24.3.11

Tsunami em Ishinomaki, filmado por um amador...


[visualização disponível em HD (720p)]

21.3.11

Cobra morde seio de modelo...



...e morre intoxicada pelo silicone da prótese... [mais]

17.3.11

LOCAL
São Pedro do Sul



José Carlos Almeida retomou na sexta-feira o cargo de vereador do PS na Câmara de São Pedro do Sul... [mais]

16.3.11

LOCAL
São Pedro do Sul


Há duas semanas que não são impressos exames de raio X no SUB – Serviço de Urgência Básica de São Pedro do Sul, porque não há películas... [mais]
Título original: E o Tempo Passa
De: Alberto Seixas Santos
Com: Ricardo Aibéo, Sofia Aparício, Nuno Casanovas
Género: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: POR, 2011, Cores, min.

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"Não há cineasta menos definível em Portugal do que Alberto Seixas Santos, desde que abalou as certezas do antifascismo triunfante de 1975 com uma fita nunca por demais louvada — “Brandos Costumes”. Com uma carreira espaçadíssima (a sua última longa-metragem, “Mal”, data de 1999), estreia agora, após gestação morosa, “E o Tempo Passa”. Como protagonista, Sofia Aparício, a quem o realizador se tem dedicado, transformando a modelo em atriz, desde logo dirigindo-a em teatro (“O Caracal”, de Judith Herzberg, em 2003), naquela que é a mais memorável das suas prestações sobre um palco. Ela foi a escolha matricial de Seixas Santos para este filme, ambos correndo o risco de a personagem poder ser vista como uma variação sobre a própria Sofia Aparício na vida real. Mas como a coragem é fundamental para fazer cinema que valha a pena, ele escreveu e ela interpretou uma personagem oca, um bocadinho fútil, com medo da solidão, que talvez tenha futuro como atriz e a fazer Brecht, ou talvez apenas lhe esteja destinado envelhecer solitária, sem amores veros e com dores nos músculos que nem sabia que existiam."

"Como segunda figura feminina, o filme traz-nos Isabel Ruth, estabelecendo um contraste — geracional, de imagem de marca — mas, estranhamente, permitindo um processo de identificação entre as suas personagens, que quase dão corpo a uma deusa bifronte. Lá mais para trás, praticamente um coro, um grupo de jovens atores e atrizes. E, como trama, uma modelo-vedeta (Teresa/Sofia Aparício) que quer ser atriz e participa numa telenovela juvenil, cheia de inseguranças. Só que “E o Tempo Passa” é mais compensador que isso, revelando-se desde logo como um jogo delicioso onde as ficções existem em camadas justapostas e diferenciadas, mas onde podemos muito bem perdermo-nos (o que é ficção?, o que é realidade?) antes de percebermos que é uma dúvida vã. Se estamos no cinema, tudo é ficção, tudo são personagens, pode é haver personagens que façam de personagens — e até pode haver um inocente que já não distingue nada, um bruto de vida simples, bom homem, que trabalha com carne e fezes e vísceras num matadouro e depois vai a correr ver rodar telenovelas e até se apaixona por uma das personagens..."

"Na primeira versão do argumento, a telenovela que aparecia no filme era completamente diferente”, revelou-nos o realizador. Era uma história de um grande construtor civil, casado, com uma amante, e era um pastiche da telenovela portuguesa: havia uma filha ilegítima, heranças, envenenamentos, o padrão... Mas depois percebi que não me apetecia fazer uma telenovela com uma história de telenovela e atores de telenovela. Pensei que podia ser divertido fazer uma variante do ‘Fame’. E apareceram os ‘miúdos’, o que me agradou bastante.”

"Mas a telenovela do filme tem cenas que nunca poderiam aparecer no pequeno ecrã: a carta da professora nunca poderia ser lida na televisão às sete da tarde, a cena dos seios nus nunca poderia ser vista, o tema do incesto também não... Seixas Santos atesta essa transgressão como “uma espécie de provocação, um gesto de partir a loiça”. Acrescenta, todavia, irónico: “Mas era tentador...” Tentador pensar o que poderiam ser as telenovelas se alguém fosse autorizado a infringir as formatações. Algo que nunca saberemos o que seria, porque a indústria da telenovela é como a da fast food: não se quer que o consumidor descubra, só se quer que ele reconheça. E por isso nunca veremos uma personagem como a daquela professora que Rita Durão interpreta com tão grande comoção, sem homem, “uma virgem a passar de época”, a escrever fantasias eróticas extremas e brutais."

"Bons são esses ‘miúdos’ de que fala Seixas Santos, generosamente entregando-se a um filme que os excede e onde não são a parte que mais interessa, funcionando um pouco como desapiedado contraponto ao drama da(s) protagonista(s). “Como são novinhos, ainda acham que o cinema é mais importante que a televisão”, comenta, irónico, o realizador, que, à beira de cumprir 75 anos, admite que o tempo de agora o desconcerta. Pelo menos em matéria de cinema."

"“Eu acho que fui parar ao cinema porque não era católico, nem sequer batizado, e o cinema era uma espécie de religião onde se entrava. Os cineclubes eram o sítio da religião e nós vivíamos naquele universo como os seguidores do Bin Laden, em adoração. Mas houve várias coisas que foram sucessivamente mudando o lado histórico do cinema. Por exemplo, custa-me muito ir a uma sala em que o ecrã está à vista. Já é outra coisa, já não é cinema, já falta o respeito pela cortina que se abre sobre um mundo que não sei qual é, mas estou desejoso de conhecer.” O lado ritualístico, cerimonial, desapareceu totalmente, é bem certo. “Acabou de vez e não volta. E isso é algo que tenho vindo a interiorizar e a dizer: ‘Que sorte que eu tive.’ Porque eu fui dar ao cinema quando estavam vivos os maiores génios da sua história. Quando ia ao Chiado Terrasse ver ‘A Desaparecida’ e o ‘Hatari’, era um programa do outro mundo. Agora tenho imensa pena dos críticos, porque já não há grandes cineastas, a não ser os muito velhos, como o Manoel de Oliveira ou o Clint Eastwood. O Coppola ou o Scorsese já foram. ‘O Padrinho’ é fenomenal, o ‘Apocalypse Now’ também, ‘O Touro Enraivecido’ é um grande filme em qualquer parte do mundo. Mas estamos a falar de anos 70, não estamos a falar de 2010.”"



"Porquê fazer filmes se o cinema morreu? Melancólico, Seixas Santos admite que a fita “é um tipo a despedir-se, pode dizer-se que, de alguma maneira, este é um filme póstumo, não tenho ilusões”. Mas não um filme derradeiro, confessa-nos já em fim de conversa. Se as condições físicas deixarem e houver financiamento, o realizador quer fazer só mais um. A história de um miúdo que vê a barriga da mãe crescer durante uma gravidez e se interroga sobre o que aí vem. Depois do surpreendente prazer que me deu “E o Tempo Passa”, acho que quero ver esse filme em devir." Jorge Leitão Ramos, Expresso de 12/03/2011

13.3.11

Filme Socialismo
Título original: Film Socialisme
De: Jean-Luc Godard
Com: Catherine Tanvier, Christian Sinniger, Jean-Marc Stehlé, Patti Smith, Robert Maloubier
Género: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: FRA, 2010, Cores, 101 min.

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"Certezas, só uma: “Filme Socialismo” não é mais um igual a tantos outros. A ‘operação Godard’, cineasta cujo trabalho Portugal tem a honra e o luxo de acompanhar há muito (a Atalanta Filmes mostrou dele quase tudo nestes últimos 20 anos), não fica por aqui. A 10 de março, estreia nas salas o documentário “Godard/Truffaut — Os 2 da (Nova) Vaga”, realizado por Emmanuel Laurent, com argumento de Antoine de Baecque. A Cinemateca Portuguesa associou-se também à ‘operação’ com um ciclo Godard, já em curso, “variado no tempo e nas épocas”, que acompanhará a sua programação das primeiras semanas de março. Além disso, serão ainda editados mais dois DVD de Godard, “Viver a Sua Vida”, de 1962 (o célebre filme em que Anna Karina chora com a Joana d’Arc de Dreyer), e “J.L.G. por J.L.G.”, de 1994."

"Voltamos ao ‘socialismo’. Filme em três episódios: “Des choses comme ça”, “Quo Vadis Europa?” e “Nos humanités”. Estamos num cruzeiro pelo Mediterrâneo (como em “Um Filme Falado”, de Manoel de Oliveira). No Mediterrâneo, há muito a percorrer: Barcelona, Nápoles, o Egito, a Grécia. Há também a Palestina, mas nessa o barco não atraca. E o Bósforo, que nos abre o Mar Negro e Odessa, a Odessa das escadas de Eisenstein e de “O Couraçado Potemkine”. Também há personagens, vagas: são porta-vozes de ideias e de memórias que podem ser ou não deste tempo. E o cruzeiro, que na sua população turística e envelhecida transporta estranhos passageiros (de um ex-nazi chamado Goldberg a uma trovadora perdida em que se reconhece Patti Smith), esse cruzeiro que se diria à deriva, Mediterrâneo fora, filmado de mil maneiras, é um microcosmos do desastre capitalista. Até já lhe chamaram a anti-Arca de Noé, pois nada ali foi escolhido a dedo. Também há um relógio sem ponteiros e uma câmara fotográfica, objetos que atravessarão as três partes do filme. Extratos de documentários sobre animais e animais extraídos de outras ficções. E há crianças, e a sua esperança, pelo meio. Na sala de cinema, somos levados a reagir a esta acumulação de coisas (“comme ça”), signos e sinais, regimes de imagens e de sons que contemplam a história do cinema, mas também a Internet e todo um anonimato visual e sonoro, captados por telemóveis. Não há cenas, nem sequências, apenas planos, uns atrás de outros, em permanente tensão."

"Nada disto parece claro, nem é passível de explicação. “Filme Socialismo” resiste a qualquer tentativa de sinopse. O filme é tão antirretórico que só poderia ser descrito plano a plano — e mesmo com esta técnica seria filme impossível de contar: as imagens são francesas, árabes, russas, egípcias, gregas, espanholas... Às imagens são acrescentados ‘vírus numéricos’ que levarão quem vê o filme a pensar que a projeção está com problemas. Às imagens são acrescentadas tanto vozes aforísticas e pensamentos graves como meras situações do quotidiano e reportagens da TV. E ainda subtítulos, em “navajo english” (um inglês ‘de índio’ a reduzir a informação ao osso), como os que fez Godard para a projeção de Cannes e que não serão vistos na projeção de Lisboa. Há muitos obstáculos, portanto. Mas não se consegue fechar os olhos. Os ouvidos parecem ouvir mil vezes (Godard trabalha o som estéreo como ninguém). E há ainda uma derradeira imagem em forma de intertítulo sobre fundo negro — “no comment” —, sinal premonitório de um inventário impossível de concluir."

"Em “Filme Socialismo”, chora-se pela Europa e “recebem-se paisagens de outrora”. É uma abordagem ao ‘estado das coisas’. Questiona-se o estatuto da imagem no século XXI e a sua relação com o poder, com a História, como se Godard, num processo que em tudo parece caótico, quisesse no fundo reorganizar a Babel de todos os regimes do visível e do audível. O que é “Filme Socialismo”, em meia dúzia de palavras? Um filme marítimo a bordo de um cruzeiro que está cheio de canalhas (“Des choses comme ça”); uma valsa em torno de uma família às avessas (a da garagem Martin) e de um livro de Balzac, “Ilusões Perdidas” (“Quo Vadis Europa?”); uma reunião dos traumas e do fracasso da Europa (“Nos humanités”) atravessados por trechos musicais que recordam tragédias e por citações que Godard respiga, aqui e ali, nos panteões do ensaio e da literatura (“não quero morrer sem voltar a ver a Europa feliz”). E desta multidão de objetos visuais e sonoros que circulam, deste filme-manifesto que nos faz sentir responsáveis pela história do mundo, o que resta do seu título, socialismo?"

"Há uma story ténue, que converge para Barcelona, para a Guerra Civil Espanhola e para o famoso caso do ‘Ouro de Moscovo’. Na alvorada da guerra, em 1936, o Governo republicano translada, de barco, um tesouro colossal da banca espanhola para a URSS de Estaline, fiel depositária. É preciso pagar a guerra. Do tesouro, jamais se soube o paradeiro. No filme, o seu destino é naturalmente inventado e reescrito por Godard, que assim cria uma lenda a partir de diversos factos históricos contraditórios. À sua chegada a Odessa, o tesouro teria perdido um terço da sua carga, roubado pelos nazis. Outro terço se perderia ainda, desviado desta vez por Willi Münzenberg, voz do Komintern no Ocidente, na viagem entre Odessa e Moscovo. O terço restante desapareceria sem deixar rasto."

"Temos, portanto, o relato de um tesouro roubado e eclipsado por Godard em três atos, tantos como os do filme. O que esse relato significa é a circulação subterrânea do dinheiro na história da Humanidade e a cadência do vil metal como base fundadora do século XX — o maior entrave à utopia do socialismo. O terreno do filme, de resto, é socialista: a Grécia antiga; a revolução de 1789; Odessa em 1905; a queda da Barcelona republicana em janeiro de 1939; a resistência francesa na II Guerra Mundial; a Nápoles do “Paisà”, de Rossellini e da libertação. E ainda a Palestina, dos anos 40 aos dias de hoje — à qual o acesso deste cruzeiro é negado. Essa Palestina que é o cinema — eternamente à procura da independência."



"Há ainda uma outra forma de socialismo, que vem da montagem. É que “Filme Socialismo” parece alinhar e conter todas as imagens do mundo, as produzidas, as naturais e as sonhadas, as ‘puras’ e as ‘impuras’, como se, a partir daqui, tivesse nascido um equilíbrio entre elas (podia dizer-se, em jeito de provocação, uma liberdade, uma igualdade e uma fraternidade), venham essas imagens de uma câmara HD ou de um telemóvel, de uma obra-prima de cinema, de um direto da TV ou de um ‘diálogo de gatos’ do YouTube. Como se em cada imagem, existisse agora a hipótese de um filme a fazer. Neste ponto, “Filme Socialismo” é um corte profundo (o primeiro) com “Histórias(s) do Cinema”, filme matricial da última fase do trabalho de Godard. O cinema vai certamente partir daqui, deste fabuloso e profético nomadismo, para continuar o seu caminho. A sua revolução. Sem copyright, num socialismo da imagem." Francisco Ferreira, Expresso de 05/03/2011

11.3.11

Despojos de Inverno
Título original: Winter's Bone
De: Debra Granik
Com: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Kevin Breznahan, Dale Dickey, Garret Dillahunt
Género: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: EUA, 2010, Cores, 99 min.

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Jorge Leitão Ramos, Expresso de 26/02/2011

9.3.11

LOCAL
Vouzela


Cerca de 2000 pastéis de Vouzela vão ser servidos na recepção da tomada de posse do Presidente da República... [mais]

5.3.11

LOCAL
São Pedro do Sul

O Bola na Barra viajou até São Pedro do Sul, cidade termal, cuja equipa, a União Desportiva Sampedrense, milita na 3ª divisão. E em terra que tem Termas, até o «curandeiro» teve direito a participar num desafio abraçado com boa disposição.

Como se saiu a UDS? Ora veja, aqui...

2.3.11

Somewhere - Algures
Título original: Somewhere
De: Sofia Coppola
Com: Stephen Dorff, Elle Fanning
Género: Drama, Comédia
Classificação: M/12
Outros dados: JAP/EUA/ITA/FRA, 2010, Cores, 95 min.

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"Os primeiros planos de “Somewhere” sugerem um espaço e um tempo de inércia. Os italianos chamam-lhe dolce far niente e os Coppola devem saber do que falam. É verão em Los Angeles. Reina uma calmaria sedutora, mas grave. Sofia é uma cineasta fortíssima na construção deste tipo de ambientes, como se o mundo estivesse por instantes a rodar a uma velocidade inferior ao normal e os seres e as coisas atordoados por um efeito de invulgar apatia. Os gestos são lentos, os diálogos escassos. “Somewhere” é um filme sobre o ócio, coisa que tem a sua dignidade mas nem por isso particular valor cinematográfico — a originalidade do filme também vem daqui. E não tardamos a conhecer o ocioso, Johnny Marco (Dorff). É ator de filmes populares, imagina-se que daqueles com pancada de criar bicho. Anda com a pinta de um Steve McQueen. Tem o braço engessado. É um bon vivant, o nosso Johnny. Passa a vida em hotéis e não são dos baratos (já falámos do Château Marmont, local mítico do cinema americano por onde passaram Robert Mitchum, Nicholas Ray, Dennis Hopper e tantos outros). Nos quartos desses hotéis, recebe ‘bailarinas ao domicílio’ e não lhe faltam outras ao virar da esquina. Mas o que Johnny, que está em pausa entre dois filmes, gosta realmente é de estar ao pé da filha de 11 anos, Cleo (Elle Fanning), que observa a aborrecida vida milionária do pai, silenciosamente, mas sem indiferença. Da mãe, não se sabe quase nada. É muito educada, a menina Cleo. Depois, Johnny pega na filha e — como Sofia sabe o que é tratar o luxo por tu — leva-a para Milão, para outro hotel, o Principe di Savoia, novo conto de fadas. Não se passa muito mais. Será ‘isto’ um filme que valha leões de ouro?"

"“Somewhere” terá seguramente uma influência biográfica, embora nem Johnny seja o pai Coppola nem Cleo a sua filha cineasta. Porém, embora esta seja uma obra de ficção, Sofia sabe que pode operar com ela uma espécie de metamorfose melodramática. Digamos que Sofia não fala muito, mas"


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Francisco Ferreira, Expresso de 26/02/2011