
O Discurso do Rei é o filme do ano nos Óscares... [mais]
"Desde “Sangue por Sangue” que sabemos que o cinema dos irmãos Coen é um cinema em que, a todo o momento, se sabe que o filme sabe que é apenas um filme. Essa autoconsciência que é uma marca de modernidade fez com que a travessia pelos géneros que a sua longa obra cinematográfica quase assumiu como tarefa sistemática fosse também um trabalho de revisão, reinterpretação dos códigos do cinema clássico — sempre com o humor como ácido pronto a dissolver a suspensão da desconfiança que o cinema da transparência pressupõe. Ao mesmo tempo, os Coen fazem filmes onde a brutalidade da violência e a intensidade das emoções vai de par com a distância operada por uma ficção autoconsciente. É um jogo fascinante que, aqui e ali, se desequilibrou e fez apenas paródias — “Irmão, Onde Estás?” (2000), “Crueldade Intolerável” (2003) — mas que, quando funcionou plenamente, nos deu estremecimentos memoráveis de que “Este País Não É para Velhos” (2007) terá sido o mais notório."
"Que Joel e Ethan Coen chegassem ao western era quase uma coisa inscrita nas estrelas. Seria difícil que estes estilistas do revisionismo não se abeirassem, um dia, do mais mítico dos géneros do cinema clássico, aquele onde se funda a saga matricial da própria América. Curiosamente, “Indomável” é o remake de um filme (“Velha Raposa”, 1969) que já era uma assumida quase-paródia (deu a John Wayne um Óscar que ele já tinha merecido há muito tempo). E se, então, as proezas do herói (um marshall velho, alcoolizado e zarolho) eram para ver com um sorriso e nostalgia (Wayne estava a chegar ao fim), agora a distância entre nós e a ação esticou-se ainda mais. Estamos a ver o simulacro de uma ficção codificada — e que prazer olhar os cenários, o elenco, a fotografia, a respiração dos movimentos de câmara! Todavia, só nós é que sabemos que tudo aquilo já acabou há muito, os personagens ainda se levam minimamente a sério. Pelo menos enquanto dura a perseguição ao foragido, com toda a permissividade aos efeitos de realismo que o passar dos tempos deve, como consequência, acrescentar (nos velhos westerns, os corpos tombavam sem mais, agora é possível que o sangue espirre, que os abatidos não se quedem pacificamente mortos, mas estertorem, demorem a morrer). Nesse período, entre o começo de quase-comédia e o desfecho em forma de ocaso, ainda se vislumbra aventura e a ferocidade pode atingir-nos."
A actual conjuntura, de crise económica e social, obriga a que os internautas se associem com ideias inovadoras. Assim surge o Diverte-te.com, o portal onde as pessoas partilham o que estão dispostas a fazer por 5€ ou mais, comprando, vendendo, mas mantendo sempre o mote de conseguir realizar algum dinheiro extra divertindo-se... [mais]
...o Cine-teatro João Ribeiro, em Vouzela, vai receber os Fingertips para um concerto acústico, que se realizará no dia 19 de Fevereiro, sábado, pelas 21h30. [mais]

Um homem de 39 anos resolveu processar o Facebook por ter perdido todos os amigos. O homem que vive em Staten Island, nos Estados Unidos, está a pedir cerca de 361 mil euros à rede social por estar agora impossibilitado de comunicar com amigos e familiares em várias partes do mundo e também por ter perdido o acesso a recordações e fotografias que estavam na sua página do Facebook... [mais]
S. Pedro do Sul é um dos 42 municípios da região centro do país que vai estar ligado à Rede de Nova Geração. Trata-se de um investimento de 47 milhões de euros que vai levar a fibra óptica a 200 mil pessoas dos distritos de Viseu e de mais seis do centro de Portugal...[mais]
"“Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos”, ‘opus 46’ de Woody depois da surpresa de “Tudo Pode Dar Certo”, confirma que o homem, que já se está nas tintas para as obras-primas, não perdeu a mão. A comédia, essa, é agridoce como sempre e espelha-se na simplicidade do quotidiano, sem mistérios nem transcendências — o velho Woody é hoje um autor funcional e pragmático, igual à sua ‘fábrica de produção’ que lhe permite fazer pelo menos um filme por ano. No centro da história temos um casal de sexagenários, os Shepridge, com o casamento em crise, Alfie (Sir Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones). Temos um casal de trintões, a filha do casal anterior, Sally (Naomi Watts), e o marido, Roy (Josh Brolin), a passar por igual tormenta. Alfie encontrará uma call girl 30 mais nova que se diz ‘atriz’ — e põe fim abrupto a 40 anos de casamento. Helena, que frequenta sessões de espiritismo, conhecerá um velho alfarrabista espirituoso. Sally, por seu lado, começa a apaixonar-se pelo seu patrão sedutor, dono de uma galeria de arte (Antonio Banderas). E Roy, escritor falhado, não se fica por menos: enfeitiça-se pelos acordes de uma jovem de origem indiana (Freida Pinto, atriz de “Slumdog Millionaire”) que anda a estudar música e ensaia na janela do prédio em frente. Ou seja, neste filme-puzzle, cada personagem vai encontrar uma nova cara-metade. Ou será que a cara-metade não passa de uma ilusão?"
"De facto, se o filme retoma a personagem de Janet, é para — em jeito de passagem de testemunho — nos apresentar a Gerri (Ruth Sheen), a psicóloga que visita alguns dias depois, e, através dela, ao seu marido Tom (Jim Broadbent), o geólogo com quem vive nos subúrbios de Londres. Em torno deste casal de meia-idade — cujos membros pela primeira vez veremos juntos a plantar legumes na horta à qual regressarão ciclicamente (numa espécie de ritual sagrado que parece constituir uma afirmação de estabilidade) —, orbitará, ao longo das quatro estações do ano que servem de pretexto aos quatro capítulos do filme, um conjunto de cinco ‘personagens-satélites’ que se deixam filtrar pelos seus olhos. São elas: Mary (Lesley Manville), a amiga de Gerri cuja histeria se destina a camuflar uma depressão profunda; Ken (Peter Wight), o amigo de Tom que esconde a solidão atrás de sucessivas latas de cerveja; Katie (Karina Fernandez), a simpática e prolixa namorada de Joe (Oliver Maltman), o único filho do casal; e Ronny (David Bradley), o irmão mais velho de Tom, que este acolhe em casa após a morte da mulher."
"Perante esta procissão de personagens, a mise en scène de Leigh desenvolverá, não apenas uma série de character studies (fundados na observação cuidada da vida quotidiana e em longos e reveladores trechos de diálogo), mas também um constante contraste dramático entre a estabilidade dos casais (Tom e Gerri, Joe e Katie) e o frágil equilíbrio das figuras em perda que rodeiam o núcleo familiar. Neste quadro, a atenção de Leigh concentrar-se-á sobretudo em Mary — personagem bipolar típica do cinema do realizador, cujas oscilações de comportamento acabarão por ditar a sua temporária exclusão da esfera social governada por Tom e Gerri. Com efeito, é da sua incapacidade de aceitar com resignação o seu próprio envelhecimento, é da reiterada dissolução dos sucessivos sonhos que vai acalentando (a compra de um carro em segunda mão que depressa se avaria sem remédio, por exemplo), que, em última instância, aqui se alimenta o olhar do cineasta."