19.10.04

A liberdade não está acima de tudo?...

«(...) Paulo Querido relata episódios vários de blogs ou sites encerrados pelas «autoridades» porque, alegadamente, ofendiam a lei e a ordem. Um dos blogs encerrados acabou por multiplicar-se em três. Sob a capa do anonimato, claro. Como responder a estas medidas restritivas e censórias? A liberdade não está acima de tudo?

Os meus amigos liberais que me perdoem: não, não está. Não existe liberdade em abstracto. Existe uma liberdade tutelada pela lei, que se aplica, em concreto, a casos individualizados e concretos. E que deve ser pesada - e medida - com outros valores rivais. Numa sociedade minimamente civilizada, deve haver o máximo de liberdade possível. Mas esta liberdade possível não sobrevive sem um máximo de responsabilização possível. Acho muito bem que um jornalista - ou um colunista, ou um blogger - escreva o que lhe passa pela cabeça, sem grilhetas censórias de qualquer espécie. Mas acharia intolerável que um jornalista - ou um colunista, ou um blogger - tivesse um poder incontrolável, situando-se muito acima das suas consequências. Sei do que falo - e contra mim falo: fui processado várias vezes. E, ao contrário de muito moralista sem currículo nem vergonha, fui condenado. Duramente condenado. Justo: uma sociedade livre define-se pelos limites que impõe à minha liberdade».

(in, JPCoutinhoCom - O Sítio)