
Nas entrevistas que concedeu no passado sábado ao "Expresso" e no dia seguinte ao programa "Diga lá, Excelência", do "Público" e da "Rádio Renascença", José Sócrates mostrou:
1º - Que não está preparado para ser primeiro-ministro, pois não tem um projecto estruturado, mas umas ideias dispersas e desgarradas umas das outras.
2º - Quando a situação difícil em que nos encontramos exige a continuação de reformas estruturais, no sentido liberalizante, com preocupações sociais, iniciadas por Durão Barroso e interrompidas pelo actual governo, para que o peso do estado diminua e se baixem os impostos, ousando competir com os nossos parceiros comunitários, as suas evasivas deixam antever que nada se reformará. Nada de diminuir o peso do Estado na economia, nada de reformar o Estado social.
3º - Assim sendo, dificilmente se diminuirão as despesas públicas, se cumprirá o PEC e a economia crescerá. Aliás, todas as promessas de Sócrates, a serem concretizadas, levariam a um aumento acentuado de despesas.
4º - Por tudo o que atrás vai dito, a criação de 150 000 postos de trabalho, o aumento significativo das pensões mais baixas, ou o choque tecnológico que o mesmo Sócrates demonstra não saber lá muito bem o que significa, não passarão de miragens, pois as instituições comunitárias colocarão travão a este neo-guterrismo esbanjador e improdutivo.
5º - No próximo domingo, Sócrates será provavelmente "eleito" primeiro-ministro. Não por mérito próprio, mas por demérito do actual poder desnorteado. Continuaremos condenados à cauda da Europa. Até que se crie uma alternativa válida.
Por Manuel Silva