Lisboa debaixo de terra:
O Aqueduto das Águas Livres...
30.11.09
29.11.09
Lua Nova
Título original: The Twilight Saga: New Moon
De: Chris Weitz
Com: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Taylor Lautner
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
EUA, 2009, Cores, 130 min.
Título original: The Twilight Saga: New Moon
De: Chris Weitz
Com: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Taylor Lautner
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
EUA, 2009, Cores, 130 min.
"ESTA SEGUNDA parte de “Twilight” pode surgir, para os jovens espectadores, como uma certa desilusão. Isto porque comparada com a primeira, apresenta uma narrativa que se vai arrastando de forma um pouco forçada. A razão não é difícil de perceber. Desde o começo da produção, o projecto é o de uma trilogia, procurando-se concentrar o grande e definitivo confronto e destino das personagens na última parte. A sua execução depende do êxito de bilheteira da primeira parte. Conseguido este, as duas que se seguem apresentam um carácter unitário. Daí resulta que a parte intermédia, que agora se estreou, desenvolva as situações mas não resolva nenhuma, deixando uma forte expectativa no termo do episódio, e o final apenas anuncia o confronto final. Ficam apenas breves sinais. A grande inimiga de Bella, entre vampiros com destaque na primeira parte, está quase ausente, embora se mostre o perigo da sua presença. E Jacob, o ‘lobo’ apenas se transforma como manifestação de perigo. Ambas as situações anunciam a terceira parte."
"Parece-me que será apressado formular uma crítica mais pertinente por uma história ainda sem conclusão. Isto porque a ideia da produção parece ter sido cuidadosamente planeada, em especial com a escolha dos realizadores. A primeira parte coube a Catherine Hardwicke, especializada em histórias dramáticas, e esta que se estreou foi dirigida por Chris Weitz, mais virado para a fantasia (“A Bússola Dourada”) que aqui não sabe explorar a influência do drama de Shakespeare “Romeu e Julieta” na existência dos seus trágicos heróis."
"A terceira parte, a estrear no próximo ano, será realizada por David Slade e é esta a aposta em transformar dramaticamente a acção, pois trata-se de um director bastante talentoso e especializado na profundidade da tensão dramática e dos confrontos como testemunham os seus dois filmes conhecidos, “Hard Candy” e “30 Dias na Escuridão”, este último já marcado pela participação dos ‘vampiros’." Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 28/11/2009
26.11.09

Se usa um Apple, pense duas vezes antes de fumar: alguns casos recentes têm mostrado que os computadores Apple não têm garantia contra o tabaco... [mais]
25.11.09
Ne Change Rien
Título original: Ne Change Rien
De: Pedro Costa
Com: Jeanne Balibar
Género: Documentário, Musical
Classificação: M/12
POR, 2009, Cores, 97 min.
Título original: Ne Change Rien
De: Pedro Costa
Com: Jeanne Balibar
Género: Documentário, Musical
Classificação: M/12
POR, 2009, Cores, 97 min.
"“NE CHANGE RIEN” tem dois lados, como um LP. Um lado ‘A’, tenso e angustiado, e um ‘B’, mais melancólico e entregue ao sabor do vento, como uma das suas canções, ‘Johnny Guitar’. Talvez as duas partes se separem naquele misterioso ‘plano japonês’ em que duas senhoras fumam cigarros num bar de Tóquio. É um intervalo breve — dir-se-ia que o tempo, ali, parou —, como se ao espectador fosse permitido tomar um café a meio do espectáculo. E é o intervalo que basta para afastar esta hipótese de ‘filme-LP’ de quase tudo o que alguma vez aproximou a matéria musical da cinematográfica. Pois esta não é a história passiva de uma música já feita, antes a acção concreta de uma música ‘a fazer-se’ — e o seu processo criativo, que evolui à nossa frente, abre-nos novas perspectivas de julgamento."
"Durante a rodagem de “Ne Change Rien”, Jeanne Balibar, além dos concertos e ensaios, interpretou “La Périchole”, de Offenbach. A opereta tornar-se-ia o terceiro eixo de rotação do filme a explorar o perfeccionismo da artista. E se a espiral da Balibar rocker, na beleza e na penumbra que a envolvem, provoca empatia imediata (Jeanne está tão perto que quase parece podermos tocar-lhe nos cabelos), a Balibar cantora lírica, esteja ela entre a ‘espada e a parede’ de um ensaio ou num palco filmado dos bastidores, não é menos atraente. Afinal, falará “La Périchole”, que Offenbach criou 140 anos antes dos discos de Jeanne, dos mesmos tormentos das suas canções? Dos mesmos lamentos e desencontros? Quanto mais se vê o filme mais se desconfia que existe por ali um lastro a reflectir o passado na textura do presente, no mesmo espelho do romantismo; uma linha de ficção escondida que se insinua e vem coser as pontas."
"Trabalho, memória: mas isto não basta. E se aquele lado ‘A’ que imaginámos, formado essencialmente por grandes planos, fosse o inventor do romance? E se o lado ‘B’, em que a câmara se afasta consideravelmente do rosto de Balibar, anunciasse que o romance acabou? Afinal, Jeanne canta e não traz outra coisa do que canções de amor. Sorri, emociona-se, tortura-se, desespera... O seu teatro não é épico. Enquanto isso, o filme, noir do princípio ao fim, começa a criar personagens. E insistimos: há um thriller em “Ne Change Rien” ou, pelo menos, foi isso que vimos nele. Um thriller siderante em que, como noutros filmes de Pedro Costa, uma mulher se torna o espectro do desejo de um homem. O contacto é doce, a troca difícil. E a metamorfose não é uma mellow song: exige certas atmosferas, actores transformados em silhuetas pela luz e pela sombra, corpos que se exilam de si próprios para se suprimirem, como fantasmas que nos visitam e depois abandonam o ecrã em silêncio. Até que a matéria concreta ganhe um sentido sobrenatural. Até que o real e o poético possam ser o mesmo sonho.""“Ne Change Rien” é um filme ultra-sensível. Deste cinema, haverá sempre pouco." Francisco Ferreira, Expresso de 21/11/2009
Google diz que PCs vão iniciar em sete segundos ou menos: o novo sistema operativo que o Google está a desenvolver vai ligar computadores tão rápido quanto uma televisão, anunciou a empresa de buscas na Internet ao demonstrar o ChromeOS... [mais]24.11.09

Mulher deprimida perde pensão da seguradora por causa do Facebook, depois de ter posto online imagens em que aparece sorridente... [mais]
23.11.09
FEDERALISMO E CINZENTISMO DOMINAM A UE
Por Manuel Silva
Por Manuel Silva
Aprovado o Tratado de Lisboa pelos 27, foram eleitos o Presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy, primeiro-ministro belga, e a "ministra" dos Negócios Estrangeiros da UE, Catherine Ashton, ex-ministra da Justiça do Reino Unido.Alguma vez o leitor ouviu estes nomes? Mas já ouviu, certamente, falar de Tony Blair, Jean Claude Junker, José Maria Aznar, ou Felipe Gonzalez. Todos eles foram potenciais candidatos ao cargo para que foi eleito Van Rompuy. Porque não foi então escolhido nenhum daqueles nomes, bem conhecidos e com competência demonstrada no exercício da liderança governamental dos seus países, mas alguém que apenas governa a Bélgica há um ano e é considerado um cinzentão? E porque será a "senhora PESC" alguém que não tem experiência diplomática nenhuma? Atenção, que esta senhora baronesa vai ter um enorme poder, pois, além de membro do Conselho, será vice-presidente da Comissão Europeia.
Por um lado, como afirmava Pacheco Pereira na edição do "Público" do passado dia 21 (sábado), tendo em conta que os governos europeus cada vez são mais frágeis e quem domina os 27 é a "burocracia bruxelense de primeira", não espanta que sejam indicados para os cargos máximos da UE burocratas de segunda. Por outro lado, nas costas e contra a vontade dos cidadãos, está-se a caminhar para uma Europa Federalista, dominada pelo eixo franco-alemão. Por isso, Sarkozy e Angela Merkel ficaram radiantes com estas escolhas. Pudera!... Blair, Aznar, ou Gonzalez, não lhes aparariam o jogo. O governo de Sócrates, como sempre, vai no rebanho, tal como, aliás, o PSD, que, como o PS, mentiu ao povo português, prometendo um referendo sobre o Tratado em causa, dando, posteriormente, o dito por não dito, e o CDS quando, após a fase nacionalista imitativa de Le Pen ou Heider, passou a euro-calmo, expressão que nunca ninguém soube o que significava. Para Portas, tal também não terá grande importância. É mais um "sound-bite", típico de quem não tem qualquer projecto de futuro...
A IRONIA E A MAIÊUTICA EM (JOSÉ) SÓCRATES
Por Manuel Silva
Por Manuel Silva
A taxa de desemprego já vai em quase 10% da população activa. Segundo afirmava, na última edição do "Expresso", Nicolau Santos, o desemprego real andará à volta de 11% daquela população.No dia em que aquele primeiro número foi conhecido, surgiram no noticiário das 20:00 horas, no canal 1 da RTP, desempregados, já na meia idade, que mais pareciam personagens saídas de "Um Conto de Natal", de Charles Dickens, de "Os Miseráveis", de Vitor Hugo, ou do "Germinal", de Émile Zola, a falar da sua falta de esperança num futuro melhor.
Sobre esta questão, que pode vir a tornar-se explosiva e sobre casos de corrupção, como o "Freeport" ou "Face Oculta", o primeiro-ministro imita bem o seu homónimo grego Sócrates, considerado o pai da filosofia, no respeitante ao que considerava ironia, quando dizia :"só sei que nada sei".
Relativamente à maiêutica socrática (conhece-te a ti mesmo), mãe da teoria do conhecimento, aos costumes diz nada.
E, como cantava Fausto, há mais de 30 anos, "(...) assim se faz Portugal. Uns vão bem e outros mal". Mas, como eu já ouvia em criança, também "não há bem que nunca acabe, nem mal que sempre dure".
22.11.09
Tetro
Título original: Tetro
De: Francis Ford Coppola
Com: Vincent Gallo, Maribel Verdú, Alden Ehrenreich
Género: Drama, Mistério
Classificação: M/12
ARG/ESP/EUA/ITA, 2009, Cores e P/B, 127 min.
Título original: Tetro
De: Francis Ford Coppola
Com: Vincent Gallo, Maribel Verdú, Alden Ehrenreich
Género: Drama, Mistério
Classificação: M/12
ARG/ESP/EUA/ITA, 2009, Cores e P/B, 127 min.
"HÁ UM JOVEM que procura um irmão mais velho que anos antes se foi embora da casa paterna. Há um pai com tendências centrípetas, fazendo o mundo convergir para um ponto onde ele está. Há uma história trágica com ressonâncias de incesto e há uma jovenzinha fascinada que um pai rouba a um filho e depois se desarticula, como uma boneca a quem partiram as ligações. Há um tipo que praticamente enlouquece com a história da sua vida que não pára de escrever e mastigar — e uma mulher que o salva sem lhe matar os fantasmas. E há Coppola a dizer que todas aquelas histórias, personagens, relações, tramas e traições são verdadeiras, embora nada daquilo alguma vez tenha ocorrido."
"Já estou a ver, daqui a poucos anos, os biógrafos do realizador debruçados sobre “Tetro”, tentando esclarecer em cada recanto uma correspondência com a realidade, como se este fosse um filme com chaves para decifrar. Acrescento já que quero, no futuro, ler esse esforço, mas que, perante o filme, isso é o que menos me interessa. Pelo contrário, interessa-me muito verificar que esta espécie muito particular de saga familiar, em tom de melodrama embalado pelo som do bandoneón (fascinante banda sonora de Osvaldo Golijov), tem o sopro de uma ópera popular. É por isso que nenhum dos personagens é verdadeiramente realista e que a fotografia a preto-e-branco cria uma impressão de sufoco como eu não via desde “A Saudade de Veronika Voss” de Fassbinder (quem diria que já passou mais de um quarto de século!)."
"É por isso que as ruas do bairro de La Boca, numa Buenos Aires apaixonante e onírica, parecem cenários de um palco incomensurável, como pareciam as de “Do Fundo do Coração” que eram mesmo feitas num estúdio, as de “Tetro” não. É por isso que quando Maribel Verdú dança diante de um Alden Ehrenreich que não podia estar mais embevecido, aquilo parece um momento perfeito e a gente nem se interroga sobre os cordéis de ficção que ligam a cena ao que veio antes e ao que vem depois. Não: a gente fica ali, mais enfeitiçada do que o protagonista, sem querer saber mais nada a não ser a pura beleza diante dos olhos."
"E apetece que dure — infindavelmente. Como nos melhores filmes de Powell e Pressburger que Coppola explicitamente convoca, como nas grandes árias de Verdi que desejamos que não acabem nunca, “Tetro” é um objecto com o poder de retorsa sedução que só os pináculos artificialistas conseguem destilar. Tem tudo lá dentro, Eros e Thanatos, espantos, dores, bailado, a grande música, o teatro mais delirante, a tragédia, os espaços largos (como nos westerns), o melodrama da ralé, faca-e-alguidar, e a melhor arte elitista — até tem uma cena de iniciação sexual feita com uma alegria tão exuberante que apetece ser virgem outra vez. Esta massa infrene, pulsante, é caldeada pela mão de um autor que sabe tudo o que há para saber sobre cinema e que, como já nada tem a provar, faz aqui o mais livre dos seus filmes, o mais secreto, o mais barroco, um dos mais belos."
"(Tenho um amigo que acha Francis Ford Coppola o maior cineasta da História do Cinema. “Tetro” — e a trilogia dos Padrinhos, e “Apocalypse Now” e “Do Fundo do Coração” — quase me fazem dar-lhe razão.)" Jorge Leitão Ramos, Expresso de 21/11/2009

Os CTT inauguraram a sua ilha no Second Life. Intitula-se “World in Touch” e a abertura assinala a adesão dos Correios portugueses à mais conhecida plataforma virtual 3D em rede... [mais]
21.11.09
Chrome OS: o sistema operativo da Google...
...o anúncio foi feito oficialmente pela Google. O novo sistema é totalmente open source, o que significa que programadores de todo o mundo poderão realizar modificações no sistema, e utilizá-lo da forma que melhor lhe convir. O Chrome OS é baseado no Linux e pretende ser "veloz, simples e seguro", assim como todos os aplicativos da Google. [mais]
19.11.09
LOCAL
Vouzela

Vouzela

Juiz de instrução da "Face Oculta" passou pelos tribunais de Famalicão, Paredes, Vouzela e Oliveira de Azeméis, antes de assumir área criminal em Aveiro... [mais]
16.11.09
Os Sorrisos do Destino
Título original: Os Sorridos do Destino
De: Fernando Lopes
Com: Ana Padrão, Rui Morrison, Milton Lopes
Género: Drama
Classificação: M/12
POR, 2009, Cores, 98 min.
Título original: Os Sorridos do Destino
De: Fernando Lopes
Com: Ana Padrão, Rui Morrison, Milton Lopes
Género: Drama
Classificação: M/12
POR, 2009, Cores, 98 min.
"ADA É UMA MULHER cosmopolita, entre lançamentos de livros, programas de rádio, viagens a Itália e Wagner como música de fundo. Borboleta cultural, é natural que, aqui e ali, ceda às seduções que os artífices do gosto tão hábeis são a manusear. Do amor não saberemos o que pensa, mas o sabor da infidelidade está no rosto de Ana Padrão e cai-lhe bem. Carlos, o marido, pelo contrário, é um jornalista muito mais terra-a-terra, ao espavento sinfónica prefere os boleros de Los Panchos (espantosa banda sonora a desta fita — onde se compra?) e acerca do amor só sabemos que nunca há-de conseguir viver sem Ada. Rui Morisson é esse homem, seguro de si e, todavia frágil que, um dia, lê uma mensagem no telemóvel da mulher, por acaso, por artes do destino — ele que nem tem nem é capaz de manusear tais aparelhos. Descobre que há um tal Manuel B. que anseia por voltar a estar com ela. E resolve conhecer esse outro parceiro que andava pela sua vida e ele nem sonhava. Escritor angolano, em casa isolada, de excelente gosto e melhor vinho, Manuel é Milton Lopes (que já em “O Delfim” era o homem que a senhora ia buscar). O que Carlos encontra e como resolve aquilo que encontra não cumpre dizer aqui, vão ver o filme. Convém saber, contudo, que ele leva no bolso uma navalha de ponta e mola, mas que esta não é uma fita de faca e alguidar."
"Existe, no mais recente filme de Fernando Lopes, uma vontade de olhar as agruras dos sentimentos — o adultério, os cansaços, os jogos de sedução — com a leveza nobre dos cínicos amargos do cinema (Lubitsch, Wilder, evidentemente). Constatemos, no entanto, o ponto de vista excessivamente masculino para que se verifique a equanimidade que esses mestres sempre se esforçavam por praticar. E, à falta da arte da esgrima com que desembrulhar diálogos e situações, notemos que sobra uma ibérica consternação: boleros em que se pode marinar a dor de corno, temperada a álcool — whisky ou tinto (do Douro) — e tristeza. Quase quase à beira das lágrimas. (Eu acho que a câmara desviou o olhar um segundo antes de acontecer. Questões de pudor, não temos nada com isso). Os filmes de verdade também têm direito a zonas reservadas." Jorge Leitão Ramos, Expresso de 14/11/2009
15.11.09
Pelo menos cinco certidões extraídas do ‘processo Face Oculta’ implicam José Sócrates em actividades que poderão ser consideradas tráfico de influências. Além da compra da TVI pela PT, são também referidas manobras para financiar a campanha eleitoral do PS para as últimas legislativas e para ajudar a salvar o grupo empresarial de Joaquim Oliveira (DN, JN, 24Horas, TSF, O Jogo e Sport TV). [mais]13.11.09
Guterres é o 64º mais poderoso do mundo para a revista "Forbes"...
...António Guterres está em 64º lugar no ranking da revista "Forbes" relativo às personalidade mais poderosas em todo o mundo. Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, não surge na listagem, que elenca 67 poderosos e que é a primeira do género feita pela revista norte-americana. [mais]
Perante a efeméride da queda do Muro...
...alguma esquerda não resiste lembrar que, não obstante a liberdade chegada aos países de Leste, 1989 significou também o triunfo do neoliberalismo e, com ele, a universalização da desregulação económica, a retracção do Estado Social e um continuado cavar das desigualdades entre os países ricos e os países pobres.
Isso até será verdade, mas a grande falácia é pensarmos que a intocada hegemonia do neoliberalismo se deveu à queda do Muro de Berlim.
Bem ao contrário: é o facto de o Muro ter sido construído em nome de um mundo radicalmente mais justo que hoje rouba possibilidades a quem queira imaginar um mundo radicalmente mais justo. O Muro de Berlim e o regime que o ergueu continuam a dar mau nome a qualquer esperança que se atreva a tentar superar o capitalismo predatório. Tarde caiu, pior ter existido. [aqui]
...alguma esquerda não resiste lembrar que, não obstante a liberdade chegada aos países de Leste, 1989 significou também o triunfo do neoliberalismo e, com ele, a universalização da desregulação económica, a retracção do Estado Social e um continuado cavar das desigualdades entre os países ricos e os países pobres.Isso até será verdade, mas a grande falácia é pensarmos que a intocada hegemonia do neoliberalismo se deveu à queda do Muro de Berlim.
Bem ao contrário: é o facto de o Muro ter sido construído em nome de um mundo radicalmente mais justo que hoje rouba possibilidades a quem queira imaginar um mundo radicalmente mais justo. O Muro de Berlim e o regime que o ergueu continuam a dar mau nome a qualquer esperança que se atreva a tentar superar o capitalismo predatório. Tarde caiu, pior ter existido. [aqui]
12.11.09
7/11/1917 - 9/11/1989
Por Manuel Silva
Por Manuel Silva
Alguém disse que o século XX (político) começou em 7 de Novembro de 1917, com a eclosão da revolução soviética, e terminou em 1989, com o fim da generalidade dos regimes comunistas, sendo o ponto fulcral desse fim o derrube do muro de Berlim, há 20 anos (9 de Novembro de 1989).
A revolução bolchevique constituiu uma enorme esperança para milhões de operários, camponeses, demais camadas de trabalhadores por conta de outrem, estudantes e intelectuais revolucionários, os quais, à excepção de uma ou outra nação mais desenvolvida, viviam em países dominados por gritantes injustiças sociais e humanas. Muitas dessas pessoas não tiveram vida própria, perderam empregos, foram presas, torturadas e mortas por um ideal que julgavam justo e salvífico para a humanidade.
Com a vitória de Lenine e seus camaradas, parecia tornar-se realidade o mundo novo e igualitário profetizado por Marx e Engels. Parecia...
Logo nos primeiros anos da revolução, o Exército Vermelho, comandado por Trotsky, o ideólogo inspirador de Francisco Louçã, percorreu a Rússia massacrando muitos milhares de compatriotas que não aceitavam o novo regime. Em 1922, marinheiros ultra-esquerdistas e anarquistas revoltados foram pura e simplesmente massacrados por tropas comandadas por Trotsky.
Com Estaline, o totalitarismo consagrou-se no seu mais pleno esplendor. Dezenas de milhões de pessoas eram mortas às ordens do tirano.
Embora do ponto de vista social, a situação melhorasse para os soviéticos, ficou muito aquém do desejado. Recordamos que aquando da reforma agrária colectivista, milhões de camponeses morreram à fome, já para não falar dos milhões fuzilados. Dirigentes importantíssimos como o próprio Trotsky, Bukharine, a quem Lenine apelidou de "filho querido do partido", Zinoviev, Kamenev e tantos outros, nos anos 30 do século passado, foram mortos, acusados de se passarem para o lado do inimigo.
Em 1937, houve um congresso do PCUS. Passado um ano, 70% dos membros do Comité Central então eleitos, dos ministros e dos altos comandos militares haviam sido fuzilados. Será que alguém de bom senso acredita que toda aquela gente trabalhava para a CIA e demais inimigos da revolução?
Em todos os países com regimes comunistas se passou algo de idêntico.
A partir dos anos 60, muitos milhões de intelectuais e jovens, quer trabalhadores, quer estudantes, desiludidos com os caminhos seguidos por Moscovo, viraram-se para a China e Mao Tsé Tung. Era a última esperança do comunismo, com a revolução cultural, a campanha das cem flores a desabrochar e das cem escolas a rivalizar. Julgavam viver-se ali o socialismo puro a caminho da sociedade sem classes. Com a morte de Mao e de Enver Hodxa, na Albânia, não foi mais possível mentir. As revoluções chinesa e albanesa tinham falhado a nível económico e social, tal como na URSS e demais países da cortina de ferro.
Além da enorme repressão - no mundo inteiro o comunismo foi responsável por 100 milhões de mortos - em todos os chamados países socialistas se vivia a igualdade na pobreza ou mesmo na miséria, como se viu no terceiro mundo, enquanto os chefes se tornavam em novas burguesias, muitas vezes corruptas, como são os casos de Brejnev e familiares, Honneker, Enver Hodxa e sua mulher, Nixmije Hodxa, e tantos outros. É caso para perguntar se o mal esteve no leninismo, no estalinismo, no trotskismo, no maoismo e não no marxismo? Não será por acaso que todos os herdeiros de Marx que foram poder seguiram a via atrás descrita. A aplicação prática das teorias económico-sociais do marxismo falharam. Quanto à repressão, caro leitor, leia a última página do "Manifesto do Partido Comunista", escrito por Marx e Engels em 1848. Aí se diz "que há partidos porque há classes, logo, a classe operária vitoriosa, deverá esmagar os partidos burgueses". Ali se apela à violência e ao sangue. O que daria tudo isto levado à prática, senão ditaduras sanguinárias?
Também eu fui marxista-leninista-maoista. Estive no MRPP e no PCTP/MRPP durante uma década. Saí em 1985, com apenas 26 anos. Quando quatro anos depois vi cair o muro e em todo o leste as estátuas dos mestres do marxismo, que eu já tinha derrubado no meu interior, fiquei feliz. No entanto, interroguei-me como foi possível tantos de nós termos acreditado "naquilo". Também pensei, como já fazia desde que deixei de ser discípulo do Arnaldo, que o capitalismo de rosto humano, com todos os seus defeitos, era o melhor dos sistemas económicos e que, conjugado com a democracia, possibilitava a liberdade e o bem estar para a esmagadora maioria dos trabalhadores, mas se tal foi possível, também se deveu, por outro lado, às revoluções comunistas que obrigaram o capitalismo a democratizar-se e a respeitar os direitos de quem trabalha. Esta era a posição defendida, na altura, por um dos responsáveis pela queda do comunismo: o Papa João Paulo II.
Lembrei-me também dos meus ex-camaradas Ribeiro Santos e Alexandrino de Sousa, caídos na luta, o primeiro assassinado pela PIDE e o segundo pela UDP, hoje integrada no Bloco de Esquerda. Se fossem vivos ainda acreditariam no ideal pelo qual deram, de forma heróica, as suas vidas? Ou fariam o que eu e a maioria dos militantes e simpatizantes do MRPP fizemos? Resta a esperança e a fé de um dia nos encontrarmos e conversarmos sobre tudo isso.
A revolução bolchevique constituiu uma enorme esperança para milhões de operários, camponeses, demais camadas de trabalhadores por conta de outrem, estudantes e intelectuais revolucionários, os quais, à excepção de uma ou outra nação mais desenvolvida, viviam em países dominados por gritantes injustiças sociais e humanas. Muitas dessas pessoas não tiveram vida própria, perderam empregos, foram presas, torturadas e mortas por um ideal que julgavam justo e salvífico para a humanidade.
Com a vitória de Lenine e seus camaradas, parecia tornar-se realidade o mundo novo e igualitário profetizado por Marx e Engels. Parecia...
Logo nos primeiros anos da revolução, o Exército Vermelho, comandado por Trotsky, o ideólogo inspirador de Francisco Louçã, percorreu a Rússia massacrando muitos milhares de compatriotas que não aceitavam o novo regime. Em 1922, marinheiros ultra-esquerdistas e anarquistas revoltados foram pura e simplesmente massacrados por tropas comandadas por Trotsky.
Com Estaline, o totalitarismo consagrou-se no seu mais pleno esplendor. Dezenas de milhões de pessoas eram mortas às ordens do tirano.
Embora do ponto de vista social, a situação melhorasse para os soviéticos, ficou muito aquém do desejado. Recordamos que aquando da reforma agrária colectivista, milhões de camponeses morreram à fome, já para não falar dos milhões fuzilados. Dirigentes importantíssimos como o próprio Trotsky, Bukharine, a quem Lenine apelidou de "filho querido do partido", Zinoviev, Kamenev e tantos outros, nos anos 30 do século passado, foram mortos, acusados de se passarem para o lado do inimigo.
Em 1937, houve um congresso do PCUS. Passado um ano, 70% dos membros do Comité Central então eleitos, dos ministros e dos altos comandos militares haviam sido fuzilados. Será que alguém de bom senso acredita que toda aquela gente trabalhava para a CIA e demais inimigos da revolução?
Em todos os países com regimes comunistas se passou algo de idêntico.
A partir dos anos 60, muitos milhões de intelectuais e jovens, quer trabalhadores, quer estudantes, desiludidos com os caminhos seguidos por Moscovo, viraram-se para a China e Mao Tsé Tung. Era a última esperança do comunismo, com a revolução cultural, a campanha das cem flores a desabrochar e das cem escolas a rivalizar. Julgavam viver-se ali o socialismo puro a caminho da sociedade sem classes. Com a morte de Mao e de Enver Hodxa, na Albânia, não foi mais possível mentir. As revoluções chinesa e albanesa tinham falhado a nível económico e social, tal como na URSS e demais países da cortina de ferro.
Além da enorme repressão - no mundo inteiro o comunismo foi responsável por 100 milhões de mortos - em todos os chamados países socialistas se vivia a igualdade na pobreza ou mesmo na miséria, como se viu no terceiro mundo, enquanto os chefes se tornavam em novas burguesias, muitas vezes corruptas, como são os casos de Brejnev e familiares, Honneker, Enver Hodxa e sua mulher, Nixmije Hodxa, e tantos outros. É caso para perguntar se o mal esteve no leninismo, no estalinismo, no trotskismo, no maoismo e não no marxismo? Não será por acaso que todos os herdeiros de Marx que foram poder seguiram a via atrás descrita. A aplicação prática das teorias económico-sociais do marxismo falharam. Quanto à repressão, caro leitor, leia a última página do "Manifesto do Partido Comunista", escrito por Marx e Engels em 1848. Aí se diz "que há partidos porque há classes, logo, a classe operária vitoriosa, deverá esmagar os partidos burgueses". Ali se apela à violência e ao sangue. O que daria tudo isto levado à prática, senão ditaduras sanguinárias?
Também eu fui marxista-leninista-maoista. Estive no MRPP e no PCTP/MRPP durante uma década. Saí em 1985, com apenas 26 anos. Quando quatro anos depois vi cair o muro e em todo o leste as estátuas dos mestres do marxismo, que eu já tinha derrubado no meu interior, fiquei feliz. No entanto, interroguei-me como foi possível tantos de nós termos acreditado "naquilo". Também pensei, como já fazia desde que deixei de ser discípulo do Arnaldo, que o capitalismo de rosto humano, com todos os seus defeitos, era o melhor dos sistemas económicos e que, conjugado com a democracia, possibilitava a liberdade e o bem estar para a esmagadora maioria dos trabalhadores, mas se tal foi possível, também se deveu, por outro lado, às revoluções comunistas que obrigaram o capitalismo a democratizar-se e a respeitar os direitos de quem trabalha. Esta era a posição defendida, na altura, por um dos responsáveis pela queda do comunismo: o Papa João Paulo II.
Lembrei-me também dos meus ex-camaradas Ribeiro Santos e Alexandrino de Sousa, caídos na luta, o primeiro assassinado pela PIDE e o segundo pela UDP, hoje integrada no Bloco de Esquerda. Se fossem vivos ainda acreditariam no ideal pelo qual deram, de forma heróica, as suas vidas? Ou fariam o que eu e a maioria dos militantes e simpatizantes do MRPP fizemos? Resta a esperança e a fé de um dia nos encontrarmos e conversarmos sobre tudo isso.
Num país civilizado, qualquer um se sentiria incomodado se a mulher, amante, amiga, namorada, união de facto ou o que fosse usasse o seu poder sobre um Primeiro-Ministro para o levar a tomar decisões políticas ou outras numa ou noutra direcção. Seria grave se a namorada do Primeiro-Ministro lhe telefonasse a pedir favores para determinado licenciamento de um primo ou amigo inglês, ou a pedir para que determinado sucateiro lhe fosse recolher o lixo. Mas não será igualmente grave que a mesma pessoa envide todos os esforços para que o PM adopte determinadas opções legislativas face aos comportamentos pessoais? Que sentirá o pobre do Sócrates ao chegar a casa, diariamente, cansado, e a ter de ouvir "Ó Zézito, já trataste do casamento dos meus amigos homossexuais?" Se a cara-metade de um PM fosse publicamente uma acérrima defensora de uma determinada empresa, seria estranho que o PM, ainda mal arrumados os cartazes da campanha, fosse a correr atribuir a essa empresa qualquer vantagem (principalmente num momento em que o país precisa de coisas bem mais importantes).
Vamos que a mulher do PR começava a escrever em blogues e jornais (apoiantes ou não do PR, vamos por ora deixar isso de lado) e a aparecer em todo o lado a vociferar (o termo não é completamente aplicável à senhora mas estamos no campo do comparativo e hipotético) contra o casamento de homossexuais do mesmo sexo, apoiando e sendo apoiada por muitos e muitas organizações de pensamento semelhante. E a seguir vinha o PR e vetava o diploma meticulosamente preparado e negociado entre o PS e o BE. Como é que ficava a coisa? [aqui]
Já existe um site em que pode partilhar as suas experiências sexuais. “Maravilhosamente maravilhoso foi como foi!!!!” Uma mulher, que vive perto da Figueira da Foz, descreve assim a sua primeira relação sexual com um homem. Diz-nos ainda que foi na posição de missionário, usou preservativo e fê-lo dentro de casa.Em ijustmadelove.com qualquer pessoa pode partilhar com todos a sua última experiência sexual, recorrendo ao Google Maps (para se ver o local onde os internautas tiveram relações) e dando pormenores sobre o sítio onde teve sexo (casa, carro, barco, ao ar livre), como o fez (missionário, de pé, etc) e se usou preservativo ou não. Pode ainda adicionar comentários e fotos ao relato da experiência. [mais]
11.11.09
A "união civil registada" é a alternativa que, para já, é encarada como "ponto de partida", nas palavras do líder da bancada social-democrata, José Pedro Aguiar-Branco. E que pode vir a ter apoios entre deputados socialistas... [mais]10.11.09
9.11.09
O PSD não tem cura. Corrijo: tem. Mas só quando o poder serve de cola para juntar os cacos do clube. Sem poder no horizonte próximo, é indiferente saber quem será o próximo líder do partido. Até porque o partido, em rigor, não existe: o que existe são dois partidos – o PPD e o PSD – que se odeiam de morte e que jamais aceitarão a legitimidade do adversário eleito. Não admira, por isso, que Marcelo esteja tão relutante em voltar a descer à Terra. Porque espera uma ‘vaga de fundo’? A ‘vaga’ já ele tem, um espectáculo de histeria que, ironicamente, só fortalece Passos Coelho. O que Marcelo não tem é a certeza de que ganha a liderança e, ganhando, que a guerra civil amaina só porque existe chefe novo. O PSD de hoje é um covil de feras esfomeadas. E quem se mete num covil? Só um louco. [aqui] 8.11.09
Michael Jackson's This Is It
Título original: This Is It
De: Kenny Ortega
Género: Documentário, Musical
Classificação: M/12
EUA, 2009, Cores, 112 min.
"“Michael Jackson’s This Is It” pode ser o exemplo acabado e que vai mais longe na sua forma, daquilo que atrás referimos. É, por um lado, uma definitiva manifestação de amor e de curiosidade, para o admirador tentar perceber o que ficou incompleto e imaginar o que poderia ser se tivesse chegado ao fim. Mas é também, inevitavelmente, uma exploração da imagem e da memória que deixou e da admiração quase histérica dos fãs. Não nos podemos queixar disto, porque faz parte do mundo real em que vivemos e em que a sociedade de consumo explora todas marcas e todas as ‘máscaras’ dessa memória. Porém “Michael Jackson’s This Is It” é mais um objecto de homenagem do que de exploração. O filme procura mostrar o que o concerto real poderia ter sido, mas mantém um certo respeito pela personagem. De tal forma que vemos a ‘máscara’ que o habitou como uma espécie de defesa. Kenny Ortega, o realizador, talvez seja demasiado respeitoso pela imagem, pois apresenta-o como um trabalhador incansável e se não ousa dar uma outra imagem do artista é porque o objectivo do filme é o concerto que a morte frustrou. O que nos deixa ver, como balanço de centenas de horas que gravaram os ensaios que preparavam os inícios da grande digressão, é uma série de momentos de canções e coreografias desenvolvidas ‘em progresso’. "
Título original: This Is It
De: Kenny Ortega
Género: Documentário, Musical
Classificação: M/12
EUA, 2009, Cores, 112 min.
"ASSISTIR À EXIBIÇÃO de “Michael Jackson’s This Is It”, provoca uma certa sensação de desconforto, porque a homenagem se mistura à frustração. Acompanhando toda a exposição de um processo que deixa antever o que poderia ter sido, o espectador sente, no resultado, uma marca, ou sinal, que tem a ver com uma espécie de ‘maldição’ que, desde o começo dos tempos, marca a cultura, e que na história fica como que a manifestação do ‘ciúme’ dos deuses que nos ‘roubam’ cedo aqueles que se tornaram seus rivais. Podíamos ir atrás, até à tragédia grega para falarmos dos que morrem cedo por intervenção desses deuses, mas podemos ficar-nos pelo século passado. Esses que morrem cedo deixam nos seus admiradores uma sensação de vazio e de frustração ao saberem de obras que ficaram incompletas, ou o que poderiam ter feito. É claro que tal como os que o choram outros há que tentam tirar o máximo proveito do que ficou, da obra ou da imagem."
"“Michael Jackson’s This Is It” pode ser o exemplo acabado e que vai mais longe na sua forma, daquilo que atrás referimos. É, por um lado, uma definitiva manifestação de amor e de curiosidade, para o admirador tentar perceber o que ficou incompleto e imaginar o que poderia ser se tivesse chegado ao fim. Mas é também, inevitavelmente, uma exploração da imagem e da memória que deixou e da admiração quase histérica dos fãs. Não nos podemos queixar disto, porque faz parte do mundo real em que vivemos e em que a sociedade de consumo explora todas marcas e todas as ‘máscaras’ dessa memória. Porém “Michael Jackson’s This Is It” é mais um objecto de homenagem do que de exploração. O filme procura mostrar o que o concerto real poderia ter sido, mas mantém um certo respeito pela personagem. De tal forma que vemos a ‘máscara’ que o habitou como uma espécie de defesa. Kenny Ortega, o realizador, talvez seja demasiado respeitoso pela imagem, pois apresenta-o como um trabalhador incansável e se não ousa dar uma outra imagem do artista é porque o objectivo do filme é o concerto que a morte frustrou. O que nos deixa ver, como balanço de centenas de horas que gravaram os ensaios que preparavam os inícios da grande digressão, é uma série de momentos de canções e coreografias desenvolvidas ‘em progresso’. ""Entre estes momentos caberá, especialmente a um cinéfilo, destacar dois deles: a encenação espectacular da canção ‘Smooth Criminal’ acompanhada com uma montagem do cinema ‘negro’ clássico (com Rita Hayworth em “Gilda” e Humphrey Bogart em vários filmes) onde Michael Jackson se ‘introduz’. E também o breve segmento da ‘revisão’ que seria em 3D do clássico “Thriller” de Jackson." Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 07/11/2009
Francisco Assis acha que não faz sentido um referendo sobre a possibilidade do casamento de homossexuais do mesmo sexo porque já se provou (?!?...) que o referendo é um modelo de organização de decisão política pouco participado. Seguramente não se terá apercebido de que o argumento é idiota. Se os socialistas acham isto, que acabem de vez com a possibilidade de referendo, não interessa mais letra morta nas normas que nos regem. Aliás, se a participação das pessoas conta como argumento, então que se acabem também com muitas eleições (ou todas?). O raciocínio pode, portanto, levar ao fim das eleições e aproxima muito os socialistas do antigo regime. [aqui]
7.11.09
E A GRIPE A?...
...está bem e recomenda-se: no hemisfério sul, onde o inverno já veio e já foi, a situação não foi apocalíptica. Mortos? Alguns. Na Austrália, por exemplo, cerca de 1000. Três vezes menos do que as vítimas australianas que, todos os anos, tombam com gripe sazonal. Isto devia servir para moderar a histeria que corre em Portugal e a intenção sinistra das ‘autoridades da saúde’ (atenção à expressão) em vacinarem classes inteiras de indivíduos. Até porque os médicos não se entendem sobre a bondade da vacina e, como relata a revista Atlantic deste mês, sobre a utilidade dela: estudos recentes demonstram que, nos ‘grupos de risco’, a eficácia do medicamento é nula, ou reduzida. O Estado devia parar com a infantilização dos portugueses. E, já agora, permitir que cada um usasse a respectiva cabeça. Liberdade não é doença. [aqui]
...está bem e recomenda-se: no hemisfério sul, onde o inverno já veio e já foi, a situação não foi apocalíptica. Mortos? Alguns. Na Austrália, por exemplo, cerca de 1000. Três vezes menos do que as vítimas australianas que, todos os anos, tombam com gripe sazonal. Isto devia servir para moderar a histeria que corre em Portugal e a intenção sinistra das ‘autoridades da saúde’ (atenção à expressão) em vacinarem classes inteiras de indivíduos. Até porque os médicos não se entendem sobre a bondade da vacina e, como relata a revista Atlantic deste mês, sobre a utilidade dela: estudos recentes demonstram que, nos ‘grupos de risco’, a eficácia do medicamento é nula, ou reduzida. O Estado devia parar com a infantilização dos portugueses. E, já agora, permitir que cada um usasse a respectiva cabeça. Liberdade não é doença. [aqui]
Em defesa da União Soviética...
...os comunistas portugueses continuam não apenas a comemorar a Revolução de Outubro, mas a assumir inequivocamente que as raízes essenciais do projecto de sociedade pelo qual lutam em Portugal se situam nos valores, nos princípios e nos êxitos da Revolução de Outubro... [aqui]
6.11.09
O DESAPARECIMENTO DA "OLÁ" E O PAÍS DE CIMA
Por Manuel Silva
Por Manuel Silva
Há mais de 20 anos, o jornal SEMANÁRIO, de cuja administração era presidente Marcelo Rebelo de Sousa, criou uma revista chamada "Olá", que acompanhava todas as semanas aquele periódico. Recentemente, tal revista cessou a sua publicação.
A "Olá" era uma imitação da espanhola "Holla", destinada a gente fina ou "guapa", como se diz no país vizinho. Não se metia na vida privada dessa gente, como faz muita da imprensa cor de rosa de hoje. Divulgava os casamentos, nascimentos, baptizados e festas daquelas pessoas.
Nada me move contra esse tipo de revistas, embora também não pertençam ao meu tipo de leitura preferida. Só que, Marcelo Rebelo de Sousa, quando líder do PSD, procurou, na efémera AD que criou com Portas, curiosamente, um dos homens que mais trabalhou para derrotar anteriormente o PSD, dando o poder ao PS, quando director do "Independente", transformar tal coligação, pelas posições assumidas e pelas pessoas que a dirigiam, bem como aos partidos seus integrantes, numa representação da gente que vinha na "Olá": bastante rica, da direita tradicional, betinhos, queques, tias da linha, etc. Como dizia então Pacheco Pereira, a AD, finda em bom e devido tempo, encarnava o país dos "de cima".
Não é essa a matriz política do PSD. Desde Sá Carneiro sempre se assumiu como um partido inter-classista, conciliador de empresários e trabalhadores, bem como da livre iniciativa e da propriedade privada com a justiça social, a solidariedade, a luta contra a pobreza e a igualdade de oportunidades. Quando deixar de o ser - e correrá sérios riscos disso mesmo se Marcelo for um dia seu líder - estará condenado a enfraquecer ainda mais e, quem sabe?, a desaparecer.
Para que tal não aconteça, sociais-democratas, recusemos a falsa unidade proposta por Marcelo e elejamos para a liderança do partido Pedro Passos Coelho, o único dirigente capaz, presentemente, de modernizar o partido, adaptando a sua ideologia de sempre às novas realidades. Como costumo afirmar, ele poderá ser o nosso Tony Blair, operando no PSD uma mudança idêntica à que aquele provocou no Partido Trabalhista Britânico, conduzindo a social democracia portuguesa à vitória.
A "Olá" era uma imitação da espanhola "Holla", destinada a gente fina ou "guapa", como se diz no país vizinho. Não se metia na vida privada dessa gente, como faz muita da imprensa cor de rosa de hoje. Divulgava os casamentos, nascimentos, baptizados e festas daquelas pessoas.
Nada me move contra esse tipo de revistas, embora também não pertençam ao meu tipo de leitura preferida. Só que, Marcelo Rebelo de Sousa, quando líder do PSD, procurou, na efémera AD que criou com Portas, curiosamente, um dos homens que mais trabalhou para derrotar anteriormente o PSD, dando o poder ao PS, quando director do "Independente", transformar tal coligação, pelas posições assumidas e pelas pessoas que a dirigiam, bem como aos partidos seus integrantes, numa representação da gente que vinha na "Olá": bastante rica, da direita tradicional, betinhos, queques, tias da linha, etc. Como dizia então Pacheco Pereira, a AD, finda em bom e devido tempo, encarnava o país dos "de cima".
Não é essa a matriz política do PSD. Desde Sá Carneiro sempre se assumiu como um partido inter-classista, conciliador de empresários e trabalhadores, bem como da livre iniciativa e da propriedade privada com a justiça social, a solidariedade, a luta contra a pobreza e a igualdade de oportunidades. Quando deixar de o ser - e correrá sérios riscos disso mesmo se Marcelo for um dia seu líder - estará condenado a enfraquecer ainda mais e, quem sabe?, a desaparecer.
Para que tal não aconteça, sociais-democratas, recusemos a falsa unidade proposta por Marcelo e elejamos para a liderança do partido Pedro Passos Coelho, o único dirigente capaz, presentemente, de modernizar o partido, adaptando a sua ideologia de sempre às novas realidades. Como costumo afirmar, ele poderá ser o nosso Tony Blair, operando no PSD uma mudança idêntica à que aquele provocou no Partido Trabalhista Britânico, conduzindo a social democracia portuguesa à vitória.
O Partido Comunista Português considera que 20 anos após a queda do Muro de Berlim “o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático” e que aumentou a “opressão e exploração dos povos – a começar por muitos dos ex-países socialistas, com a regressão de direitos laborais, a privatização de funções do Estado, com a ofensiva contra direitos e liberdades historicamente alcançados”... [aqui]Parlamento Europeu autoriza corte de Internet aos "piratas" sem ordem judicial prévia...
...as autoridades administrativas dos Estados-membros poderão cortar o acesso à Internet aos utilizadores que façam downloads de ficheiros protegidos por direitos de autor sem uma ordem judicial prévia. O acordo foi alcançado esta madrugada pelos Governos dos 27 (Conselho Europeu) e o Parlamento Europeu, a fim de poderem reformular a regulação do sector das telecomunicações. [mais]5.11.09
Uma das coisas mais divertidas na baronagem do PSD...
...é a exigência, repito, exigência de trabalho ideológico. Minto; a expressão é «debate de ideias». É assustador ver como esta exigência toma conta de almas que se escusam a tropeçar numa ideia sobre o Estado, a Cultura, a Economia ou a vida comum. Debate de ideias quer dizer pensar no futuro da vidinha e no lugar que se há-de ocupar na sala-de-espera, o recinto onde um hipotético futuro governo os pode vir buscar para fazer deles ministros e directores-gerais. Há-de ser um debate de ideias sobre como chegar lá, mas não sobre o que fazer até lá ou nos tempos que se seguem. Por isso, Marcelo Rebelo de Sousa vinha a calhar; o professor arrastaria consigo as ideias, expostas com clareza meridiana na televisão (luzes sobre economia, administração pública, justiça, diplomacia, biblioteconomia, ténis e estratégia), batalharia com Sócrates e eles apoiariam (ou aplaudiriam, consoante os casos), na retaguarda, protegidos e cumprindo o papel. Chegada a hora, logo se veria. É esse o debate de ideias. [aqui]
...é a exigência, repito, exigência de trabalho ideológico. Minto; a expressão é «debate de ideias». É assustador ver como esta exigência toma conta de almas que se escusam a tropeçar numa ideia sobre o Estado, a Cultura, a Economia ou a vida comum. Debate de ideias quer dizer pensar no futuro da vidinha e no lugar que se há-de ocupar na sala-de-espera, o recinto onde um hipotético futuro governo os pode vir buscar para fazer deles ministros e directores-gerais. Há-de ser um debate de ideias sobre como chegar lá, mas não sobre o que fazer até lá ou nos tempos que se seguem. Por isso, Marcelo Rebelo de Sousa vinha a calhar; o professor arrastaria consigo as ideias, expostas com clareza meridiana na televisão (luzes sobre economia, administração pública, justiça, diplomacia, biblioteconomia, ténis e estratégia), batalharia com Sócrates e eles apoiariam (ou aplaudiriam, consoante os casos), na retaguarda, protegidos e cumprindo o papel. Chegada a hora, logo se veria. É esse o debate de ideias. [aqui]
4.11.09
LOCAL
São Pedro do Sul
São Pedro do Sul (Ponte): Um dia de mercado...
[clicar sobre a imagem para a ampliar] [via Pastel de Vouzela]
São Pedro do Sul
São Pedro do Sul (Ponte): Um dia de mercado...
3.11.09
MARCELO, RANGEL E A DIREITA
Por Manuel Silva

Paulo Rangel afirmou em entrevista a Judite de Sousa que não está interessado em liderar o PSD e que o futuro presidente daquele partido deverá ser Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo, por sua vez, em entrevista aos "Gato Fedorento", sempre que se referia ao PSD falava na "direita" e no "centro-direita". Essa não é a matriz do PSD, um partido central, que alberga todo um eleitorado que vai do centro-direita à esquerda mais moderada, não socialista, que hoje se apelida de esquerda liberal. Esse era o projecto de Sá Carneiro, uma terceira via "avant la lettre", a qual se poderia considerar de direita na parte económica e de esquerda no aspecto social. Pode mesmo afirmar-se que o primeiro líder do PSD foi o percursor de Blair ou Giddens.
Marcelo sempre defendeu uma aliança com Portas e o PP. Viu-se como acabou a mesma há muitos anos. Alianças à direita alienam o eleitorado central ao PS, o que se via, aliás, nas sondagens publicadas quando Marcelo e Portas criaram a AD e Guterres liderava o governo.
Eleger Marcelo para a liderança do PSD seria andar para trás e, como se constata, com o apoio dos que juntamente com a tecnocrata sem formação política e ideológica, Manuela Ferreira Leite, conduziram os sociais-democratas ao abismo eleitoral do passado dia 27 de Setembro.
Para derrotar, no fututo, o PS, o PSD deve diferenciar-se deste partido pela contestação a uma economia estatizante e beneficiadora dos amigos, empresários ou não, e bater-se por uma economia liberal, pela emancipação e independência da sociedade civil. Deverá ainda defender a reforma do Estado Social, cujo status quo é querido por Manuela Ferreira Leite e Marcelo. Embora o Estado não se deva demitir das suas funções sociais, deverá actuar no tocante às mesmas em conjunto com o voluntariado social e as instituições particulares de solidariedade social.
No plano dos costumes, o PSD deverá recusar o relativismo moral que corrói as nossas sociedades, mas também o conservadorismo e o reaccionarismo sociais.
Também o afastamento do cavaquismo, hoje desactualizado, porque muito economicista e tecnocrático, é importante para a social democracia portuguesa.
Seguindo aqueles princípios, os sociais democratas captarão o apoio transversal de todos os sectores sociais, desde os mais desfavorecidos aos agentes económicos (para fazer crescer a economia, combater a pobreza e o atraso social e cultural não basta, embora seja importante, apoiar as pequenas e médias empresas. São necessários grandes grupos económicos e investimento estrangeiro, para o que há que diminuir os impostos e as despesas públicas, gastando menos e melhor, o que passa, no essencial, como acima dizemos, pela reforma do Estado Social).
Só um liberal progressivo, que não é de direita, mas está mais próximo da terceira via corporizada por Blair, Obama ou Clinton, como Pedro Passos Coelho, poderá, no futuro, levar o PSD à vitória. Marcelo é a continuação do que aí está e tem levado a sucessivas derrotas, mesmo com o eleitorado desiludido face a Sócrates, como se viu com a perda da maioria absoluta do mesmo nas últimas legislativas.
Por Manuel Silva

Paulo Rangel afirmou em entrevista a Judite de Sousa que não está interessado em liderar o PSD e que o futuro presidente daquele partido deverá ser Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo, por sua vez, em entrevista aos "Gato Fedorento", sempre que se referia ao PSD falava na "direita" e no "centro-direita". Essa não é a matriz do PSD, um partido central, que alberga todo um eleitorado que vai do centro-direita à esquerda mais moderada, não socialista, que hoje se apelida de esquerda liberal. Esse era o projecto de Sá Carneiro, uma terceira via "avant la lettre", a qual se poderia considerar de direita na parte económica e de esquerda no aspecto social. Pode mesmo afirmar-se que o primeiro líder do PSD foi o percursor de Blair ou Giddens.
Marcelo sempre defendeu uma aliança com Portas e o PP. Viu-se como acabou a mesma há muitos anos. Alianças à direita alienam o eleitorado central ao PS, o que se via, aliás, nas sondagens publicadas quando Marcelo e Portas criaram a AD e Guterres liderava o governo.
Eleger Marcelo para a liderança do PSD seria andar para trás e, como se constata, com o apoio dos que juntamente com a tecnocrata sem formação política e ideológica, Manuela Ferreira Leite, conduziram os sociais-democratas ao abismo eleitoral do passado dia 27 de Setembro.
Para derrotar, no fututo, o PS, o PSD deve diferenciar-se deste partido pela contestação a uma economia estatizante e beneficiadora dos amigos, empresários ou não, e bater-se por uma economia liberal, pela emancipação e independência da sociedade civil. Deverá ainda defender a reforma do Estado Social, cujo status quo é querido por Manuela Ferreira Leite e Marcelo. Embora o Estado não se deva demitir das suas funções sociais, deverá actuar no tocante às mesmas em conjunto com o voluntariado social e as instituições particulares de solidariedade social.
No plano dos costumes, o PSD deverá recusar o relativismo moral que corrói as nossas sociedades, mas também o conservadorismo e o reaccionarismo sociais.
Também o afastamento do cavaquismo, hoje desactualizado, porque muito economicista e tecnocrático, é importante para a social democracia portuguesa.
Seguindo aqueles princípios, os sociais democratas captarão o apoio transversal de todos os sectores sociais, desde os mais desfavorecidos aos agentes económicos (para fazer crescer a economia, combater a pobreza e o atraso social e cultural não basta, embora seja importante, apoiar as pequenas e médias empresas. São necessários grandes grupos económicos e investimento estrangeiro, para o que há que diminuir os impostos e as despesas públicas, gastando menos e melhor, o que passa, no essencial, como acima dizemos, pela reforma do Estado Social).
Só um liberal progressivo, que não é de direita, mas está mais próximo da terceira via corporizada por Blair, Obama ou Clinton, como Pedro Passos Coelho, poderá, no futuro, levar o PSD à vitória. Marcelo é a continuação do que aí está e tem levado a sucessivas derrotas, mesmo com o eleitorado desiludido face a Sócrates, como se viu com a perda da maioria absoluta do mesmo nas últimas legislativas.
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