2.3.07

Na verdade, Portas não quer perder o seu pecúlio político, acumulado durante anos de inteligente e pertinaz intervenção pública. Sabe que se não chegar a tempo de controlar a elaboração das listas de deputados nacionais e europeus, e dos poucos autarcas que o partido ainda elege em coligação com o PSD, o seu cada vez mais reduzido pessoal será varrido por quem agora lá está e que ele será relegado para um plano secundário. Portas não conseguiu fazer a «Fundação» que os americanos, segundo o, à época, bem informado «O Independente», lhe teriam prometido, onde poderia manter protagonismo, poder e influência, para ganhar lastro para um novo e mais ambicioso projecto político. Resta-lhe, assim, o CDS. Só isso e, reconheça-se, o maldito vício da política, pode justificar um regresso tão intempestivo e imponderado.