31.10.08

As recentes intervenções estatais nas economias...

...não representam a negação do ideal liberal. A noção de que o liberalismo implica a anulação do Estado é uma absurda simplificação ideológica. A sociedade liberal é uma dança entre duas peças inseparáveis: o estado liberal e o mercado. Neste tango de Adam Smith, a esbelta mão invisível do mercado enrola-se na mão-de-ferro do estado, e vice-versa. A crise actual representa uma refundação desta milonga escocesa. Por outras palavras, o ritmo da dança vai ser alterado através da introdução de novas regras financeiras. O tango liberal, meus caros, não está a acabar; está apenas a mudar de ritmo. E esta não será a primeira nem a última alteração do compasso liberal.
Loureiro dos Santos, secundado pelo antigo chefe do Estado-maior do Exército, general Garcia Leandro, e pelo presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, disse que um grupo de militares menos prudentes «pode fazer alguns disparates, mas que poderão ter uma certa repercussão pública não só nacional, mas até internacional e portanto ter também efeitos muito negativos para a nossa democracia avançada e madura». A ameaça (usando anónimos), vinda, mesmo que por portas travessas, de quem tem, por decisão do Estado, armas, demonstra falta de adequação às regras democráticas.

[o artigo]


No ranking das vinte piores escolas só uma é privada. No ranking das vinte melhores só uma é pública. É claro que isto não quer dizer absolutamente nada sobre o trabalho dos professores do ensino público. Absolutamente nada. Eu é que embirro com os professores. Mas os Professores estão atentos. Olhem para eles a abordar a questão da qualidade de ensino.

29.10.08

LOCAL
Viseu


As eleições da Distrital do PS ocorreram no dia 24 e 25 e, José Junqueiro era o único candidato. Um líder que conquistou "o maior número de votos de sempre", conseguindo 96.2 por cento dos 1042 votantes.

27.10.08

W.
Título original: W.
De: Oliver Stone
Com: Josh Brolin, Thandie Newton, Elizabeth Banks, Richard Dreyfuss
Género: Dra
Classificação: M/12
EUA/Hong-Kong, 2008, Cores, 131 min.

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"ESTE FILME de Oliver Stone, ele que é um especialista a reagir às convulsões do seu tempo, é um fruto do acaso. Ao longo de 2007, Stone trabalhou na montagem financeira de Pinkville, investigação sobre o massacre de My Lai, na Guerra do Vietname, mas a greve dos argumentistas adiou o projecto. Stone — nada de novo para a sua costela «left wing» — não brinca com sindicatos. Normalmente, também não brinca com o cinema. É famosa a sua disciplina de ferro quando se trata de transformar em filme a investigação de um facto histórico. Foi assim com o magnífico JFK, com Nixon, e o mesmo se passou com o seu retrato-entrevista a Fidel Castro (Comandante). Stone, também já todos o sabem desde Platoon, foi soldado no Vietname. Pouco tempo antes, teve uma passagem fugaz pela Universidade de Yale, onde, ao que parece, se cruzou com um tal de George W. Bush."

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"No Natal de 2007, sem Pinkville, o realizador junta-se ao argumentista Stanley Weiser e decide escrever um guião sobre a vida do seu antigo colega de faculdade. Chamou-lhe W. O projecto foi erguido com 20 milhões de dólares (coisa pouca para aquelas bandas) e muita urgência, já que Stone queria estreá-lo antes das presidenciais que aí vêm (e assim sucedeu). O que temos? A vida de um «Jr.» nascido no Connecticut e educado no Texas, primogénito de uma família tradicional com larga história no Partido Republicano. Um tipo um tanto parolo, que se metia nos copos e era mais amigo de doidivanas do que de política. O percurso deste alcoólico estroina, mais tarde convertido à sobriedade e ao cristianismo (ou aos «cristãos renascidos»), é incrível, já que ele tornar-se-ia, trinta e tal anos depois, e após ter recebido uma «chamada de Deus», no Presidente da maior potência do mundo contra todas as probabilidades."

"Se não nos falha a memória, W. é o primeiro «não documentário» da história do cinema americano sobre um Presidente do país ainda em funções. O Bush que Stone «inventou» a partir de depoimentos de vários biógrafos é um homem que, no fundo, só chegou aonde chegou por querer conquistar o respeito e o amor do seu pai. É um ponto de vista, mas também um tipo de psicologismo superficial que, cinematograficamente, interessa pouco. Em termos estruturais, também não se pode dizer que Stone marque pontos em W., «saltando» aleatoriamente por várias etapas de Bush (sem tocar no ataque às Twin Towers) até ao fim do seu primeiro mandato. Por outro lado, W. também não acusa nem glorifica um «actor indesejado» agora prestes a sair de cena, salvando-se Stone de qualquer género de cruzadas demagógicas, ao jeito de um Michael Moore."



"Onde está o maior interesse de W., afinal? Na reflexão sobre a natureza e o poder da imagem. Digamos que, se o «documentário Bush» (a imagem que dele faz o mundo) é o Bush que a TV deu a ver, essa imagem — e W. esforça-se por prová-lo — não é verdadeira. Foi uma imagem manipulada pela Casa Branca e teve consequências: valeu uma invasão militar a partir de um pretexto falso e a reeleição, em 2004, do mais estouvado dos presidentes. Stone parece seguir o mesmo método, mas manipula ao contrário: ao «documentário Bush», o realizador opõe a «sua ficção» do Presidente. Uma ficção que é uma mentira perfeita, sem expor-se no sarcasmo e a jogar com coragem no mesmo terreno das imagens da TV. Repare-se que, exceptuando o papel (por sinal, o melhor do filme) de James Cromwell, que interpreta «à distância» o Bush pai, todos os outros acentuam uma mímica descarada das pessoas que retratam: Richard Dreyfuss na pele de Dick Cheney, Thandie Newton na de Condoleezza Rice e, sobretudo, Josh Brolin na de George W. Bush. Não há distância entre a realidade e a ficção, entre a imagem verdadeira e a falsa, num filme em que os actores respondem pelo nome de pessoas e tudo fazem para se parecer com elas. Por causa deste efeito perverso, por ter sido feito à pressa e no calor do momento, W. não pode comparar-se ao valor de JFK e Nixon. A imagem, aqui, é bidimensional, passa a correr, não pode ser levada a sério. Se W. é um trabalho incrível de especulação histórica como poucos o foram na história do cinema, só o é porque está em perfeita sintonia com o seu tempo. Agora, quando o facto se torna lenda, surge a tragédia. Quem se lixa é quem acredita na imagem."
Francisco Ferreira, Expresso de 25/10/2008
LOCAL
São Pedro do Sul


As termas de S. Pedro do Sul, geridas pela empresa municipal Termalistur, que nos últimos anos atraíram uma média de 25 mil utentes, cresceram 8% (mais 533) no primeiro semestre de 2008. Segundo a autarquia, a estância "lidera o grupo das quatro termas onde se registou aumento de frequência". E domina o ranking ao deter "cerca de um quarto da população termal portuguesa".

Ao crescimento de S. Pedro do Sul não é alheio, segundo a autarquia, o investimento de 10 milhões de euros concluído o ano passado na requalificação do balneário D. Afonso Henriques (o mesmo tinha acontecido antes com o Rainha D. Amélia) que à sua conta passou a ter uma capacidade para 45 mil aquistas/ano, sendo um dos melhores da Europa.

21.10.08

Se o ridículo matasse...

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...quem queira ver um bom e bonito filme, vá ao cinema, ver o Mamma Mia. Que beleza, nomeadamente as paisagens, a fotografia. Meryl Streep esmaga, mais uma vez. (...) Pierce Brosnan também faz sorrir, por ter aceite passar de 007 para este filme cheio de candura, pleno de sentimento e sem qualquer violência. E que bem faz ouvir as músicas dos Abba. Quando o filme acabou, desatou tudo a bater palmas na sala do Cinema Londres.

20.10.08

Lou Reed - Berlim
Título original: Lou Reed's Berlin
De: Julian Schnabel
Género: Doc, Mus
Classificação: M/6
EUA/GB, 2008, Cores, 85 min.

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"No início há um casal de drogados, estamos em Berlim, início dos anos 70. O homem, ainda jovem, chama-se Jim. Como ele assume o papel de narrador da história, projecta uma tragédia de cortar à faca na parte feminina do casal, Caroline, sua companheira, presa a uma espiral de loucura. Jim assiste lentamente à queda de Caroline. Esta história, famoso melodrama de janados inspirado em factos verídicos, é a história de Berlin, terceiro álbum a solo de Lou Reed, gravado em 1973. "

"Não se sabe ao certo por que motivo Reed nunca tocou Berlin ao vivo durante os 33 anos que se seguiram. Em 1973, Lou já era um deus depois de toda a história dos Velvet Underground e do êxito colossal de Transformer, matriz do glam rock, famoso pelo seu «wild side». Mas o «wild side» de Berlin é outro, profundamente mais negro e triste. Já não estamos na Nova Iorque efervescente e bissexual da Factory de Warhol, mas numa Berlim cinzenta, não menos viciosa, tão fria quanto a guerra que lhe erguera um muro e a dividira em dois. Entre a festa de Transformer e a decadência de Berlin existe um abismo. Há quem jure que Berlin, para Reed, estava muito mais perto do osso do que as lantejoulas do passado. Há quem diga que as dez canções de Berlin nunca se adequaram a um concerto ao vivo, já que o disco produzido por Bob Ezrin foi concebido como uma ópera-rock. Também há quem defenda que o redondo fracasso comercial do disco nos EUA perturbou Reed, que rapidamente quis mudar de página, apesar das vozes que logo consideraram Berlin uma obra-prima."

"Em Dezembro de 2006, Lou Reed decidiu retirar o disco dos escombros e «levou-o à cena» durante cinco noites, no St. Ann’s Warehouse de Brooklyn. Foi este o filme-concerto que Julian Schnabel registou em 16mm e que agora chega às salas. Schnabel foi também responsável pela decoração: filmou um conjunto de «sketches» que procuram reflectir a vertigem das canções (destaca-se uma Emmanuelle Seigner no papel que se presume ser de Caroline). Esses «sketches», algo abstractos, foram retro-projectados durante os espectáculos. Reed acabaria por aproveitá-los e lançar uma «Tournée Berlin» que pôde ser vista em Portugal, no passado mês de Julho. No filme, Reed está acompanhado de Steve Hunter (guitarrista do álbum de 1973), do vocalista Antony Hegarty, de uma panóplia de outros músicos e instrumentos que não faziam parte da base instrumental do disco (trompas, violinos e violoncelos...) e, surpresa, do Brooklyn Youth Chorus, composto por 35 adolescentes. Não se pode deixar de referir o choque provocado entre estas vozes celestiais e as letras das canções do disco, que são histórias de autodestruição terríveis. Para além das dez canções de Berlin, Reed deixa-nos três encores: uma versão brilhante do seu «Rock Minuet» (do seu álbum Ecstasy, de 2000), um dueto de «Candy Says» com Antony Hegarty (também ele de voz angelical) e «Sweet Jane», a magnífica canção dos Velvet que é outra história de amor sobre outra dupla de revoltados."



"Um «rock’n’roll animal» numa «rock’n’roll band»: não se espere menos do que isto."
Francisco Ferreira, Expresso de 18/10/2008

17.10.08

Do Outro Lado
Título original: Auf der Anderen Seite
De: Fatih Akin
Com: Baki Davrak, Tuncel Kurtiz, Nurgül Yesilçay
Género: Dra
Classificação: M/12
ALE/ITA/Turquia, 2007, Cores, 122 min.

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"Do Outro Lado é o primeiro filme de Fatih Akin, realizador alemão de origem turca, a estrear entre nós, e revela uma personalidade forte e a ter em conta no cinema europeu do futuro. Premiado em vários festivais, especialmente na categoria de Argumento (como aconteceu em Cannes), Do Outro Lado conta uma história de destinos cruzados, sem que as personagens principais disso dêem conta, desenvolve-se em dois países, Alemanha e Turquia, e em três episódios (os dois primeiros de «exposição» e o terceiro de «síntese»). O filho de um emigrante turco que matou uma prostituta, professor de literatura, parte para Istambul, procurando a filha desta, num acto de redenção, enquanto na Alemanha aquela procura a mãe, que não dava notícias. Estes percursos opostos de destinos cruzados vão marcar a vida de todos, em especial a da mãe da jovem alemã, magnificamente interpretada por Hanna Schygulla, que foi a diva de Fassbinder. Um final surpreendente e enigmático."



"A forma notável como Fatih Akin enreda as duas histórias (com cruzamentos inesperados) revela-o como um mestre na arte de narrar."
Miguel Cintra Ferreira, Expresso de 11/10/2008

15.10.08

4 antivírus que podem ser usados gratuitamente e via Internet...

CA - http://ca.com/us/securityadvisor/virusinfo/scan.aspx :
Antivírus da ComputerAssociates. Precisas apenas de confirmar a execução, quando uma mensagem de ActiveX for exibida. Funciona apenas via Internet Explorer.

MCAFEE - http://us.mcafee.com/root/mfs/:
Antivírus online da McAfee. Utiliza o mesmo mecanismo premiado da McAfee para desktops. Funciona apenas via Internet Explorer.

PANDA - http://www.pandasecurity.com/usa/homeusers/solutions/activescan/:
Versão online do Panda Antivirus. Rastreia mais de 180 mil vírus, trojans e worms. Funciona apenas via Internet Explorer.

TREND MICRO - http://housecall.trendmicro.com/:
Antivírus Trend Micro via Internet. Além de varrer o computador a procura de vírus, procura vulnerabilidades do Windows, impedindo a infestação.

13.10.08

Desejos Selvagens
Título original: Savage Grace
De: Tom Kalin
Com: Julianne Moore, Stephen Dillane, Elena Anaya
Género: Dra
Classificação: M/18
ESP/EUA/FRA, 2008, Cores, 97 min.

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"ESTE SURPREENDENTE — e talvez chocante para muitos espectadores — Desejos Selvagens é a segunda longa-metragem, 15 anos depois da primeira, que o professor de Realização de Cinema na Universidade da Califórnia Tom Kalin dirige. Foi em 1992 que Kalin surpreendeu com o filme Swoon — Colapso do Desejo, que nos conta a história de Richard Loeb e Nathan Leopold Jr., que na década de 20 do século passado raptaram e assassinaram um adolescente (caso que inspirou também dois filmes bem conhecidos: A Corda, de Alfred Hitchcock, e O Génio do Mal, de Richard Fleischer, com Orson Welles)."

"Quinze anos depois, outro tema provocante e outra história inspirada num caso real. Desta vez, trata-se da tragédia de Barbara Baekeland, do marido e do filho, que envolve sexo, crime, incesto, tendo por pano de fundo a alta sociedade americana, desocupada e em vilegiatura pelo mundo."

"Desejos Selvagens é a adaptação do livro de Natalie Robins e Steven M. L. Aronson, que conta, com um realismo brutal, o drama daquela família disfuncional, desde o nascimento do filho Tony (interpretado por Barney Clark, em criança, e por Eddie Redmayne, em adulto), em 1947, até à tragédia, que ocorre em 1972. Ao longo de um quarto de século, o filme dá-nos uma hábil reconstituição de época, sem necessidade de recorrer a grandes efeitos, que nos leva da sofisticação americana dos anos 40 à «swinging London» da década de 70, ao fazer-nos acompanhar o percurso (a)moral e social daquela família."

"Desejos Selvagens é, principalmente, a história de uma mulher, Barbara Daly (fabulosa Julianne Moore, com uma interpretação soberba, ao nível da que nos deu em filmes como Seguro e Longe do Paraíso, ambos dirigidos por Todd Haynes). Barbara, modelo e candidata a actriz em Hollywood, no pós-guerra casa com o herdeiro da família Baekeland, Brooks (Stephen Dillane, de novo ao lado de Julianne Moore, depois do sucesso de As Horas), num desejo de promoção social que, contraditoriamente, o seu comportamento põe, com frequência, em causa, devido à sua linguagem desbragada e a um sentido para a provocação. Este comportamento vai a pouco e pouco alienando o marido, que passa o tempo em conquistas de ocasião, explorando a história da sua família (o avô fora o descobridor do plástico baquelite, que o enriquecera) e da sua fortuna, que se limita a gastar, junto de jovens ambiciosas, enquanto Barbara se envolve com o filho numa relação possessiva, de que resulta uma criança de sensibilidade delicada, indecisa e angustiada e que em adulto vai revelar uma sexualidade ambígua, que se afirma abertamente homossexual quando o próprio pai lhe rouba a namorada que arranjara em Espanha. Na verdade, coincidindo com outros retratos femininos do cinema de Tom Kalin, a jovem espanhola não é mais do que uma oportunista e uma caça-fortunas que vê em Brooks e na situação de desagregação do seu casamento o objecto de conquista perfeito."

"A vida de Tony entra, agora, em franco processo de desagregação, sem energia para reagir às situações de dependência. A reacção de Barbara face à situação é estranha. Se a ruptura com o marido provoca uma das suas cenas habituais de agressividade, a forma como se envolve no processo autodestrutivo do filho e o tenta resolver é de uma inesperada brutalidade (não de violência, mas na fórmula de resolução do problema), culminando numa das cenas mais chocantes que o cinema mostrou e que aproxima Desejos Selvagens do filme francês Minha Mãe, que Christophe Honoré adaptou de Georges Bataille."



"A direcção do filme é bastante cuidada, tanto na reconstituição de época como na direcção de actores (o jovem Eddie Redmayne, que foi, depois, um dos intérpretes de Duas Irmãs, Um Rei, revela-se como um actor a ter muito em conta para o futuro). A «patine» de decadência que paira sobre Desejos Selvagens faz dele, sem dúvida, um dos filmes mais interessantes da temporada."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 12/10/2008

11.10.08

A crise do subprime...



LOCAL
Vouzela

A Câmara de Vouzela corre o perigo de perder parte significativa do financiamento comunitário (1,5 milhões de euros) para a construção da variante de Cambarinho, orçada em três milhões. Tudo porque oito proprietários de terrenos não aceitaram as indemnizações propostas pela autarquia, e avançaram com uma providência cautelar em tribunal, que travou a continuidade da obra, na área pertencente a Cambarinho.

10.10.08

Ser Chefe...

...a última vez que me tinham chamado coisas risíveis com ar sério foi há muitos anos, aquando da experiência militar. O termo fora "mancebo". Agora, passadas décadas, e depois de ter contactado com aquele delicioso termo que é "cabeça de casal" (o que pressupõe que a outra parte é o corpo, um apêndice ou um membro), vejo-me confrontado com o "chefe de família". É evidente que vou aproveitar e não deixarei que ninguém usurpe esta função ou me faça perder a oportunidade. Em casa vou começar a exigir que me tratem assim, por "chefe", impondo o tratamento correspondente. E quando tiver que me dirigir a um centro de saúde, seja com bicos de papagaio, reumatismo, senilidade ou qualquer outra mazela habitualmente associada à velhice, não irei cabisbaixo e tremeliques, não admitirei faltas de respeito por parte das funcionárias ou dos médicos. Pelo contrário, seguirei de cabeça erguida e em passo majestoso. Como convém a um chefe. Oportunamente pedirei para substituir o termo por "líder", como se usa agora.
resumindo e baralhando: hoje vota-se na assembleia acerca deste assunto e esta hipótese de lifting a uma cerimónia em processo de abimbalhamento progressivo será adiado, o partido da maioria concorda mas vota contra, como fará questão de assinalar, diz-se que por medo de perder votos, sobretudo ao ao centro que é por onde anda virtude, lá diz o povo que é quem sabe. as eleições não tardam e quem tem cu tem medo, lá diz o povo também. eu próprio não consigo pensar em ditado mais apropriado.

A disciplina partidária tem um limite: é aquele que nos retira a dignidade. E não há disciplina que possa obrigar alguém a votar contra uma coisa depois de dizer que se concorda com ela e que se acha mesmo que ela é fundamental para o respeito pela Constituição.

9.10.08

Pílula leva mulheres a escolherem o homem errado: Estudo britânico revela que contraceptivo altera capacidade instintiva de escolher o parceiro. É tudo uma questão de olfacto

A pílula pode alterar a capacidade instintiva das mulheres escolherem o seu parceiro. Segundo um novo estudo britânico, divulgado quarta-feira pela AFP, o contraceptivo altera a predisposição natural de escolher um homem com genes diferentes, de modo a garantir a diversidade favorável à espécie.

É tudo uma questão de olfacto: as mulheres sentem-se atraídas pelo cheiro de homens geneticamente diferentes.

Segundo o resultado deste estudo, publicado nos anais da Sociedade Real Britânica, «as mulheres, que começam a tomar pílulas anticoncepcionais, passam a preferir homens cujos odores são geneticamente similares», revela o principal autor da investigação, Craig Roberts, da Universidade de Liverpool.

A equipa de Roberts fez uma experiência com um grupo de 100 mulheres, pedindo que indicassem as suas preferências entre vários odores masculinos de 97 voluntários, antes e depois de terem começado a tomar a pílula.

Detergentes, desodorizantes, perfumes e o fumo do cigarro foram proibidos para não prejudicar a experiência.

As mulheres tiveram assim a possibilidade de escolherem o melhor parceiro através do odor corporal: os genes que o controlam são os mesmos que também trabalham no sistema imunológico - os genes do Complexo Maior de Histocompatibilidade (CMH/MHC).

O facto de as mulheres que tomam a pílula preferirem os homens com genes semelhantes acarreta problemas, explica Craig Roberts: «Por um lado, a compatibilidade genética dos casais pode provocar problemas de fertilidade», mas também «pode levar ao fim da relação, quando as mulheres deixam de tomar a pílula» - o papel do olfacto é muito importante na atracção do casal.

8.10.08

Isto existe?...

Empresa que produz o computador “Magalhães” vai a tribunal: a JP Sá Couto, empresa responsável pela produção dos computadores “Magalhães”, é arguida num processo de fraude e fuga ao IVA, onde o Estado terá saído lesado em mais de cinco milhões de euros.

7.10.08

Após a partida de Durão Barroso...

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...[o PSD] experimentou Santana Lopes, Marques Mendes e Menezes. Muitos pensaram — eu também — que só o baronato mais urbano, empresarial e cavaquista poderia já restabelecer a indispensável coesão. Cruel engano. Na hora da verdade, um deserto de disponibilidades e capacidades obrigou a recorrer a uma líder relutante por temperamento, dispersiva nos interesses, omissiva na estratégia e ferida no currículo. A qual, como aqueles seus antecessores, entre tropeçar nos próprios erros e andar a fugir às ciladas dos seus rivais internos, não consegue correr os cem metros em linha recta nos quais o eleitorado vislumbra um caminho e entrevê um objectivo.
Todas as semanas o incontornável BB espirra moralismo nos jornais, vergastando homens sem ética que, ao contrário dele, gostam de comer na gamela pública do orçamento. Baptista-Bastos, não: ele apenas «pediu» uma casa; se os outros a ofereceram, o problema não é dele.

Para além da questão do necessário fundamento legal, não vejo nenhum fundamento nem moralidade política em um município disponibilizar casas para arrendamento a particulares, fora das atribuições em matéria de habitação social, como sucede no caso de Lisboa. Por isso, independentemente do favoritismo na escolha dos beneficiários e do tratamento de favor quanto às rendas, trata-se desde logo de uma situação inaceitável, por estar fora das atribuições do município. O município deve, pura e simplesmente, acabar com essa situação, mesmo em relação aos casos existentes, já que ninguém deve poder invocar direitos nem interesses legítimos em situações de favor.

4.10.08

Destruir Depois de Ler
Título original: Burn After Reading
De: Ethan e Joel Coen
Com: George Clooney, Brad Pitt, John Malkovich
Género: Com, Cri
Classificação: M/12
EUA, 2008, Cores, 96 min.

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"«GIVE ME A REPORT... when it makes sense», diz, às tantas, um incrédulo agente da CIA, já lá para o meio do filme, perante os factos que lhe são narrados. O agente da CIA tem a boca aberta de espanto e a coisa não é para menos. Talvez seja produtivo começar por aqui, pela «falta de sentido» de Destruir Depois de Ler, novo filme dos Coen estreado no Festival de Veneza."

"Que mais poderiam fazer os manos do Minnesota depois do êxito de Este País Não é para Velhos, dos quatro óscares recebidos, isto para não falar das dezenas de outros prémios e nomeações? Que mais poderiam dar (e eles que são revisionistas assumidos) depois de terem tocado em praticamente todos os géneros do cinema clássico ao longo dos últimos vinte anos com uma marca que não deve nada a ninguém? Talvez apostar num bando de idiotas. Num filme sobre a inércia da burocracia. Num imbróglio descartável como uma chiclete, a piscar o olho a Ionesco e Beckett. E, com tudo isso, permitir-nos ver que, entre os planos, na produção, nos panos de fundo, este filme deve ter dado um gozo tremendo a ser feito."

"Há vedetas aos montes em Destruir Depois de Ler (Clooney, Pitt, Malkovich, Tilda Swinton), mas o que é incrível é que temos a ilusão (e é claro que é só uma ilusão...) que todos eles se despiram do vedetismo e leram o argumento na véspera. Parece que estão a fazer «um filme de segunda». Como se os Coen, depois do filme perfeito (Este País Não é para Velhos), tão perfeito que até chateava, quisessem ter voltado à selvajaria descontrolada de Fargo, o tal filme em que os maiores méritos iam para uma agente da polícia grávida, chamada Frances McDormand. Frances também brilha em Destruir Depois de Ler. Entra de surpresa, num golpe genial de «mise-en-scène», numa cena de consultório. A sua personagem, Linda Litzke, quarentona, secretária de um ginásio e frequentadora de «chats» na Net, está doida para fazer uma cirurgia plástica."

"Antes disso, já sabemos que Osbourne (Malkovich), ex-analista da CIA que agora quer escrever as memórias, está a ser enganado pela mulher, Katie (Tilda Swinton), e que esta mantém um caso com outro escroque, Harry (Clooney), também ele frequentador de «chats» nas horas vagas."

"Ainda temos Chad, (Brad Pitt com penteado de «boys band» dos anos 80), colega de Linda no ginásio, que começa a chantagear Osbourne. A chantagem leva-o a uma cena de armário notável que recorda o Veludo Azul de Lynch e acaba em tons tarantinescos de Pulp Fiction. Entretanto, e para a coisa se complicar mais, Harry já seduziu a Linda pela arte da cibernética."

"Nesta farsa à América contemporânea em que todos os actores são protagonistas e nada cola entre as personagens, cada uma terá direito a disparar o seu cartucho, a «fazer o seu cocó» nos passeios de Washington, à sua maneira. Para aqueles lados, o mundo parece mesmo pequenino e a parvoíce é coisa extravagante."



"Não quer ser levada a sério e não é nada fácil filmar isto, ainda por cima com um naipe de actores milionários que aceitam entregar-se ao ridículo, com um desplante incrível, sem temerem as consequências. Talvez seja por isto que gostámos tanto deles."
Francisco Ferreira, Expresso de 04/10/2008

3.10.08

A propaganda do ano...

Os noticiários abriram há dias, com pompa e circunstância, anunciando o lançamento do "Primeiro computador portátil português", o "Magalhães". A RTP refere que é um projecto português produzido em Portugal". A SIC refere que "um produto desenvolvido por empresas nacionais e pela Intel" e que a "concepção é portuguesa e foi desenvolvida no âmbito do Plano Tecnologico."


Na realidade, só com muito boa vontade é que o que foi dito e escrito é verdadeiro. O projecto não teve origem em Portugal, já existe desde 2006 e é da responsabilidade da Intel. Chama-se Classmate PC e é um laptop de baixo custo destinado ao terceiro mundo e já é vendido há muito tempo através da Amazon.

As notícias foram cuidadosamente feitas de forma a dar ideia que o "Magalhães" é algo de completamente novo e com origem em Portugal. Não é verdade. Felizmente, existem alguns blogues atentos. Na imprensa escrita salvou-se, que se tenha dado conta, a notícia do Portugal Diário: "Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto."

Pelos vistos, o jornalista Filipe Caetano foi o único a fazer um trabalhinho de investigação em vez de reproduzir o comunicado de imprensa do Governo.

A ideia é destruir os esforços de Negroponte para o OLPC. O criador do MIT Media Lab criou esta inovação, o portátil de 100 dólares...

A Intel foi um dos parcceiros até ver o seu concorrente AND ser escolhida como fornecedor. Saiu do consórcio e criou o Classmate, que está a tentar impor aos países em desenvolvimento.

Sócrates acaba de aliar-se, SEM CONCURSO, à Intel, para destruir o projecto de Negroponte. A JP Sá Couto, que ja fazia os Tsumanis, tem assim, SEM CONCURSO, todo o mercado nacional do primeiro ciclo.

Tudo se justifica em nome de um número de propaganda política terceiro-mundista.

Para os pivots (ex-jornalistas?) Rodrigues dos Santos ou José Alberto Carvalho, o importante é debitar chavões propagandísticos em vez de fazer perguntas. Se não fosse a blogosfera - que o ministro Santos Silva ainda não controla - esta propaganda não seria desmascarada. Os jornalistas da imprensa tradicional têm vindo a revelar-se de uma ignorância, seguidismo e preguiça atroz.

[via e-mail]

Quem tem estas casas gratuitas (é isso que elas são) é gente poderosa. Há assessores dispersos por várias forças políticas e a vários níveis do Estado, capazes de com uma palavra no momento certo construir ou destruir carreiras. Há jornalistas que com palavras adequadas favoreceram ou omitiram situações de gravidade porque isso era (é) parte da renda cobrada nos apartamentos da Quinta do Lambert e noutros lados. O silêncio foi quebrado agora que os media se multiplicaram e não é possível esconder por mais vinte anos a infâmia das sinecuras. Os prejuízos directos de décadas de venalidade política atingem muitos milhões.

2.10.08

LOCAL
São Pedro do Sul

Água dos rios portugueses com «má qualidade»...

...A Quercus analisou 20 amostras, recolhidas a semana passada, recolhidas em 14 rios e ribeiras. Qualidade boa só foi obtida no rio Corgo (Vila Real), Vouga (S. Pedro do Sul), Tejo em Constância e Guadiana (Serpa).
Bem-vindo ao Norte
Título original: Bienvenue chez les Ch'tis
De: Dany Boon
Com: Kad Merad, Dany Boon, Zoé Félix
Género: Com
Classificação: M/6
FRA, 2008, Cores, 106 min.

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Jorge Leitão Ramos, Expresso de 27/09/2008