24.10.07

As Canções de Amor
Título original: Les Chansons d'amour
De: Christophe Honoré
Com: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Chiara Mastroianni
Género: Mus
Classificação: M/12

FRA, 2007, Cores, 100 min.


Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

"Já se falou dele aquando da estreia de Os Amantes Regulares, mas não é de mais destacar que, de filme para filme, Louis Garrel tem vindo a impor-se como um dos grandes actores franceses — ia dizer do futuro, mas podemos já afirmá-lo. É ele praticamente quem domina todo o filme de Christophe Honoré, o realizador com quem mais tem colaborado na sua (ainda) breve carreira, iniciada sob a direcção do seu pai, o realizador Philippe Garrel, também o autor de Os Amantes Regulares. Contudo, a revelação do jovem actor fez-se em 2003 no filme de Bernardo Bertolluci, Os Sonhadores."

"Sexto filme de Honoré, e o seu terceiro com Garrel (estes todos estreados entre nós: Minha Mãe e Em Paris), As Canções de Amor é um belíssimo e terno filme romântico que retoma uma certa tradição de musical francês, que tem a sua origem em Jacques Demy. Contudo, enquanto François Ozon, que bebera na mesma fonte para o seu Oito Mulheres, se aproxima pelo lado do «vaudeville» de 3 Places pour le 26, Honoré vai ao fluxo mais puro da água, Os Chapéus de Chuva de Cherburgo, sem ousar, porém, a opção radical de Demy: fazer o filme todo cantado. O processo de «encantamento» («cantado» e «encantado», foram, ao tempo, os adjectivos mais usados sobre o filme de Demy) é assim quebrado por uma espécie de recondução à «realidade», nas cenas com diálogos normais. Mas a continuidade e a fluência entre cenas faladas e cantadas é perfeita, e a música realiza sem acidentes a transição de umas para as outras."



"As Canções de Amor divide-se em três partes: «Perda», «Ausência» e «Regresso», três tempos de amor, aquele que se perde, o tempo de «luto» e o amor reencontrado, após uma séries de aventuras ocasionais. Só que as coisas não são tão lineares e convencionais como noutras histórias de amor, e o argumento reserva uma surpresa."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 23/10/2007