27.10.10

Os negociadores...

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Nina Simone, 'My Baby Just Cares for Me'

O candidato presidencial da Esquerda não tem uma palavra reconhecida e reconhecível sobre um documento central do nosso futuro colectivo [Orçamento de Estado]. Isto percebe-se? Obviamente, percebe-se: se tivesse conservado a sua ‘independência’ e uma higiénica distância do PS socrático, Alegre poderia emergir nestes tempos sombrios como o salvador ideal de um país desesperado e analfabeto. Só que a ambição foi maior do que Alegre, que se entregou às sereias para ser enxovalhado e castrado por elas.

O Alegre que hoje existe é um morto-vivo: ele fala, ele mexe-se, ele voga por aí – mas ninguém o ouve, ninguém o vê, ninguém conta com ele para nada. Dividido entre as mentiras do PS e as loucuras do Bloco, Alegre é a primeira vítima de um Orçamento que promete fazer várias. [mais]

23.10.10

LOCAL
São Pedro do Sul


População de Manhouce manifestou-se contra encerramento da extensão de Saúde...

36 Vistas do Monte Saint-Loup
Título original: 36 Vues du pic Saint-Loup
De: Jacques Rivette
Argumento: Jacques Rivette, Pascal Bonitzer, Christine Laurent, Sergio Castellitto, Shirel Amitay
Com: Sergio Castellito, Jane Birkin , André Marcon, Jacques Bonnaffé, Julie-Marie Parmentier
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/12
Estúdios: Cinema 11, France 2 Cinéma, Les Films du Losange, Pierre Grisé Productions
FRA/ITA, 2009, Cores, 86 min.

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"O novo filme de Rivette começa com um carro empanado e um boy meets girl. O ‘rapaz’ e a ‘rapariga’, Vittorio (Sergio Castellitto) e Kate (Jane Birkin), não são propriamente uns novatos... Não debutam sequer no misterioso cinema de Rivette (Castellitto entrou em “Sabe-se Lá!”, Birkin em “O Amor de Rastos” e “A Bela Impertinente”), mas o carro empanado e a situação cómica daquele encontro (em que ambos não dizem patavina) acrescenta às personagens uma jovialidade secreta, o efeito de uma primeira vez. Estamos no verão, no Languedoc-Roussillon, no sul de França, debaixo do monte Saint-Loup do título que rima com lendas de amor medievais — mas só saberemos exatamente onde estamos no último plano do filme. E entretanto..."

"Entretanto, Rivette já navega a velocidade de cruzeiro num dos seus filmes mais curtos: 82 minutos, os mesmos que o cineasta, que costuma apostar em narrativas muito mais longas, leva de anos de vida. Kate e Vittorio voltam a cruzar-se pouco depois. Ela é filha do fundador de um pequeno circo que ela abandonou há 15 anos por causa de um desgosto. Só que o seu pai, figura que nunca conheceremos e que tem o seu quê de mítico na ficção, acabou de falecer, forçando Kate, que estava acomodada em Paris, a regressar à tournée da companhia para a salvar de morte certa. Além disso, ela tem contas para ajustar com o passado. Vittorio é italiano, guia um Porsche e está algures em trânsito entre Milão e Barcelona — talvez seja um homem de negócios e, vá-se lá saber porquê, perdeu o rumo. Na verdade, até sabemos porquê. Como tantas vezes em Rivette, tudo começa para as personagens pelo coup de foudre (amor à primeira vista). Pelo boy meets girl, insistimos. Apaixona-se Vittorio por Kate quando esta o convida para o show? Apaixona-se ele pela vida do circo, “o lugar mais perigoso do mundo, onde tudo é possível”?"

"Quando estas suspeitas se levantam, já fomos apresentados a outros elementos da companhia, ou seja, já entrámos no mundo do espetáculo. Em Rivette, o espetáculo é sempre uma espécie de seita que deseja em segredo mudar o mundo sem que o mundo se aperceba. Fica tudo en cachette. Esse circo, tão caro a Chalin e a Tati, é um teatro em que nem os clowns são particularmente dotados, nem os seus números particularmente divertidos. Descobrimos esses números um a um — sobretudo aquele que mete pratos partidos e revólveres que pregam sustos —, pouco a pouco, ao longo da narrativa: e assim se descobre o âmago de cada personagem. Esse teatro é o carrossel da vida de Renoir e de Ophüls — aliás, este filme podia ser um cruzamento entre “Le Déjeuner sur l’Herbe” e “Lola Montès”. O carrossel em que “um palhaço é maquilhagem, nada mais. Um bocado de tudo e muito de nada”. E o carrossel da vida, aqui, só tem um nome: chama-se cinema."

"Mas há muito mais do que uma homenagem ao cinema em “36 Vistas do Monte Saint-Loup”: há o amor, a arte e o amor pela arte. Uma felicidade sombria e uma melancolia alegre — é neste ambiente que se aprende a viver, este filme não fala de outra coisa. Há também fantasmas do passado, princesas enfeitiçadas — e Kate bem poderia ser uma delas, a precisar de um príncipe que é seguramente Vittorio."



"Rivette, um dos pilares da Nouvelle Vague, pode ainda fazer mil filmes, reais ou sonhados, no tempo de vida que lhe resta. “36 Vistas do Monte Saint-Loup” não é um testamento. Contudo, sentimos que este filme encerra qualquer coisa. A sua iluminação tem uma aura solene. É um adieu à la scène e, em simultâneo, uma glorificação magistral da representação. Parece um ‘pequeno Rivette’, mas voa nas alturas." Francisco Ferreira, Expresso de 23/10/2010

22.10.10

Rodrigo Leão, 'Ave Mundi'

O guia da revolução comunista cubana, Fidel Castro, afirmou não valer a pena exportar o seu modelo revolucionário, pois o mesmo falhou em casa.

Seguidamente, o seu irmão e sucessor no PC cubano, Raul Castro, defendia o despedimento de um milhão de funcionários públicos, os quais serão incentivados, através de subsídios, a passarem a pequenos e médios proprietários. Haverá também incentivos fiscais para investidores estrangeiros.

Espera-se que à liberalização da economia corresponda a liberalização política, com a libertação de todos os presos políticos, a restauração das liberdades fundamentais, a criação de partidos e a realização de eleições livres.

Aquelas medidas são o dobre de finados pelo regime cubano. Foi tarde, mas um dia os seus dirigentes reconheceram que o seu modelo falhou, começando já por reformar o Estado Social.

Por cá, o PCP continua agarrado a ideias abandonadas pelos abencerragens do marxismo-leninismo. Sócrates, o governo e o PS armam-se em campeões do Estado Social que vão destruindo, como se pode ver através dos vários PECs….
Por Manuel Silva

21.10.10

Marketing do Governo vai custar mais seis milhões...

...o Governo vai aumentar, no próximo ano, os gastos com seminários, exposições e publicidade. Isto apesar do anunciado esforço para reduzir a despesa pública. O orçamento para 2011 prevê que os ministérios gastem quase 23 milhões nestas duas rubricas, mais seis milhões que este ano. É um crescimento de 46% no caso dos seminários e de quase 30% na publicidade do Estado. [mais]
Human League, 'Don't You Want Me'

20.10.10

Na Senda dos Condenados
Título original: Fifty Dead Men Walking
De: Kari Skogland
Com: Ben Kingsley, Jim Sturgess, Kevin Zegers
Género: Acção, Thriller
Classificação: M/16
GB, 2008, Cores, 117 min.

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Jorge Leitão Ramos, Expresso de 02/10/2010

19.10.10

LOCAL
São Pedro do Sul

No próximo dia 22 de Outubro (sexta-feira), a partir das 12 horas, encontram-se na cidade de São Pedro do Sul duas carrinhas da EDP para proceder à troca de 4 lâmpadas (antigas) por 4 lâmpadas economizadoras, aos munícipes que se dirigirem aos locais (Largo do Município e Praça Solar da Lapa).

Semelhante iniciativa ocorrerá em Vouzela, a 25 de Outubro de 2010, junto ao Tribunal Judicial.

18.10.10




A Câmara Municipal de Elvas (PS) anulou os aumentos salariais efectuados no ano passado, exigindo a devolução do dinheiro, e os concursos para novas contratações, o que no total abrange 220 trabalhadores... [ mais]
Tamara Drewe
Título original: Tamara Drewe
De: Stephen Frears
Argumento: Moira Buffini
Com: Gemma Arterton, Roger Allam, Bill Camp, Dominic Cooper
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/12
GB, 2010, Cores, 111 min.

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"O que podemos fazer senão rir? Naquela aldeia de Ewedown, perdida num sítio nenhum onde nada alguma vez acontece, uma jovem jornalista, Tamara Drewe, que escreve uma coluna sobre si própria, volta à terra natal e vem muito diferente de que quando partira, anos atrás. Traz, nomeadamente, um nariz novo (ela que tinha um rosto onde quase mais nada se via quando se via a protuberância que tinha ao meio) e uns shorts tão justos que não há homem que não fique com ideias. Um deles nem precisa verdadeiramente disso para as ter, pois Nicholas Hardiment, bem sucedido autor de romances policiais, parece encontrar por baixo de cada saia um motivo para perseverar num longa carreira adulterina. É ele o dono e anfitrião de Stonefield, mansão que acolhe escritores com vontade de fugir da multidão e do bulício das grandes cidades. Mas por trás de Hardiment — e dos seus livros — há a mulher que vai servindo de trave mestra de Stonefield e da vida dele e que está mesmo à beira de atirar tudo ao ar. A vida corre plácida quando duas miúdas, fartas do marasmo, resolvem imiscuir-se no computador de Tamara e enviar a três homens distintos um e-mail de amor muito fremente, em nome dela. Daí à floresta de enganos, é um fósforo e todas as curvas da existência começam a carrilar em velocidades muito pouco usuais."

"Dotado de uma energia muito particular, “Tamara Drewe” encaixa como uma luva na vertente britânica e terra-a-terra de Frears, porventura menos conhecida que os seus filmes americanos, mas muito mais estimulante. A vertente que nos deu “O Puto” (1993), “A Carrinha” (1996), “Alta Fidelidade” (2000) ou mesmo “A Rainha” (2006) onde, para lá de um mínimo esboço realista, circula uma vitalidade estridente e uma enorme compreensão humana. Mas também a autenticação da estupidez e da crueza que pode atravessar a existência — em “Tamara Drewe” há um esquisso de assassínio e alguém que morre no meio da lama e do esterco. O final do filme é, entre um esboço de happy end e um simulacro de justiça divina por caminhos menos recomendáveis, a constatação de que, apesar de tudo, a possibilidade de felicidade vai-se manter — a estupidez também."



"“Tamara Drewe” começou por ser uma novela gráfica assinada por Posy Simmonds e publicada pelo jornal londrino “The Guardian”, em 2005/2006. Era uma sátira, inspirada num célebre romance de Thomas Hardy (“Far From the Madding Crowd”), dotada de um estilo desglamourizado, com um traço simples em que os rostos e corpos estavam mais perto da caricatura do que de qualquer vontade realista, tinha como alvo um certo estilo de vida provinciano, campestre, e uma linguagem onde o humor tem lâminas e cinismo não falta. Frears foi bastante fiel na adaptação, seguindo a história praticamente a par-e-passo, mas dotando-a, plasticamente, de uma riqueza cromática, um brilho que o pincel original de Posy Simmonds não possuía. E dotou os personagens de carne e osso, tornando-os muito mais vívidos do que no papel. Mérito de Gemma Arterton (a enleante protagonista), Roger Allam (Hardiment, para quem ser escritor é cultivar a mentira), Dominic Cooper (uma inestimável hipótese de vedeta-rock) ou Jessica Barden e Charlotte Christie (as miúdas que veem a vida andar sem elas lá dentro e resolvem fazer qualquer coisa)." Jorge Leitão Ramos, Expresso de 02/10/2010

15.10.10




O trabalho da revista Sábado mostra como o PS colonizou o Estado e as empresas públicas. O Estado, que Sócrates está sempre a defender, é uma mina de tachos faraónicos para os boys do PS. [mais]





Ana Tomás (Administradora das Estradas de Portugal) - 151.200 euros

Alda Borges Coelho (Administradora da ANA) - 109.486 euros

António José Pereira Luís (Presidente da NAV) - 109.531 euros

Carlos Beja - Administrador da NAV (99.710 euros)

Alexandre Rosa (Vice-presidente do IEFP) - 79.140 euros

Fernando Rocha Andrade (Administrador da REN) - 48 mil euros

Luís Patrão
(Presidente do Turismo de Portugal) - 83.170 euros

Luís Nazaré (Comité de Estratégia dos CTT) - 49 mil euros

Ascenso Simões (Administrador da ERSE) - 188.839 euros

António Castro Guerra (Chairman da CIMPOR) 285.384 euros

Mário Lino (Conselho Fiscal da Caixa Seguros) - 26.821 euros

Fernando Gomes (Administrador da GALP) - 529 mil euros

Guilhermino Rodrigues (Presidente da ANA)
Louçã Vs. Sócrates...


Best of Sócrates (2009 - 2010)...


[via]
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Double, 'The Captain Of Her Heart'...

13.10.10

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
Título original: Wall Street: Money Never Sleeps
De: Oliver Stone
Argumento: Stephen Schiff, Allan Loeb
Com: Michael Douglas, Shia LaBeouf, Carey Mulligan, Frank Langella, Josh Brolin
Género: Drama
Classificação: M/12
EUA, 2010, Cores, 131 min.

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"Oliver Stone está a ficar velho. Ou talvez seja eu a envelhecer. Mas gostei do novo ‘Wall Street’, provavelmente por ter na memória a mediocridade do antigo. No ‘Wall Street’ original, Stone cedia ao seu pecado capital: o maniqueísmo ignaro e caricatural do esquerdismo infantil americano, que o cineasta igualmente exibe nos filmes sobre o Vietname (‘Platoon’, ‘Nascido a 4 de Julho’ e ‘Quando o Céu e a Terra Mudaram de Lugar’), bem como na trilogia presidencial (‘JFK’, ‘Nixon’ e ‘W.’)."

"Nesse ‘Wall Street’ de 1987, o primitivismo de Stone estava concentrado na figura de ‘Bud Fox’ (Charlie Sheen) que, recusando a honradez telúrica e laboral do pai (primoroso Martin Sheen), procura subir depressa demais, e ilegalmente demais, na cadeia alimentar da riqueza americana. "Não há nada de nobre na pobreza", diz ele, com diabólica soberba. Para tanto, ‘Bud’ conta com a ajuda de ‘Gordon Gekko’ (Michael Douglas), um milionário histriónico para quem a ganância é o verdadeiro mecanismo de "selecção natural" entre a espécie humana: a ganância separa os ambiciosos dos perdedores, e esse caridoso serviço deve ser reconhecido e até apoiado."

"Na pena moralista de Oliver Stone, ‘Gekko’ e ‘Bud’ acabam mal e o dedo em riste do realizador parecia dizer-nos: "o capitalismo destrói almas; afastem-se dele!" Uma advertência grave que implicava uma pergunta necessariamente grave: mas se o capitalismo destrói almas, quais serão as alternativas? Durante uns tempos, Oliver Stone procurou-as. Chegou até a ir a Cuba, filmar um dos documentários mais sabujos de que há memória sobre Fidel Castro e respectiva sabedoria colectivista."

"Felizmente para Cuba (e para Stone), o comunismo já nem para os cubanos serve (palavras de Fidel) e o novo ‘Wall Street’ abandona os tiques do primeiro: ‘Gordon Gekko’ continua o mesmo ganancioso de sempre, disposto até a atraiçoar a confiança dos mais próximos para regressar ao topo da pirâmide. Mas a condenação moralista de Stone já não se dirige para o sistema capitalista como um todo; apenas para os tubarões que se aproveitam dele e, no limite, o destroem. Tubarões bem piores do que ‘Gordon Gekko’. Além disso, se no primeiro ‘Wall Street’ não há salvação para ‘Gekko’, neste segundo filme da série é-lhe concedida uma última oportunidade de redenção e até de sabedoria: acontece no final, quando ‘Gekko’ entende que a única riqueza que verdadeiramente possuímos é o tempo que nos resta. Quem diria? Quem diria que, para Oliver Stone, mesmo na alta finança de Wall Street é possível encontrar "o leite da ternura humana"?"



"‘Gordon Gekko’ sai da cadeia com uma dupla missão: refazer a fortuna e retomar a sua relação com a filha. Mas o mundo mudou: um mundo onde a ganância não apenas é boa como legal – e ilimitada." João Pereira Coutinho

12.10.10

Lola + A History of Mutual Respect
Título original: Lola
De: Brillante Mendoza
Argumento: Linda Casimiro
Com: Anita Linda, Rustica Carpio, Tanya Gomez, Jhong Hilario, Ketchup Eusebio
Género: Drama
Classificação: M/12
Filipinas/FRA, 2009, Cores, 113 min.

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"Lola, em tagalog, a língua filipina, significa “avó” e há duas, ambas octogenárias, no novo filme de Brillante Mendoza, o mais melodramático dos que realizou, também o seu melhor. Foi rodado em Malabon e em Mandaluyong, duas das cidades da região metropolitana de Manila (colosso com 20 milhões de habitantes), durante a época das chuvas, debaixo de céu cinzento. Tão cinzento quanto a dor das duas avós do título, Lola Sepa e Lola Carpin, respetivamente interpretadas por Anita Linda e Rustica Carpio: elas são duas ladies da cinematografia filipina e foram, nos anos 70 e 80, atrizes de Lino Brocka, trave-mestra do cinema do país durante os anos da ditadura de Ferdinand Marcos. Mendoza, hoje com cinquenta anos, fez carreira na publicidade antes de iniciar, em 2005, com “O Massagista”, uma carreira estonteante. “Lola”, estreado em Veneza 2009, é a sua nona longa-metragem nos últimos cinco anos. Cineasta de culto, ele passou a circular nos festivais internacionais à mesma velocidade da sua produção e parte da sua cinematografia foi retrospetivada no início deste ano, graças a uma ação do IndieLisboa. Ou seja: não é propriamente um novato que aqui apresentamos, embora “Lola” seja o seu primeiro filme a estrear em Portugal, pela mão da distribuidora Alambique (ver texto ao lado). Antes disso, a Atalanta tinha editado “Serbis”, em DVD."

"Apresentações feitas, passamos ao filme. E à dor das avós, que é profundamente católica e inspirada por um fait divers. A primeira Lola que vemos, Lola Sepa, percorre freneticamente as ruas de Manila que só Mendoza sabe filmar daquela maneira, à procura de um caixão para o corpo do seu neto, esfaqueado até à morte na noite anterior. Mas falta-lhe dinheiro para cumprir as exéquias. A segunda Lola, Lola Carpin, não se encontra em estado de menor desespero: ela é a avó do presumível assassino e, acreditando na sua inocência, faz o que pode para salvá-lo da cadeia e da justiça. Também aqui há dinheiro envolvido. Ora, os caminhos das duas avós acabam a uma dada altura por encontrar-se. Nas Filipinas —e o filme é exímio a mostrá-lo — as ‘lolas’, chefes matriarcas, gozam de enorme respeito por parte da sociedade. O filme de Mendoza, que tem a câmara sempre à altura das suas personagens, com uma frontalidade e um pudor comoventes, vai apostar tudo neste dilema, que é antes de tudo uma questão de moral: poderão as duas avós, derradeiros símbolos de integridade de um corpo social que sentimos à beira do colapso, encontrar um modo para mitigar o seu sofrimento? E o que pode existir de sórdido num provável ‘pacto’ entre a avó do assassino e a avó do assassinado, se elas se adaptarem às circunstâncias?"



"“O público filipino não está preparado para os meus filmes”, disse Mendoza. “O que eles procuram no cinema é entretenimento, glamour, vestidos bonitos. Não querem a realidade, preferem o que está fora dela. Uma vida bonita que não têm. Enquanto cineasta, sinto que as minhas responsabilidades passam por aqui: mostrar que a realidade está aqui e que é esta a nossa vida.” Chegamos com isto ao método de Mendoza. Ele sabe dirigir intérpretes profissionais (as duas avós do filme são atrizes de craveira) como se estes fossem amadores. Sabe distribuir os efeitos da ficção no seu talento de documentarista e fá-lo, neste filme, com uma intensidade que nunca teve, mergulhando na realidade vertiginosa que o rodeia."



"Em complemento, é exibido “A History of Mutual Respect”, curta-metragem de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes que venceu o IndieLisboa e um Leopardo de Ouro em Locarno." Francisco Ferreira, Expresso de 25/09/2010
Lisboa Domiciliária
Título original: Lisboa Domiciliária
De: Marta Pessoa
Género: Documentário
Classificação: M/12
POR, 2009, Cores, 95 min.

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"Não tem palavras de introdução, prolegómenos, preparação. “Lisboa Domiciliária” entra diretamente no seu tema, rostos idosos, casas velhas, o coração da cidade (Bairro Alto, Mercês, por exemplo). Primeiro, até parece que a câmara está disfarçada, não interage com o que se passa (uma mulher que precisa de sair numa cadeira, descida à força de braços por uma escada por onde nunca mais poderá ir pelo seu pé; uma outra deitada, quase confinada ao leito, dando instruções a uma empregada, lá dentro). Depois, a câmara ‘falará’ com essas pessoas, sem que haja uma voz por detrás, deixando que elas contem — mágoas, memórias, desilusões, há quem invetive o mundo, há quem lamente a aridez da vida, há quem mostre fotografias, há quem desfile canções, há quem se lembre de quando era possível estacionar um automóvel lá em baixo, na rua, mesmo ao pé de casa."



"“Lisboa Domiciliária” é um documentário amargo. A realidade que apresenta não tem saída, não tem remédio, não tem esperança. O presente é de sofrimento, o futuro é só mais sofrimento — ou o fim de tudo. Apesar disso, Marta Pessoa dota-se de um longo bafejo de misericórdia e persegue essa realidade com uma infinita disponibilidade, talvez quase ternura. Nunca olha mais do que deve, nunca recolhe mais que uma dignidade continuada e, deste ponto de vista, o filme é exemplar e devia ser visto e meditado pelos muitos que, em televisão, mostram a abjeção fácil, sempre que se abeiram dos grupos sociais na margem ou na fronteira da exclusão. Por isso, releve-se a postura de “Lisboa Domiciliária”: nunca se trata de ir espreitar, mas de conhecer — pessoas que, lisboetas, a cidade não mostra, antes cala, por detrás de paredes vetustas, como vetustas são as idades desses cidadãos. Uma Lisboa que nos faz estremecer e quase interroga o sentido da vida." Jorge Leitão Ramos, Expresso de 18/09/2010
Assalto ao Santa Maria
Título original: Assalto ao Santa Maria
De: Francisco Manso
Com: António Pedro Cerdeira, Leonor Seixas, Maria d'Aires
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
POR, 2009, Cores, 105 min.

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Jorge Leitão Ramos, Expresso de 25/09/2010

8.10.10

4.10.10

LOCAL
São Pedro do Sul

O PSD quer esclarecimentos do Governo sobre 50 contratações para a Agência para a Modernização Administrativa com ordenados que rondam os 3000 euros... [mais]

O sampedrense Daniel Martins, líder parlamentar do PS na Assembleia Municipal de São Pedro do Sul, é o Director da Unidade de Gestão da Rede Nacional de Serviços de Atendimento, integrado no serviço Loja da Empresa daquela AMA. [mais]

1.10.10

A campanha no Brasil...




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Debate entre os candidatos presidenciais na G1
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