31.3.08

LOCAL
Oliveira de Frades


Sócrates apupado em Oliveira de Frades...

António Borges acusou Manuel Pinho de lhe ter comunicado pessoalmente que "todos os contratos com o Goldman Sachs estavam cancelados" no dia seguinte ao congresso do PSD de 2005, em que o economista se disponibilizou para ajudar o partido a fazer oposição ao governo. «Em 2005, fui ao Congresso do PSD e apresentei uma moção onde me disponibilizei para ajudar o PSD a ter uma oposição mais activa em relação ao Governo. O congresso teve lugar no fim-de-semana e na segunda-feira, logo de manhã, fui chamado ao gabinete do ministro Manuel Pinho, que me comunicou que todos os contratos com a GS estavam cancelados a partir daquele momento.»

Os patriotas “laranjinhas”...

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...e mesmo alguns “azulinhos”, os da “camisola”, coloquem a mão na consciência e perguntem a si próprios se acreditam que o PSD vai lá como está.

27.3.08

É o fim anunciado do divórcio litigioso tal como existe em Portugal há 30 anos: o PS prepara-se para acabar com o conceito de culpa na dissolução do casamento e criar a figura do divórcio sem consentimento de um dos cônjuges.

É a vitória do conceito do fim do casamento por ruptura, que tem sido defendido há anos pelo BE (partido que hoje leva de novo os seus projectos a debate no Parlamento) e já é lei nos EUA e em vários países da Europa.
LOCAL
São Pedro do Sul


Construção do Centro de Saúde...

...irá a concurso no último semestre de 2008, anunciou o secretário de Estado da Saúde, António Pizarro.

26.3.08

Horton e o Mundo dos Quem
Título original: Horton Hears a Who!
De: Jimmy Hayward, Steve Martino
Com: Jim Carrey (Voz), Steve Carell (Voz), Isla Fisher (Voz)
Género: Ani, Ave
Classificação: M/4
EUA, 2008, Cores, 88 min.

"Numa semana em que as estreias não ultrapassam o patamar dos medíocres, trazemos para a frente a única que desse patamar se exclui, Horton e o Mundo dos Quem, aventura com um herói simpático, tal como a foto documenta. Horton... nada tem de vulgar. Pode dizer-se que o seu raio de acção é o mesmo da «saga Shrek», com o êxito à vista: nos EUA, está a arrasar o «box-office» e a deixar a milhas os mamutes digitais de Roland Emmerich (10.000 AC). Não será filme para fazer história, mas a sua modéstia é agradável, a sua generosidade um convite irresistível, dos 8 aos 80."

"A história de Horton vem de longe. Este elefante é uma das numerosas criações do imaginário de Theodor Seuss Geisel (1904-1991), escritor e produtor americano especializado em literatura infantil que o mundo conhece pelo nome de Dr. Seuss. A este «doctor», um dos autores mais lidos pelos miúdos do outro lado do Atlântico, devemos a invenção da série de BD The Cat in the Hat, múltiplas vezes adaptada pelo cinema e pela TV. A última delas, em 2003, chamou-se por cá O Gato e foi realizada por Bo Welch, com Mike Myers no papel principal. Grinch é outra das criaturas do Dr. Seuss, também ela adaptada para cinema, em 2000 (Grinch), pela mão de Ron Howard, e com um Jim Carrey imparável, o mesmo que agora descobrimos a dar voz (e que voz!) ao nosso elefante animado."

"Horton e o Mundo dos Quem é a quarta aventura de um estúdio que começa a dar cartas na técnica da animação contemporânea, o Blue Sky, responsável pelos dois tomos de A Idade do Gelo (não vamos esperar muito pelo terceiro) e Robôs, êxito da Primavera de 2005. A ideia para uma nova adaptação de Horton Hears a Who! para o grande ecrã (a primeira chamou-se Horton Hatches the Egg, em 1942) surgiu em 2003, quando Christopher Meledandri, então presidente da Fox, contactou Audrey Geisel, viúva do Dr. Seuss. As provas dadas pela Blue Sky bem como o convite feito a Jim Carrey acabaram por convencer a senhora a ceder os direitos deste elefante já com barbas. O realizador Jimmy Hayward, que vem da escola da Pixar, juntou-se a Steve Martino, e o resultado é ver a Fox a entrar definitivamente, graças à Blue Sky, na concorrência da animação por computador a 3D, negócio que já provou gerar milhões nesta primeira década do século XXI."

"Honras sejam feitas ao Dr. Seuss, já que o melhor do filme continua a ser o argumento, que é brilhante. Um belo dia, o extravagante Horton pega numa flor e repara que há nela um grão de pó igual a triliões... Mas o que fazer se existisse nesse grão toda uma sociedade organizada, com as suas qualidades e defeitos, e que desconhece o seu lado infinitesimal? Os seres humanos poderiam dizer o mesmo do espaço que ocupa a Terra no Cosmos, e é a partir deste princípio que o filme lança a sua teia. Horton, em tudo macroscópico e trapalhão, consegue comunicar com o que é microscópico, e temos dois espaços a alternar na montagem: o do mundo do elefante, que todos na floresta julgam ter algo de louco, e o do mundo do grão de pó, onde está instalada a Quem Vila, habitada por minúsculos seres chamados Quem. Ora, Horton recebe um apelo de socorro. O grão de pó, instalado na flor que passa a decorar a sua tromba, corre risco de vida se este não a colocar em lugar seguro. Por outro lado, Horton entra em despique com a Sra. Canguru, que, por teimosia, lhe quer roubar a flor onde estão os Quem, mesmo que para isso tenha de recorrer aos serviços do abutre Vlad, o vilão da história. Na Quem Vila, Horton comunica com o alcaide dos Quem, pai de família com 96 filhas e um só filho varão, de nome Jojo. O alcaide não faz melhor figura que o nosso herói Horton. Lá no seu pequeno mundo, ninguém acredita que há outro infinitamente maior."



"Horton e o Mundo dos Quem marca pontos em todas as provas, das cenas de acção (o modo como o elefante persegue o grão de pó na sequência inicial ou a sua luta com Vlad para o salvar) até ao melodrama (a sequência onde, graças a Jojo, toda a Quem Vila se transforma em orquestra sinfónica para que os incrédulos do mundo de Horton os ouçam). Temos um filme de hora e meia, endiabrado, a passar constantemente do mundo dos possíveis para o dos impossíveis - e nenhum deles é menos humano. Mas há uma situação a destacar, que é uma bela ideia de cinema, do fantástico, e, sobretudo, de fé: é que os dois personagens, Horton e o alcaide dos Quem, pelas suas diferenças de tamanho, jamais se conseguem ver, apenas ouvir. Ou seja, é pelo som (e raras vezes um filme de animação nele tanto investiu) que cada um dos heróis acredita na existência do outro. Este «problema» de «mise-en-scène», que poderia ser digno de um Lubitsch em O Céu Pode Esperar, transforma-se então em comunhão inesperada entre a Terra e o Céu, com a simplicidade dos justos. É talvez por isso que, quanto mais pensamos neste Horton... mais gostamos dele."
Francisco Ferreira, Expresso de 21/03/2008

21.3.08

A professora, a aluna e o telemóvel...



...é evidente que a aluna que usou violência física contra uma professora em plena sala de aula deve apanhar um castigo disciplinar exemplar, de nada valendo argumentar que o caso poderia não ter sucedido se a professora tivesse optado antes por expulsar a infractora que usava o telemóvel, em vez de lhe tirar o aparelho.
O que admira é que muitas escolas continuem sem tomar medidas elementares, como proibir telemóveis ligados na sala de aula, determinar a expulsão imediata de quem viole a ordem nas aulas e proporcionar aos professores um meio de contacto imediato para solicitar ajuda em caso de violência na aula. Além de obrigar a reportar todas as situações de indisciplina e aplicar o regulamento disciplinar, evidentemente. E, por último, formar os professores na gestão de situações de indisciplina.
LOCAL
São Pedro do Sul

Os dois corpos de bombeiros...

...Voluntários e Salvação Pública, podem em breve ficar debaixo do mesmo tecto e com um comando único. A autarquia de S. Pedro do Sul, que se mostra disponível para apoiar o projecto, diz que apenas promove a aproximação, cabendo às associações a tomada das principais decisões. Mesmo sobre a escolha do comando único, o presidente da câmara, António Carlos Figueiredo, diz que essa é uma tarefa que cabe às duas corporações. Os presidentes das duas associações de bombeiros comprometeram-se, no mais curto espaço de tempo, a reunirem os associados e respectivos corpos activos. A eles cabe a palavra final e decisiva.

A educação no Brasil...

20.3.08

CHARLES AZNAVOUR, 'She'

Local
Vouzela


Turismo de qualidade...

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...Casa Museu, uma hospedaria de charme numa casa do século XVIII situada no centro histórico da vila de Vouzela. [via]

19.3.08

The Lovebirds
Título original: The Lovebirds De: Bruno de Almeida
Com: Michael Imperioli, Ana Padrão, Joaquim de Almeida, Rogério Samora

Género: Dra

Classificação: M/12
EUA/POR, 2007, Cores, 80 min.

"Primeiro estreou no Village International D-Cinema Festival, noite de triunfo. Feito em vídeo digital por encomenda do evento e quase sem dinheiro, o novo filme de Bruno de Almeida causa viva impressão numa plateia onde a gente do meio cinematográfico estava em peso. Depois, o filme entrou em período de transferência para 35 mm, som Dolby, preparos para uma distribuição em sala que urgia. Há poucos dias passou no Fantasporto e veio de lá com o Prémio Especial do Júri. Agora aí está, em distribuição comercial, em poucas salas. É preciso ir vê-lo depressa, antes que as regras do mercado o devorem, o que seria uma malfeitoria."

"The Lovebirds é um filme português como nenhum outro. Bilingue na fala e no elenco, mais americano que português na forma, que não na ternura, de Nova Iorque - onde o realizador viveu mais de vinte anos e se fez cineasta - trouxe a vontade de não se conformar com as regras, seja da grande indústria que por lá existe, seja da pequena que por cá sobrevive à sombra do Estado. Juntar Michael Imperioli, Joaquim de Almeida, Drena de Niro, Ana Padrão, John Ventimiglia, Rogério Samora, Nick Sandow, Johnny Frey, Fernando Lopes e mais uns tantos - até Joe Berardo! - para interpretar uma fita é, evidentemente, impossível, tal como impossível é fazê-la em duas semanas de rodagem, não é? Não é, não - prova Bruno de Almeida neste caleidoscópio de histórias numa noite da grande cidade à beira-Tejo, umas em drama, outras em comédia branda, aqui em dureza, além em enternecimento. E chora-me o coração, que se enche e que se abisma - se é permitido a um crítico socorrer-se de Cesário -, até por ver Alfama a rimar com Cassavetes, no amor pelos actores e pelas situações e dando de barato que a perfeição do plano nada vale, o que vale é o que pulsa dentro dele e nos faz estremecer."



"Não estou a dizer que The Lovebirds é um filme perfeito - se é que há isso -, estou a dizer que é um filme que insufla uma energia no cinema português de que ele precisa como de pão para a boca (e que bonita é a cumplicidade de Fernando Lopes, a dizer que filmar é resistir e sobreviver). Estou a dizer que me diverte, me emociona, me surpreende, me faz querer ver mais filmes deste cineasta. O resto é poeira."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 15/03/2008


18.3.08

StartForce...

...é assim como ter uma pen sempre on-line, que funciona de forma idêntica ao Windows! O registo é gratuito, aqui!

15.3.08

É evidente...

...que as reportagens que mostram a intimidade e quotidiano dos políticos são uma encenação. Pelo menos esperemos que sejam. Se não concluiríamos que o nosso primeiro-ministro começava a trabalhar às 11 da manhã.

13.3.08

LOCAL
São Pedro do Sul

A linha de Aveiro a Vilar Formoso...

...dado o acidentado da região, a linha de Aveiro a Vilar Formoso não será destinada a comboios TGV, mas sim a comboios com uma velocidade máxima , talvez, de 220 km/h. Os autarcas de Viseu, aparentemente, ainda não se aperceberam das potencialidades imensas que esta linha trará à região. As suas preocupações, neste momento, deviam ser a de lutar para a sua construção ser decidida o mais brevemente possível, eventualmente, na Cimeira Ibérica 2009 e, simultaneamente, começar a pensar se a linha deve passar a Norte ou a Sul de Viseu. São questões em que o a Imprensa regional pode ter um papel importantíssimo.

Se querem modernizar as setas, são as três setas que têm que modernizar e não uma. Se querem des-laranjar o partido têm que encontrar melhores razões do que o marketing. Se querem fazer um "novo partido", deixem este aos que ainda são fiéis ao legado de Sá Carneiro.

7.3.08

Garage
Título original: Garage
De: Leonard Abrahamson
Com: Pat Shortt, Anne-Marie Duff, Conor Ryan
Género: Dra
Classificação: M/12
IRL, 2007, Cores, 85 min.

"Garage é, para quem o não conhece, a primeira grande surpresa do ano. Já premiado no Festival de Cannes do ano passado, o filme de Lenny Abrahamson acaba de ganhar também os prémios principais do cinema e televisão irlandeses: melhor filme, realizador, argumentista para Mark O’Hallaran, e de interpretação para o fabuloso trabalho de Patt Shortt, actor praticamente desconhecido entre nós mas que goza de grande popularidade no seu país natal, graças a uma série de televisão, Killinaskully, e que aqui encontramos no papel de Josie, um simples de espírito cujo trabalho consiste em atender os poucos clientes e guardar uma estação de serviço condenada a um próximo encerramento. O pano de fundo é a Irlanda rural."

"Começando em forma de comédia, com a sucessão de pormenores pitorescos da população da aldeia que circulam à volta de Josie e o toleram no seu meio, o filme acaba por tomar um percurso inesperado, que vai levar a uma conclusão dramática e devastadora. Josie é uma personagem que capta a simpatia pela inocência que manifesta, e será essa inocência, em choque com as pulsões recalcadas (veja-se a dança com a rapariga no bar), a origem de um drama activado pela oferta de uma cassete pornográfica."

"Para além da história contada com grande delicadeza e contenção, o que mais surpreende em Garage é a forma narrativa que o realizador aplica: dos grandes silêncios aos planos fixos - com Josie e o adolescente à porta da estação que, mais do que contemplativos, representam a estagnação social da aldeia -, a uma notável aplicação da elipse (toda a sequência, perto do fim, entre o patrão e Josie, quase sem diálogo) e uma surpreendente fuga aos clichés do filme de género (a ninhada de cachorros)."



"Uma surpresa cuja descoberta se justifica."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 01/03/2008

5.3.08

Animal de estimação humano...

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...Dani Graves, de 25 anos, e Tasha Maltby, de 19, são um casal de namorados gótico de Dewsbury, norte de Inglaterra. No passado fim-de-semana, foram impedidos de viajar num autocarro porque Dani passeia a sua namorada de trela.

A BBC News conta que o casal acusa a transportadora Arriva de discriminação. O condutor do autocarro rejeitou a entrada de Dani e Tasha, alegando que a trela iria por em risco a segurança dos restantes passageiros em caso de travagem brusca.

O caso está a ser investigado pela Arriva, empresa «que leva muito a sério qualquer acusação de discriminação», segundo um responsável da empresa, Paul Adcock. Adcock acrescentou que a Arriva irá «pedir desculpa a Dani Graves por algum inconveniente causado pela forma como o assunto foi tratado».

Para Tasha Maltby, este foi um caso «claro de discriminação, quase como um crime de ódio», contou ao Daily Mail.

A jovem de 19 anos descreve-se como um «animal de estimação humano». «Comporto-me como um animal e tenho uma vida bastante calma. Não cozinho nem faço limpezas e não vou a lado nenhum sem o Dani», explicou.

Tasha defende o seu estilo de vida acrescentando que «não fere ninguém» e que o casal é feliz assim, independentemente de quão estranha esta relação pareça.

4.3.08

Este País Não é Para Velhos
Título original: No Country for Old Men
De: Ethan e Joel Coen
Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin
Género: Dra, Thr
Classificação: M/18
EUA, 2007, Cores, 123 min.

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"As paisagens estão lá, como nos tempos dos cavaleiros solitários, percorrendo o Oeste com a fé de uma nova fronteira talhada a golpes de violência, sorte e esperança, que ficaram gravados na memória americana como a sua grande saga fundadora. Não faltaram Ulisses em intermináveis navegações, sereias tentadoras, a febre do ouro e da terra, ciclopes que pareciam intransponíveis, toda a gama da heroicidade e da cupidez humanas - e um céu de nunca mais acabar. O cinema registou a lenda em «westerns» onde as paixões se desenharam inteiras, os heróis garantiram o seu Olimpo, os vilões o castigo - e até os remorsos tiveram lugar."

"As paisagens ainda estão lá, mas a fotografia de Roger Deakins já não as mostra limpas e claras, muito pelo contrário. Estão maceradas, como macerados estão os céus por uma morbidez que não vem da terra, foi lá plantada pela maldade humana. Quando Cormac McCarthy intitulou No Country for Old Men o romance em que os Coen agarraram para a fita, era a essa morbidez que se referia, sublinhando não haver lugar para os que ainda se lembram do mundo como ele era - antes da devastação moral. O título português é, deste modo, muito infiel, pois trai a desolação de quem viu o tempo passar e, com ele, passar a esquadria de referências. Assentado nessa ausência está o velho xerife Ed Tom Bell, que nem a poderosa interpretação de Tommy Lee Jones consegue pôr no centro da ficção. É que o nosso olhar é muito mais tentado pelo aventureirismo de Llewelyn Moss (Josh Brolin), que, um dia, encontra uma matança no meio do deserto, um carregamento de droga e uma mala com dois milhões de dólares e pega nela, na ávida vontade de mudar de vida. E, sobretudo, o nosso olhar não consegue desligar-se do sortilégio malsão de seguir Anton Chigurh, o assassino destituído de senso moral, com a garrafa de ar comprimido na mão e aquele olhar de cão de fila perseguidor que nada faz parar e que, sabemos desde o primeiro minuto, tem um prazer orgástico no acto de matar. Javier Bardem interpreta-o num paroxismo demencial que os Coen conseguem tintar de um humor negro (a cena com a moeda é indescritível), tanto mais paradoxal quanto um dos traços que define o personagem é a completa falha de sentido de humor... Genial trabalho de actor que a Academia acaba de reconhecer com um Óscar."

"Também o nosso olhar está, assim, corrompido, perdemos a capacidade de confiar na competência justiceira de homens como Ed Tom Bell, como se a inteireza e a eficácia se tivessem divorciado. A globalização ensinou-nos o cinismo de preferir os tecidos baratos produzidos em regime de prática escravatura e exploração total, numa China despida de preconceitos ideológicos (é assim que se diz, não é?), aos fabricados no Ocidente em condições de protecção social e sindicatos vigilantes e, por isso, mais caros. Porque é que havíamos de confiar em Ed Tom Bell? O filme, de resto, dá-nos razão."

"Saímos, por isso, da sala de cinema com uma ponta de desgosto na alma, apesar de tudo gostamos que o cinema recomponha a realidade, pelo menos na ficção a justiça há-de prevalecer. Pobres de nós, espectadores, se quisermos ir buscar a Este País Não É para Velhos qualquer forma de conforto. Desapiedados, Joel e Ethan Coen excedem-se em virtuosismo, recuperando todas as sabedorias narrativas do cinema clássico (do «western» a Hitchcock), deliciando aqueles de entre nós que apreciam sobremaneira a elegância das formas. Mas não cedem à tentação do apaziguamento. Esta é uma fita cruel, uma procissão de morte, feroz - os assassínios são cruamente estilizados, melancolicamente brutais -, tanto mais perturbadora quanto absolutamente surpreendente no trajecto, jamais previsível (e, deste ponto de vista, melhor apreciado por quem não conheça o romance de Cormac McCarthy que, diz quem sabe, os Coen seguiram com grande fidelidade)."



"É essa brutalidade desnorteante, esse Oeste reconhecível e desfigurado, esses longos silêncios povoados de sons (meus Deus, aquele zumbido de moscas sobre os cadáveres inchados), a precisão formal (acho que nunca vi uma colisão automóvel como a que ocorre quase no fim) que fazem de Este País Não É para Velhos uma fita espantosa que a Academia considerou a melhor do ano. Mas o que nos fica pegado à pele é a incompreensibilidade que nos separa de Chigurh (estranhíssimo nome, escolhido, porventura, por não pertencer a mais ninguém), é o não podermos penetrar nos seus meandros psicológicos, nos mecanismos que o regem. Se querem saber, eu acho que Chigurh não tem alma - é o Mal em trânsito, superlativo horror, indescritível fascínio."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 01/03/2008