10.9.04

A RECESSÃO ACABOU. ALGUÉM AINDA VAI PERGUNTAR PELA RETOMA?




Segundo os últimos dados estatísticos, a economia portuguesa, no primeiro semestre deste ano, cresceu 1,5% e 1,2%, respectivamente, relativamente ao mesmo período do ano passado e ao primeiro trimestre deste ano. Em termos homólogos, nos primeiros seis meses de 2004, cresceu 0,9%.

Perante estes factos, e apesar de o desemprego ainda ser elevado, alguém ainda põe em causa a retoma económica?

Esta recuperação mostra a justeza da política de Durão Barroso e de Manuela Ferreira Leite. Foram tomadas medidas duras e impopulares, embora havendo a preocupação de manter o ordenado mínimo e as pensões mais pequenas acima da inflacção, o que provocou recessão, a qual, como se constata, acabou, havendo sinais claros de crescimento. Além daqueles sinais, observa-se também a melhoria no consumo, bem como no respeitante à confança de consumidores e industriais.

No entanto, as importações aumentaram mais que as exportações, agravando o défice da balança comercial, pelo que para o crescimento ser sustentável, há que prosseguir a política de reformas estruturais iniciada por aquele governo, diminuindo as depesas, com consciência social, aumentando a produtividade e baixando os impostos. Não parece ser a política do actual governo, pois apenas tem falado na reforma do arrendamento, projectada pelos seus antecessores. Quanto a medidas reformistas na saúde, educação ou administração pública, também projectadas por Durão Barroso, não se fala.

Com a flexibilidade do Pacto de Estabilidade a ajudar, seria de prosseguir tais reformas. Provavelmente, como é típico dos populistas, seguir-se-á o caminho mais fácil: não mexer em interesses, a fim de ganhar as próximas eleições, pagando-se seguidamente a factura, perdendo-se uma oportunidade de ouro para procurar a convergência com os outros países da UE de forma sustentada.

Por Manuel Silva