25.8.08

A ver se a gente se entende. Um contrato, qualquer contrato (o casamento, por exemplo), a partir do momento em que pode ser denunciado unilateralmente por uma das partes, retira garantias à outra. De acordo. Mas o argumento da violência doméstica “contra as mulheres” é coxo. As mulheres que sentem essa violência na pele não gostaram. Acham, e muita gente com elas, que a Presidência da República devia estar imune à silly season.


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Em vez der ensaiar uma fundamentação aparentemente "técnica" e jurídica para o veto, melhor fora que Belém tivesse assumido deliberadamente a discordância ideológica e doutrinária que o fundamenta.

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Onde Cavaco fala em situação de maior fragilidade e debilidade, Câncio decreta que Cavaco, "divorciado da realidade", define as mulheres como "frágeis e débeis". Estas bandeirinhas ridículas estão tão gastas como as solas daquelas "socas" pretas que toda a gente usava a seguir ao "25". Nenhuma mulher, nenhum homem, ninguém é obrigado a casar. O que não se deve é usar o contrato - pois é de um que se se trata - como a tal bandeirinha foleira para efeitos de mero gozo intelectual.

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Estou completamente solidário com as críticas que são feitas ao Presidente da República a propósito do veto à lei do divórcio. Era só mais o que faltava o Supremo Magistrado da Nação tratar de defender os seus valores e a sua ideia de sociedade. Até parece que foi eleito para isso.