3.3.07

Portas foi o verdadeiro factor de instabilidade. O pai da crise, do conflito e da intriga. Ribeiro e Castro ajudou. Não conseguiu manter o élan que o elevou a líder em Abril de 2005, fez-se reeleger em directas dois meses depois e, outra vez, em Congresso em 2006, já empurrado pela oposição de Portas. Mas nunca marcou a agenda política, em parte ofuscado pelo primeiro-ministro, em parte porque jamais abdicou das regalias de Bruxelas para se dedicar ao país.

Portas foi igual a si próprio. Logo depois de se ter afastado, humildemente, humilhado pelos resultados nas legislativas de 2005, começou a tecer a sua teia. Primeiro em silêncio, na trincheira parlamentar em que tornou a bancada do CDS. Depois, em letra de forma na Atlântico, a seguir, ao vivo na televisão. Na AR, ele era o verdadeiro treinador da bancada. Não ia a jogo, não interpelava os outros deputados, não fazia perguntas a ministros, não fazia frente ao primeiro-ministro. Mas, por trás dessa imagem de discrição cuidadosamente cultivada, Portas foi sempre a mão invisível. Quando Ribeiro e Castro afirmou que não era ele "o chefe da banda", sabia bem de quem falava.