3.2.05

PAULO PORTAS, O ANDRÉ MALRAUX PORTUGUÊS? SÓ POR ANEDOTA



O ministro e dirigente do CDS Luis Nobre Guedes é um distinto advogado e portador de grande cultura. Daí a nossa surpresa ao vê-lo dizer que Paulo Portas poderia ser considerado o André Malraux português.

O intelectual, jornalista, político e ministro da cultura francês André Malraux foi um "compagnon de route" do PC francês nos anos 30 e primeira metade dos anos 40 do século passado. Combateu na guerra civil de Espanha pelos republicanos e contra Franco. Participou na resistência francesa aos nazis.

Após o fim da segunda guerra mundial, rompeu com o PC e a esquerda, de um modo geral, tornando-se no principal intelectual gaullista, sendo ministro da cultura de governos de centro-direita no seu país.

Ao lado de De Gaulle, participou, no final de Maio de 1968, numa enorme manifestação contra os revolucionários esquerdistas que puseram a França em polvorosa e que foi fundamental para pôr fim ao movimento dirigido, entre outros, pelo actual deputado "verde" alemão Daniel Cohn Bendit, que disse, há muitos anos, ter praticado pedofilia.

Malraux começou na esquerda e na área comunista, como milhões de pessoas honestas no mundo inteiro. Vendo o totalitarismo estalinista, rompeu, com a ideologia que perfilhara e passou a ser um Homem de direita liberal, democrática e progressiva.

Paulo Portas, além de nunca ter sido de esquerda, também não se situa na direita progressiva. O seu pensamento está próximo da direita radical, cujas tradições históricas remontam ao absolutismo, ao sidonismo e ao salazarismo. Só por anedota se poderá comparar Portas ao autor da "Condição Humana".

Por Manuel Silva