
Infelizmente, Pinto Leite tem razão, o que só prova que estamos longe de uma sociedade liberal como a inglesa ou a americana, onde as empresas e cidadãos, porque independentes face ao poder político, não têm receio de enfrentar e/ou entrar em conflito com o Estado.
É certo que após o chamado cavaquismo se avançou para uma economia aberta e competitiva, tendo o Estado um papel essencialmente regulador e suplementar na mesma economia.
No entanto, os 10 anos de cavaquismo não foram suficientes para que tudo mudasse e para que, acima de tudo, se reformasse o Estado Providência e o próprio funcionamento da administração pública.
Tal política foi interrompida com o guterrismo e retomada com a política de Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite. No entanto, aquelas reformas estão a ser metidas na gaveta por Paulo Portas e Santana Lopes, o que demonstra não se estar a trilhar um caminho liberal ou "neo-liberal", como a "esquerda" gosta de dizer. Arranje, pois, a oposição outra qualificação para o santanismo-portismo e não a de liberal.
Por Manuel Silva