
Quando era primeiro-ministro, Cavaco desafiou os órgãos de comunicação social e os jornalistas a dizerem se alguma vez os tinha pressionado a escrever fosse o que fosse. Como ninguém respondeu, parte-se do princípio de que dizia a verdade. Este simples facto mostra quão era ridículo, como fazia certa esquerda, apelidar Cavaco Silva de "novo Salazar".
O que disse Morais Sarmento sobre a imprensa estatizada e as afirmações de Gomes da Silva acerca dos comentários do Prof. Marcelo na TVI são a prova de que estamos perante uma política diferente desse período de ouro para o País (e também para o PSD) que foi o cavaquismo.
Se o PSD obteve naquele tempo duas maiorias absolutas, com mais de 50% dos votos expressos, tal deve-se à capacidade de liderança de Cavaco Silva e ao facto de o mesmo não ter uma imagem de direita, mas de centro, congregando à sua volta o essencial da direita democrática, o centro e o centro-esquerda, tal como Sá Carneiro.
Foi nas zonas industriais de Lisboa e Setúbal, bem como no Alentejo profundo, que aquelas maiorias foram conseguidas, junto de antigos eleitores comunistas desiludidos com o rumo do seu partido. Se o PSD, na altura, concorresse coligado com o CDS, conseguia tal resultado naquelas zonas? A resposta só poderá ser negativa. Aliás, os resultados para o PE e nas regionais, nos Açores, só provam que alianças do PSD com o CDS não somam, mas subtraem.
Eis outra diferença entre Santana e Cavaco.
Após, as afirmações de Cavaco Silva sobre a saída do Prof. Marcelo da TVI, alguém acredita que possa ser o candidato presidencial enquanto Santana for primeiro-ministro e, para mais, aliado, ao inimigo figadal de Cavaco, Paulo Portas?
O PSD, além de caminhar alegremente para uma ampla derrota nas próximas legislativas (em 2006 ou antes), dificilmente elegerá um militante seu para PR. Parabéns, pois, à Comissão Política e ao Conselho Nacional do PSD pela linda escolha que fizeram após a demissão de Durão Barroso de primeiro-ministro.
Por Manuel Silva