
Ainda não é conhecido o programa do novo governo do PS. No entanto, o discurso de posse do primeiro-ministro é significativo quanto ao que nos espera.
Falou do referendo sobre a Constituição Europeia e da venda de medicamentos não sujeitos a receita médica em outros estabelecimentos que não as farmácias, com o que estamos de acordo.
Relativamente às expectativas criadas com a maioria absoluta socialista, é pouco. Muito pouco.
Tal como na campanha eleitoral, José Sócrates continua a não dizer como pretende concretizar os seus "objectivos". Foi omisso quanto ao prosseguimento de reformas que diminuam de forma estrutural as despesas públicas. Tendo em conta a necessidade de cumprimento do PEC, começa a perceber-se por que falou o ministro das Finanças num possível aumento de impostos. Continuaremos a ser um país adiado e cada vez mais ultrapassado pelos nossos parceiros europeus.
No discurso primo-ministerial são patentes também uma acentuada superficialidade mediática e falta de preparação para o novo cargo. Não se enganaram - e a procissão ainda vai no adro - aqueles que afirmaram ser Sócrates o Santana do PS.
PS: o primeiro-ministro produziu afirmações algo desprestigiantes para as mulheres, a propósito da presença de um número reduzido das mesmas no seu governo. Onde estão agora as feministas? Se Sócrates fosse do PSD, estariam caladas?
O ministro das Finanças, adiantando-se ao chefe do governo, disse que os impostos poderiam aumentar, pelo menos no médio prazo. Sócrates veio dizer que nada havia de concreto na matéria. Contradições e desentendimentos destes fazem lembrar o recente "consulado" de Santana Lopes. Porque se mostra a nossa imprensa tão condescendente com estes comportamentos?
Por Manuel Silva