
O líder do PSD e primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, escreveu uma carta aos militantes do seu partido, caracterizada pela superficialidade e os sound-bytes a que nos habituou. Não se vê uma única ideia do que pretende fazer.
Nas entrevistas que tem dado, o candidato melhor posicionado para a futura liderança do PS, José Sócrates, também não tem apresentado qualquer ideia. Como Santana, utiliza os "calões" politicamente correctos: desenvolvimento, coesão social, interesse pela juventude, etc.. Parece que nada os diferencia.
Esta superficialidade é incentivada pela comunicação social, especialmente a televisão, nada preocupada em debater com profundidade o que afecta a vida das sociedades modernas. As elites afastam-se cada vez mais da política (cá e lá fora, onde o panorama não é melhor). Tal terá consequências nefastas para todos nós, pois a baixa qualidade dos dirigentes tem deteriorado as instituições.
Se a situação não se inverter e os destinos dos povos não forem entregues a pessoas competentes, com valores, ideias e princípios, que acentuem as diferenças, entre as quais os eleitores deverão escolher, a prazo não tão longo como se possa pensar, a democracia estará em perigo.
Por Manuel Silva