9.5.08

A Última Cartada
Título original: 21
De: Robert Luketic
Com: Jim Sturgess, Kate Bosworth, Kevin Spacey, Laurence Fishburn
Género: Dra
Classificação: M/12
EUA, 2008, Cores, 123 min.

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"A Última Cartada deve ser tomado apenas por aquilo que é: um divertido (com alguns bons momentos de emoção e de acção) filme para adolescentes, sem grandes complexidades nem análises psicológicas das personagens. Sendo um filme sobre o jogo de cartas, não se espere do trabalho de Robert Luketic (o realizador de Legalmente Loira) algo como O Aventureiro de Cincinnati (argumento de Sam Peckinpah filmado por Norman Jewison). Aliás, nem o jogo é o póquer (estamos agora às voltas com o «blackjack») nem o jovem Jim Sturgess mostra o carisma de um Steve McQueen. Se quisermos encontrar uma comparação para A Última Cartada, ela será com a série de Steven Soderbergh à volta dos assaltos organizados por Danny Ocean (George Clooney). A diferença entre eles é a mesma que vai do exercício de estilo de um mestre ao desempoeirado esforço do aprendiz."

"Não se trata, porém, como Os Onze do Oceano, de um típico «capper movie» (filme de assaltos). Existe «desvio», sim, mas dentro de alguma «legalidade», se assim quisermos entender o método eficazmente aplicado. Rezam as crónicas (mas vamos lá saber até que ponto se aproxima da verdade) que a proeza aqui exposta se inspira em factos verídicos. Quais são eles? Na essência, trata-se de ganhar ao «blackjack», nos casinos de Las Vegas, utilizando a «contagem de cartas», feita por um grupo de jovens especialistas, cinco pequenos génios estudantes, que aplicam os seus «supercérebros» num complicado esquema de contagem de cartas e sinalizações entre si, de modo a que o jogador entre na mesa propícia ao sucesso. O jovem Ben Campbell apenas procura arranjar os 300 mil dólares de que precisa para entrar na Universidade dos seus sonhos, Harvard. Mas, como acontece sempre nestes casos (lembram-se de Humphrey Bogart em O Tesouro da Sierra Madre?), as primitivas boas intenções vão ao ar quando o jovem se deixa entusiasmar pela vida de prazer da cidade do jogo."

"Se são cinco os jovens jogadores, porque então sete no título que demos a esta crónica? Porque eles são apenas os peões treinados e manipulados por alguém que já fora como eles, Micky Rosa, e está proibido de entrar em salas de jogo por ter sido apanhado nas «contagens», sendo agora professor, tendo descoberto nas aulas os seus «herdeiros». O veterano do jogo é-o também como actor: Kevin Spacey, numa excelente composição. E o sétimo? Bem, neste caso trata-se de Cole Williams (outro veterano, Laurence Fishburne), chefe de segurança do casino alvo dos nossos jovens «heróis», que vê os seus dias de trabalho chegarem ao fim com o avanço da tecnologia (a instalação de um software que permite «ler» todas as expressões dos jogadores e detectar as possíveis fraudes) e resolve tirar algum proveito do seu último duelo com o antigo conhecido e adversário Micky Rosa."



"Estamos, pois, face às personagens e elenco, num típico filme de passagem de testemunho entre gerações, com os jovens jogadores assumindo-se como a imagem do futuro face à retirada, forçada ou não, dos veteranos, tema permanente no cinema americano, em especial nos «westerns». Se o seu tratamento, aqui, não apresenta nada de relevante, o filme, porém, desenvolve-se com ritmo e graça. Os espectadores não terão, por isso, muitas razões de queixa."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 03/05/2008