...Bom 2010!
30.12.09
29.12.09
Sherlock Holmes
Título original: Sherlock Holmes
De: Guy Ritchie
Com: Robert Downey Jr., Jude Law, Mark Strong
Género: Aventura, Policial
Classificação: M/12
Austrália/EUA/GB, 2009, Cores, 128 min.
Título original: Sherlock Holmes
De: Guy Ritchie
Com: Robert Downey Jr., Jude Law, Mark Strong
Género: Aventura, Policial
Classificação: M/12
Austrália/EUA/GB, 2009, Cores, 128 min.
"APÓS UMA BREVE ausência, regressa o mais famoso detective da literatura popular, com mais de um século de existência, criado no final do século XIX por Sir Arthur Conan Doyle. Mais concretamente em 1887, com a primeira aventura no romance “Um Estudo em Vermelho”. O estilo de actividade e investigação do detective destacou-se pela originalidade de investigação. E Sherlock Holmes tornou-se, pouco depois, ainda nos tempos do filme mudo, um dos mais populares personagens de cinema, especialmente em fins da década de 30, com a chegada, como personagem, de Basil Rathbone, mais conhecido pelos papéis de vilão e que aqui se transforma no perfeito detective numa série de filmes. Apenas um novo intérprete, no ecrã de televisão, Jeremy Brett, conseguiria alcançar o mesmo nível de popularidade, pelo menos entre os mais ortodoxos admiradores das adaptações das obras de Conan Doyle. Outras, porém, procuravam uma espécie de variação, tentando uma percepção mais atenta da personagem do que a que servira de inspiração do autor. A mais interessante, procurando uma abordagem quase psicanalítica de uma personagem construída de forma ‘puritana’, da época em que surgiu, é a de Billy Wilder em “A Vida Íntima de Sherlock Holmes”, feito em 1970."
"A grande expectativa de uma nova abordagem da famosa personagem aparece com esta versão no novo filme de Guy Ritchie, de quem muitos salientam o facto de ter sido casado com Madonna vários anos e, como isso ou por causa disso, esquecerem geralmente o seu trabalho de realizador, caracterizado por um tipo de acção que se destaca por um estilo de truculência nas personagens marginais, e um estilo provocante, se não mesmo chocante, de que são exemplos filmes como “Um Mal Nunca Vem Só”, “Snatch, Porcos e Diamantes” e “RocknRolla”. Curiosamente, “Sherlock Holmes” foge um pouco ao estilo a que estamos habituados, o que corresponde antes de mais a um compromisso. Quer isto dizer que este filme evita, em parte, aquilo a que nos habituaram os filmes anteriores."
"A personagem de Sherlock, tal como é apresentada, procura ser mais moderna e audaciosa (na acção, especialmente com a sequência inesperada para quem conhece a ‘história’ do herói, que é a da luta de pugilismo que já servira de publicidade para chamar a atenção de forma insólita), o que se materializa principalmente na escolha do intérprete, e do seu famoso comparsa, o doutor Watson, que constituem uma excelente surpresa, com as figuras mais jovens e insinuantes que representam. Robert Downey Jr. e Jude Law, respectivamente Holmes e Watson, são, neste aspecto, um triunfo, na presença e no talento dos intérpretes. Porém, a mais surpreendente é a segunda, porque Holmes tem as suas manifestações excêntricas e de acção, que correspondem à imagem original das adaptações cinematográficas. A que Jude Law dá a Watson é muito mais sugestiva e acaba com a imagem típica de uma personagem simpática, mas que é geralmente desastrada, se não mesmo idiota, que Holmes acaba por receber de forma mais ou menos condescendente. Aqui é um companheiro ao seu nível na acção e no comportamento, que transforma a narrativa num sucesso."
"Destaque-se ainda como o argumento é construído, onde aparece de forma apenas discreta o famoso doutor Moriarty, que é deixado no final como pretexto para uma nova aventura e filme que se espera." Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 26/12/2009
28.12.09
Craig Lynch, de 28 anos, fugiu da prisão de Hollesley Bay...
...no leste de Inglaterra, em Setembro, quando acabava de cumprir uma pena de sete anos de prisão por roubo agravado. Desde então, este inglês de 28 anos, tem contado o seu dia-a-dia de fugitivo na Internet. Na página do Facebook, Craig “Lazie” Lynch descreve a casa onde mora, que é “muito quente”, em oposição ao frio que se sente no exterior, conta o que come às refeições (“um bife, vegetais e batatas fritas”) e interroga-se sobre quem será a sua próxima namorada, que segundo o próprio, será a “primeira felizarda de 2010”. [mais]
...no leste de Inglaterra, em Setembro, quando acabava de cumprir uma pena de sete anos de prisão por roubo agravado. Desde então, este inglês de 28 anos, tem contado o seu dia-a-dia de fugitivo na Internet. Na página do Facebook, Craig “Lazie” Lynch descreve a casa onde mora, que é “muito quente”, em oposição ao frio que se sente no exterior, conta o que come às refeições (“um bife, vegetais e batatas fritas”) e interroga-se sobre quem será a sua próxima namorada, que segundo o próprio, será a “primeira felizarda de 2010”. [mais] SOBRE A MENSAGEM NATALÍCIA DE SÓCRATES
Por Manuel Silva
Na recente mensagem de Natal, o primeiro-ministro José Sócrates, utilizando os dotes propagandísticos em que é "expert", procurou passar a ideia de que estamos no melhor dos mundos. Qual crise? Poder acontecer o mesmo que na Grécia? Défice, dívida externa, dívida das famílias? Desemprego? Quase um quarto da população a viver abaixo do nível de pobreza? O homem ignora tudo isso. Parecia a Alice no país das maravilhas.
Uma coisa temos que reconhecer, no entanto, a propósito da época natalícia em que ainda nos encontramos. O primeiro-ministro é uma pessoa muito solidária. Até com aqueles que muitos milhões de portugueses considerem pouco recomendáveis...
[editado]
Por Manuel Silva
Na recente mensagem de Natal, o primeiro-ministro José Sócrates, utilizando os dotes propagandísticos em que é "expert", procurou passar a ideia de que estamos no melhor dos mundos. Qual crise? Poder acontecer o mesmo que na Grécia? Défice, dívida externa, dívida das famílias? Desemprego? Quase um quarto da população a viver abaixo do nível de pobreza? O homem ignora tudo isso. Parecia a Alice no país das maravilhas.
Uma coisa temos que reconhecer, no entanto, a propósito da época natalícia em que ainda nos encontramos. O primeiro-ministro é uma pessoa muito solidária. Até com aqueles que muitos milhões de portugueses considerem pouco recomendáveis...
[editado]
27.12.09
A maior foto panorâmica esférica do mundo...
...totalizando 18,4 bilhões de pixels, ou 18,4 gigapixels, reunidos em um arquivo de 120 GB, retrata a cidade de Praga, na República Checa. [clicar sobre a imagem para aceder à foto][aqui]
...totalizando 18,4 bilhões de pixels, ou 18,4 gigapixels, reunidos em um arquivo de 120 GB, retrata a cidade de Praga, na República Checa. [clicar sobre a imagem para aceder à foto][aqui] 26.12.09
LOCAL
São Pedro do Sul
Parque e casa do Condado de Beirós...
São Pedro do Sul
Parque e casa do Condado de Beirós...
[clicar sobre a imagem para a ampliar][aqui]
AINDA A REFORMA DO ESTADO SOCIAL NA U.E.
Por Manuel Silva
Por Manuel Silva
Em post anterior, referimo-nos à necessidade de reforma do Estado Social na UE, tendo mencionado as mudanças a operar na saúde e na educação.Vamos agora expor algumas ideias quanto às mudanças a ser efectuadas na segurança social.
É sabido que devido à diminuição da natalidade e ao aumento da esperança de vida, a sustentabilidade da segurança social tornou-se muito difícil. Reformas efectuadas em diversos países da UE apontam para o aumento do número de anos de trabalho e diminuição do valor das pensões, dado as mesmas serem actualizadas de acordo com factores como o crescimento económico, a inflação e a esperança de vida, calculados anualmente. Foi o que fez, há alguns anos, o governo de Sócrates.
Entendemos que a maneira de assegurar o futuro pagamento das pensões passa, em países ricos e desenvolvidos, por dar liberdade total de escolha aos futuros aposentados para efectuarem os descontos com vista às ditas pensões para organismos públicos ou privados, em sistema de capitalização, sendo concedidos benefícios fiscais a quem opte por estes últimos.
Além de garantir o futuro pagamento de pensões, esta política permitirá diminuir a despesa pública, o que, por sua vez, será um contributo para a baixa dos impostos, necessária a atrair investimentos necessários à criação de riqueza e emprego.
Em países pobres como Portugal, naturalmente os organismos privados vocacionados para esta actividade, especialmente as companhias de seguros, não poderão garantir o pagamento de dezenas ou centenas de milhar de pensões baixas, pelo que ao Estado competirá continuar a suportar as reformas até 4 ou 5 salários mínimos enquanto esta situação económico-social se mantiver. A partir do montante a definir, deverá ser seguido o critério de livre escolha acima dito. Por outro lado, como prevê a lei actual, deve contar todo o tempo de trabalho, e o Estado não assegurará pensões superiores a 12 salários mínimos nacionais. Quem ganhar salários superiores a este valor terá que ser obrigado a descontar o que suplanta o mesmo para fundos privados, caso queira receber, na aposentação, uma reforma de acordo com o que ganha no activo.
O rendimento social de inserção deverá ser uma excepção e pago apenas a quem não puder trabalhar ou se mantiver em outras situações de pobreza sem receber qualquer subsídio. No entanto, quer os beneficiários do rendimento mínimo que estejam em condições de trabalhar, quer os desempregados, deverão praticar um serviço cívico. Logo que lhes seja atribuído um posto de trabalho na área da sua residência ou próximo da mesma, compatível com funções anteriormente exercidas e/ou habilitações académicas possuídas, caso o não aceitem, ficarão sujeitos ao corte do subsídio que se encontrem a receber.
No apoio aos sem abrigo e a todas as pessoas que passam fome, terá que existir colaboração entre o Estado e as instituições particulares de solidariedade social.
Relativamente à legislação laboral, a mesma deverá ser mais flexível, aplicando-se a chamada flexisegurança, tal como funciona na Noruega. No entanto, os despedimentos não deverão ser mais facilitados do que na lei actual. Se a lei deverá responsabilizar os trabalhadores, também não poderá permitir o arbítrio da entidade patronal. Toda a gente sabe que entre grande parte da classe empresarial portuguesa não existe a cultura de respeito pelos direitos de quem trabalha como entre os empresários dos EUA, onde os despedimentos são quase livres. Basta observar que muitos empresários, especialmente os amigos do governo actual, só são "liberais" quando toca a permitir despedimentos mais fáceis ou pagar menos impostos. No respeitante a recepção de subsídios são tão ou mais estatizantes que os socialistas mais dogmáticos.
24.12.09
23.12.09

Os ministros das Telecomunicações dos 27 Estados membros da União Europeia querem que todos os cidadãos do espaço comunitário tenham acesso à banda larga até ao ano de 2013... [mais]
22.12.09
Gripe A
Por Teresa Forcades i Vila*
Os dois primeiros casos conhecidos da nova gripe (vírus A/H1N1, estirpe S-OIV) diagnosticaram-se na Califórnia (EUA) no dia 17 de Abril de 2009 [1].
A nova gripe não é nova por ser do tipo A, nem tampouco por ser do subtipo H1N1: a epidemia de gripe de 1918 foi do tipo A/H1N1 e desde 1977 os vírus A/H1N1 fazem parte da época da gripe anual [2]; a única coisa que é nova é a estirpe S-OIV [3] [4].
Cerca de 33% das pessoas maiores de 60 anos parecem ter imunidade a este tipo de vírus da nova gripe [5].
Desde o seu início até 15 de Setembro de 2009, morreram com esta gripe 137 pessoas na Europa e 3.559 em todo o mundo [6]; há que ter em atenção que anualmente morrem na Europa entre 40.000 e 220.000 pessoas devido à gripe [7].
Como já disseram publicamente reconhecidos profissionais de saúde - entre eles o Dr. Bernard Debré (membro do Conselho Nacional de Ética em França) e o Dr. Juan José Rodriguez Sendin (presidente da Associação de Colégios Médicos do Estado espanhol) -, os dados desta temporada, pela qual já passaram os países do hemisfério Sul, demonstram que a taxa de mortalidade e de complicações da nova gripe é inferior à da gripe anual [8].
Irregularidades que têm de ser explicadas
Em finais de Janeiro de 2009, a filial austríaca da empresa farmacêutica norte-americana Baxter distribuiu a 16 laboratórios da Áustria, Alemanha, República Checa e Eslovénia, 72 kg de material para preparar vacinas contra o vírus da gripe anual; as vacinas tinham de ser administradas à população destes países durante os meses de Fevereiro e Março; antes que qualquer destas vacinas fosse administrada, um técnico de laboratório da empresa BioTest da República Checa decidiu, por sua conta, experimentar as vacinas em furões, que são os animais que desde 1918 são utilizados para estudar as vacinas para a gripe; todos os furões vacinados morreram.
Investigou-se então em que consistia exactamente o material enviado pela casa Baxter e descobriu-se que continha vírus vivos da gripe das aves (vírus A/H5N1) combinados com vírus vivos da gripe anual (vírus A/H3N2). Se esta contaminação não tivesse sido descoberta a tempo, a pandemia que, sem base real, as autoridades sanitárias globais (OMS) e nacionais estão a anunciar, seria agora uma espantosa realidade; esta combinação de vírus vivos pode ser particularmente letal porque combina um vírus vivo com cerca de 60% de mortalidade mas pouco contagioso (o vírus da gripe das aves) com um outro que tem uma mortalidade muito baixa mas com uma grande capacidade de contágio (o vírus da gripe sazonal) [9].
Em 29 de Abril de 2009, quando apenas tinham passado 12 dias sobre a detecção dos dois primeiros casos da nova gripe, a Drª Margaret Chan, directora-geral da OMS, declarou que o nível de alerta por perigo de pandemia se encontrava na fase 5 e mandou que todos os governos dos Estados membros da OMS activassem planos de emergência e de alerta sanitária máxima; um mês mais tarde, 11 de Junho de 2009, a Drª Chan declarou que no mundo já tínhamos uma pandemia (fase 6) causada pelo vírus A/H1N1 S-OIV [10]. Como pode fazer tal declaração quando, de acordo com os dados científicos expostos acima, a nova gripe é uma realidade mais benigna que a gripe sazonal e, além disso, não é um vírus novo e ao qual parte da humanidade está imune?
Pôde declará-lo porque no mês de Maio a OMS tinha alterado a definição de pandemia: antes de Maio de 2009 para poder ser declarada uma pandemia era necessário que por causa de um agente infeccioso morresse uma proporção significativa da população. Esta exigência - que é a única que dá sentido à noção clínica de pandemia e às medidas políticas que lhe estão associadas - foi eliminada da definição adoptada no mês de Maio de 2009 [11], depois dos EUA se terem declarado em «estado de emergência sanitária nacional», quando em todo o país havia apenas 20 pessoas infectadas com a nova gripe, e nenhuma delas tinha morrido [12].
Consequências políticas da declaração de «pandemia»
No contexto de uma pandemia é possível declarar a vacinação obrigatória para determinados grupos de pessoas ou, inclusivamente, para o conjunto dos cidadãos [13].
O que é que pode acontecer a uma pessoa que decida não se vacinar? Enquanto a vacinação não for declarada obrigatória não lhe pode acontecer nada; mas se chegasse a declarar-se a vacinação obrigatória, o Estado tem a obrigação de fazer cumprir a lei impondo multa ou prisão (no estado de Massachussetts dos EUA a multa para estes caso pode chegar a 1.000 dólares por cada dia que passe sem o prevaricador se vacinar) [14].
Perante isto, há quem possa pensar: se me obrigam, vacino-me e já está, a vacina é mais ou menos como a sazonal, também não há para todos...
É preciso que se saiba que há três novidades que fazem com que a vacina da nova gripe seja diferente da vacina da gripe anual: a primeira é que a maioria dos laboratórios estão a desenhar a vacina de forma que uma só injecção não seja suficiente e sejam necessárias duas; a OMS recomenda também que não se deixe de administrar a da gripe sazonal; quem seguir estas recomendações da OMS expõe-se a ser infectado três vezes e isto é uma novidade que, teoricamente, multiplica por três os possíveis efeitos secundários, embora na realidade ninguém saiba que efeitos pode causar, pois nunca antes se fez assim. A segunda novidade é que alguns dos laboratórios responsáveis pela vacina decidiram adicionar-lhe coadjuvantes mais potentes que os utilizados até agora nas vacinas anuais. Os coadjuvantes são substâncias que se adicionam às vacinas para estimular o sistema imunitário. A vacina da nova gripe que está a ser fabricada pelo laboratório Glaxo-Smith-Kline, por exemplo, contém um coadjuvante, AS03, uma combinação que multiplica por dez a resposta imunitária. O problema é que ninguém pode assegurar que este estímulo artificial do sistema imunitário não provoque, passado algum tempo, doenças auto-imunitárias graves, como a paralisia crescente de Guillain-Barré [15]. E a terceira novidade que distingue a vacina para a nova gripe da vacina anual, é que as companhias farmacêuticas que a fabricam estão a exigir que os Estados assinem acordos que lhes garantam a impunidade no caso das vacinas terem mais efeitos secundários que os previstos (por exemplo prevê-se que a paralisia Guillain-Barré venha a afectar 10 pessoas por cada milhão de vacinados); os EUA já assinaram estes acordos que garantem, tanto às farmacêuticas como aos políticos, a retirada de responsabilidade pelos possíveis efeitos secundários da vacina [16].
Uma reflexão
Se o envio de material contaminado fabricado pela Baxter não tivesse sido casualmente descoberto em Janeiro passado, efectivamente, ter-se-ia dado a gravíssima pandemia potencialmente causadora da morte de milhões de pessoas que alguns andam a anunciar. É inexplicável a falta de ressonância política e mediática do que aconteceu em Fevereiro no laboratório checo. Ainda mais inexplicável o grau de irresponsabilidade demonstrado pela OMS, pelos governos, pelas agências de controlo e prevenção de doenças ao declarar uma pandemia e promover um nível de alerta sanitário máximo sem uma base real. É irresponsável e inexplicável até extremos inconcebíveis o bilionário investimento saído do erário público destinado ao fabrico milhões e milhões de doses de vacina contra uma pandemia inexistente, ao mesmo tempo que não há dinheiro suficiente para ajudar milhões de pessoas (mais de 5 milhões só nos EUA) que por causa da crise perderam o seu trabalho e a sua casa.
Enquanto não forem clarificados estes factos, o risco de este Inverno serem distribuídas vacinas contaminadas e o risco de poderem ser adoptadas medidas legais coercivas para forçar a vacinação, são riscos reais que em caso algum podem ser desvalorizados.
No caso da gripe continuar tão benigna como até agora, não faz qualquer sentido a exposição ao risco de receber uma vacina contaminada ou o de sofrer uma paralisia Guillain-Barré.
No caso de a gripe se agravar de forma inesperada, como já há meses anunciam sem qualquer base científica um número surpreendente de altos dirigentes - entre eles a Directora-Geral da OMS -, e repentinamente, começarem a morrer muito mais pessoas do que é habitual, ainda terá menos sentido deixar-se pressionar para ser vacinado, porque uma surpresa assim só poderá significar duas coisas:
1. Que o vírus da gripe A que agora circula sofreu uma mutação;
2. Que está em circulação outro (ou outros) vírus.
Em qualquer dos casos a vacina que se está a preparar agora não serviria para nada e, tendo em conta o que aconteceu em Janeiro passado com a Baxter, podia ser, inclusivamente, que servisse de veículo de transmissão da doença.
Uma proposta
A minha proposta é clara:
Além de manter a calma, tomar precauções sensatas para evitar o contágio e não se deixar vacinar, coisa que já se propõem muitas pessoas com senso comum no nosso país [Espanha].
Apelo a que se active com carácter de urgência os mecanismos legais e de participação cidadã necessários para assegurar de forma rotunda que no nosso país não se poderá forçar ninguém a vacinar-se contra a sua vontade, e que os que decidirem livremente vacinar-se não serão privados do direito de exigir responsabilidades nem do direito de serem economicamente compensados (eles ou os seus familiares), no caso de a vacina lhes causar uma doença grave ou a morte.
Notas:
[1] Zimmer SM, Burke, DS. Historical Perspective: Emergence of Influenza A (H1N1) viruses. NEJM, Julio 16, 2009. p. 279
[2] 'The reemergence was probably an accidental release from a laboratory source in the setting of waning population immunity to H1 and N1 antigens', Zimmer, Burke, op. cit., p. 282
[3] Zimmer, Bunker, op. cit., p. 279
[4] Doshi, Peter. Calibrated response to emerging infections. BMJ 2009;339:b3471
[5] US Centers for Disease Control and Prevention. Serum cross-reactive antibody response to a novel influenza A (H1N1) virus after vaccination with seasonal influenza vaccine. MMWR 2009; 58: 521-4.
[6] Dados oficiais do Centro Europeu para o controlo e prevenção de doenças (www.ecdc.europa.eu).
[7] Dados oficiais do Centro Europeu para o controlo e prevenção de doenças (www.ecdc.europa.eu)
[8] Cf. Le Journal du Dimanche (25 juliol '09): Debré: 'Cette grippe n'est pas dangereuse'; cf. La Razón (4 septiembre '09): Rodríguez Sendín: Cordura frente el alarmismo en la prevención de la gripe A
[9] Cf. Virus mix-up by lab could have resulted in pandemic. The Times of India, sección de ciencia, 6 marzo 2009.
[10] http://www.who.int/mediacentre/news/statements/2009
[11] Cohen E. When a pandemic isn't a pandemic. CNN, 4 de mayo '09.http://edition.cnn.com/2009/HEALTH/05/04/swine.flu.pandemic/index.html
[12] Doshi Peter Calibrated response to emerging infections VMJ 2009;339:b3471
[13] Falkiner, Keith. Get the rushed flu jab or be jailed. Irish Star Sunday, 13 septiembre '09.
[14] Senate Bill n. 2028: An act relative to pandemic and disaster preparation and response in the commonwealth. 4 agosto '09. Cf. Moore, RT. Critics rage as state prepares for flu pandemic. 11 septiembre '09. WBUR Boston.
[15] Cf. Vaccination H1N1: méfiance des infirmières. www.syndicat-infirmier.com/Vaccination-H1N1-mefiance-des.html
[16] Stobbe, Mark. Legal immunity set for swine flu vaccine makers. Associated Press, 17 Julio '09.
Texto publicado no sítio da Coordenadora Antiprivatização de Saúde Pública, Madrid, (www.casmadrid.org), em Setembro de 2009.
* Teresa Forcades i Vila, monja beneditina do Mosteiro de San Benedito em Montserrat, Barcelona, é doutorada em Saúde Pública, especialista em Medicina Interna pela Universidade de Nova Iorque, autora entre outros livros de «Los crimines de las grandes compañias farmaceuticas».
Tradução de José Paulo Gascão
Por Teresa Forcades i Vila*
Os dois primeiros casos conhecidos da nova gripe (vírus A/H1N1, estirpe S-OIV) diagnosticaram-se na Califórnia (EUA) no dia 17 de Abril de 2009 [1].A nova gripe não é nova por ser do tipo A, nem tampouco por ser do subtipo H1N1: a epidemia de gripe de 1918 foi do tipo A/H1N1 e desde 1977 os vírus A/H1N1 fazem parte da época da gripe anual [2]; a única coisa que é nova é a estirpe S-OIV [3] [4].
Cerca de 33% das pessoas maiores de 60 anos parecem ter imunidade a este tipo de vírus da nova gripe [5].
Desde o seu início até 15 de Setembro de 2009, morreram com esta gripe 137 pessoas na Europa e 3.559 em todo o mundo [6]; há que ter em atenção que anualmente morrem na Europa entre 40.000 e 220.000 pessoas devido à gripe [7].
Como já disseram publicamente reconhecidos profissionais de saúde - entre eles o Dr. Bernard Debré (membro do Conselho Nacional de Ética em França) e o Dr. Juan José Rodriguez Sendin (presidente da Associação de Colégios Médicos do Estado espanhol) -, os dados desta temporada, pela qual já passaram os países do hemisfério Sul, demonstram que a taxa de mortalidade e de complicações da nova gripe é inferior à da gripe anual [8].
Irregularidades que têm de ser explicadas
Em finais de Janeiro de 2009, a filial austríaca da empresa farmacêutica norte-americana Baxter distribuiu a 16 laboratórios da Áustria, Alemanha, República Checa e Eslovénia, 72 kg de material para preparar vacinas contra o vírus da gripe anual; as vacinas tinham de ser administradas à população destes países durante os meses de Fevereiro e Março; antes que qualquer destas vacinas fosse administrada, um técnico de laboratório da empresa BioTest da República Checa decidiu, por sua conta, experimentar as vacinas em furões, que são os animais que desde 1918 são utilizados para estudar as vacinas para a gripe; todos os furões vacinados morreram.
Investigou-se então em que consistia exactamente o material enviado pela casa Baxter e descobriu-se que continha vírus vivos da gripe das aves (vírus A/H5N1) combinados com vírus vivos da gripe anual (vírus A/H3N2). Se esta contaminação não tivesse sido descoberta a tempo, a pandemia que, sem base real, as autoridades sanitárias globais (OMS) e nacionais estão a anunciar, seria agora uma espantosa realidade; esta combinação de vírus vivos pode ser particularmente letal porque combina um vírus vivo com cerca de 60% de mortalidade mas pouco contagioso (o vírus da gripe das aves) com um outro que tem uma mortalidade muito baixa mas com uma grande capacidade de contágio (o vírus da gripe sazonal) [9].
Em 29 de Abril de 2009, quando apenas tinham passado 12 dias sobre a detecção dos dois primeiros casos da nova gripe, a Drª Margaret Chan, directora-geral da OMS, declarou que o nível de alerta por perigo de pandemia se encontrava na fase 5 e mandou que todos os governos dos Estados membros da OMS activassem planos de emergência e de alerta sanitária máxima; um mês mais tarde, 11 de Junho de 2009, a Drª Chan declarou que no mundo já tínhamos uma pandemia (fase 6) causada pelo vírus A/H1N1 S-OIV [10]. Como pode fazer tal declaração quando, de acordo com os dados científicos expostos acima, a nova gripe é uma realidade mais benigna que a gripe sazonal e, além disso, não é um vírus novo e ao qual parte da humanidade está imune?
Pôde declará-lo porque no mês de Maio a OMS tinha alterado a definição de pandemia: antes de Maio de 2009 para poder ser declarada uma pandemia era necessário que por causa de um agente infeccioso morresse uma proporção significativa da população. Esta exigência - que é a única que dá sentido à noção clínica de pandemia e às medidas políticas que lhe estão associadas - foi eliminada da definição adoptada no mês de Maio de 2009 [11], depois dos EUA se terem declarado em «estado de emergência sanitária nacional», quando em todo o país havia apenas 20 pessoas infectadas com a nova gripe, e nenhuma delas tinha morrido [12].
Consequências políticas da declaração de «pandemia»
No contexto de uma pandemia é possível declarar a vacinação obrigatória para determinados grupos de pessoas ou, inclusivamente, para o conjunto dos cidadãos [13].
O que é que pode acontecer a uma pessoa que decida não se vacinar? Enquanto a vacinação não for declarada obrigatória não lhe pode acontecer nada; mas se chegasse a declarar-se a vacinação obrigatória, o Estado tem a obrigação de fazer cumprir a lei impondo multa ou prisão (no estado de Massachussetts dos EUA a multa para estes caso pode chegar a 1.000 dólares por cada dia que passe sem o prevaricador se vacinar) [14].
Perante isto, há quem possa pensar: se me obrigam, vacino-me e já está, a vacina é mais ou menos como a sazonal, também não há para todos...
É preciso que se saiba que há três novidades que fazem com que a vacina da nova gripe seja diferente da vacina da gripe anual: a primeira é que a maioria dos laboratórios estão a desenhar a vacina de forma que uma só injecção não seja suficiente e sejam necessárias duas; a OMS recomenda também que não se deixe de administrar a da gripe sazonal; quem seguir estas recomendações da OMS expõe-se a ser infectado três vezes e isto é uma novidade que, teoricamente, multiplica por três os possíveis efeitos secundários, embora na realidade ninguém saiba que efeitos pode causar, pois nunca antes se fez assim. A segunda novidade é que alguns dos laboratórios responsáveis pela vacina decidiram adicionar-lhe coadjuvantes mais potentes que os utilizados até agora nas vacinas anuais. Os coadjuvantes são substâncias que se adicionam às vacinas para estimular o sistema imunitário. A vacina da nova gripe que está a ser fabricada pelo laboratório Glaxo-Smith-Kline, por exemplo, contém um coadjuvante, AS03, uma combinação que multiplica por dez a resposta imunitária. O problema é que ninguém pode assegurar que este estímulo artificial do sistema imunitário não provoque, passado algum tempo, doenças auto-imunitárias graves, como a paralisia crescente de Guillain-Barré [15]. E a terceira novidade que distingue a vacina para a nova gripe da vacina anual, é que as companhias farmacêuticas que a fabricam estão a exigir que os Estados assinem acordos que lhes garantam a impunidade no caso das vacinas terem mais efeitos secundários que os previstos (por exemplo prevê-se que a paralisia Guillain-Barré venha a afectar 10 pessoas por cada milhão de vacinados); os EUA já assinaram estes acordos que garantem, tanto às farmacêuticas como aos políticos, a retirada de responsabilidade pelos possíveis efeitos secundários da vacina [16].
Uma reflexão
Se o envio de material contaminado fabricado pela Baxter não tivesse sido casualmente descoberto em Janeiro passado, efectivamente, ter-se-ia dado a gravíssima pandemia potencialmente causadora da morte de milhões de pessoas que alguns andam a anunciar. É inexplicável a falta de ressonância política e mediática do que aconteceu em Fevereiro no laboratório checo. Ainda mais inexplicável o grau de irresponsabilidade demonstrado pela OMS, pelos governos, pelas agências de controlo e prevenção de doenças ao declarar uma pandemia e promover um nível de alerta sanitário máximo sem uma base real. É irresponsável e inexplicável até extremos inconcebíveis o bilionário investimento saído do erário público destinado ao fabrico milhões e milhões de doses de vacina contra uma pandemia inexistente, ao mesmo tempo que não há dinheiro suficiente para ajudar milhões de pessoas (mais de 5 milhões só nos EUA) que por causa da crise perderam o seu trabalho e a sua casa.
Enquanto não forem clarificados estes factos, o risco de este Inverno serem distribuídas vacinas contaminadas e o risco de poderem ser adoptadas medidas legais coercivas para forçar a vacinação, são riscos reais que em caso algum podem ser desvalorizados.
No caso da gripe continuar tão benigna como até agora, não faz qualquer sentido a exposição ao risco de receber uma vacina contaminada ou o de sofrer uma paralisia Guillain-Barré.
No caso de a gripe se agravar de forma inesperada, como já há meses anunciam sem qualquer base científica um número surpreendente de altos dirigentes - entre eles a Directora-Geral da OMS -, e repentinamente, começarem a morrer muito mais pessoas do que é habitual, ainda terá menos sentido deixar-se pressionar para ser vacinado, porque uma surpresa assim só poderá significar duas coisas:
1. Que o vírus da gripe A que agora circula sofreu uma mutação;
2. Que está em circulação outro (ou outros) vírus.
Em qualquer dos casos a vacina que se está a preparar agora não serviria para nada e, tendo em conta o que aconteceu em Janeiro passado com a Baxter, podia ser, inclusivamente, que servisse de veículo de transmissão da doença.
Uma proposta
A minha proposta é clara:
Além de manter a calma, tomar precauções sensatas para evitar o contágio e não se deixar vacinar, coisa que já se propõem muitas pessoas com senso comum no nosso país [Espanha].
Apelo a que se active com carácter de urgência os mecanismos legais e de participação cidadã necessários para assegurar de forma rotunda que no nosso país não se poderá forçar ninguém a vacinar-se contra a sua vontade, e que os que decidirem livremente vacinar-se não serão privados do direito de exigir responsabilidades nem do direito de serem economicamente compensados (eles ou os seus familiares), no caso de a vacina lhes causar uma doença grave ou a morte.
Notas:
[1] Zimmer SM, Burke, DS. Historical Perspective: Emergence of Influenza A (H1N1) viruses. NEJM, Julio 16, 2009. p. 279
[2] 'The reemergence was probably an accidental release from a laboratory source in the setting of waning population immunity to H1 and N1 antigens', Zimmer, Burke, op. cit., p. 282
[3] Zimmer, Bunker, op. cit., p. 279
[4] Doshi, Peter. Calibrated response to emerging infections. BMJ 2009;339:b3471
[5] US Centers for Disease Control and Prevention. Serum cross-reactive antibody response to a novel influenza A (H1N1) virus after vaccination with seasonal influenza vaccine. MMWR 2009; 58: 521-4.
[6] Dados oficiais do Centro Europeu para o controlo e prevenção de doenças (www.ecdc.europa.eu).
[7] Dados oficiais do Centro Europeu para o controlo e prevenção de doenças (www.ecdc.europa.eu)
[8] Cf. Le Journal du Dimanche (25 juliol '09): Debré: 'Cette grippe n'est pas dangereuse'; cf. La Razón (4 septiembre '09): Rodríguez Sendín: Cordura frente el alarmismo en la prevención de la gripe A
[9] Cf. Virus mix-up by lab could have resulted in pandemic. The Times of India, sección de ciencia, 6 marzo 2009.
[10] http://www.who.int/mediacentre/news/statements/2009
[11] Cohen E. When a pandemic isn't a pandemic. CNN, 4 de mayo '09.http://edition.cnn.com/2009/HEALTH/05/04/swine.flu.pandemic/index.html
[12] Doshi Peter Calibrated response to emerging infections VMJ 2009;339:b3471
[13] Falkiner, Keith. Get the rushed flu jab or be jailed. Irish Star Sunday, 13 septiembre '09.
[14] Senate Bill n. 2028: An act relative to pandemic and disaster preparation and response in the commonwealth. 4 agosto '09. Cf. Moore, RT. Critics rage as state prepares for flu pandemic. 11 septiembre '09. WBUR Boston.
[15] Cf. Vaccination H1N1: méfiance des infirmières. www.syndicat-infirmier.com/Vaccination-H1N1-mefiance-des.html
[16] Stobbe, Mark. Legal immunity set for swine flu vaccine makers. Associated Press, 17 Julio '09.
Texto publicado no sítio da Coordenadora Antiprivatização de Saúde Pública, Madrid, (www.casmadrid.org), em Setembro de 2009.
* Teresa Forcades i Vila, monja beneditina do Mosteiro de San Benedito em Montserrat, Barcelona, é doutorada em Saúde Pública, especialista em Medicina Interna pela Universidade de Nova Iorque, autora entre outros livros de «Los crimines de las grandes compañias farmaceuticas».
Tradução de José Paulo Gascão
19.12.09
Avatar
Título original: Avatar
De: James Cameron
Argumento: James Cameron
Com: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang
Género: Acção, Aventura
Classificação: M/12
EUA, 2009, Cores
Título original: Avatar
De: James Cameron
Argumento: James Cameron
Com: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang
Género: Acção, Aventura
Classificação: M/12
EUA, 2009, Cores
"NO DISTANTE planeta Pandora, há uma raça de humanóides mais humanos do que nós — os Na’vi, de pele azul e compleição esguia, seres místicos que vivem em perfeita comunhão com o que os rodeia. Mas Pandora é um planeta mortífero para a nossa espécie, seja pela sua irrespirável atmosfera seja pelos múltiplos perigos, seres, monstros, que nele se abrigam e pela hostilidade dos Na’vi, pouco dispostos a serem colonizados. Ao mesmo tempo possui reservas imensas de um minério precioso e raro que uma grande corporação explora, apoiada por mercenários. E há um clã Na'vi a ocupar o sítio onde a maior jazida de minério se encontra. É preciso, portanto, afastá-lo do caminho."
"A história de “Avatar” é, todavia, mais complexa, pois centra-se em seres híbridos, fabricados a partir de ADN humano e Na’vi, de aparência quase idêntica ao do povo nativo de Pandora e de certa maneira ‘pilotados’ por humanos em estado de hibernação conectada. É assim que um fuzileiro paraplégico consegue contrato para conduzir o avatar de um irmão cientista que morrera. E, de observador e espião se torna, progressivamente, num deles..."
"Doze anos depois de “Titanic” — que continua a ser a fita com melhor bilheteira em toda a história do cinema — James Cameron regressa com o mais aguardado (e mais bem guardado) filme do ano. Nele se conjuga o gosto pela ficção científica com uma nervosidade máscula, uma espécie de fusão entre o visionarismo de “O Abismo” com o fragor de “O Exterminador Implacável”. Para o fabricar, Cameron usou o que de mais perfeito existe em matéria de tecnologia — e, de facto, há algo que é inegável: visto em 3D, este é um daqueles filmes raríssimos sobre os quais é possível dizer que nunca se viu nada assim. Mesmo percebendo que há uma falta de textura, de peso, que retira aos eventos e à acção emoções profundas, a verdade é que os achados visuais são portentosos e não me refiro só aos seres fantásticos, ora insectos, ora árvores imensas, ora canídeos ferozes, ora criaturas dinossáuricas ou aos espaços da natureza de uma exuberância que roça o delírio. Refiro-me aos intérpretes, aos corpos dos Na'vi, aos seus felinos movimentos, a uma respiração sensual que habita todo aquele mundo mágico e espantoso.""“Avatar” é visualmente magnífico de uma imaginação que põe o cinema deste género num novo patamar. A esse nível (mas só a esse nível...) opera um abanão tão forte como o que “2001 — Odisseia no Espaço” provocou há quarenta anos. E decerto vai produzir uma avalancha de espectadores, pois toda a gente vai querer ver o que nunca ninguém viu. Contudo, Cameron não quis colocar lá dentro algo mais substancial que uma parábola simples, vagamente ecológica, povoada de memória (o Vietname, sim, ainda por lá anda) e de um panteísmo tão redentor quanto elementar. De certa maneira, o cineasta correu riscos controlados, não se atrevendo a fazer um filme adulto, apontou para as plateias adolescentes e para um segmento toda-a-família (é o mais brando dos filmes de acção desde há muitos anos, infinitamente menos agressivo que qualquer jogo digital do género). Percebe-se: com um orçamento astronómico (diz-se que é o mais caro filme de sempre) só essas plateias o podem rentabilizar." Jorge Leitão Ramos, Expresso de 19/12/2009
Maior foto do mundo tem 26 Gigapixéis...


...no site Gigapixel Dresden, os internautas podem apreciar uma foto panorâmica da cidade alemã de Dresden, que é também a maior do mundo.
A foto foi feita com uma Canon 5D Mark II e uma lente de 400 mm. No total, foram usadas 1665 fotos de 21,4 MP, gravadas com a ajuda de um robô ao longo de 172 minutos.
O resultado foram 102 GB de dados que foram, depois, convertidos numa foto panorâmica com a ajuda de um computador com 48 GB de RAM e 16 processadores.
94 horas depois, estava criada a maior foto digital do mundo, com uma resolução de 297.500 x 87.500 pixéis (26 gigapixéis). [aqui]
A foto foi feita com uma Canon 5D Mark II e uma lente de 400 mm. No total, foram usadas 1665 fotos de 21,4 MP, gravadas com a ajuda de um robô ao longo de 172 minutos.
O resultado foram 102 GB de dados que foram, depois, convertidos numa foto panorâmica com a ajuda de um computador com 48 GB de RAM e 16 processadores.
94 horas depois, estava criada a maior foto digital do mundo, com uma resolução de 297.500 x 87.500 pixéis (26 gigapixéis). [aqui]
18.12.09
LOCAL
São Pedro do Sul
São Pedro do Sul
Mercado da agricultura tradicional para escoar produtos...
...a Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, o projecto “Criar Raízes” e a Cooperativa de Produtores das Terras de S. Pedro do Sul - “CoopRaízes”, com o apoio da Escola Profissional de Carvalhais, vão realizar, no próximo dia 19 de Dezembro (sábado), no Largo da Câmara Municipal, entre as 9 e as 16 horas, o I Mercado da Agricultura Tradicional.
O Mercado é a continuação do trabalho do “Criar Raízes” na área do escoamento dos produtos da pequena agricultura familiar, complementar ao Cabaz e à Loja “Terras de S. Pedro do Sul”. Hortícolas, frutas, broa, doces e mel são alguns dos produtos que poderá adquirir no I Mercado da Agricultura Tradicional de S. Pedro do Sul.
É uma oportunidade a não perder pelos pequenos produtores que passarão a ter um local para vender os seus produtos. Paralelamente haverá animação com música tradicional e animação infantil com pinturas faciais, balões, entre outros.
O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lafões participa também nesta iniciativa através de uma Banca de Saúde onde efectuará vários rastreios. [aqui]
O Mercado é a continuação do trabalho do “Criar Raízes” na área do escoamento dos produtos da pequena agricultura familiar, complementar ao Cabaz e à Loja “Terras de S. Pedro do Sul”. Hortícolas, frutas, broa, doces e mel são alguns dos produtos que poderá adquirir no I Mercado da Agricultura Tradicional de S. Pedro do Sul.
É uma oportunidade a não perder pelos pequenos produtores que passarão a ter um local para vender os seus produtos. Paralelamente haverá animação com música tradicional e animação infantil com pinturas faciais, balões, entre outros.
O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lafões participa também nesta iniciativa através de uma Banca de Saúde onde efectuará vários rastreios. [aqui]
17.12.09
Uns Belos Rapazes
Título original: Les Beaux Gosses
De: Riad Sattouf
Argumento: Riad Sattouf, Marc Syrigas
Com: Vincent Lacoste, Anthony Sonigo, Alice Trémolière
Género: Comédia
Classificação: M/12
FRA, 2009, Cores
Título original: Les Beaux Gosses
De: Riad Sattouf
Argumento: Riad Sattouf, Marc Syrigas
Com: Vincent Lacoste, Anthony Sonigo, Alice Trémolière
Género: Comédia
Classificação: M/12
FRA, 2009, Cores
Juízes e advogados proibidos de serem amigos no Facebook...
...o Supremo Tribunal da Florida proibiu advogados e juízes de se tornarem amigos no Facebook. O objectivo é impedir a aparição pública de evidências da amizade entre juízes e advogados, que possam criar a suspeita de influências sobre as decisões judiciais. Segundo o Supremo Judicial, a amizade entre juízes e advogados no Facebook viola o Código de Conduta Judicial daquele Estado americano. Apesar desta proibição, os críticos da lei apontam-lhe falhas interessantes: é que os advogados podem tornar-se fãs dos juízes, caso estes tenham uma página de fãs no Facebook. Mais: a lei refere-se só ao Facebook, não há nenhuma referência ao Twitter ou a outra rede social que torne público os conteúdos de uma mensagem. [aqui]
...o Supremo Tribunal da Florida proibiu advogados e juízes de se tornarem amigos no Facebook. O objectivo é impedir a aparição pública de evidências da amizade entre juízes e advogados, que possam criar a suspeita de influências sobre as decisões judiciais. Segundo o Supremo Judicial, a amizade entre juízes e advogados no Facebook viola o Código de Conduta Judicial daquele Estado americano. Apesar desta proibição, os críticos da lei apontam-lhe falhas interessantes: é que os advogados podem tornar-se fãs dos juízes, caso estes tenham uma página de fãs no Facebook. Mais: a lei refere-se só ao Facebook, não há nenhuma referência ao Twitter ou a outra rede social que torne público os conteúdos de uma mensagem. [aqui]15.12.09
Sabe o que tem instalado no seu computador? O PSI é uma ferramenta gratuita para utilizadores não empresariais que, depois de instalada num sistema, efectua continuamente auditorias a esse sistema, detectando as aplicações desactualizadas e expostas a vulnerabilidades... [mais] [download] [informações] [teste online]14.12.09
A NECESSÁRIA REFORMA DO ESTADO SOCIAL NA U.E.
Por Manuel Silva
Por Manuel Silva

No ano 2000, quando era primeiro-ministro António Guterres e Portugal presidiu à UE, foi aprovada a chamada estratégia de Lisboa, a qual tinha como objectivo criar condições para no ano de 2010 a economia comunitária ter um crescimento superior ao americano.
Dentro de pouco mais de 2 semanas estaremos em 2010 e, como facilmente se constata, a economia comunitária está ainda bem mais distante da americana. Em 2000, foram vários os políticos e economistas que afirmaram não chegar a inovação, o conhecimento, a ciência e as obras públicas previstas naquela estratégia para atingir o objectivo em causa. Seria necessário reformar o Estado Social, diminuindo os seus custos, pondo-o ao serviço dos mais pobres e desfavorecidos, devendo quem pode pagar o acesso à saúde ou ao ensino superior de acordo com os seus rendimentos ou efectuar seguros privados, no tocante à saúde, que suportassem total ou parcialmente as despesas do segurado. Obviamente, tais despesas seriam tidas em conta no pagamento dos impostos singulares.
Tais políticos e economistas defendiam a livre concorrência na saúde, na educação e em outros sectores sociais, entre estabelecimentos públicos dotados de maior autonomia, estabelecimentos privados e os sectores social e cooperativo.
Para garantir a livre escolha a todos os cidadãos, independentemente dos seus rendimentos pessoais, de qualquer desses estabelecimentos ou sectores, entendiam dever criar-se o cheque-educação e o cheque-saúde, no valor do que o Estado gasta em média com cada cidadão, utilizando cada utente o mesmo cheque no estabelecimento e sector que quisesse, na área da sua residência ou não. Tal obrigaria os prestadores desses serviços a efectuar a melhor oferta possível dos mesmos, em termos de qualidade e preço, pois só assim conseguiriam clientela que justificasse a sua existência.
Aplicando aquelas medidas, a despesa pública - que em Portugal "come" cerca de metade da produção nacional e em 2011, segundo previsões de entidades credíveis como a UE ou o FMI, "comerá" 55/56% da nossa riqueza - baixará, permitindo a diminuição dos impostos para empresários e trabalhadores, atraindo investimentos e criando emprego, riqueza e melhores salários. Não é fácil a aceitação deste tipo de políticas pela opinião pública, mas será bom que as classes média e média alta se convençam de uma vez por todas que o borlismo social tem como contra-ponto mais impostos, menos riqueza e, consequentemente, salários mais baixos. É preferível pagar pela prestação de serviços sociais, para suportar menos impostos e obter melhores vencimentos. Enquanto tal não acontecer, cada vez nos atrasamos mais relativamente aos americanos, no respeitante a crescimento e desenvolvimento.
Mas os governantes nacionais e os responsáveis comunitários parecem não ter percebido a dura realidade nem aprendido nada com a mesma.
No passado dia 1 entrou em vigor o Tratado de Lisboa, em cerimónia realizada junto à Torre de Belém, com pompa e circunstância. Suas Exªs, o Sr. Presidente da República e o Sr. Primeiro-Ministro, em discursos sem chama, elogiaram o tratado (constituição disfarçada) que aponta para o federalismo em que os grandes dominam os pequenos. Quanto à reforma do Estado Social, nada disseram, o que não nos espanta, pois o Eng. Sócrates é um socialista estatista e o Prof. Cavaco, embora tenha liberalizado a economia, fê-lo dentro de um certo estilo tecnocrático hoje ultrapassado, mas não mexeu, em 10 anos de poder, no Estado Social. E teve oportunidade de o fazer, mas como reconhece o liberal seu apoiante, Pacheco Pereira, não foi nem é um liberal.
Van Rompuy, o novo presidente do Conselho Europeu - leia-se alter ego dos países grandes, e em especial do eixo franco-alemão - no seu discurso, perfeitamente inócuo, demonstrativo do seu cinzentismo, falou em "manter o Estado Social". Ou seja, não o reformar. Por este andamento, caminhamos alegremente, não para a melhoria das condições de vida, mas para o seu agravamento, em toda a UE, como se já não bastasse a mesma UE não contar nada militarmente, como, aliás, nunca contou. Não fossem os americanos, a Europa Ocidental teria sido submetida à bota nazi na primeira metade dos anos 40 do século passado e à bota soviética durante a guerra fria.
A nível de política externa, a UE também pouco conta. Reparou o leitor que Obama não esteve presente nas comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim, tendo trocado as mesmas por uma viagem à China? Não é por acaso que já se fala num G2 (USA e China)...
PS: em Portugal não vemos nenhum líder político defender a reforma do Estado Social acima dita. O partido que deveria estar mais próximo dessa reforma é o PSD, mas a sua líder também não é liberal. E estamos apenas a referir-nos à política e à economia, já não falamos dos costumes...
Pedro Passos Coelho é o único dirigente político que se afirma liberal. Como dizia recentemente o director do "Sol", José António Saraiva, na escolha do próximo líder, o PSD não pode falhar. Acrescentamos nós: para que tal aconteça, o PSD deverá eleger Passos Coelho e a sua equipa. Só assim os sociais-democratas poderão, em próximas eleições, derrotar o PS e pôr em prática uma política que garanta o crescimento económico e o desenvolvimento social. Com uma nova liderança que mantenha o "status quo", o PSD caminhará inexoravelmente para o suicídio colectivo, como disse o seu único fundador vivo e militante nº 1, Pinto Balsemão.
Dentro de pouco mais de 2 semanas estaremos em 2010 e, como facilmente se constata, a economia comunitária está ainda bem mais distante da americana. Em 2000, foram vários os políticos e economistas que afirmaram não chegar a inovação, o conhecimento, a ciência e as obras públicas previstas naquela estratégia para atingir o objectivo em causa. Seria necessário reformar o Estado Social, diminuindo os seus custos, pondo-o ao serviço dos mais pobres e desfavorecidos, devendo quem pode pagar o acesso à saúde ou ao ensino superior de acordo com os seus rendimentos ou efectuar seguros privados, no tocante à saúde, que suportassem total ou parcialmente as despesas do segurado. Obviamente, tais despesas seriam tidas em conta no pagamento dos impostos singulares.
Tais políticos e economistas defendiam a livre concorrência na saúde, na educação e em outros sectores sociais, entre estabelecimentos públicos dotados de maior autonomia, estabelecimentos privados e os sectores social e cooperativo.
Para garantir a livre escolha a todos os cidadãos, independentemente dos seus rendimentos pessoais, de qualquer desses estabelecimentos ou sectores, entendiam dever criar-se o cheque-educação e o cheque-saúde, no valor do que o Estado gasta em média com cada cidadão, utilizando cada utente o mesmo cheque no estabelecimento e sector que quisesse, na área da sua residência ou não. Tal obrigaria os prestadores desses serviços a efectuar a melhor oferta possível dos mesmos, em termos de qualidade e preço, pois só assim conseguiriam clientela que justificasse a sua existência.
Aplicando aquelas medidas, a despesa pública - que em Portugal "come" cerca de metade da produção nacional e em 2011, segundo previsões de entidades credíveis como a UE ou o FMI, "comerá" 55/56% da nossa riqueza - baixará, permitindo a diminuição dos impostos para empresários e trabalhadores, atraindo investimentos e criando emprego, riqueza e melhores salários. Não é fácil a aceitação deste tipo de políticas pela opinião pública, mas será bom que as classes média e média alta se convençam de uma vez por todas que o borlismo social tem como contra-ponto mais impostos, menos riqueza e, consequentemente, salários mais baixos. É preferível pagar pela prestação de serviços sociais, para suportar menos impostos e obter melhores vencimentos. Enquanto tal não acontecer, cada vez nos atrasamos mais relativamente aos americanos, no respeitante a crescimento e desenvolvimento.
Mas os governantes nacionais e os responsáveis comunitários parecem não ter percebido a dura realidade nem aprendido nada com a mesma.
No passado dia 1 entrou em vigor o Tratado de Lisboa, em cerimónia realizada junto à Torre de Belém, com pompa e circunstância. Suas Exªs, o Sr. Presidente da República e o Sr. Primeiro-Ministro, em discursos sem chama, elogiaram o tratado (constituição disfarçada) que aponta para o federalismo em que os grandes dominam os pequenos. Quanto à reforma do Estado Social, nada disseram, o que não nos espanta, pois o Eng. Sócrates é um socialista estatista e o Prof. Cavaco, embora tenha liberalizado a economia, fê-lo dentro de um certo estilo tecnocrático hoje ultrapassado, mas não mexeu, em 10 anos de poder, no Estado Social. E teve oportunidade de o fazer, mas como reconhece o liberal seu apoiante, Pacheco Pereira, não foi nem é um liberal.
Van Rompuy, o novo presidente do Conselho Europeu - leia-se alter ego dos países grandes, e em especial do eixo franco-alemão - no seu discurso, perfeitamente inócuo, demonstrativo do seu cinzentismo, falou em "manter o Estado Social". Ou seja, não o reformar. Por este andamento, caminhamos alegremente, não para a melhoria das condições de vida, mas para o seu agravamento, em toda a UE, como se já não bastasse a mesma UE não contar nada militarmente, como, aliás, nunca contou. Não fossem os americanos, a Europa Ocidental teria sido submetida à bota nazi na primeira metade dos anos 40 do século passado e à bota soviética durante a guerra fria.
A nível de política externa, a UE também pouco conta. Reparou o leitor que Obama não esteve presente nas comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim, tendo trocado as mesmas por uma viagem à China? Não é por acaso que já se fala num G2 (USA e China)...
PS: em Portugal não vemos nenhum líder político defender a reforma do Estado Social acima dita. O partido que deveria estar mais próximo dessa reforma é o PSD, mas a sua líder também não é liberal. E estamos apenas a referir-nos à política e à economia, já não falamos dos costumes...
Pedro Passos Coelho é o único dirigente político que se afirma liberal. Como dizia recentemente o director do "Sol", José António Saraiva, na escolha do próximo líder, o PSD não pode falhar. Acrescentamos nós: para que tal aconteça, o PSD deverá eleger Passos Coelho e a sua equipa. Só assim os sociais-democratas poderão, em próximas eleições, derrotar o PS e pôr em prática uma política que garanta o crescimento económico e o desenvolvimento social. Com uma nova liderança que mantenha o "status quo", o PSD caminhará inexoravelmente para o suicídio colectivo, como disse o seu único fundador vivo e militante nº 1, Pinto Balsemão.
Thunderbird 3.0...


...já está disponível a versão final do Thunderbird 3.0, o cliente de e-mail opensource da Mozilla, que corre em várias plataformas e foi bastante melhorado. [dowload] [review ao Thunderbird 3.0]
13.12.09
Ágora
Título original: Agora
De: Alejandro Amenábar
Com: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac
Género: Drama
Classificação: M/12
ESP, 2009, Cores, 126 min.
Título original: Agora
De: Alejandro Amenábar
Com: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac
Género: Drama
Classificação: M/12
ESP, 2009, Cores, 126 min.

Microsoft retoma campanha promocional “Sacar Upgrade”, que é dirigida a estudantes e professores e possibilita a aquisição do Windows 7 a um preço especial... [mais]
12.12.09
Afterschool - Depois das Aulas
Título original: Afterschool
De: Antonio Campos
Com: Danielle Baum, Byrdie Bell, Emory Cohen
Género: Drama
EUA, 2008, Cores, 107 min.
Título original: Afterschool
De: Antonio Campos
Com: Danielle Baum, Byrdie Bell, Emory Cohen
Género: Drama
EUA, 2008, Cores, 107 min.
"“DEPOIS DAS AULAS”, o primeiro filme de um nova-iorquino de 26 anos com ascendência brasileira, estreou em Cannes e chega a Portugal na mesma data de “Uns Belos Rapazes”. Curioso: os dois filmes mais importantes da semana não podiam ser mais opostos, mas ambos colocam a adolescência no centro das atenções. No filme de Campos, que decorre num colégio interno da Nova Inglaterra, a adolescência está obcecada pela tecnologia. Depende dela. Aquilo que Robert (Ezra Miller, actor espantoso) entende por realidade é o que vê na Net: duas raparigas que se agridem brutalmente; um gato que toca piano; uma mulher humilhada num sítio de filmes porno... Campos vai investigar este modelo de teenager moderno, socialmente isolado, com o mundo inteiro ao alcance de um click. Mas o seu filme não é uma metáfora do desenvolvimento da tecnologia, nem a crítica de um sistema de ensino de elite, tão pouco a denúncia da falência de uma autoridade paterna (pais, professores...) substituída pela realidade virtual. O que Campos pretende é testar a consequência da interacção de todos estes vectores."
"Durante um trabalho extracurricular que Robert decide fazer em vídeo, acontece uma coisa terrível: a câmara DV do protagonista capta a morte brutal de duas irmãs gémeas, por overdose. Elas sangram e asfixiam à nossa frente, Robert assiste a tudo, fica paralisado — e a sua passividade impressiona. Captou ele essas imagens por mero acaso, como todos julgam? Ou será que, em silêncio (e esta é a grande fractura do filme), perseguiu algo que fosse, pelo menos, tão violento como o que se vê na Net? Nesse momento, já se sabe que Dave, colega de quarto de Robert, passa droga na escola. Mais tarde, é dito que a cocaína fatal tinha veneno de ratos. E as imagens daquela ‘morte em directo’, que abrem um inquérito policial, até nem são muito diferentes das imagens da ‘primeira vez’ do rapaz, filmada com a mesma distância clínica e o mesmo grau de abandono, como se toda a adolescência estivesse afinal presa a uma concha de emoções interditas. Prova disso é o filme de homenagem às gémeas que Robert depois edita — sem pinga de compaixão e de sentimentalismo."
"Captar a realidade, tal como ela é, com uma câmara e um microfone é uma ilusão — e um problema cinematográfico complexo. Vai sê-lo para Robert e também para os espectadores de “Depois das Aulas.” É que essa realidade, uma vez filmada, pode ser pervertida. E a um ponto tal que ela acaba por desaparecer. Quando o filme começa, o seu modelo parece óbvio: estamos a ver as imagens de ficção de um realizador (Campos) sobre as ‘imagens reais’ de um adolescente (Robert). Só que esta ordem de observação, tão confortável para nós, vai ser dinamitada. Campos escava bem fundo na aparência desta ‘hierarquia de olhares’ quando, numa sequência final notável, o filme decide correr todos os riscos — e integra imagens que perderam a autoria. Imagens sem ponto de vista. Como se, depois de tudo o que vimos, fosse impossível distinguir o que Campos filmou do que foi filmado por Robert. Neste momento, “Depois das Aulas” encontra o seu género: é um filme de terror puro." Francisco Ferreira, Expresso de 12/12/2009
Os restos mortais de Adolf Hitler foram queimados em 1970 pelo KGB e lançados a um rio na Alemanha, por ordem do então chefe dos serviços secretos, Iuri Andropov, que mais tarde, no início dos anos 1980, sucedeu a Leonid Brejnev na liderança da União Soviética. A afirmação foi feita esta semana pelo responsável dos arquivos dos serviços secretos russos, FSB, sucessor do KGB, numa entrevista à agência Interfax, citada pela CNN. [mais]11.12.09
Google Goggles, a pesquisa visual na nuvem...
...apresentado ontem, o Google Goggles permite usar uma imagem captada pela câmara do seu telemóvel e fazer uma pesquisa rápida pela Web. O conceito do Goggles está explicado neste vídeo.
A ideia é simples: o utilizador pega no seu iPhone ou Android Mobile, tira uma fotografia a um qualquer objecto e esse objecto é reconhecido, executando umas das várias funções. No caso das imagens, o Google faz uma pesquisa por imagens que se assemelham com a fotografia tirada; com um cartão de contacto, o Goggles analisa o texto e cria um cartão de contacto e, no caso de usar a bússola digital e o GPS, ter acesso a um Google Maps de realidade aumentada.
Para que todo o processo funcione é necessário uma conexão à Internet, já que o serviço é todo ele baseado na computação em nuvem (o famigerado cloud computing). [aqui]
A ideia é simples: o utilizador pega no seu iPhone ou Android Mobile, tira uma fotografia a um qualquer objecto e esse objecto é reconhecido, executando umas das várias funções. No caso das imagens, o Google faz uma pesquisa por imagens que se assemelham com a fotografia tirada; com um cartão de contacto, o Goggles analisa o texto e cria um cartão de contacto e, no caso de usar a bússola digital e o GPS, ter acesso a um Google Maps de realidade aumentada.
Para que todo o processo funcione é necessário uma conexão à Internet, já que o serviço é todo ele baseado na computação em nuvem (o famigerado cloud computing). [aqui]
9.12.09
LOCAL
São Pedro do Sul
São Pedro do Sul
AEC's: Sofia Ferreira, a Presidente da Associação de Pais dos Alunos do Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul...
...em entrevista à Rádio Lafões!
8.12.09
LOCAL
São Pedro do Sul
São Pedro do Sul
MACIEIRA DE HÁ 70/80 ANOS
(Revisitação com gente lá dentro)
Por Jaime Gralheiro
Falo de Macieira de Sul (S. Pedro do Sul), a aldeia mais serrana da freguesia, nas faldas do monte S. Macário, a deslado do Soito, Posmil e Lageosa, já pertencentes à freguesia de S. Martinho (das Moitas). Falo do lugar onde nasci e se me ficou inteiro na memória, desde que, aos nove anos, de lá desandei para (praticamente) nunca mais lá voltar. Falo de Macieira virada a sul/nascente, com as costas bem protegidas dos ventos norte pelo gabinardo do santo protector a que se encosta. Falo da varanda sobre o vale do Sul, com o lugar dos Pesos, do outro lado, em frente, por onde a gente se guiava no virar das águas: a sombra a varrer os Pesos.
Falo de Macieira, onde no centro se erguia a morada de casas dos senhores da terra que viviam em Nespereira (Alta) e ali vinham, apenas, de vez enquando, receber as rendas. Agora, falo dessas casas com paredes em porpianho e cobertas com telha marselha; mais lá para adiante falarei das outras que, com raras excepções, eram cobertas de negras e pesadas lousas, com paredes de pedra miúda presa por argamassa de barro, à boa moda medieval.
Falo de Macieira: vou ao fundo do lugar, ao caminho que vinha do Salgueiro, quando este chegava às primeiras casas que eram as do Serraco (três ou quatro a mourejarem lá por Lisboa; aqui, a tomar conta das casas, apenas uma ou duas velhotas). Falo do tio Adelino Rosa, cuja casa vinha logo a seguir e tinha a porteira em frente da casa do tio José Grande (o carpinteiro da aldeia que, quando não tinha lápis, riscava com a ponta do dedo molhada em cuspe). Lembro-me que o caminho continuava e vinha dar às casas dos do Arouca (o tio Joaquim – meu avô que era irmão do tio Zé Grande e vivia com o filho, o ti Zé-'rouca).
Lembro-me de que, junto à casa de um e de outro, esse caminho ia dar a um cruzamento: a primeira saída, à direita, ia para as terras, a segunda subia, de esguelha, para o chafariz do meio da povoação que se chamava do fundo, passando pela casa do tio António Vitôrio (que eu já nem conheci, mas apenas os filhos: um deles veio a ser meu tio por ter casado com uma irmã de meu pai), pela casa dos do Ferreiro, com quem meu pai tinha uma zanga de morte (a razão eu nunca a soube; ou soube?), pela casa da tia Glória Ribeiro e pela da casa da Liberata (que vivia sozinha e gostava de fazer favores a quem lhos sabia pedir); sem esquecer a casa da Tia Nazaré do Sapateiro, gente boa, que recebeu, por favor, num casebre que tinha ao lado da casa, meus pais que então viviam com muita dificuldade. Foi nesse casebre que eu nasci. (O menino Jesus nasceu num curral. Ou foi o deus Mitra?).
Se, no tal cruzamento, virássemos à esquerda íamos passar à frente da casa do Pedro (um homenzito que, como a Liberata, vivia sozinho, só que não fazia favores desses, antes ensinava a “doutrina” à garotada, a pedido e paga dos pais (que a não sabiam ou não tinham tempo nem paciência para tais ensinamentos). Lembro-me de que em frente à casa do Pedro era a casa dos do Correia e, um pouco acima, na curva para a direita, era a casa do tio Adelino do Gomes. Depois, seguindo pela rua que ia dar, por esse lado, ao sobredito chafariz do fundo, eram as casas do Sapateiro e as do Constantino e Adelino do Rosa (que retornou de Lisboa, trazendo consigo uma filha com o estranho nome de Benilde, nome este que, só muito mais tarde, voltei a encontrar no título da peça de José Régio: Benilde ou a virgem mãe, que nem ele nem ela nunca leram nem viram. Depois eram as casas do Tamanqueiro, do Mariano e dos Ritos (os mais pobres da aldeia). Junto do chafariz era a casa do Carreirancho, também conhecido por pelego por ser muito gago.
Chegados aqui, ou virávamos à esquerda para a Eira do Vale, passando em frente da morada de casas dos de Nespereira, (onde havia uma larga entrada coberta, que servia de pouso ao Rolho, que ali armava a sua tenda de quinquilharia, na semana a seguir à feira de Sul, donde, todos os meses, vinha a caminho do Gafanhão, onde morava), ou seguíamos em frente, indo em direcção à saída da povoação, a nascente.
Se virávamos para a Eira do Vale, depois de passarmos a casa dos de Nespereira que nos ficava à esquerda, encontrávamos, à nossa direita, um outro fontanário (o chafariz da Eira do Vale). Era nesta eira que assentavam os do Vale. À entrada, do lado esquerdo, ficava a casa do mais velho cujo primeiro nome se me varreu e, do lado direito, a casa do Adelino (do Vale, claro). A seguir à casa do mais velho era a casa da Ti Matilde do Toca e a casa dos pais da Emília Pernisca (só me lembro do nome da filha); na borda da eira, a meio, era a casa da tia Maria do Rato e, a do fundo, a casa do tio Manuel Pereira que tinha um filho, pouco mais velho que eu, dono da gaita de beiços onde eu aprendi a tocar, aos seis anos.
Era nesta eira que se fazia o S. Macário de Macieira, na noite do sábado do último domingo de Julho; era nesta eira que se juntavam muitas centenas de romeiros que, vindos do lado sul, ali pernoitavam, dançando e cantando (bebendo e comendo e sabe-se lá que mais, naquele escuro, tão só iluminado por um ou outro gasómetro!). Foi lá que eu comprei a minha primeira gaita, marca “fado português”. Era nesta Eira que se jogava ao Entrudo, com alguns caretos, vassoiros de gibardeira a picar as pernas das moças, muita farinha, levantar de saias e gargalhada à mistura. A Eira do Vale era o àgora ou forum de Macieira.
Se continuarmos da Eira do Vale para os Currais da Fraga, vamos passar pela casa do tio Amaro que nos fica à esquerda. O tio Amaro era um bondoso velho que vivia com a Tia Charriça (mais nova do que ele) que era muito nossa amiga e nos fazia arroz com chouriça (rima e é verdade).
Se do chafariz de baixo seguíssemos em frente pelo caminho que vai para a saída da povoação, a nascente, iríamos encontrar, logo ali a dois passos, do lado direito, a casa dos do Ferro Velho e, um pouco mais adiante, do outro lado, a casa dos do Penedo e, mais à frente, do lado direito, a casa dos do Santo, onde, diziam, o S. Macário, no seu tempo, vinha pedir lume quando este se lhe apagava lá na serra. Também eu, muitas vezes, fui com uma copanha velha pedir lume às vizinhas. Só que o S. Macário, por ser santo, não precisava de copanha e levava as brasas na mão, até que se queimou quando viu as pernas de uma pastora! Quem não há-de ser crente de um santo que se queima quando vê umas boas pernas?! Eu cá sou.
Em frente da casa dos do Santo vivia o João do Amaro (filho do tio Amaro) e um pouco mais arriba, no caminho que ia para o cimo da povoação, era a casa do Rabeco e a casa da viúva do Pereira (conhecida por “brasileira”) e que foi a minha “mãe seca” por ter tido um filho mais ou menos da minha idade que me deixou nas tetas dela um resto de leite para eu me ir desmamando...
A casa da viúva do Pereira dava para um largo onde estava a caixa pública do correio e donde saía, para a direita, um caminho que ia dar ao cemitério e à capela.
Se não quiséssemos ir nem para o cemitério nem para a capela, virávamos à esquerda e passávamos em frente da casa da do Pereira e, a seguir, pela casa do Fernandes (que teve uma filha que morreu tuberculosa e até os colchões lhe queimaram, depois de morta!). Em frente à casa da viúva do Pereira era uma morada de casas. Por baixo pertenciam aos do Bordozedo e por cima, à Sr.ª. Graça que casou com o Sr. Custódio do Ferrolheiro que também veio do Brasil e abriu uma loja nos fundos da casa, logo a seguir, que ele herdou dos seus antepassados e onde havia um tear, no piso de cima, junto à cozinha.
De notar que todos os mais velhos em Macieira eram tratados por tios ou tias, menos os mais importantes que eram tratados por senhores. O Sr. Custódio era rico e tinha uma loja e a mulher nem trabalhava nas terras e até sabia ler!...
O caminho que passava em frente da loja do Sr. Custódio ia para os lados da Fraga e faceava, à esquerda, com uns currais, donde saía um quelho que dava para um casinhoto onde morava uma cega (não me lembro do nome) que ganhava a vida a fiar...
O caminho donde saía o quelho seguia por debaixo de um passadiço que era a morada de um outro Bordozedo com quem meu pai também andava zangado (e dessa zanga eu sabia a razão: ele deixou que uma cabra comesse uns enxertos de meu pai e meu pai matou-lhe a cabra. E ficaram quites: zangados para sempre e pronto!).
Passado o passadiço dávamos, de frente, com uma grande porteira que vedava o quintal da casa do Santestevo, que tinha um boi de cobrição e onde eu vi, pela primeira vez (tinha uns cinco/seis anos) como se faziam os vitelos: o monstro do boi a lançar-se por sobre o dorso da vaca que se encolhia e roncava sob, enquanto o Santestevo guiava o mastro do boi para dentro da coisa da vaca que era grande e até papujava... Antes de ver o boi do Santestevo a fazer vitelos eu já estava farto de ver os carneiros a saltarem para o espinhaço das ovelhas e os chibos (que na altura do cio cheiravam tão mal!) a montarem as cabras que se ficavam à sua espera. O fornicar das espécies era tão natural como o nascer das crias. Por isso, como eu me ri, quando um dia mais tarde, me quiseram convencer de que os meninos vinham de Paris...
Depois da porteira do Santestevo vinha a casa de uma outra viúva que ficava em frente do quintal do tio Amaro, do outro lado, e tinha uma filha da minha idade com uns olhos árabes de amêndoa doce e que veio a ser a minha primeira namorada. Não me lembro dos nomes nem da mãe nem da filha, mas lembro-me daqueles olhos de amêndoa doce e de como, com a dona de tais olhos, eu brincava a cozer arroz num panelo de barro. Nunca vi um panelo que tanto arroz parisse, quando começou a ferver! Era arroz por todos os lados a sair-lhe em golfadas pela boca!
Lembro-me também de que, perto da casa da minha namorada, era a casa da Tia Casemira, a sardinheira, casada com o tio Amadeu Frade que tinha uns grandes bigodes e um burro que trazia a sardinha de Sul e, agarrado ao rabo, vinha o tio Amadeu que apanhava cada carraspana que sem a ajuda do burro não atremava com a casa.
Antes da Fraga, ainda era a casa da tia Maria do Casqueiro, que cozinhava sempre na mesma panela que nunca lavava. Minha irmã Aurora muito gostava do caldo da tia Maria do Casqueiro! Minha mãe dava-lhe um pouco de unto para ajudar ao caldo.
Depois, sim, era a Fraga, com os currais do gado da vigia e a eira dos de Nespereira, já sobre o rio que vinha das Vessadas. Junto à eira dos de Nespereira ficava a casa que meus pais construíram por suas próprias mãos e que foi inaugurada no dia do meu baptizado (tinha eu já quatro anos e fui a pé, de calções, camisinha de popeline e laço, que a minha madrinha, que era mulher de um engenheiro que trabalhava nas minas em Regoufe, fez questão em me aperaltar!). Esta casa também já tinha algumas paredes em porpianho e telha marselha, menos sobre a cozinha que era coberta com lousas.
Entre o quintal do Tio Amaro e a casa dos meus pais ficava a casa do José Correia que era o factote dos de Nespereira, sempre a caminho daquele lugar, a cheirar-lhes o cu.
Antes de chegar à casa de meus pais, havia ainda a casa de um outro Mariano que tinha uma filha (a Maria do Mariano) muito amiga da minha irmã Aurora.
Em 1937 meu pai mandou fazer uma casa nova, em frente da primeira. Nunca a habitámos. Em 1939 viemos para Sul e acabou-se Macieira (do adro, ó do adro Macieira, tu deixaste-te enganar; já não achas quem te queira...)
E vim-me embora, mas dentro de mim ficou, para sempre, o menino serrano a calcorrear os caminhos da Vida. Todos partiram dali...
Novembro de 2009
P.S.: Não falo nas castanhas nem no mel, porque, na povoação, não havia castanheiros e a gente, se queria castanhas, tinha de as ir apanhar do chão no Soito ou nas Vessadas (digo do chão porque as do ar eram dos donos; por isso, de vez em quando, voava, às escondias, um troxo em direcção aos ouriços, lá em cima a rirem-se de nós; a gente acabava-lhes com o riso e ala que se faz tarde, antes que o dono aparecesse!) e do mel não me lembro.
(Revisitação com gente lá dentro)
Por Jaime Gralheiro
Falo de Macieira de Sul (S. Pedro do Sul), a aldeia mais serrana da freguesia, nas faldas do monte S. Macário, a deslado do Soito, Posmil e Lageosa, já pertencentes à freguesia de S. Martinho (das Moitas). Falo do lugar onde nasci e se me ficou inteiro na memória, desde que, aos nove anos, de lá desandei para (praticamente) nunca mais lá voltar. Falo de Macieira virada a sul/nascente, com as costas bem protegidas dos ventos norte pelo gabinardo do santo protector a que se encosta. Falo da varanda sobre o vale do Sul, com o lugar dos Pesos, do outro lado, em frente, por onde a gente se guiava no virar das águas: a sombra a varrer os Pesos.Falo de Macieira, onde no centro se erguia a morada de casas dos senhores da terra que viviam em Nespereira (Alta) e ali vinham, apenas, de vez enquando, receber as rendas. Agora, falo dessas casas com paredes em porpianho e cobertas com telha marselha; mais lá para adiante falarei das outras que, com raras excepções, eram cobertas de negras e pesadas lousas, com paredes de pedra miúda presa por argamassa de barro, à boa moda medieval.
Falo de Macieira: vou ao fundo do lugar, ao caminho que vinha do Salgueiro, quando este chegava às primeiras casas que eram as do Serraco (três ou quatro a mourejarem lá por Lisboa; aqui, a tomar conta das casas, apenas uma ou duas velhotas). Falo do tio Adelino Rosa, cuja casa vinha logo a seguir e tinha a porteira em frente da casa do tio José Grande (o carpinteiro da aldeia que, quando não tinha lápis, riscava com a ponta do dedo molhada em cuspe). Lembro-me que o caminho continuava e vinha dar às casas dos do Arouca (o tio Joaquim – meu avô que era irmão do tio Zé Grande e vivia com o filho, o ti Zé-'rouca).
Lembro-me de que, junto à casa de um e de outro, esse caminho ia dar a um cruzamento: a primeira saída, à direita, ia para as terras, a segunda subia, de esguelha, para o chafariz do meio da povoação que se chamava do fundo, passando pela casa do tio António Vitôrio (que eu já nem conheci, mas apenas os filhos: um deles veio a ser meu tio por ter casado com uma irmã de meu pai), pela casa dos do Ferreiro, com quem meu pai tinha uma zanga de morte (a razão eu nunca a soube; ou soube?), pela casa da tia Glória Ribeiro e pela da casa da Liberata (que vivia sozinha e gostava de fazer favores a quem lhos sabia pedir); sem esquecer a casa da Tia Nazaré do Sapateiro, gente boa, que recebeu, por favor, num casebre que tinha ao lado da casa, meus pais que então viviam com muita dificuldade. Foi nesse casebre que eu nasci. (O menino Jesus nasceu num curral. Ou foi o deus Mitra?).
Se, no tal cruzamento, virássemos à esquerda íamos passar à frente da casa do Pedro (um homenzito que, como a Liberata, vivia sozinho, só que não fazia favores desses, antes ensinava a “doutrina” à garotada, a pedido e paga dos pais (que a não sabiam ou não tinham tempo nem paciência para tais ensinamentos). Lembro-me de que em frente à casa do Pedro era a casa dos do Correia e, um pouco acima, na curva para a direita, era a casa do tio Adelino do Gomes. Depois, seguindo pela rua que ia dar, por esse lado, ao sobredito chafariz do fundo, eram as casas do Sapateiro e as do Constantino e Adelino do Rosa (que retornou de Lisboa, trazendo consigo uma filha com o estranho nome de Benilde, nome este que, só muito mais tarde, voltei a encontrar no título da peça de José Régio: Benilde ou a virgem mãe, que nem ele nem ela nunca leram nem viram. Depois eram as casas do Tamanqueiro, do Mariano e dos Ritos (os mais pobres da aldeia). Junto do chafariz era a casa do Carreirancho, também conhecido por pelego por ser muito gago.
Chegados aqui, ou virávamos à esquerda para a Eira do Vale, passando em frente da morada de casas dos de Nespereira, (onde havia uma larga entrada coberta, que servia de pouso ao Rolho, que ali armava a sua tenda de quinquilharia, na semana a seguir à feira de Sul, donde, todos os meses, vinha a caminho do Gafanhão, onde morava), ou seguíamos em frente, indo em direcção à saída da povoação, a nascente.
Se virávamos para a Eira do Vale, depois de passarmos a casa dos de Nespereira que nos ficava à esquerda, encontrávamos, à nossa direita, um outro fontanário (o chafariz da Eira do Vale). Era nesta eira que assentavam os do Vale. À entrada, do lado esquerdo, ficava a casa do mais velho cujo primeiro nome se me varreu e, do lado direito, a casa do Adelino (do Vale, claro). A seguir à casa do mais velho era a casa da Ti Matilde do Toca e a casa dos pais da Emília Pernisca (só me lembro do nome da filha); na borda da eira, a meio, era a casa da tia Maria do Rato e, a do fundo, a casa do tio Manuel Pereira que tinha um filho, pouco mais velho que eu, dono da gaita de beiços onde eu aprendi a tocar, aos seis anos.
Era nesta eira que se fazia o S. Macário de Macieira, na noite do sábado do último domingo de Julho; era nesta eira que se juntavam muitas centenas de romeiros que, vindos do lado sul, ali pernoitavam, dançando e cantando (bebendo e comendo e sabe-se lá que mais, naquele escuro, tão só iluminado por um ou outro gasómetro!). Foi lá que eu comprei a minha primeira gaita, marca “fado português”. Era nesta Eira que se jogava ao Entrudo, com alguns caretos, vassoiros de gibardeira a picar as pernas das moças, muita farinha, levantar de saias e gargalhada à mistura. A Eira do Vale era o àgora ou forum de Macieira.
Se continuarmos da Eira do Vale para os Currais da Fraga, vamos passar pela casa do tio Amaro que nos fica à esquerda. O tio Amaro era um bondoso velho que vivia com a Tia Charriça (mais nova do que ele) que era muito nossa amiga e nos fazia arroz com chouriça (rima e é verdade).
Se do chafariz de baixo seguíssemos em frente pelo caminho que vai para a saída da povoação, a nascente, iríamos encontrar, logo ali a dois passos, do lado direito, a casa dos do Ferro Velho e, um pouco mais adiante, do outro lado, a casa dos do Penedo e, mais à frente, do lado direito, a casa dos do Santo, onde, diziam, o S. Macário, no seu tempo, vinha pedir lume quando este se lhe apagava lá na serra. Também eu, muitas vezes, fui com uma copanha velha pedir lume às vizinhas. Só que o S. Macário, por ser santo, não precisava de copanha e levava as brasas na mão, até que se queimou quando viu as pernas de uma pastora! Quem não há-de ser crente de um santo que se queima quando vê umas boas pernas?! Eu cá sou.
Em frente da casa dos do Santo vivia o João do Amaro (filho do tio Amaro) e um pouco mais arriba, no caminho que ia para o cimo da povoação, era a casa do Rabeco e a casa da viúva do Pereira (conhecida por “brasileira”) e que foi a minha “mãe seca” por ter tido um filho mais ou menos da minha idade que me deixou nas tetas dela um resto de leite para eu me ir desmamando...
A casa da viúva do Pereira dava para um largo onde estava a caixa pública do correio e donde saía, para a direita, um caminho que ia dar ao cemitério e à capela.
Se não quiséssemos ir nem para o cemitério nem para a capela, virávamos à esquerda e passávamos em frente da casa da do Pereira e, a seguir, pela casa do Fernandes (que teve uma filha que morreu tuberculosa e até os colchões lhe queimaram, depois de morta!). Em frente à casa da viúva do Pereira era uma morada de casas. Por baixo pertenciam aos do Bordozedo e por cima, à Sr.ª. Graça que casou com o Sr. Custódio do Ferrolheiro que também veio do Brasil e abriu uma loja nos fundos da casa, logo a seguir, que ele herdou dos seus antepassados e onde havia um tear, no piso de cima, junto à cozinha.
De notar que todos os mais velhos em Macieira eram tratados por tios ou tias, menos os mais importantes que eram tratados por senhores. O Sr. Custódio era rico e tinha uma loja e a mulher nem trabalhava nas terras e até sabia ler!...
O caminho que passava em frente da loja do Sr. Custódio ia para os lados da Fraga e faceava, à esquerda, com uns currais, donde saía um quelho que dava para um casinhoto onde morava uma cega (não me lembro do nome) que ganhava a vida a fiar...
O caminho donde saía o quelho seguia por debaixo de um passadiço que era a morada de um outro Bordozedo com quem meu pai também andava zangado (e dessa zanga eu sabia a razão: ele deixou que uma cabra comesse uns enxertos de meu pai e meu pai matou-lhe a cabra. E ficaram quites: zangados para sempre e pronto!).
Passado o passadiço dávamos, de frente, com uma grande porteira que vedava o quintal da casa do Santestevo, que tinha um boi de cobrição e onde eu vi, pela primeira vez (tinha uns cinco/seis anos) como se faziam os vitelos: o monstro do boi a lançar-se por sobre o dorso da vaca que se encolhia e roncava sob, enquanto o Santestevo guiava o mastro do boi para dentro da coisa da vaca que era grande e até papujava... Antes de ver o boi do Santestevo a fazer vitelos eu já estava farto de ver os carneiros a saltarem para o espinhaço das ovelhas e os chibos (que na altura do cio cheiravam tão mal!) a montarem as cabras que se ficavam à sua espera. O fornicar das espécies era tão natural como o nascer das crias. Por isso, como eu me ri, quando um dia mais tarde, me quiseram convencer de que os meninos vinham de Paris...
Depois da porteira do Santestevo vinha a casa de uma outra viúva que ficava em frente do quintal do tio Amaro, do outro lado, e tinha uma filha da minha idade com uns olhos árabes de amêndoa doce e que veio a ser a minha primeira namorada. Não me lembro dos nomes nem da mãe nem da filha, mas lembro-me daqueles olhos de amêndoa doce e de como, com a dona de tais olhos, eu brincava a cozer arroz num panelo de barro. Nunca vi um panelo que tanto arroz parisse, quando começou a ferver! Era arroz por todos os lados a sair-lhe em golfadas pela boca!
Lembro-me também de que, perto da casa da minha namorada, era a casa da Tia Casemira, a sardinheira, casada com o tio Amadeu Frade que tinha uns grandes bigodes e um burro que trazia a sardinha de Sul e, agarrado ao rabo, vinha o tio Amadeu que apanhava cada carraspana que sem a ajuda do burro não atremava com a casa.
Antes da Fraga, ainda era a casa da tia Maria do Casqueiro, que cozinhava sempre na mesma panela que nunca lavava. Minha irmã Aurora muito gostava do caldo da tia Maria do Casqueiro! Minha mãe dava-lhe um pouco de unto para ajudar ao caldo.
Depois, sim, era a Fraga, com os currais do gado da vigia e a eira dos de Nespereira, já sobre o rio que vinha das Vessadas. Junto à eira dos de Nespereira ficava a casa que meus pais construíram por suas próprias mãos e que foi inaugurada no dia do meu baptizado (tinha eu já quatro anos e fui a pé, de calções, camisinha de popeline e laço, que a minha madrinha, que era mulher de um engenheiro que trabalhava nas minas em Regoufe, fez questão em me aperaltar!). Esta casa também já tinha algumas paredes em porpianho e telha marselha, menos sobre a cozinha que era coberta com lousas.
Entre o quintal do Tio Amaro e a casa dos meus pais ficava a casa do José Correia que era o factote dos de Nespereira, sempre a caminho daquele lugar, a cheirar-lhes o cu.
Antes de chegar à casa de meus pais, havia ainda a casa de um outro Mariano que tinha uma filha (a Maria do Mariano) muito amiga da minha irmã Aurora.
Em 1937 meu pai mandou fazer uma casa nova, em frente da primeira. Nunca a habitámos. Em 1939 viemos para Sul e acabou-se Macieira (do adro, ó do adro Macieira, tu deixaste-te enganar; já não achas quem te queira...)
E vim-me embora, mas dentro de mim ficou, para sempre, o menino serrano a calcorrear os caminhos da Vida. Todos partiram dali...
Novembro de 2009
P.S.: Não falo nas castanhas nem no mel, porque, na povoação, não havia castanheiros e a gente, se queria castanhas, tinha de as ir apanhar do chão no Soito ou nas Vessadas (digo do chão porque as do ar eram dos donos; por isso, de vez em quando, voava, às escondias, um troxo em direcção aos ouriços, lá em cima a rirem-se de nós; a gente acabava-lhes com o riso e ala que se faz tarde, antes que o dono aparecesse!) e do mel não me lembro.
7.12.09
Actividade Paranormal
Título original: Paranormal Activity
De: Oren Peli
Argumento: Oren Peli
Com: Katie Featherston, Micah Sloat
Género: Terror
Classificação: M/12
EUA, 2007, Cores, 86 min.
Título original: Paranormal Activity
De: Oren Peli
Argumento: Oren Peli
Com: Katie Featherston, Micah Sloat
Género: Terror
Classificação: M/12
EUA, 2007, Cores, 86 min.
"NESTA COISA de cinema, diabolismos e filmes de terror, há que ter cuidado. Não se pode esquecer o que está lá para trás. Os espectros fulminantes de Murnau. Aqueles que, como Tourneur, juraram a pés juntos que o Mal existia na Terra (e nos filmes). Os que trabalharam o cinema de terror como uma novela perfeita — e Friedkin não fez outra coisa em “O Exorcista”. Também os que viram no género o terreno ideal para introduzir revoluções profundas, como o provou Kubrick em “The Shining”, o primeiro filme em que a steadicam foi usada por um cineasta maior. À luz de tudo isto, com a chegada do videodigital e de orçamentos de pele e osso, eis a grande questão: o que dizer de um filme como “Actividade Paranormal”, em que o argumentista não sabe escrever, o câmara não sabe filmar e os actores, todos amadores, não sabem interpretar? Mais: qual é a consequência de um tempo em que as imagens e os sons, manipulados e cada vez mais anónimos, se ‘democratizam’ ao alcance de uma câmara e de um micro que até podem ser os de um telemóvel? Era fácil passar à frente de “Actividade Paranormal”. O problema é que este filme, disso estamos seguros, é um produto evidente do seu tempo. E os discursos que o condenam são infinitamente menos produtivos do que os que saem a terreiro em sua defesa."
"Porque se calhar há (e sempre houve...) um gesto instintivo de cinema que não se joga no campo da mestria, do ensaio, da concentração, muito menos no da repetição de fórmulas feitas, como 99% do cinema de terror contemporâneo. Um cinema que chega aos seus fins por outros meios — e, lá por ser ‘menos sério’, não é menos luciferino. Há dois vectores claros em “Actividade Paranormal”: de dia, Micah tem a câmara na mão; à noite, a câmara está fixa e o diabrete ataca. Os primeiros parecem adereços de preparação para os segundos, e esta estrutura é banal e repetitiva. Mas até aqui há subtilezas: 1) há um analista ‘formado em assombrações’, personagem pateta, que visita a casa no início do filme e que volta a surgir na ficção, uma hora depois, só para dizer que não pode ficar naquela casa nem mais um minuto; 2) Micah, depois de folhear livros do Demo e usar tábuas amaldiçoadas, arma-se em ‘Orfeu do YouTube’ e dá-nos a ver, na Net (tinha de ser), aí sim, uma breve sequência de terror puro sobre uma desgraçada, exorcizada algures nos anos 60, provável origem do problema que assola Katie. Não são estes dois momentos de uma eficácia inexplicável?"
"Mas o que mais impressiona é outra coisa: são as ganas daquele ‘perfeito anormal’, Micah, e, por ele, o desejo ardente de que o terror, atraído por uma câmara e por um micro, entre naquela casa. Katie desespera: “Turn it off, please!” Mas Micah não desliga a câmara. E, quanto mais ele chama pela besta, mais ela se aproxima. Isto resume-se a uma coisa: fé absoluta da ficção em si própria. Fé na imagem, no som, naquela espera e nuns truques de magia que Méliès inventou há cem anos. E uma leve esperança de que o cinema possa, de facto, atrair a maldição. É que Micah acredita no Demo. Acredita nele com todas as suas forças. Está obcecado por ele. E o Demo, que é bem educado, não costuma recusar certos convites." Francisco Ferreira, 05/12/2009
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