com eles uma responsabilidade que é só sua e que vem com a função. Procedendo de outro modo, como parecem indicar as notícias tão convenientemente colocadas, seja o pedido de autorização por iniciativa do responsável operacional, ou por iniciativa do Ministro, não só se está a violar um protocolo como a agravar um perigo.

O sinal que se dá é duplamente errado: ou se indicia que as polícias tem receio de usar meios mais duros para repor a lei, porque isso as coloca como alvo de críticas, em vez dos malfeitores, como infelizmente acontece todos os dias; ou o Ministro resolveu envolver-se numa acção policial ultrapassando a cadeia de comando, para vir tirar louros do que aconteceu. Se a coisa tivesse corrido mal, certamente a intervenção ministerial não seria publicitada. O resultado é estar-se a politizar uma decisão que deveria ser apenas “profissional” e só um Ministro que não compreende o “ethos” deste tipo de acções violentas é que se lembraria de as usar para compor a sua imagem.

29.8.08

Arte Contemporânea ou blasfémia?...

...uma escultura de madeira com um sapo verde crucificado exposto no Museion, Museu de Arte Contemporânea em Bolzano, norte de Itália, provocou a ira do Papa Bento XVI. Em solidariedade com o presidente do Governo regional, Franz Pahl , que no início do Verão entrou em greve de fome para que removessem a peça de arte contemporânea da exposição, o Papa considerou, em carta enviada ao museu, que a obra era uma blasfémia: “É ofensiva para os cristãos que vêem na cruz o símbolo da salvação”. A direcção do museu vai reunir-se para decidir se retira ou não o sapo da exposição. [Público]

28.8.08

Cálculo curioso...

> Escolha o número de vezes por semana em que gostaria de ir jantar a um restaurante;

> Multiplique por 2;

> Adicione-lhe 5;

> Multiplique por 50;

> Se a data do seu aniversário já ocorreu este ano, adicione-lhe 1758; se não, adicione-lhe 1757;

> Subtraia o número correspondente ao seu ano de nascimento (ex.: 1980, 1974, etc.);

> Deverá obter um número com 3 algarismos;

> O primeiro dos 3 dos algarismos deverá ser o número de vezes por semana em que gostaria de ir jantar a um restaurante...

> Os dois últimos algarismos correspondem à sua idade...

27.8.08

O Movimento Mérito e Sociedade propôs hoje onze medidas para criar mais segurança em Portugal. Para o partido é importante que as penas passem a ser cumulativas, que a polícia possa actuar de forma mais firme e com maior recurso a armas de fogo, que haja uma fusão das principais forças de segurança e que as vítimas tenham um papel mais activo nos processos. No entanto, para o penalista Germano Marques da Silva, ouvido pelo PÚBLICO, muitas destas propostas, para além de “inconstitucionais”, são “bárbaras”.

26.8.08

Ferreira Leite e os sete anões...


• Paulo Mota Pinto — Preparou uma carreira política à sombra do Tribunal Constitucional, para o qual entrou com a extraordinária idade de cerca de 30 anos (sem curriculum anterior) para corrigir as sentenças de juízes dos tribunais comuns;

• Marques Guedes — Político de que se ignora profissão e obra, salvo a proposta para que a Assembleia da República criasse o Dia Nacional do Cão, o que mostra que é uma pessoa sensível;

• Castro Almeida — Ignaro ex-secretário de Estado de Ferreira Leite no Ministério da Educação, cuja obra foi dar asas à “geração rasca”, que, durante meses a fio, andou em alegres manifestações permanentes pelas ruas das principais cidades do país;

• Sofia Galvão — Perita no sector imobiliário, associada de uma grande sociedade de advogados e reconhecida blogger;

• Rui Rio — Autarca que parece concordar com as políticas do Ministério da Administração Interna, visto que terá assinado com esse ministério um contrato de segurança para a cidade do Porto;

• Aguiar-Branco — Corredor de automóveis com vastos pergaminhos e advogado da burguesia portuense, cujas enormes capacidades políticas ficaram patenteadas num Prós & Contras sobre o referendo ao aborto, no qual não foi capaz de expor, durante mais de três horas de debate, um único argumento em defesa do “Não”;

• Paulo Rangel — Advogado ligado a um grande escritório, que retoma habitualmente as funções de deputado nas vésperas das férias parlamentares (assim privando o seu substituto das remunerações devidas durante a silly season), com uma voz de falsete que dá um tom artístico a qualquer discurso sobre segurança.

25.8.08

Na Zara...

A ver se a gente se entende. Um contrato, qualquer contrato (o casamento, por exemplo), a partir do momento em que pode ser denunciado unilateralmente por uma das partes, retira garantias à outra. De acordo. Mas o argumento da violência doméstica “contra as mulheres” é coxo. As mulheres que sentem essa violência na pele não gostaram. Acham, e muita gente com elas, que a Presidência da República devia estar imune à silly season.


*

Em vez der ensaiar uma fundamentação aparentemente "técnica" e jurídica para o veto, melhor fora que Belém tivesse assumido deliberadamente a discordância ideológica e doutrinária que o fundamenta.

*

Onde Cavaco fala em situação de maior fragilidade e debilidade, Câncio decreta que Cavaco, "divorciado da realidade", define as mulheres como "frágeis e débeis". Estas bandeirinhas ridículas estão tão gastas como as solas daquelas "socas" pretas que toda a gente usava a seguir ao "25". Nenhuma mulher, nenhum homem, ninguém é obrigado a casar. O que não se deve é usar o contrato - pois é de um que se se trata - como a tal bandeirinha foleira para efeitos de mero gozo intelectual.

*

Estou completamente solidário com as críticas que são feitas ao Presidente da República a propósito do veto à lei do divórcio. Era só mais o que faltava o Supremo Magistrado da Nação tratar de defender os seus valores e a sua ideia de sociedade. Até parece que foi eleito para isso.

23.8.08

Aquele Querido Mês de Agosto
Título original: Aquele Querido Mês de Agosto
De: Miguel Gomes
Com: Sónia Bandeira, Fábio Oliveira, Joaquim Carvalho
Género: Doc, Fic
Classificação: M/12
FRA/POR, 2008, Cores, 150 min.

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"QUE ORDEM existe entre os efeitos do documentário e da ficção no segundo filme de Miguel Gomes? Aquele Querido Mês de Agosto acredita que podemos descobrir um documentário pelas suas qualidades dramáticas, tal como podemos descobrir uma ficção pelas suas revelações documentais. A partir deste jogo produtivo, do momento em que ficção e documentário interagem nos dois sentidos, há um mundo inteiro que se abre à nossa frente. Mas este é só um aspecto complexo de muitos que não conseguiremos nomear sobre um filme de duas horas e meia que passam a correr, cheio de mistérios, simultaneamente o mais livre que o cinema português nos deu em muitos anos e, não por acaso, o que mais questões teóricas sobre cinema levantou."

"A ficção vai contaminar, de facto, o documentário, em harmonia feliz, graças a um guião que já existia: a história de um melodrama vagamente incestuoso entre um pai, a sua filha e o primo desta. Esse trio romântico forma uma banda fictícia de música popular, os Estrelas do Alva, que anima bailes da região serrana de Arganil. Só que Arganil vai mais longe do que o «décor» pitoresco que se imagina. Também por isso, o filme decide procurar in loco, nas pessoas que vai encontrando, soluções para as suas personagens. Joaquim Carvalho, Sónia Bandeira e Fábio Oliveira, actores não profissionais, são lentamente conduzidos para os papéis do pai Domingos e dos primos Tânia e Hélder. Nada disto seria igual se não se aceitasse de braços abertos as microquimeras de Arganil e arredores, com procissões, «motards», fogos de Verão, velhas lendas como a da «noite dos colhões» e histórias de faca e alguidar, tudo a girar, na primeira metade do filme, em torno de Paulo «Moleiro», esse herói de um extraordinário «far-west» português, o tal que se atira do rio Alva e foi atropelado por marroquinos. Ele é um prodígio de autoencenação, já era lenda local, assim o filme o conserva. Há outros prodígios: 1) a cena da primeira vez entre os dois primos, teste difícil que Gomes ultrapassa com um pudor tocante. 2) o adeus de Tânia e Hélder, sem distinção entre lágrimas e sorrisos. 3) a procura do que se ouve mas não se vê, ou seja, do que há de fantástico no quotidiano, por parte de um director de som inconformado, na sequência final. Acredita-se no quê? Na verdade? Na mentira? Em ambos, evidentemente."



"Há outro aspecto fulcral. Aquele Querido Mês de Agosto permite que a rodagem entre clandestinamente na sua estrutura ao ponto de revelar, do interior, as entranhas da sua própria direcção de actores e produção. Isto adensa o mistério entre o que foi programado pelo filme e o que o acaso lhe deu. E tem, quanto a nós, uma leitura política, em ruptura com o cinema português actual, que nos deixa optimistas: é que a produção e a realização, aqui, unem-se contra as dificuldades. Materializam um acordo precioso em que todos trabalham para o mesmo domínio do caos que o filme soube organizar na montagem, ligando a vida ao mundo e o que vem de dentro ao que vem de fora do cinema pela graça natural do seu movimento."
Francisco Ferreira, Expresso de 23/08/2008

22.8.08

LOCAL
São Pedro do Sul

Fátima Pinho, vereadora do PS na autarquia, “nem” sabe “bem quantos” panfletos foram distribuídos, já que deixou de os ler. Mas “de qualquer forma”, lamenta profundamente e assume que este tipo de situação a “repugna imenso”. “Aquilo são ataques pessoais, são boatos e no fundo anonimamente, é algo que eu condeno veementemente. Parece que estamos na Idade da Pedra”, refere a autarca, que considera que o caso deveria ser investigado pela Polícia Judiciária. “Ao segundo ou terceiro que saiu, eu própria, no final de uma reunião de câmara, informalmente, sugeri que isso seguisse para a Polícia Judiciária. Estas coisas, esta forma de actuar anonimamente, de forma cobarde devia ser investigada, deviamos saber quem são os responsáveis”, acrescenta. Fátima Pinho nunca se sentiu visada, “mas seja como for, estas coisas” surpreendem-na “bastante”.

21.8.08

O veto presidencial ao novo regime jurídico do divórcio é encarado por alguns sectores da sociedade como um ajustamento da lei à realidade sociológica do país, enquanto para outros trata-se de uma decisão "retrógrada" e conservadora.

20.8.08

Hugo Chávez...

...instou os seus simpatizantes a "erradicarem o capitalismo" para fazerem avançar o processo "revolucionário" de implementação de um regime de "socialismo do século XXI", precisando que as terras são propriedade da nação.
É certo que os atletas olímpicos portugueses se têm comportado como turistas. Mas a verdade é que o turista olímpico está muito mais próximo do espírito original dos jogos do que o atleta-funcionário-público. Os críticos queixam-se que o atleta-funcionário-público não cumpre o seu dever para com o Estado que o subsidia. Mas o erro não está na figura do turista olímpico, mas na figura do atleta-fincionário-público. Acabem com os atletas-funcionários-públicos. Não lhes paguem, e o assunto fica resolvido.

19.8.08

WALL·E
Título original: WALL·E
De: Andrew Stanton
Com: Ben Burtt (Voz), Paul Eiding (Voz), Kim Kopf (Voz)
Género: Ani, Com
Classificacao: M/6
EUA, 2008, Cores, 98 min.

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"E às vezes chega um daqueles momentos em que um espectador se extasia e abençoa a existência do cinema, que lhe permite transitar do estado amorfo da sua existência para um reino de fantasia onde os sonhos se materializam. Estou a falar do cinema em geral? Mais ou menos. Mas, neste momento, apetece-me dedicar esta prosa panegírica a um filme que tem o nome enigmático de WALL.E, o mais recente produto dos estúdios Pixar, agora aliados à que foi a verdadeira fábrica de sonhos e fantasias no mundo da animação, a companhia fundada por Walt Disney. WALL.E é o filme mais perfeito dos magos da animação digital, que nos deram obras como Toy Story e À Procura de Nemo (o realizador deste último, Andrew Stanton, é o responsável por este novo trabalho). Poderíamos dizer que WALL.E está para a Pixar como O Extra-Terrestre está para outro mago da arte das imagens, Steven Spielberg."

"WALL.E (um acróstico de Waste Allocation Load Lifter Earth-Class) é um pequeno e simpático robô que tem por função tratar do lixo com que a sociedade de consumo encheu o planeta Terra, tornando impossível a vida e forçando os terrestres a partirem para o espaço numa gigantesca nave (a «Axiom») à espera que de novo surjam sinais de vida. Há 700 anos que WALL.E se dedica, qual Sísifo metálico, a essa tarefa. Ao longo desses séculos, algo se transformou, e WALL.E começou a «interessar-se» por outras coisas, fazendo colecção de pequenos e «inúteis» objectos, contemplando velhos filmes e programas musicais. Por companhia apenas tem uma... barata (segundo especialistas, o único insecto a poder sobreviver num mundo poluído e destruído), que o acompanha por todo o lado, como o grilo falante acompanha Pinóquio. À sua colecção acaba de juntar algo de estranho: uma planta, cuja função desconhece. Do espaço surge então uma nave que lança para a superfície da Terra uma sonda oval, sinuosa e elegante, chamada EVA. Para WALL.E é o «coup de foudre»! Finalmente, uma companhia. E tão bonita! Não a vai largar. Mostra-lhe os seus «tesouros», persegue-a até à nave-mãe, quando EVA regressa com a missão cumprida: encontrar provas de que a vida se tornou de novo possível na Terra. Como o HAL de 2001, Odisseia no Espaço, o robô que dirige a «Axiom» «rebela-se» para manter o controlo sobre os humanos, e WALL.E irá salvar a situação e conquistar EVA, com a ajuda de outros robôs considerados obsoletos."



"WALL.E está cheio de referências aos grandes clássicos da ficção científica (atenção à banda sonora, com melodias bem conhecidas dos cinéfilos), como os já citados e O Extra-Terrestre, e a outros menos conhecidos, como O Cosmonauta Perdido, de Douglas Trumbull, e especialmente a uma pequena jóia injustamente esquecida (eis uma boa oportunidade para um lançamento em DVD), Heartbeeps, de Allan Arkush (1981), a história de um par de robôs apaixonados! WALL.E é uma pura maravilha que nos faz acreditar na magia do cinema. E até consegue fazer-nos gostar de... baratas!"
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 15/08/2008

17.8.08

Para a JS, “o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma forma de combater a homofobia em Portugal”, pelo que os “jotas” socialistas prometem “continuar a defender essa bandeira”.
"Uma operação policial como a que aconteceu no assalto ao BES de Lisboa poderia ter quase todos os desfechos. O único sem mácula seria a libertação dos reféns e a detenção dos assaltantes sem perda de vidas humanas. Sendo a prioridade a sobrevivência e libertação dos reféns, só a polícia tinha os dados para decidir o que fazer. Ao que tudo indica, fez o que podia. Perturbante foi mesmo a reacção popular. Na rua, nos cafés, nos autocarros e nos fóruns de rádios e televisões do dia seguinte não era apenas a natural satisfação com a libertação dos reféns o que dominava as conversas. Era o salivar feliz com o tiro certeiro. Era o sentimento de que com a morte do assaltante se teria feito justiça. Da excitação perante a morte de um assaltante até à desculpabilização da GNR pela morte de um inocente foi um passo. Violando as regras estabelecidas, um militar decidiu disparar sobre um carro de ladrões de material de construção. Matou uma criança de 12 anos. A culpa é dos ladrões? Claro. Serão julgados. Mas espera-se que um agente armado não seja tão irresponsável como eles. Não sabia que a criança lá estava? Pois não. Por isso é que existem regras que têm de ser cumpridas. Porque perante gente irresponsável precisamos de polícias responsáveis. Porque a vida humana está antes de tudo o resto. Porque não vivemos no faroeste."
Daniel Oliveira, Expresso de 16/08/2008

16.8.08

LOCAL
São Pedro do Sul

4 Artistas à Beira-Paiva...

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16 Agosto 08 | 18h00
Centro de Residências Artísticas de Nodar
Nodar, S. Pedro do Sul

15.8.08

O site da JSD foi alvo de um ataque de pirataria informática. Durante parte do dia de ontem, o endereço www.jsd.pt apontava para uma página com a fotografia de Oliveira Salazar, acompanhada de uma mensagem (escrita com várias incorrecções ortográficas) em que o antigo chefe de Governo era elogiado.

14.8.08

Tomb Raider: Underworld...

O debate sobre o que aconteceu a uma criança durante um roubo de material de construção agora é este: quem é responsável por esta morte? Os assaltantes que a levavam ou a GNR que disparou dois tiros para os pneus que, por um azar que desafia a estatística, acabaram no peito do menino. Por isso, já sabem, crianças que tenham o azar de ter pais atrasados mentais que as levam para assaltos não se podem queixar. A polícia não tem culpa e faz o que tem a fazer. O que é a vida de uma criança ao pé do risco de fuga de um assaltante?
Refém em entrevista...

...médica Teresa Paiva fala sobre o assalto no BES!

13.8.08

Cappadocia Cave Hotel...

LOCAL
São Pedro do Sul

Outro presidente de uma câmara que manteve o excesso de endividamento, a de S. Pedro do Sul, sublinhou que "em 2007 foi impossível reduzir o endividamento, já que era necessário fazer um grande investimento no Balneário D. Afonso Henriques, financiado em 90 por cento pela autarquia".

No entanto, alega que "no primeiro semestre de 2008 já foi possível reduzir em 60 por cento o endividamento".

"Acreditamos que a situação está a ficar normalizada", sublinhou.
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter. "Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência.

11.8.08

Com que argumento...


...condenou a Rússia a ocupação do Iraque e agora bombardeia a Geórgia?

Com que argumento condena George Bush a invasão da Geórgia quando ocupou o Iraque?

Com que argumento se condena a intervenção da Rússia por “razões humanitárias” e se apoiou a intervenção no Kosovo?

Com que argumento se condenam os independentistas da Ossétia do Sul e da Abkházia e se apoiam os independentistas do Kosovo?

Com que argumento a Rússia apoia os independentistas da Ossétia e massacra os independentistas da Tchéthénia?

Que autoridade tem a Rússia para falar de razões humanitárias depois de ter feito o que fez na Tchétchénia?

Que autoridade têm os Estados Unidos para falar em soberania quando são os campeões da violação da soberania de terceiros?

O resumo é simples: os Impérios pensam e agem como Impérios. No meio usam argumentos morais, políticos e jurídicos. Quase nunca valem nada. As razões são sempre as mesmas: as do mais forte. O Império está acima da razão. Seja qual for o Império.
Os jornalistas não estão habituados a segredos que não conseguem “furar” e irritam-se particularmente quando não conseguem “antecipar” o que vai acontecer, porque isso é uma negação do seu poder. Os “tabus”, hoje tão banalizados que qualquer recusa em responder de manhã às perguntas de um jornalista sobre um anúncio a fazer à noite se transforma num “tabu”, são uma forma de arrogância do jornalismo que não admite e, pior ainda, pune, não se lhes servir a novidade na hora sejam quais forem as razões que justifiquem não o fazer, a começar pelas razões institucionais.
Memórias #3...

10.8.08

Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
Título original: The X-Files: I Want to Believe
De: Chris Carter
Com: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet
Género: FC
Classificação: M/16
CAN/EUA, 2008, Cores, 105 min.

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"ENTRE 1993 e 2002, ao longo de nove temporadas e mais de duzentos episódios, nos Estados Unidos como em todo o mundo, Ficheiros Secretos constituiu uma das séries mais bem sucedidas — e mais inteligentemente memoráveis — da História da Televisão. No seu cerne uma pequena equipa de agentes do FBI (Fox Mulder e Dana Scully) dedicados a investigar fenómenos misteriosos e paranormais, invariavelmente esbarrando com poderosas oposições no seio do próprio Governo, como se uma conspiração realmente intergaláctica estivesse em marcha. Pelo meio, a vida pessoal de Mulder (nomeadamente o desaparecimento de uma irmã) ia-se interligando com os casos investigados, sempre numa perene oposição/complementação entre a credulidade de Mulder e a suspeição de Scully que, de formação científica, ia tentando temperar a vontade de acreditar (em discos voadores, em extraterrestres, em fenómenos fantásticos) do seu parceiro."

"A série vivia não dos casos em si, mas da sagaz manipulação da dúvida. À vontade de saber dos protagonistas e dos espectadores contrapunha-se a pertinaz ignorância, a acumulação de indícios não contribuindo para a definição dos factos, antes fazendo adensar as névoas. Ora, este tipo de fascínio (e «fascínio» é o termo certo para designar esta série prodigiosa) precisa da duração para operar, não funciona no período fechado de um filme. Isso já se tinha percebido em 1998, quando um primeiro e fracote filme com os personagens da série viu a luz. Isso se temia agora, com este Ficheiros Secretos: Quero Acreditar que o próprio criador da série, Chris Carter, dirigiu e escreveu (de parceria com Frank Spotnitz). Carter, todavia, foi bastante astuto. Começou por desligar tanto quanto possível o filme dos eventos da série (é possível vê-lo sem saber nada do passado, ao contrário do filme de 1998, muito imbricado no conteúdo e nos personagens secundários). Além disso, em vez de o centrar numa ontologia global, focou-o na investigação de um caso de crimes sucessivos, misterioso mas sem nada de alienígeno ou de metafísico, deslocando a paranormalidade para a figura de Joe Crissman, um ex-padre pedófilo que afirma ter visões e, com isso, consegue ajudar as autoridades. É por causa dele que Scully é chamada do hospital onde trabalha como médica e Mulder é resgatado ao seu refúgio rural, onde se isolou do mundo. Afinal de contas, o FBI não sabe se o homem é realmente um vidente ou um charlatão e, por via das dúvidas, considera-o suspeito. Mulder e Scully divergem na opinião sobre ele — o correr do filme há-de mostrar que um deles tem razão, a não ser que seja o outro."

"Ficheiros Secretos: Quero Acreditar é menos a história de Mulder a querer que o real confirme a sua crença e de Scully a querer duvidar, pois o que nos move não é saber se o visionário é legítimo ou falso, mas a decifração dos desaparecimentos das mulheres e dos horrores que somos induzidos a associar a esses desaparecimentos, a prisão dos culpados, o salvamento dos reféns. Tudo o resto, incluindo saber se Deus perdoa as abominações ou se pode falar pela boca dos pecadores, está na prateleira inferior, como um «subplot» que dá tempero ao enredo, mas não a substância. Mas, já agora, não deixa de ser curioso que Carter ponha um padre católico a duvidar do perdão de Deus, incerteza que nenhum fiel da Igreja de Roma jamais possui e que sempre atormentará os seguidores das Igrejas da Reforma. Em todo o caso, o filme propõe-nos a perseverança nas convicções — uma estratégia de não desistência — como «recado» na lapela. Não nos importamos de o usar."



"Esta fita é um «thriller», não uma história de ficção científica ou de cinema fantástico. Como «thriller» é bastante eficaz, orientando a nossa ignorância sem que nos sintamos completamente conduzidos à trela e introduzindo o mistério «metafísico» em cuidadas e ínfimas doses. Em tempo de Verão, providencia o entretenimento que o espectador deseja, sem cansar a cabeça com estrondos, acelerações e vertigens desnecessárias ao bom desenrolar da história e ao seu desfecho. Tem um toque de humor, até no improvável final romântico. Nesse sentido, não está na onda dos «blockbusters» para adolescentes e pipocas, sendo, se quisermos, uma fita para espectadores de meia-idade que não precisam de vasodilatações artificiais."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 09/08/2008

8.8.08

O presidente do conselho de administração da Companhia das Lezírias (CL) e os dois vogais que o acompanham receberam 145 mil euros de prémio pelo desempenho do mandato de três anos e pelos lucros obtidos no exercício de 2007. Segundo fonte próxima do processo, Vítor Barros foi contemplado com 55 mil euros e os vogais Manuel Nogueira e Ana Teresa Vale Caseiro receberam 45 mil euros cada.

*

Há gestores públicos que não enxergam. Vítor Barros, presidente da Companhia das Lezírias, é um deles. O MIRANTE soube que existe um clima de intimidação na empresa, porque alguém quer saber quem fez chegar a O MIRANTE a informação de que os administradores receberam prémios que respeitam a dividendos sobre os lucros.

A notícia tem duas semanas mas voltamos à carga nesta edição porque afinal os dividendos são muitos maiores do que nos tinha sido informado. Em nenhuma situação conseguimos pôr o administrador a contar a verdade.
Alguns comentadores na blogosfera defendem a actuação da polícia dizendo que salvou a vida dos reféns. Mas há que notar que um assaltante não é um assassino. Nada move os assaltantes contra os reféns. A função dos reféns para um assaltante é de servir de barreira entre ele e o seu dinheiro roubado, e a polícia. Não é racional para o assaltante diminuir o tamanho dessa barreira, assassinando reféns.

O único efeito positivo para o assaltante que resulta de assassinar um refém, é o de tornar a ameça sobre os restantes reféns mais credível, fortalecendo a barreira. Mas o assaltante só retira este benefício se tiver na sua posse três ou mais reféns. Se apenas possuír dois, como no caso de ontem, assasinar um deles tem um efeito nulo na credibilidade da ameaça, na medida em que a polícia sabe que o assaltante não tem qualquer incentivo a assassinar o último refém, ficando desprotegido. Ao aceitar libertar o terceiro refém, os assaltantes revelaram não haver qualquer ameaça de vida sobre os restantes dois. O assassinato dos assaltantes foi em vão.

*

Os bancos têm sistemas de segurança que minimizam os custos de cada assalto. As notas estão marcadas, os stocks de dinheiro são reduzidos, os cofres são seguros, existem câmaras de segurança e a lei pune o crime. Qual é então o ganho, do ponto de vista da dissuasão e da protecção de bens, de se encurralar assaltantes armados dentro de um banco cheio de potenciais reféns?

*

Videos do Público e da TSF.
O outro lado de Álvaro Uribe...

7.8.08

LOCAL
São Pedro do Sul

António Carlos Figueiredo, presidente da Câmara de S. Pedro do Sul e da Termalistur (empresa responsável pela gestão das termas), disse à Agência Lusa que, ao contrário da tendência sentida no «panorama termal e no turismo português», o número de aquistas aumentou de 6.654 na primeira metade de 2007, para 7.198 em período homólogo de 2008.

«Dependemos das condições económicas do país mas, para já, conseguimos resistir à crise», frisou.
LOCAL
Vouzela


Moita, Vouzela e Aveiro são, por enquanto, as três únicas autarquias que tiveram luz verde para contraírem empréstimos extraordinários ao abrigo de planos de saneamento financeiro.

3.8.08

W. A. Mozart, 'Requiem: Introitus'
Claudio Abbado
Berliner Philharmoniker
Swedish Radio Choir

1.8.08

For The Birds...

"Uma operação policial como a que aconteceu no assalto ao BES de Lisboa poderia ter quase todos os desfechos. O único sem mácula seria a libertação dos reféns e a detenção dos assaltantes sem perda de vidas humanas. Sendo a prioridade a sobrevivência e libertação dos reféns, só a polícia tinha os dados para decidir o que fazer. Ao que tudo indica, fez o que podia. Perturbante foi mesmo a reacção popular. Na rua, nos cafés, nos autocarros e nos fóruns de rádios e televisões do dia seguinte não era apenas a natural satisfação com a libertação dos reféns o que dominava as conversas. Era o salivar feliz com o tiro certeiro. Era o sentimento de que com a morte do assaltante se teria feito justiça. Da excitação perante a morte de um assaltante até à desculpabilização da GNR pela morte de um inocente foi um passo. Violando as regras estabelecidas, um militar decidiu disparar sobre um carro de ladrões de material de construção. Matou uma criança de 12 anos. A culpa é dos ladrões? Claro. Serão julgados. Mas espera-se que um agente armado não seja tão irresponsável como eles. Não sabia que a criança lá estava? Pois não. Por isso é que existem regras que têm de ser cumpridas. Porque perante gente irresponsável precisamos de polícias responsáveis. Porque a vida humana está antes de tudo o resto. Porque não vivemos no faroeste."
Daniel Oliveira, Expresso de 16/08/2008