31.12.08

Não me lembro de nenhuma declaração presidencial tão dura em trinta anos de democracia, como esta sobre o Estatuto regional dos Açores. Se ela traduz o estado de espírito de Cavaco Silva -- e não há nenhuma razão para pensar o contrário --, então só a ingenuidade pode admitir que este episódio não terá consequências funestas no futuro para a relação entre Belém e São Bento. Como, aliás, os mais avisados tinham advertido...

30.12.08

Aceder à informação do seu perfil no Facebook ou no MySpace, ou aos seus dados pessoais no Skype, custa no mercado negro online em geral pouco mais de um euro. O endereço de correio electrónico sai quase de borla: cada milhão de endereços válidos custa apenas 5 euro às empresas que enviam mensagens comerciais não solicitadas ao abrigo de leis anti-spam tão ridículas quanto inúteis. Mais caras são, naturalmente, as informações bancárias, que orçam a partir de 44 euro.

26.12.08

LOCAL
São Pedro do Sul

Filho de Rambow - Um Novo Herói
Título original: Son of Rambow
De: Garth Jennings
Com: Neil Dudgeon, Bill Milner, Jessica Hynes
Género: Comédia Dramática
Classificacao: M/12
ALE/FRA/GB, 2007, Cores, 96 min.

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Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 20/12/2008

22.12.08

LOCAL
São Pedro do Sul

Eleições para a Misericórdia de Santo António: e os vencedores são...




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LOCAL
Vouzela

Doces de ovos, cabrito estonado e maranhos integram a lista de dez pratos portugueses que correm risco de desaparecer, por falta de quem os faça ou por estarem a ser adulterados, mas uma associação já os 'guardou'. Numa outra possível lista de produtos a preservar estarão o pastel de nata, que segundo Maria de Lurdes Modesto "está a ser mal feito e confundido com o pastel de Belém", os pastéis de Vouzela, os celestes de Santarém e a escorcioneira cristalizada.

21.12.08

Mulheres!
Título original: The Women
De: Diane English
Com: Meg Ryan, Annette Bening, Eva Mendes
Género: Comédia, Drama
Classificacao: M/12
EUA, 2008, Cores, 115 min.

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Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 20/12/2008

20.12.08

18.12.08

LOCAL
São Pedro do Sul

Fátima Pinho candidata à Câmara...

...a formalização da escolha de Fátima Pinho como candidata do Partido Socialista à Câmara Municipal de São Pedro do Sul irá ocorrer no próximo dia 22, em reunião da comissão política local a realizar para o efeito. Adelino Aido, de Pindelo dos Milagres, será o seu número dois.

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Salvem os ricos...

15.12.08

O Dia Em que a Terra Parou
Título original: The Day The Earth Stood Still
De: Scott Derrickson
Com: Kathy Bates, Keanu Reeves, Jennifer Connelly
Género: Drama, Ficção Científica
Classificação: M/12
EUA, 2008, Cores, 92 min.

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"NO INÍCIO dos anos 50, O Dia em que a Terra Parou de Robert Wise foi um marco no caminho da ficção científica cinematográfica. Narrava a história de uma nave que descia à Terra com um ser sob forma humana e um robô gigantesco que, em nome dos outros planetas habitados da nossa galáxia, nos vinham avisar que o estado bélico em que nos encontrávamos punha em risco a paz cósmica. Em nome de todas as civilizações extraterrestres, ele trazia um ultimato: ou acabávamos com o potencial mortífero ou seríamos aniquilados. O enviado das estrelas — ou seria do próprio Deus? — vinha dizer ao mundo que a insanidade tem limites. No início dos anos 50, O Dia em que a Terra Parou era uma fita que contrariava a Guerra Fria, a obsessão dos militares na corrida aos armamentos e a histeria anticomunista que grassava na América, ao mesmo tempo que abria uma enorme esperança e maravilha: não estávamos sós no Universo, a paz e a harmonia eram possíveis. Tudo sem grandes efeitos especiais, pois os recursos da época eram limitados e, além disso, na sua essência, tudo se passava mais na esfera dos sentimentos e da decifração dos personagens que na dos meios espectaculares."

"Mais de 50 anos volvidos, a 20th Century-Fox foi desenterrar o velho e exímio argumento de Edmund H. North dotando-o de adaptações aos nossos dias (é assim que, por exemplo, o problema dos humanos já não é a guerra, mas a destruição do planeta, mudando o foco da atenção do espectador). E como, nos tempos que correm, filme de ficção científica sem muitos efeitos especiais parece não fazer sentido, lá os temos em grande escala, mostrando-nos, mais uma vez que, em matérias de grafismos gerados por computador, não há limites. (Porque será que, havendo meios tecnológicos é preciso usá-los, mesmo que isso provoque estrondo onde deveria aparecer subtileza e inteligência?) Curioso: Wise terá pegado no filme dos anos 50 por não ter quinquilharia associada — era uma história de gente. Meio século depois é precisamente a quinquilharia que toma conta do ecrã. Ao invés, o extraterrestre mal consegue perceber como nós, os humanos, somos feitos, psicologicamente, embora seja essa percepção que nos salva do apocalipse. No decorrer da acção do filme, muito pouco dessa especificidade aparece. Keanu Reeves fecha o rosto e parece um robô (mas, como conhecemos o actor demasiado bem, o processo soa a falso). Jennifer Connelly é muito bonita e o pequeno Jaden Smith obviamente querido — e mais não se lhes pede."



"Vale isto tudo para dizer que se houvesse por aí a edição em DVD do filme de Wise se aconselharia aqui a sua aquisição. Mas não há. Serve também para dizer que o «remake» de Scott Derrickson que esta semana estreou é negligenciável? Não se irá tão longe assim. Atendendo a que o cinema é sobretudo um meio de entretenimento, a verdade é que O Dia em que a Terra Parou é bastante competente nessa função e há-de servir para ocupar alguns sábados à tarde com um balde de pipocas — e sem pensar em nada de especial."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 13/12/2008
Não gostou de ser apanhado...

14.12.08

Há no PSD um núcleo de patriotas indefectíveis disposto a fazer tudo para impedir que o partido leve a melhor nas eleições. Basta ouvi-los na televisão ou na rádio durante alguns segundos, ou lê-los nos jornais ao longo de escassas linhas. É uma gente com alma de criada de servir que só sabe dizer mal da patroa nas lojas da vizinhança. Aposta muito mais venenosamente na desagregação da imagem de Manuela Ferreira Leite e do PSD do que o próprio PS. Está desesperada e disposta a tudo. Todas as semanas se manifesta, sob os pretextos mais idiotas e nas formulações mais ranhosas e rasteiras. E todas as semanas dispõe de larga cobertura de uma comunicação social tão prazenteira a anunciar as suas leituras, quanto superficial e leviana a passar à margem do que é realmente importante ou a analisar o fundo das questões.

***

A crise do PSD não nasceu na última sondagem por muito que isso convenha às facções internas para quem a simples explicação conjuntural, - a culpa é de Manuela Ferreira Leite, - não só chega como é conveniente. Nas dificuldades do PSD não conta, segundo eles, o passado, a imagem que a maioria dos portugueses têm da experiência governativa Barroso – Portas – Lopes, não conta a fuga de Barroso, não contam as peripécias do governo Lopes – Portas, não contam os sucessivos escândalos com sobreiros, submarinos, casinos, não contam os financiamentos ilegais, não conta a imagem do grupo parlamentar escolhido por Santana Lopes, não conta o “menino guerreiro”, não contam as histórias do BPN, não conta a “estratégia” de desgaste de Passos Coelho sempre apresentada como sendo de uma benévola expectativa, não contam os impropérios raivosos de Menezes, resumindo e concluindo, não conta a imagem pública pelas ruas da amargura do PSD como partido político, isso não conta nada. O PSD não sobe porque Manuela Ferreira Leite faz gaffes, e apenas por isso. Compreendo muito bem este ponto de vista que anima as facções internas, visto que falar de outras coisas atira demasiado a luz sobre os próprios que as omitem.
Entendo que a social-democracia não é apenas via para o socialismo, através da manutenção de uma sociedade capitalista, mas já construção do socialismo possível em cada momento. Ela visa acabar com a exploração do homem pelo homem, como diz, e a realização de uma sociedade sem distinção de classes, em que a igualdade e a liberdade possibilitem uma existência humana autêntica.

12.12.08

Televisão britânica emite documentário que mostra suicídio assistido...



...a última aula de Craig Ewert foi vista esta noite por todos os ingleses, na televisão. O canal “Sky Real Lives” emitiu um documentário canadiano, chamado “Right to die?” que mostra o suicídio assistido de Craig Ewert na Suíça, em Setembro de 2006, meses depois de lhe ter sido diagnosticado uma doença degenerativa incurável.

“Para o Craig (...) permitir que as câmaras filmassem os seus últimos momentos em Zurique, foi a maneira de enfrentar o fim da sua vida de uma forma honesta”, escreveu Mary Ewert, viúva de Craig Ewert, num artigo do jornal “The Independent”. “Ele fez questão que o documentário fosse mostrado porque quando a morte fica escondida e é privada, as pessoas não enfrentam os medos que têm relativamente à morte”, acrescentou.

Craig Ewert, de 59 anos, era um ex-professor universitário norte-americano, radicado na Inglaterra. Durante a Primavera de 2006, foi-lhe diagnosticado uma doença degenerativa do sistema nervoso motor que rapidamente o ia tornar incapaz de realizar movimentos. Nesse Verão teve que ser ligado à uma máquina respiratória.

Apesar de a maioria das pessoas que sofrem deste tipo de doença morrerem de uma forma pacífica, Craig tinha medo de não fazer parte da maioria, conta a mulher. Na Inglaterra, a morte assistida é ilegal, por isso, o norte-americano decidiu utilizar os serviços de uma clínica suíça (onde esta prática é legal) chamada Dignitas, que também dá apoio aos cidadãos estrangeiros.

11.12.08

Uma fonte original...

Texto do SMS enviado pela direcção do grupo parlamentar do PSD aos deputados do partido, na última sexta-feira, às 11:25h, ou seja, 35 minutos antes da provável votação:

«Com toda a probabilidade haverá votação nominal da suspensão da avaliação dos professores pelas 12h. É imprescindível a presença de todos os deputados.»

Isto faz-me lembrar aquelas pessoas que convidam para almoçar ou jantar no próprio dia, através de e-mail, e depois se admiram com as ausências de dois terços dos convidados. Mas voltando ao Parlamento, que é suposto ter outra dignidade. Então a votação era uma probabilidade? Não era uma certeza?

9.12.08

Fome
Título original: Hunger
De: Steve McQueen
Com: Michael Fassbender, Stuart Graham, Helena Bereen
Género: Drama
Classificação: M/16
GB/IRL, 2008, Cores, 96 min.

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"O CINÉFILO distraído poderá confundir o nome do realizador de com o de um actor americano muito popular falecido em 1980 e cuja imagem ainda hoje é utilizada na publicidade. Nada disso. Este Steve McQueen é um premiado artista, de instalações de fotografia e filme, nascido em Londres em 1969, e que se estreia agora na realização com uma obra que se impõe, desde já, como uma das mais importantes do ano. O argumento de Fome é, simultaneamente simples e trágico. Simples na sua forma narrativa utilizando um estilo que se poderia chamar de minimalista, trágico na sua história."

"O estilo austero usado por McQueen lembra muito o de um mestre do cinema francês, Robert Bresson, e a sua obra-prima Fugiu Um Condenado à Morte, em especial na portentosa sequência de abertura, com o seu despojamento total de qualquer dramatismo e diálogo, o tom quase documental com que mostra os gestos da higiene matinal de um homem, que depois veremos ser um guarda prisional, a atenção da câmara aos pequenos sinais que revelam a sua profissão e estado de espírito (os nós dos dedos feridos, que mais tarde percebemos resultarem da tortura de um preso), e as imagens frias e secas, montadas de forma directa sem artifícios deformadores."

"Este estilo vai manter-se na exposição do tratamento que na prisão de Maze, na Irlanda do Norte, se aplicava a alguns militantes do IRA, neste caso nos começos da década de 80 do século passado quando o conflito não declarado se tornava mais duro devido à política de Margaret Thatcher. É só ao fim de cerca de meia hora que o filme encontra um personagem central. Até então parece uma série de quadros dantescos. As pinturas de Francis Bacon saltam-nos à vista, em especial na cela em que se encontram dois presos «não cooperantes» (exigência de tratamento como presos políticos e recusa de vestir o uniforme dos presos comuns), com as paredes «pintadas» de excrementos pelos presos como forma de protesto contra aquela situação. Essa personagem é Bobby Sands (uma fabulosa e impressionante composição de Michael Fassbender), militante do IRA que, no momento em que o encontramos é arrastado pelos guardas para ser brutalmente «limpo», a fim de receber uma visita. Para sair do impasse em que se encontra a luta que travam contra a instituição prisional, Bobby e os seus companheiros vão entrar em greve de fome ilimitada, até ao sacrifício supremo."

"A segunda parte do filme centra-se quase exclusivamente no seu sacrifício e na progressiva degenerescência do seu corpo (a que o actor dá um realismo impressionante). Sequências quase sem palavras que dizem mais do que muitos discursos. E entre elas, entre a austeridade inicial e a descida aos infernos do fim, uma pasmosa cena, um plano-sequência de mais de dez minutos com o diálogo entre Sands e o padre, e a discussão ética e moral sobre o acto de Sands."



"Uma obra-prima incontornável."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 06/12/2008

5.12.08

Quatro Noites com Anna
Título original: Cztery Noce z Anna
De: Jerzy Skolimowski
Com: Urszula Bartos-Gesikowska, Malgorzata Buczkowska, Jerzy Fedorowicz
Género: Dra, Thr
Classificação: M/12
FRA/POL, 2008, Cores, 87 min.

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"GOSTARIA de vos poder explicar (melhor do que sei, pior do que deveria) como me parece importante o último filme de Jerzy Skolimowski, figura maior do novo cinema polaco dos anos 60 que regressa à realização após um longo silêncio de 15 anos (o seu filme anterior, Ferdydurke, data já de 1993). Infelizmente, o sentido desse silêncio compreende-se apenas bem de mais: cada vez há menos espaço, no actual «mercado da distribuição cinematográfica», para um cinema tão artesanal e pessoal como o de Skolimowski, para um cinema habitado por personagens frágeis e obsessivas que se recusa a ceder um milímetro ao automatismo dos efeitos fáceis e imediatos. Será então de estranhar que, no decurso dos últimos anos, o velho realizador polaco tenha procurado refúgio no seu apartamento de Los Angeles para se dedicar a tempo inteiro à pintura?"

"É, de resto, pelo domínio da sua paleta de cores e da sua paisagem fílmica que a obra de Skolimowski começa por cativar a nossa atenção: à compulsão expressionista dos tons escuros que se apressam a ensombrar os planos (do sépia ao cinza, passando pelo «bordeaux») e às desoladas ruínas românticas da pequena vila polaca que serve de «décor» à acção, corresponde, na realidade, o «horizonte emocional» do filme, num permanente jogo de permutas e de adequações entre o objectivo e o subjectivo, os espaços e as personagens, o naturalismo e o lirismo que rejeita o psicológico em prol do estético."

"No centro desse quadro estará, desde o início, o olhar ambíguo de Léon Okrasa (portentoso Artur Steranko), um lacónico funcionário de um crematório que a câmara de Skolimowski vai lentamente interrogando no difícil equilíbrio entre um máximo de proximidade e distância. Durante quatro noites, vê-lo-emos invadir sorrateiramente (com os seus binóculos ou com a sua presença) o quarto da jovem enfermeira que empresta o seu nome ao filme (Kinga Preis), ora para a ver a dormir com o olhar cifrado do monstro de O Pesadelo, de Füssli (1781), ora para se deixar tentar por um seio descoberto ou por uns dedos dos pés pintados (e é comovente a forma como Skolimowski filma os «gestos abortados» de Okrasa), ora para reparar um relógio de parede que desistiu de registar a passagem do tempo. O verdadeiro motivo dos seus gestos, esse, permanece religiosamente encoberto, e será preciso esperar pela intervenção de dois dos mais notáveis «flashbacks» dos últimos anos — o que nos dá a ver a violação de Anna num «kolkhoze» abandonado perante o olhar estupefacto de Okrasa e o que nos dá a ver o olhar resignado de Okrasa aquando da sua condenação em tribunal pela violação de Anna — para que as cartas fiquem definitivamente baralhadas..."



"Entendamo-nos: Skolimowski é um mestre na manipulação da ambiguidade (seja ela pictórica ou narrativa), e não me compete a mim «escrever direito por linhas tortas». Assim, e para não arruinar o prazer da descoberta que cada espectador deverá fazer por si, direi apenas isto: o protagonista do seu filme é da estirpe daqueles que, por amor, não se importam de assistir em silêncio ao espectáculo das suas próprias crucificações."
Vasco Baptista Marques, Expresso de 29/11/2008