24.10.04

A ASSESSORA POLÍTICA DO PRIMEIRO-MINISTRO

Em 1988, num Congresso da JSD realizado em Troia, conversei longamente com a então jornalista do INDEPENDENTE, Inês Dentinho. A conversa foi agradável e fiquei com boa impressão sua.

No entanto, tal boa impressão desapareceu quando li a reportagem que então publicou no jornal dirigido por Paulo Portas, onde gozava com a nossa jota, especialmente com os "da meia branca", no estilo imprimido por Portas e a direita que representava e representa relativamente a quem vem "de baixo", defendendo de forma expressa ou implícita a entrega da política ao país dos "de cima".

Naquela altura, o secretário-geral da JSD era Miguel Relvas, actual secretário-geral do PSD. Nuno Morais Sarmento era figura destacada da JOTA. Estavam, consequentemente, entre os gozados por Inês Dentinho. Hoje, a mesmíssima Inês Dentinho é assessora, para assuntos políticos, do primeiro-ministro.

Não quero chamar Inês Dentinho de incoerente, pois penso que não terá mudado nada. Quem mudou foi o PSD, o qual, a prosseguir a política actual, não é mais o partido central, reformista e social democrata (como Sá Carneiro concebeu a social democracia portuguesa, em tudo o que tem de diferente dos partidos sociais-democratas - o ífen estar ou não na expressão distingue os dois pensamentos) mas um partido claramente de direita e próximo do CDS actual, que também está mais à direita que naquele tempo, liderado por Freitas do Amaral.

Esta gente representa o País dos "de cima", não do ponto de vista cultural, mas de certo capitalismo sem escrúpulos, sempre condenado por Sá Carneiro, Balsemão, Mota Pinto, Durão Barroso ou Cavaco Silva, e que grande contributo deu, especialmente no seu INDEPENDENTE, para a derrota de Cavaco e o PSD em 1995/96, bem como dos "tius" e "tias" da linha, especialmente os(as) que numa demonstração (mais uma) de indigência mental e frivolidade, participam na Quinta das Celebridades.

Recordamos, a propósito, que Paulo Portas foi despedir-se e desejar boa sorte naquela quinta a uma das participantes, sua amiga e ex-mulher de Santana Lopes. Quem sabe se numa futura remodelação governamental, a dita senhora e José Castelo Branco não acabam membros do governo, dentro do populismo barato que caracteriza o actual poder executivo. Sugerimos, aliás, o nome de Castelo Branco para secretário de estado ou mesmo ministro da Família...

Por Manuel Silva