Nos últimos tempos, os políticos têm falado muito de choques. O PSD diz ser necessário um choque de gestão. O PS opta por um choque tecnológico.
Com certeza que deve haver uma boa gestão na administração pública e nas empresas, públicas ou privadas. Sem dúvida, que é necessário apostar na técnica, especialmente nas novas tecnologias. Aliás, o dinheiro gasto com o Euro 2004, de que Sócrates foi um dos principais responsáveis e entusiastas, dava para multiplicar por 10 o investimento em ciência e tecnologia...
Só que, os problemas na origem do nosso atraso relativamente aos parceiros mais desenvolvidos da UE são políticos e não económicos. Olhando para os programas eleitorais do PSD e do PS, não se vê uma linha de rumo política clara. Fala-se vagamente de objectivos económicos, financeiros e sociais politicamente correctos e irrelistas, com os quais toda a gente concorda, sem se explicar como os atingir, o que foi, aliás, afirmado ontem pelos representantes das confederações empresariais.
Falar de gestão ou de tecnologia e não ter uma linha política estruturada é mera tecnocracia, que em nada contribuirá para recuperarmos do nosso atraso.
Nos próximos tempos (quantos anos?) continuaremos a ser governados por políticos incompetentes. Cavaco Silva tinha toda a razão no alerta que fez, há cerca de dois meses, no artigo então publicado no "Expresso".
A propósito: enquanto nas recentes sondagens o PSD surge com menos de 30% de votos e Santana Lopes com uma popularidade inferior à do próprio Jerónimo de Sousa, Cavaco regista uma excelente performance e bate qualquer candidato no tocante a eleições presidenciais. Aqueles militantes do PSD mais papistas que o papa - alguns, cristãos novos, convertidos tarde e a más horas, vindos de outros credos - que atacam desbragada e desesperadamente Cavaco Silva, que ponham aqui os olhos.
Por Manuel Silva