13.11.07

Isso não significa que, ao contrário dos signatários do abaixo-assinado entregue na Assembleia da República, defenda que o museu deva ser proibido, pois, se assim fosse, violar-se-ia o princípio da liberdade, que, insisto, deve ser sempre exigida para quem não pensa como nós. Para além disso, do ponto de vista cívico, não considero que haja nenhum mal em haver um altar a Salazar em Santa Comba Dão. Aí irão em peregrinação os mesmos saudosistas que se reúnem no 28 de Maio nos restaurantes, e será pouco mais do que uma curiosidade local, a acumular pó ao fim de dois ou três anos de excitação. O que lá estará fora do contexto são pouco mais do que meia dúzia de trastes pessoais de Salazar. Dará uma imagem a contrario da austeridade e "pobreza" do seu dono em contraste com o percebido nepotismo dos políticos em democracia? Dará. Mas essa imagem existe, com museu ou sem ele, porque o problema político do salazarismo "popular" é muito mais vasto do que o museu-altar que venha a existir em Santa Comba. É uma herança de mentalidade antidemocrática que existe à esquerda e à direita, que vem dos 48 anos de Estado Novo e que não desaparece se não houver museu.