31.1.09

Milk
Título original: Milk
De: Gus Van Sant
Com: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin
Género: Drama
Classificacao: M/16
EUA, 2008, Cores, 128 min.

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"QUASE SEMPRE a meio caminho entre o cinema experimental e o cinema clássico, a obra de Gus Van Sant radicalizou a sua linguagem ao longo dos últimos anos. De facto, depois das aproximações ao mainstream de “O Bom Rebelde” (1997) e “Descobrir Forrester” (2000) e, sobretudo, da assimilação do trabalho do húngaro Béla Tarr, o cinema de Van Sant ganhou um cunho contemplativo (e, por vezes, autocontemplativo...) que até então não lhe conhecíamos. Neste sentido, “Milk” pode ser visto como um regresso à linguagem do cinema clássico e, em particular, à linguagem política, engagé e activista que marcou o cinema americano dos anos 70."

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"Primeiro biopic em sentido estrito realizado por Van Sant (“Últimos Dias” era mais uma meditação poética do que um filme biográfico sobre Kurt Cobain), “Milk” retrata a vida e obra de Harvey Milk/Sean Penn (1930-1978), o primeiro homossexual confesso a ter sido eleito para um cargo político na Califórnia e um dos principais responsáveis pelo reconhecimento jurídico dos direitos civis dos homossexuais nos EUA. Através de uma série de flashbacks articulados a partir de uma cena primitiva comum (aquela em que Milk antecipa a eventualidade do seu assassínio e regista o seu testamento político num gravador nas vésperas da sua morte), o filme vai detalhando, com a ajuda de imagens de arquivo que Van Sant se diverte a falsificar e num tom que tende sempre um pouco para a canonização instantânea, alguns dos principais episódios do percurso do seu protagonista, desde a sua vida como simples trabalhador de uma companhia de seguros, em 1970, até à sua eleição para o board of supervisors da cidade de São Francisco, em 1978. E, se o olhar de Van Sant se quer, também ele, militante, activamente comprometido com a defesa de uma causa justa, ele não deixa por isso de preservar a sua objectividade, chegando mesmo a mostrar como a defesa da diferença não pode deixar de engendrar a sua própria segregação (veja-se a cena em que Anne Kronenberg/Alison Pill, a nova directora de campanha de Milk e a primeira mulher a entrar na sua sede, é repelida pela entourage do candidato devido à sua diferença sexual)."



"Retrato histórico de um espaço e de um tempo passados (os EUA dos anos 70), “Milk” é também um retrato histórico de um espaço e de um tempo presentes (os EUA de 2009). Com efeito, caracterizando o seu protagonista como uma figura capaz de instaurar o reconhecimento da diferença, acentuando a sua capacidade de mobilização e a sua mensagem de esperança e tolerância, Van Sant parece querer ver em Milk um profeta de Obama. Eu escolheria outras personagens para fazer os papéis de São João Baptista e Cristo, mas isso não me impede de dizer que, exegese bíblica à parte, “Milk” é um belo filme."
Vasco Baptista Marques, Expresso de 31/01/2009

O novo sistema informático Citius permite o acesso em tempo real do poder político a todos os processos judiciais, mesmo os que estão sob segredo de justiça, permitindo mesmo introduzir alterações nos despachos de um juiz ou nas acusações de um advogado.

30.1.09

Despedida de Bush da Casa Branca...

Muitos estão espantados por Manuel Coelho (presidente da Câmara de Sines) só ter dado pelos defeitos do P.C.P. ao fim de 35 anos de militância e só agora ter saído do partido. Para mim espanto é, nos idos anos 70 do século passado, um jovem universitário de Lisboa não conhecer, pelo menos: Budapeste 1956 e Praga 1968 e as posições do Partido Comunista sobre esses acontecimentos e ter-se filiado no partido.

29.1.09

LOCAL
São Pedro do Sul

São Pedro do Sul no seu melhor...


Gazeta da Beira, de 29/01/2009
Caso Freeport: Autoridades inglesas consideram Sócrates suspeito...

...e querem ver contas bancárias do primeiro-ministro!

***

É impressão minha ou o caso Freeport não foi motivo de nenhum Fórum da TSF ou no Prós e Contras da RTP? Ambos os programas costumam seguir de muito perto a actualidade...

***

Escusado será dizer que esta informação e estas suspeitas são de uma enorme gravidade. Agora, a vitimização e a irritação de nada servem. Desta vez, não é nem Sócrates, nem o PS, nem mesmo o governo que estão em causa. É o País.
Parte da imprensa ocupou o dia de ontem a noticiar os elogios da OCDE à política da ministra da Educação. (...)não há nenhum relatório da OCDE, mas um estudo encomendado pelo governo a uma equipa internacional que alega seguir as metodologias da OCDE. Já tínhamos as salsichas tipo Frankfurt, e o queijo tipo serra, agora temos os relatórios tipo OCDE. À força de tanto insistir na propaganda, este governo começa a perder a noção do ridículo e o contacto com a realidade.

Press Release do Ministério da Educação
LOCAL
São Pedro do Sul

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28.1.09

Esta Noite
Título original: Nuit de Chien
De: Werner Schroeter
Com: Pascal Greggory, Nuno Lopes, Bruno Todeschini
Género: Drama
Classificacao: M/12
ALE/FRA/POR, 2008, Cores, 110 min.

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Francisco Ferreira, Expresso de 24/01/2009

Eu percebo o nervosismo dos detractores do governo. As sondagens têm dado os resultados que se sabe, a oposição de direita está em frangalhos, a oposição de esquerda não tranquiliza quatro quintos dos portugueses, o Presidente da República não lhes faz a vontade, e ainda faltam oito meses para as eleições. Haja paciência! Se o descontentamento é assim tão grande, o Outono trará os amanhãs que cantam. Até lá, escusam de espernear.

27.1.09

Vicky Cristina Barcelona
Título original: Vicky Cristina Barcelona
De: Woody Allen
Com: Penélope Cruz, Javier Bardem, Scarlett Johansson, Rebecca Hall
Género: Comédia, Romance
Classificação: M/12
ESP/EUA, 2008, Cores, 96 min.

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Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 24/01/2009
Mário Crespo Entrevista...
Ministro da Presidência sobre “caso Freeport

(clicar sobre a imagem para ver entrevista)

26.1.09

Frost / Nixon
Título original: Frost / Nixon
De: Ron Howard
Com: Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon
Género: Drama, Histórico
Classificação: M/12
EUA/FRA/GB, 2008, Cores, 122 min.

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"ENTRE DUAS adaptações de best-sellers de Dan Brown, “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demónios”, Ron Howard dirigiu aquele que até à data podemos considerar o seu melhor filme, “Frost/Nixon”. É evidente que a qualidade deste trabalho deve muito a um argumento assinado por Peter Morgan, responsável por alguns dos mais inteligentes trabalhos de escrita para o cinema dos últimos anos, “O Último Rei da Escócia” e “A Rainha”, todos à volta de personagens ou acontecimentos que estiveram na ribalta nas últimas décadas, respectivamente o ditador Idi Amin Dada e a Rainha Isabel II de Inglaterra enfrentando a crise provocada pela morte da princesa Diana. Em “Frost/Nixon”, Morgan encena as célebres entrevistas que o apresentador David Frost fez ao ex-presidente Richard Nixon, cerca de dois anos após a sua perda do mandato presidencial por impeachment."

"Poder-se-ia dizer que o mérito de Howard se fica por aí, pela forma como, escrupulosamente, acompanha o argumento de Morgan, que, por sua vez, adapta a peça que escrevera e fora levada à cena em Londres e na Broadway. Mas parece-me que isso seria, de certo modo, injusto. A força deste filme deve-se também ao trabalho do realizador, que soube evitar os escolhos típicos nas adaptações teatrais para o cinema. E “Frost/Nixon” tinha alguns que poderiam afectar o trabalho de transposição, a saber, o facto de decorrer, na sua maior parte, num espaço fechado e, principalmente, por tudo se centrar à volta do diálogo/confronto entre dois homens. Poderia, por outro lado, acabar por se transformar numa espécie de “docu-drama” televisivo. Ora Howard consegue fazer das cenas da entrevista um verdadeiro jogo dialéctico entre a imagem e a palavra que leva o seu filme para o lado de outro notável documento histórico que foi “Boa Noite e Boa Sorte”, de George Clooney."



"Ron Howard foi buscar ao palco os principais intérpretes da peça para a versão cinematográfica: Frank Langella (com uma garantida nomeação para o Óscar) e Michael Sheen (que foi o ex-primeiro-ministro Blair em “A Rainha”), que dão às personagens que interpretam, respectivamente Nixon e David Frost, uma grande verosimilhança psicológica, mesmo com as liberdades criativas que o filme toma, onde se destaca aquela que é, talvez, a melhor sequência, a conversa telefónica entre os dois nas vésperas da última entrevista. Se historicamente nunca teve lugar, a sua função dramática na narrativa é fundamental (de certo modo é como o encontro apócrifo de Ed Wood com Orson Welles, imaginado por Tim Burton no seu filme sobre o primeiro), porque aí se revelam as brechas por onde Frost vai fazer a sua última investida e levar Nixon “às cordas”. Porque, de facto, o confronto é quase um combate de boxe, com Nixon ganhando aos pontos os três primeiros assaltos, para acabar por ser posto KO no último, em que viria a reconhecer os seus erros, o que se recusara a fazer desde a saída da presidência, devido ao perdão concedido pelo seu sucessor, Gerald Ford. Tal como no debate em que enfrentara Kennedy na corrida à presidência, é de novo um grande plano da televisão que dá conta da sua derrota. Ou como Nixon nunca se deu bem com a televisão."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 24/01/2009

"Benjamin Button" lidera nomeações para os Óscares...

25.1.09

E o dono da voz confundiu-se com a voz do dono...

...é o próprio Barack Obama quem o diz Jon Favreau é o seu “mind reader”. Aos 27 anos (e não parece um ano mais velho que isso), com muito café e muitas latas de Red Bull, Favreau não sabe apenas ler os pensamentos de Obama. Sabe também passá-los para o papel, estruturá-los, para que Obama os devolva às multidões, em frases electrizantes. O discurso inaugural pertence-lhe também. Passou semanas e semanas a trabalhar nele. Hoje, tornou-se no mais jovem “speechwriter” presidencial de sempre.

24.1.09

Há suspeitas de que empresas controladas por um tio de José Sócrates em paraísos fiscais, controladas através de outras empresas suas, tenham sido utilizadas para a passagem de quatro milhões de euros em “comissões destinadas a um ex-ministro do Governo de António Guterres”...
O Cardeal falou...

...talvez excessivamente à vontade num mundo em que toda a gente começa a habituar-se a policiar a sua linguagem. Disse que havia muitos problemas nos casamentos de mulheres cristãs com muçulmanos, o que é o tipo de coisas que hoje não se pode dizer, muito menos por um Cardeal duma Igreja que também alimenta o mito do multiculturalismo.

Mas o problema da mulher no Islão, existe ou não? Ou, em nome do multiculturalismo e do esquerdismo corrente aceita-se um tratamento da mulher que seria inaceitável por qualquer pessoa que saiba o que são direitos humanos e igualdade entre os sexos?

23.1.09

Tempo gasto por habitantes (16,7 milhões...) do Second Life cresce 61% em 2008...

...o total de terras virtuais compradas pelos moradores disparou 82% em 2008 em relação a 2007, totalizando 1,76 bilhões de metros quadrados digitais. O dado mais curioso, porém, é que as transações entre usuários cresceram 54% em um ano e movimentaram 361 milhões de dólares. Os habitantes, em compensação, compraram 108 milhões de Lindex, a moeda usada virtualmente no Second Life, em 2008.

Nos EUA estuda-se a possibilidade de taxar os mundos virtuais como o Second Life, WoW, etc., com um imposto sobre os bens transaccionados dentro destes.

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Download de vídeos do YouTube...

...basta digitar a palavra pwn antes de youtube na URL e pressionar enter. De seguida, somos direccionados para uma página de download onde pode baixar o vídeo para o formato FLV ou em alta qualidade para MP4.

20.1.09

LOCAL
São Pedro do Sul

ACTUALIZADO

O novo Provedor da Misericórdia de Santo António, José da Cruz Fernandes, tomou posse hoje à tarde. A providência cautelar, proposta pelo "irmão" Manuel Paiva com vista à anulação do acto eleitoral, foi indeferida, seguindo-se agora uma acção judicial "normal" com vista a atingir o mesmo fim (a anulação do acto eleitoral). Todavia, até que se obtenha uma decisão definitiva (já que, com toda a probabilidade, irão ter lugar recursos sucessivos), poderão decorrer anos...
Dido & Youssou N'Dour, 'Seven Seconds'
Live 8

17.1.09

O Estranho Caso de Benjamin Button
Título original: The Curious Case of Benjamin Button
De: David Fincher
Com: Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
EUA, 2008, Cores, 166 min.

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"O PRETEXTO para a história até se diria destinado a alimentar piadas de mau gosto: Benjamin é um humano que parece programado a viver ao contrário. Nasce velho e esclerosado, bebé mostrengo: a mãe não resiste ao parto, o pai leva-o para longe de casa e abandona-o na escada onde uma jovem mulher negra namora. Recolhido por um sentimento de solidariedade, Benjamin cresce e rejuvenesce. Lá para o fim, com 80 longos e bons anos de vida — e o corpo de um recém-nascido —, há-de entregar a alma ao criador como quem adormece na paz do último suspiro."

"Mas o argumentista Eric Roth (o mesmo de “Forrest Gump” e de “Munique”), em vez de se deleitar em explorar as curiosidades do fenómeno, avançou para um lugar de espanto: pôs o filme a reflectir sobre um dos grandes mitos românticos — o momento perfeito em que dois humanos encaixam de corpo e alma, e a isso chama-se amor. Normalmente, os filmes dedicam-se a fazer as personagens chegar lá ou demoram-se na degradação, nunca na perenidade de um sentimento (é que se um amor dura sem drama não há nada a contar e não há filme)."

"O que “O Estranho Caso de Benjamin Button” tem de mais peculiar é sabermos, pela lógica da cronologia, que a óbvia história de amor desenhada entre as personagens de Benjamin e de Daisy (sensivelmente da mesma idade) só pode acontecer num certo momento e não pode durar. (Mas há um instante justo, um momento certo?) A angústia da transitoriedade é uma espantosa trouvaille do filme (a transitoriedade é própria de ser-se humano, nós é que nos recusamos a acreditar; a lógica da fita confronta-nos com a inelutabilidade)."

"Todavia, a história de amor dura, mas desenhando contornos onde a felicidade não entra: e o filme convoca sentimentos ásperos, como a renúncia ou a dedicação sem retorno esperado. Em verdade vos digo: terá uma pedra no peito quem não se comover com a enorme sabedoria dos afectos (e não só na história de amor central: veja-se o segmento com Tilda Swinton, admirável)."

"O resto é a magnífica arte de contar histórias que o melhor cinema sempre há-de ser — com muitos e bons actores e grande fantasia —, aqui recorrendo ao que de mais prodigioso a técnica e a indústria nos podem oferecer. Não há que poupar louvores à excelência das maquilhagens, ao génio dos efeitos digitais, à competência dos directores de arte que nos fazem viajar ao longo de quase um século como se as coisas, as casas, os fatos, os penteados, os adereços, as guerras estivessem lá e fosse só filmá-los. Ou como se as rugas no rosto ou as carnes flácidas nas costas de Cate Blanchett fossem obra de Deus. É isso que explica os 150 milhões de dólares que o filme custou (e dificilmente os financiadores vão ter de volta)."

"Abençoada seja a loucura de David Fincher (e os balanços das duas majors sobre as quais vai recair o prejuízo), pois esta fita é uma daquelas coisas que nos põe de bem outra vez com o cinema, já que nos lembra porque é que nos empolgamos tanto com esta coisa de imagens a mexer num grande ecrã. É que um filme pode ser uma espécie de aconchego para a banalidade do quotidiano, pode ser bigger than life e ter toda a vida dentro. Assim é “O Estranho Caso de Benjamin Button”."



"Corram a vê-lo, não há muitos com este brilho e alma."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 17/0172009
LOCAL
São Pedro do Sul


São Pedro do Sul lança concurso para construção de variantes...

...a Câmara de São Pedro do Sul deliberou, em reunião do executivo, lançar um concurso público para a construção das variantes à Vila. A obra enquadra-se na 1.º fase da planificação que a autarquia está a efectuar no sentido de criar novas rotas de trânsito de acesso à vila. O autarca de São Pedro do Sul prevê que a obra esteja concluída até ao final do ano.

15.1.09

LOCAL
São Pedro do Sul


Vítor Figueiredo recandidata-se a novo mandato...

...à Assembleia de Freguesia de São Pedro do Sul, tendo já comunicado a sua decisão aos seus pares da comissão política local.

Fátima Pinho recuou e decidirá se avança ou não até ao próximo Sábado, data da reunião magna dos socialistas sampedrenses. Em caso negativo, o seu apontado número dois, Adelino Aido, será o candidato à Câmara Municipal de São Pedro do Sul do Partido Socialista.

Vítor Barros, ex-candidato à Câmara Municipal de São Pedro do Sul e actual Presidente do Conselho de Administração da Companhia das Lezírias, poderá ser candidato à Assembleia Municipal.

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O Instituto do Emprego e Formação Profissional, organismo público na tutela do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, abriu um concurso de promoção para o preenchimento de 26 vagas de técnico administrativo principal em que um dos métodos de selecção é uma prova escrita onde os candidatos devem estudar um texto do primeiro-ministro, José Sócrates, sobre a iniciativa governamental Novas Oportunidades.

12.1.09

A Onda
Título original: Die Welle / The Wave
De: Dennis Gansel
Com: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt
Género: Drama
Classificação: M/16
ALE, 2008, Cores, 101 min.

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Jorge Leitão Ramos, Expresso de 10/01/2009

11.1.09

Pérolas do YouTube...

J.S. Bach 'Air on a G-string'
(Suite Orquestral n.º 3)

10.1.09

A Troca
Título original: Changeling
De: Clint Eastwood
Com: Angelina Jolie, Gattlin Griffith, Michelle Martin, John Malkovich
Género: Drama
Classificacao: M/12
EUA, 2008, Cores, 141 min.

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"CLINT EASTWOOD, a quem a Cinemateca Portuguesa está a dedicar uma retrospectiva que se prolonga até Março, é o ultimo grande realizador clássico americano, continuador da grande tradição narrativa de um Raoul Walsh. Aliás, será este, talvez, quem verdadeiramente paira sobre a obra do autor de “O Rebelde do Kansas”, através das influências de Don Siegel e Sergio Leone, com quem Eastwood trabalhou várias vezes."

"Se prefiro falar de Walsh em vez de outros mestres que geralmente se associam ao autor de “A Troca”, como John Ford e Howard Hawks, é porque a evolução da sua carreira segue um caminho que tende para uma curiosa confluência. Se os seus filmes mostram sempre a mesma energia e dinamismo, na fase final começa a manifestar-se um acentuado pessimismo e negrume, pelo menos em alguns trabalhos que coexistem com outros de perfil mais tradicional. No caso de Walsh, basta lembrar os últimos filmes de guerra (“Os Nus e os Mortos” e “Marines, Let’s Go” em comparação com “Objectivo Burma”), no de Eastwood se ficarmos também pelo campo da guerra recorde-se o recente díptico sobre Iwo Jima em comparação com outras obras mais “jovens”: “Firefox” ou “O Sargento de Ferro”. No caso de Eastwood, esse negrume é ainda mais evidente, pois tem vindo a marcar todos os filmes que dirigiu desde “Mystic River”. É este filme que marca essa “viragem” e é, aliás, o que está mais perto de “A Troca”."

"“A Troca” inspira-se num caso real, sucedido em Los Angeles, Califórnia, em 1928. Christine Collins (Angelina Jolie, numa soberba composição que já lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro e decerto vai merecer uma nomeação para o Óscar) é uma operadora dos telefones, vivendo com dificuldades mas feliz e só com o filho, um garoto de 9 anos. Um dia em que foi forçada a ficar mais horas no trabalho, ao regressar a casa, dá pela sua falta. A polícia só 24 horas depois inicia a investigação, sem resultados. Finalmente, meses após o desaparecimento, a polícia anuncia ter encontrado a criança. Porém, quando a entrega à mãe, diante da imprensa, Christine afirma que aquele não é o seu filho. Começa então a odisseia de uma mãe desesperada contra uma polícia incompetente e corrupta que controla a cidade com mão de ferro e que, para defesa dos seus privilégios e poder, não hesitará em caluniar a mulher e atirá-la para um hospício, onde irá encontrar outras mulheres nas mesmas condições e que, nalgum momento das suas vidas, entraram em conflito com a polícia. Nesse combate, Christine irá ter o apoio de um pregador (John Malkovich) que utiliza a rádio para a sua campanha e luta contra a corrupção policial. E também de um detective que acaba por esbarrar com uma inesperada surpresa: um serial killer que matava crianças selvaticamente."



"Clint Eastwood dirige o filme de forma perfeita, sem uma falha de ritmo ou emoção, e cria uma atmosfera estranha com a prodigiosa fotografia de Tom Stern. E, mais uma vez, revela-se um soberbo director de mulheres, tirando de Angelina Jolie uma das mais fortes interpretações da sua carreira. Uma obra-prima a não perder."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 10/01/2009

9.1.09

LOCAL
São Pedro do Sul

Bombeiros em debate, na VFM...

António Carlos Figueiredo, Eduardo Boloto, Gil Almeida e Rebelo Marinho

...este sábado, 10 de Janeiro de 2009, entre as 10h e as 12h, para discutir o Agrupamento de Associações constituído pelos Corpo de Salvação Pública e Bombeiros Voluntários de São Pedro do Sul.

Lado a lado vão estar os dois presidentes das duas associações, Eduardo Boloto e Gil Almeida, mas também os comandantes de ambas as corporações e presidentes das Assembleias Gerais! O programa, que como habitualmente será conduzido por António Meneses, vai ainda contar com a presença do Presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, António Carlos Figueiredo, e com o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu, Rebelo Marinho.

Poderá, também, assistir ao debate no auditório da VFM, na Zona Industrial do Monte Cavalo, em Vouzela

8.1.09

“Stand by Me” à volta do mundo...


O Tribunal de Contas chumbou as contas dos dois primeiros anos do mandato de Pedro Santana Lopes na Câmara de Lisboa (2002 e 2003), por irregularidades ligadas à falta de informação sobre a realidade financeira e patrimonial da autarquia.

7.1.09

Pérolas do YouTube...

Albinoni, 'Adagio in g minor'

Por pura inércia, tenho mantido a subscrição do serviço fixo de telefone da PT, apesar de quase nunca a usar. Subitamente, na factura deste mês, além da usual taxa de assinatura de 14,15 euros, fui surpreendido com o débito de 10,52 euros de um tal "plano de preços". Isto sem ter realizado uma única chamada!

Reclamei naturalmente da factura, utilizando o número de telefone de "apoio ao cliente".

1º surpresa desagradável: após três reenvios ordenados por uma mensagem gravada, tive de esperar 9-minutos-9 para ser atendido!

2ª surpresa inacreditável: o misterioso débito tinha a ver com um plano de utilização que alegadamente tinha sido proposto pela PT aos seus clientes, o qual eu não teria declinado!

Assim mesmo, o PT decidiu abusivamente, sem qualquer pré-aviso sequer, debitar-me encargos que eu não contratei. Um puro assalto furtivo ao bolso dos seus clientes!

Desnecessário é dizer que há males que vêm por bem. Acabou definitivamente a assinatura do tal serviço telefónico fixo e a respectiva assinatura. Adeus PT!

Todavia, há duas coisas intoleráveis nesta lamentável história. Primeiro, é inadmissível o vergonhoso serviço de reclamações da PT. Os operadores de serviços deveriam ser obrigados a ter uma linha directa de reclamações, com um limite de demora no atendimento. Segundo, situações destas de abuso qualificado na cobrança de serviços não prestados deveriam ser exemplarmente punidas.

O regulador deveria monitorizar regularmente o comportamento dos operadores. A ANACOM existe sobretudo para defender os interesses legítimos dos utentes. Aqui fica, publicamente, a reclamação!

5.1.09

RocknRolla - A Quadrilha
Título original: RocknRolla
De: Guy Ritchie
Com: Nonso Anozie, Charlotte Armer, Gemma Arterton
Género: Acção
Classificacao: M/12
GB, 2008, Cores, 114 min.

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Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 03/01/2009

LOCAL
São Pedro do Sul

As eleições na Misericórdia de Santo António foram objecto de uma providência cautelar proposta no Tribunal Judicial de São Pedro do Sul, tendente a obstar que os eleitos tomassem posse. Atendendo a que o Sr. Provedor da Misericórdia já homenageou o meritíssimo juiz da comarca e, bem assim, às relações funcionais e pessoais existentes entre o Sr. Secretário desta comarca (membro da lista que propôs a referida providência) e aquele magistrado, deverá, ao que julgamos saber, ser designado outro juiz para decidir a contenda.

De qualquer forma, atenta a conhecida morosidade dos nossos tribunais e, também, o facto de que a seguir à decisão deste tribunal se irão seguir os sucessivos recursos daquela, o Sr. Provedor irá manter-se em funções durante muitos e longos meses (anos?...)...

4.1.09

O que vou escrever vai por os cabelos em pé a muita gente. Mas nestes dias de crise mais vale ter emprego, mesmo que mau, desprotegido, sem direitos, precário, do que não ter emprego nenhum. E é por isso que o reforço dos direitos laborais, o aumento das contribuições sociais, a dificuldade de contratar a recibo verde, a penalização do trabalho “negro”, têm um enorme preço em deixar mais gente na miséria. Em teoria nada há de mais aceitável, na prática nada há de mais injusto, porque em nome de quem tem trabalho e direitos adquiridos, penaliza-se quem quer qualquer trabalho, porque não encontra um trabalho decente. Para além disso é ineficaz, porque muita gente que não aceitaria trabalhar em condições de precariedade está hoje disposta a fazê-lo em quaisquer condições. A necessidade obriga e a necessidade tem muita força.

É um retrocesso em termos sociais? Certamente que é, mas a alternativa é um retroceso ainda maior, é a pobreza. Não estamos em períodos de normalidade, precisamos de soluções excepcionais, mesmo que temporárias, indexadas por exemplo, aos indicadores de desemprego e de pobreza. Porque na prática, há por aí muita procura de trabalho que não se materializa, porque empregar sai demasiado caro.

3.1.09

A Valsa com Bashir
Título original: Waltz with Bashir
De: Ari Folman -
Com: Ron Ben-Yishai (Voz), Ronny Dayag (Voz), Ari Folman (Voz)
Género: Animação, Drama
Classificacao: M/12
ALE/EUA/FRA/ISR, 2008, Cores, 90 min.

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"EM Valsa com Bashir, o israelita Ari Folman tenta recordar-se do tempo em que cumpriu o serviço militar, mas a memória do seu tempo de soldado evaporou-se misteriosamente. Ari estava em Beirute, de metralhadora na mão, nesse ano de 1982 em que o libanês Bashir Gemayel, ligado à milícia dos cristãos «falangistas», foi assassinado após ser eleito Presidente do país, desencadeando a invasão israelita do território. "

"Dias depois, a noite de terror: a mesma milícia chacinava centenas de palestinianos civis nos massacres de Sabra e Chatila. Mas Ari de quase nada se recorda. Vai por isso procurar alguns dos seus ex-companheiros. De um testemunho a outro, a memória esquecida começa a voltar à superfície. E à medida que o exercício catártico progride, é para o horror de Sabra e Chatila que o filme nos conduz. "

"Só que Valsa com Bashir não vai, nem pode, reproduzir a realidade da experiência de guerra, porque esta, e compreendemo-lo pelos depoimentos, é uma realidade irreproduzível. O espaço e o tempo da experiência selvagem, esbatidos pela amnésia a 20 anos de distância, são uma abstracção, perderam a escala. São como aquela estranha «valsa» em que um soldado israelita, na frente de combate em Beirute, descarrega a metralhadora em mil direcções, num acto de loucura suicida, perante o póster gigante de Bashir Gemayel. "

"Há um detalhe com fulcral importância: passa-se na terceira entrevista de Ari a um ex-colega, Carmi Cna’an. Ari pergunta-lhe: «Posso desenhar-te?» Carmi responde: «Podes desenhar, mas não filmes.» Já o dissemos quando Valsa com Bashir estreou em Cannes: sem o poder do decalque da realidade que constitui a natureza das suas imagens, esta animação tão ousada a distribuir os efeitos do documentário e da ficção seria certamente um filme banal. Talvez mesmo moral e eticamente duvidoso."

"Ari sabe que tem, pelo menos, dois problemas enormes nas mãos: não pode forjar um ponto de vista, porque este é o seu, é falado em hebreu e coincide com os crimes de Israel. Outro problema: que imagem pode um filme antimilitarista (que imagem pode o cinema) contrapor às imagens reais de arquivo dos mortos de Sabra e Chatila, essas que nos aguardam no final e são de terror absoluto?"



"É pelo desenho que Ari admite uma distância e um efeito de estranheza que não tombam na facilidade de um testemunho directo e consciente, pela simples razão de que esse testemunho jamais seria justo. Valsa com Bashir está muito mais próximo do onirismo e da loucura da guerra de Apocalipse Now, de Coppola, ou do caos de informação que qualquer guerra produz (onde estão a verdade e a mentira?), como Brian De Palma o demonstrou em Redacted, do que de qualquer outro tipo de juízos de valor. É ainda pelo desenho que Valsa com Bashir faz da procura da memória o seu mais nobre objectivo, ganhando — coisa raríssima num filme de animação (tão anti-Disney) — o valor de um documento precioso."
Francisco Ferreira, Expresso de 03/01/2009