28.2.07

— Foi o referendo, a Câmara de Lisboa... para onde quer que me vire, é só desgraças.
— Sim, sim...
— E no partido, a cada dia, lá aparece mais um à gosma: o cromo de Gaia, os abutres do costume e agora até o gajo da Opus Dei. Acha que isto é vida?
— Ó Dr. Mendes, mas que tenho eu a ver com as suas desgraças?
— Caro Dr. Alberto João: eu, modéstia à parte, tenho a proposta que vai resolver todos os problemas do partido. É assim: você demite-se.
— O quê??
— Calma. Há eleições, você faz-se de vítima, acusa o governo e ganha como sempre. A imprensa daqui fica uns meses com assunto e deixa de me chatear. Fale em testículos, nos colonialistas, ameace com a independência, o costume. Entretenha-os. E dê-nos uma vitória, que bem precisamos.
— Mas que ganho eu com isso?
— Então... não gostava de ter um cargo mais calmo, com montes de prestígio?
— Caro que sim! E que fazem ao sô Silva?
— Deixe comigo. Quando chegar a altura da reeleição, convenço-o a voltar à vida académica ou coisa que o valha. Agora, demita-se e trate de dar a volta à sua malta. Enquanto essa eleição vai e vem, sempre folgam as minhas costas.
[via]