29.11.07

Duas obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura...

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Apresentamos aqui em primeira edição a obra-prima de Maria de Lurdes Rodrigues, Mona Vazia, ou como lixei a escola pública. Aplaudido pela critica mais liberal esta obra mostra como em apenas dois anos se pode abrir o caminho à futura gestão privada das escolas e como se transformam os educadores dos nossos filhos, os professores, em inimigos públicos da sociedade e culpados do estado em que se encontra a educação em Portugal.


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Uma proposta do governo, integrada na Campanha "Novas Oportunidades". Vamos fazer de Portugal um país de Engenheiros!
Via E-mail

LOCAL
Vouzela

Telmo Antunes, Presidente da Câmara Municipal de Vouzela e mandatário distrital da candidatura de Luís Filipe Menezes à liderança do PSD, lançou um blogue pessoal - anti sócrates - conforme se dá conta aqui.

28.11.07

Numa entrevista ao Expresso, Miguel Sousa Tavares contou um caso, inteiramente imaginário, da minha suposta desonestidade (teria criticado o Equador, sem o ler) e acrescentou alguns comentários desagradáveis. Como é natural, desmenti. Isto bastou para que ele anunciasse por SMS à minha mulher e, a seguir, no Diário de Notícias que "ia dar cabo de mim".

27.11.07

Svetlana...



...é a mais recente vítima da violência doméstica em Espanha. Tendo aceite participar numa espécie de Fiel ou Infiel (o Diário de Patrícia, no canal Antena3), julgava que ia encontrar um desconhecido em directo. O que esta jovem russa não sabia, porque a produção nunca lhe disse, foi que quem iria encontrar no programa para a pedir em casamento era o seu ex-noivo. O mesmo que já tinha denunciado às autoridades pelos maus-tratos que lhe infligia e que, por isso mesmo, tinha cumprido 11 meses de pena de prisão. Depois de ter recusado o pedido de casamento, em directo, foi assassinada pelo seu ex-noivo.

26.11.07

Land Cruiser...

Agora é que é. Dezassete anos depois, o Estado português já não tem como fugir do compromisso. Adiou até onde pôde, mas as pressões, sobretudo por parte do Brasil (o principal interessado num acordo que vai alterar 1,6% do vocabulário luso e apenas 0,45% do ‘brasileiro’), levaram o ministro dos Negócios Estrangeiros a comprometer-se: o protocolo que modifica as regras da língua portuguesa será assinado até ao final do ano. Ainda assim, é só para valer daqui a 10 anos, graças a uma ‘reserva de aplicação’ a que cada parceiro do acordo (os oito Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) pode recorrer e que Portugal decidiu invocar.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está aqui.
Nos últimos anos...

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...a ascensão do "economês" na política e no jornalismo traduzem a crise do referente político-ideológico, por um lado, porque este se transformou num mundo estereotipado de metáforas mortas, desgastado comunicacionalmente; por outro, porque a iliteracia política também cresceu com a ascensão ao poder das "juventudes" partidárias, formadas num jargão utilitário muito reduzido no seu vocabulário e na sua instrumentação teórica. Futebol e economia, jornais desportivos e imprensa económica fornecem chavões e palavras de encher o ouvido, que todos entendem porque lêem e vêem o mesmo, logo funcionam como lubrificante do discurso. Quem é que não percebe quando se diz que "o PS meteu um golo na sua própria baliza", ou que no PSD há agora um CEO e um chairman, como repetiam à exaustão os jornalistas no último congresso do PSD? Passou-se pois assim do relvado e do mister para os players no mercado eleitoral, ou seja, o que antigamente chamávamos "o povo".

25.11.07

Estrela Solitária
Título original: Don't Come Knocking
De: Wim Wenders
Com: Sam Shepard, Jessica Lange, Tim Roth
Género: Dra
Classificação: M/12
ALE/EUA, 2005, Cores, 122 min.

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"Velho actor icónico de grandes «westerns», confinado agora a produções manhosas de terceira ordem, Howard Spence foge de uma rodagem, da vida do cinema, do álcool, da cocaína, em procura do seu passado, a mãe que não vê há anos, a namorada que deixou para trás e de quem teve um filho que o odeia, uma outra filha ignota que transporta as cinzas da mãe numa pequena urna e o segue como um animal fiel que só não quer é ser escorraçado. "

"Tudo escrito (e interpretado) por Sam Shepard, numa América profunda que já é praticamente cenário de narrativas perdidas, com a conivência de Jessica Lange (a tal velha namorada, que ironia), de um punhado de actores onde convive a homenagem (Eva Marie Saint) e o futuro (Tim Roth) e de um director de fotografia (Franz Lustig) que parece transformar cada fotograma num poema solitário. É um filme frágil, mas cheio de coisas pontualmente tão belas que ficamos a olhá-lo quase em estado de melancolia. "



"Longe vão os tempos de Paris, Texas, mas a cumplicidade entre Wenders e Shepard ainda nos aquece o coração."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 24/11/2007

Os notários privados querem o melhor de dois mundos: por um lado, defendem a proibição de que os serviços prestados pelos notários possam ser realizados por outros profissionais, ao mesmo tempo que se opõem à simplificação de procedimentos; por outro lado, querem exercer a profissão em regime liberal.

A Autoridade da Concorrência identificou “um conjunto de normas que, de forma desnecessária ou desproporcional, restringem o acesso e o exercício da actividade notarial, e que inibem, de forma injustificada, a concorrência quer entre notários, quer entre estes e outros profissionais habilitados a prestar serviços de idêntica natureza.”

Considerando ainda “os desenvolvimentos decorrentes do programa SIMPLEX que simplificou e desformalizou actos notariais e de registo”, a Autoridade da Concorrência enviou ao Governo uma recomendação com vista a eliminar, de um modo faseado, as restrições à concorrência que se revelam injustificadas.

Uma súmula das medidas propostas está aqui, podendo ler-se a bem fundamentada recomendação aqui.
LOCAL
Viseu

A FNAC vai abrir uma loja no redimensionado Palácio do Gelo Shopping, em Viseu, o segundo maior centro comercial do país, com 175 mil metros quadrados de área, que deverá ser inaugurado em Março de 2008, criando 3200 novos postos de trabalho. Será o primeiro espaço do líder europeu na distribuição de bens culturais e de lazer, a instalar-se no Interior de Portugal continental.

22.11.07

Na Venezuela de Chávez...

Nomad - A Profecia do Guerreiro
Título original: Nomad
De: Sergei Bodrov, Ivan Passer
Com: Jay Hernandez, Dilnaz Akhmadieva, Kuno Becker
Género: Dra, Gue
Classificação: M/12
Cazaquistão, 2005, Cores, 112 min.

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"Quarenta milhões de dólares terá custado ao Cazaquistão e no ecrã vê-se cada cêntimo gasto. Curiosamente, as contribuições artísticas têm as mais díspares origens. O argumentista é russo (o veterano Rustam Ibragimbekov, responsável, entre outros, pelos argumentos de Sol Enganador e O Barbeiro da Sibéria, que tanto sucesso trouxeram a Nikita Mikhalkov). Os directores de fotografia vêm da Dinamarca e da Suíça. A equipa cenográfica é jugoslava. Os figurinistas foram contratados em Inglaterra e nos EUA. O compositor da música é italiano. Os actores principais são mexicanos e americanos. E a realização foi iniciada pelo checo Ivan Passer e concluída pelo russo Sergei Bodrov, com apoio de um realizador local, Talgat Temenov. Nos postos essenciais quase não encontramos figuras do cinema do Cazaquistão (na hipótese de existirem, o que desconheço em absoluto)."

"A única coisa que parece ter nascido no interior daquele vasto país que vai da Europa até à China (e que possui descomunais jazidas de petróleo) foi a vontade política de o filme existir (diz-se que por influência directa do Presidente Nursultan Nazarbayev) e o consequente fluir de capital que o tornou possível. A história que narra é fundadora e centra-se no mítico Ablai Khan, que no século XVIII conseguiu unificar as tribos cazaques e libertar o país do jugo mongol. O filme, sem subtilezas psicológicas, tem o sopro épico desejado, mostra a beleza das estepes e das montanhas e exibe copiosa espectacularidade. "



"Vale a pena olhá-lo, apesar do peso da imponência e do fausto que bem conhecemos de um certo cinema do império soviético. Natural: o Cazaquistão foi a última das repúblicas da URSS a declarar a independência e o seu Presidente, vitalício, transitou directamente do Partido Comunista para o topo do novo Estado democrático."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 17/11/2007

21.11.07

Concordia Children's Services...

...if you don't help feed them, who will?

1. Em Dezembro passado, e após oito anos de poder, o comandante Hugo Chávez foi triunfalmente reeleito Presidente da Venezuela, com 62,8 por cento dos votos (metade do corpo eleitoral). Foi o ponto de partida para uma nova concentração e personalização do poder.

Em Janeiro, o Parlamento, que ele controla a cem por cento graças ao boicote das legislativas de 2005 pela oposição, aprovou uma "Ley Habilitante" que lhe concede vastíssimos poderes legislativos. Chávez lançou a seguir um partido unitário, o Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), destinado a disciplinar as suas "tropas", em nome do "socialismo do século XXI". A 15 de Agosto, apresentou um projecto de revisão da Constituição de 1999, que ele próprio fizera aprovar. O novo texto será referendado no dia 2 de Dezembro.

A mais vistosa inovação é a abertura do caminho a uma presidência vitalícia. Pelo texto de 1999, o Presidente apenas podia ser reeleito uma vez. Agora, o mandato pode ser renovado indefinidamente.

Uma segunda inovação é a possibilidade de o Presidente suspender as garantias em "circunstâncias que afectem gravemente a segurança nacional". As pessoas poderão ser detidas e mantidas presas sem controlo judicial. Também se prevê a censura prévia.

Há uma outra disposição interessante, a criação de um "poder moral", um sistema de poder popular, assente em milhares de conselhos comunais. É um poder acima dos outros, do legislativo ou judicial, porque emana directamente do povo, mas que será mediado e centralizado pela "comissão presidencial do poder comunal".

2. Chávez começou a construção da sua máquina de poder pessoal em três frentes. Primeiro, estabelecendo uma relação directa com o povo através da televisão. Seguiu-se a batalha pela conquista da empresa pública Petróleos de Venezuela (PDVSA), que não significa apenas a grande riqueza nacional mas o mais poderoso meio de fazer política - entretanto potenciado pela alta do preço do petróleo. A seguir, organizou as massas pobres das periferias, através dos programas sociais, as "missões", apoiadas por médicos cubanos e enquadradas por jovens venezuelanos formados em Cuba, dispositivo que completa a sua política assistencialista e constitui um poderoso meio de mobilização política.

Após a prova de força com a oposição, durante a greve petrolífera de 2002-2003, Chávez liquidou o que restava da separação dos poderes. O sistema judicial foi submetido ao Presidente. O boicote da oposição em 2005 permitiu-lhe anular o poder legislativo.

Intensifica-se agora a "militarização" da sociedade. Primeiro, através da crescente participação dos militares em cargos políticos e económicos. Segundo, através de milícias ideológicas armadas ou da mobilização de 100 mil reservistas, fora da cadeia de comando militar e directamente submetidos ao Presidente.

O modelo de Chávez é um autoritarismo plebiscitário mas não é totalitário. Submete--se a eleições. Não suprimiu os partidos de oposição, criou antes um partido hegemónico, de massas e apoiado em milícias. Fechou uma televisão (RCTV), mas não a Globovisión. Em lugar de encerrar os jornais da oposição, está a criar uma poderosa rede de meios de comunicação. Muitas vezes comprando os títulos. Não expropria a propriedade privada. Antes convida a frágil burguesia a entrar no barco. Chamam-lhe "o porta-aviões": quem quiser levantar voo deve entrar nele.

3. Chávez é popular na Venezuela e na América Latina, casando a arma do petróleo com uma retórica guerreira, centrada no antiamericanismo. Mas é vulnerável. Ele colocou os pobres no centro da política. Mas a mera redistribuição sem uma estratégia de desenvolvimento é uma ameaça a prazo, mesmo para a própria produção de petróleo, onde os investimentos são insuficientes.

A Venezuela é uma sociedade polarizada. Chávez tem hoje o apoio da maioria da população e a hostilidade da restante. Quando tiver menos meios financeiros para satisfazer as expectativas da sua base, tornar-se-á menos popular, a conflitualidade político-social tenderá a subir e será mais difícil ganhar eleições.

Neste quadro, a revisão constitucional tem muito mais a ver com poder do que com ideologia: começar a prevenir os riscos do futuro. É uma tentativa de blindar o regime e o poder pessoal. Chávez sempre foi um estratego - reconhecem os próprios adversários.


Ao som de músicas de José Afonso e empunhando cartazes com slogans como "Na Venezuela é verdade: revolução é liberdade", 200 manifestantes pretenderam demonstrar solidariedade a Hugo Chávez, que deveria aterrar em Lisboa pelas 20h30.
Hand in Hand...

20.11.07

Daltonismo...

O daltonismo (também chamado de discromatopsia ou discromopsia) é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do vermelho. Esta perturbação tem normalmente origem genética, mas pode também resultar de lesão nos órgãos responsáveis pela visão, ou de lesão de origem neurológica. O distúrbio, que era desconhecido até ao século XVIII, recebeu esse nome em homenagem ao químico John Dalton, que foi o primeiro cientista a estudar a anomalia de que ele mesmo era portador. Uma vez que esse problema está geneticamente ligado ao cromossoma X, ocorre mais frequentemente entre os homens (no caso das mulheres, será necessário que os dois cromossomas X contenham o gene anómalo). Os portadores do gene anómalo apresentam dificuldade na percepção de determinadas cores primárias, como o verde e o vermelho, o que se repercute na percepção das restantes cores do espectro. Esta perturbação é causada por ausência ou menor número de alguns tipos de cones ou por uma perda de função parcial ou total destes, normalmente associada à diminuição de pigmento nos fotoreceptores que deixam de ser capazes de processar diferenciadamente a informação luminosa de cor. Os daltónicos são incapazes de discernir as sete cores de um arco-íris.

Figura do teste de Ishihara, método utilizado para diagnosticar o daltonismo: o número 8 somente é visível para as pessoas de visão normal.



Que números consegue ver nas seguintes lâminas?

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Nesta lâmina, um individuo normal verá o número 5, enquanto que um daltónico (com cegueira para o vermelho ou o para o verde) verá um 2:

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Curiosidades:

O daltonismo pode representar uma vantagem evolutiva sobre as pessoas portadoras de visão normal, tal como foi descrito num artigo publicado pela BBC Online.

Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Cambridge demonstrou que algumas formas de daltonismo podem, na verdade, proporcionar uma visão mais aprimorada de algumas cores.


Durante a 2ª Guerra Mundial descobriu-se que os soldados daltónicos tinham mais facilidade em detectar camuflagens ocultas na mata.


Os daltónicos possuem uma visão nocturna superior à de uma pessoa com visão normal.

Eles também são capazes de identificar mais matizes de violeta do que as pessoas com visão normal.

A maioria dos daltónicos não sabe que possui esta anomalia.


A percepção das cores varia muito de uma pessoa com daltonismo para outra.


O pintor Vincent van Gogh sofria de daltonismo.


A incidência de daltonismo é maior entre os descendentes de Europeus.


Os daltónicos vêem, em média, entre 500 a 800 cores.


Normalmente as cores predilectas de quem tem esta alteração genética são o azul ou roxo, por serem cores vivas.


Para os daltónicos o arco-íris não possui 7 cores.
(Via e-mail)

Cromos...

19.11.07

Petições...



Beowulf 3D Digital
Título original: Beowulf
De: Robert Zemeckis
Com: Angelina Jolie (Voz), Anthony Hopkins (Voz), John Malkovich (Voz)
Género: Ani, Fantasia
Classificação: M/12
EUA, 2007, Cores

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M. Cintra Ferreira, Expresso de 17/11/2007


"Era inevitável que a mais famosa saga anglo-saxónica, Beowulf, acabasse por chegar aos ecrãs, agora que as imagens de síntese permitem criar as mais estranhas e fantásticas personagens, especialmente após o sucesso de bilheteira da trilogia O Senhor dos Anéis, saga esta mais conhecida do grande público, criada no século XX por Tolkien, grande admirador de Beowulf, onde se inspirou para a sua obra."

"Beowulf é um longo poema épico, de autor anónimo, e que será, antes, uma compilação de várias narrativas escritas entre os séculos V e X, inspiradas em lendas escandinavas sobre as proezas de um poderoso guerreiro-herói, chamado Beowulf (nome que é uma síntese primitiva das palavras «bee» (abelha) e «wolf» (lobo). É, de certo modo, uma espécie de alegoria sobre o fim do velho mundo e o nascimento de um outro, os tempos primitivos e bárbaros dando lugar a uma nova civilização. Beowulf, com a inteligência e força dos animais que lhe servem de nome, percorre o mundo para provar a sua força e coragem em luta contra os seres fantásticos que sobrevivem. É assim que ele chega um dia às terras do rei Hrothgar, ameaçadas por um ser monstruoso, Grendel, que se alimenta de vítimas humanas. A vitória sobre o monstro leva Beowulf ao trono após a morte de Hrothgar, e, muitos anos depois, o herói terá de enfrentar um novo monstro ainda mais perigoso, um dragão filho também da mãe de Grendel, que assim procura vingar a morte deste."

"Os argumentistas de Beowulf, o nosso já conhecido Neil Gaiman (autor de novelas gráficas como «Sandman», a quem o «Actual» dedicou algumas páginas há poucas semanas, a propósito da estreia de um outro filme inspirado numa das suas obras: Stardust) e Roger Avary (colaborador de Quentin Tarantino em Pulp Fiction, e também realizador), fizeram algumas alterações à história original que lhe dão um ar mais moderno e uma mais profunda abordagem psicológica. As alterações têm a ver, especialmente, com as personagens dos monstros, aos quais Gaiman e Avary dão uma filiação que os liga às personagens principais. Embora nada seja dito nos diálogos, o espectador percebe facilmente que Grendel e o dragão são filhos respectivamente de Hrothgar e Beowulf, de uma mãe comum, a feiticeira da caverna, que os seduziu aquando da busca que cada um deles fizera. A busca de Beowulf deste ser misterioso, que se materializa numa belíssima mulher de pele de ouro (Angelina Jolie serve de modelo) é interrompida bruscamente na narrativa, o que não permite assistir ao desenlace, mas a elipse permite adivinhar que algo de estranho se passou."

"Beowulf traz, na realização, a assinatura de Robert Zemeckis, conhecido realizador especializado no cinema fantástico, autor de obras como a trilogia Regresso ao Futuro ou Quem Tramou Roger Rabbit? Este último filme é uma boa pista para o trabalho de Zemeckis em Beowulf. O filme era a mais hábil exploração, até à época, da síntese de imagem real com animação. Mas Zemeckis tinha outras obsessões, especialmente a de criar verdadeiros «actores de síntese». As modernas técnicas digitais permitiram-lhe dar outro passo em direcção a esse objectivo com a realização de Polar Express, onde Tom Hanks se tornou o corpo onde Zemeckis e os seus colaboradores experimentaram pela primeira vez aquilo que se chama de «performance-capture» (o corpo do actor é coberto de pequenos pontos brancos que permite aos técnicos «captar» a «representação» e sintetizá-la nos computadores, técnica que já fora aplicada na criação da personagem de Golum, no Senhor dos Anéis). O trabalho deu origem a um neologismo, «synthespian» («Representação sintética», que poderá ser um passo para que num futuro não muito distante se possam «recriar» desta forma figuras como as de Marilyn Monroe ou Humphrey Bogart, para novos filmes! Não será por acaso que se disputam já os «direitos» sobre algumas dessas imagens!)."

"A «performance capture» faz-se, neste filme, sobre as figuras de Ray Winstone (Beowulf), Anthony Hopkins (Hrothgar), Robin Wright Penn (Walthow, mulher de Hrothgar), John Malkovich (Unferth), Brendan Gleeson (Wiglaf, o companheiro de aventuras de Beowulf), Crispin Glover (Grendel) e Angelina Jolie (a mãe de Grendel), entre outros, e as imagens de síntese que daí resultam são praticamente perfeitas, com destaque para a última, com a sua longa cauda reptilínea. E a acção encenada por Zemeckis tem rasgos também eles de fantástico. Na série de belíssimas cenas que compõem o filme, destaca-se a do combate de Beowulf com o dragão, talvez a mais espectacular até hoje feita num ecrã, assim como o funeral de viking do herói, com a cascata de fogo que cai da montanha."



"Experiência espectacular que anuncia o cinema do futuro, Beowulf é apresentado de duas formas: na versão tradicional de imagem plana, e outra em três dimensões. Também neste caso, o filme de Zemeckis é um salto enorme das experiências anteriores (que vêm, no cinema comercial, desde 1953), estando os enquadramentos preparados de forma a dar a maior impressão de realismo, de tal forma que, em muitas cenas, o espectador sente-se literalmente «no meio» da acção. Um espectáculo absolutamente imperdível."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 24/11/2007

18.11.07

Todos os anos...

...mais de 1 milhão de pessoas visita Fátima. De entre essas, a Igreja Católica investiga as que se curam com o objectivo de encontrar curas sem explicação científica. Se encontrar alguma considera que houve milagre. Se houve milagre, o milagreiro (um dos videntes, por exemplo) pode tornar-se santo. Este procedimento da Igreja Católica tem duas falhas graves. Primeiro, a Igreja Católica só conta os milagres positivos. Ignora os negativo. Por exemplo, um santo pode fazer carreira se fizer uma cura por cada 10 doenças que provoca. Segundo, a identificação de milagres pressupõe que a ausência de explicação científica para a cura é uma prova científica de que a cura não tem explicação. Mas, como é evidente, o facto de não se conseguir explicar uma cura não implica que ela não tenha explicação. Sendo assim, um santo não precisa de se esforçar muito para que lhe sejam atribuidos milagres. Basta que esteja no sítio certo e à hora certa para que lhe seja atribuida uma cura natural sem explicação científica conhecida.

LOCAL
São Pedro do Sul



A Agricultura Biológica tecnicamente em estruturação começou na Quinta da Comenda...

17.11.07

Gangster Americano
Título original: American Gangster
De: Ridley Scott
Com: Denzel Washington, Russell Crowe, Chiwetel Ejiofor
Género: Dra, Thr
Classificação: M/16
EUA, 2007, Cores, 157 min.

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"Gangster Americano é a história de Frank Lucas, guarda-costas de um «padrinho» do Harlem, «Bumpy» Johnson, que dominou o bairro negro de Nova Iorque até 1968, data em que foi prostrado por um ataque cardíaco. Lucas (Denzel Washington) impõe-se sobre os restantes candidatos à chefia do gang graças a um golpe «magistral»: a importação de heroína em estado puro que fez dele o principal fornecedor de droga, aliando-se a figuras gradas da Máfia. O «golpe» de Lucas foi ir à fonte do, então, principal fornecedor, o Sueste asiático, transportando a heroína para os Estados Unidos dentro dos caixões que traziam os cadáveres dos militares americanos abatidos na guerra do Vietname."

"Tal como fica dito, o filme poderia ser uma recuperação do «blaxploitation film» (filmes de «gangsters» interpretados por negros, populares naquela época em que a conquista dos direitos cívicos veio trazer a «negritude» a primeiro plano, numa série de filmes de que Shaft pode ser considerado o modelo). A apoiar a hipótese temos uma reconstituição de época criteriosa onde pontuam nomes conhecidos como o de Muhamed Ali, entre outros."

"Mas o argumento de Steve Zaillian (que escreveu Gangs de Nova Iorque) faz da história de Lucas apenas uma parte do filme. A restante tem a ver com o trabalho desenvolvido por Richie Roberts, um agente incorruptível encarregado de formar uma brigada para lutar contra os grandes traficantes e, que a pouco e pouco descobre a figura de Lucas como a eminência parda do negócio. A personalidade de Roberts é exposta numa das primeiras sequências, quando numa vigilância com o parceiro se apodera de um milhão de dólares de um traficante e entrega o dinheiro na esquadra (o que o deixa «marcado»). Roberts terá de lutar também contra a corrupção policial, que atinge mesmo uma outra brigada especial."

"A luta entre os dois homens traz a memória de alguns filmes clássicos da época em que a acção decorre. Para além dos filmes «negros» como Shaft, o que mais se aproxima é o de William Friedkin, Os Incorruptíveis contra a Droga e um seu sucedâneo dos anos 80, o magnífico O Ano do Dragão, de Michael Cimino (com este partilha a «viagem» ao Vietname), enquanto o duelo entre os dois homens tem um certo parentesco com o de Heat, de Michael Mann (como neste as duas vedetas só têm um frente a frente)."



"Porém, curiosamente, vindo de quem vem, Riddley Scott, o filme insiste menos na violência, e mais na descrição de um tempo e da personalidade de cada uma das figuras, e dá também um retrato incisivo do que eram as relações de traficantes e a Polícia (não é por acaso que um dos produtores é Nicholas Pileggi, argumentista de Tudo Bons Rapazes e Casino, de Scorsese). Scott recusa as receitas mais em voga, acção bruta e acéfala, para construir um drama em que se confrontam duas vontades e duas éticas: a do negócio (o chefe da Máfia dá uma lição de economia de mercado a Lucas) e a do dever."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 17/11/2007

Orquestra...

16.11.07

LOCAL
São Pedro do Sul


Afinal há outras instâncias, mas superiores...

"A oposição tem denunciado inúmeras situações, algumas delas saíram inclusive nos principais jornais nacionais, e as instâncias superiores têm dado sempre razão às questões levantadas por ela."
Armando Guimarães, Gazeta da Beira de 15/11/2007