29.2.08

LOCAL
São Pedro do Sul

Bombeiros de S. Pedro do Sul que recentemente abandonaram a corporação afirmaram hoje estar a ser alvo de um processo disciplinar que tem como intenção impedi-los de votar a saída da direcção na próxima Assembleia-Geral.
No Iraque...

27.2.08

LOCAL
São Pedro do Sul

Vídeos exclusivos da última reunião de Câmara...


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26.2.08

Michael Clayton - Uma Questão de Consciência
Título original: Michael Clayton
De: Tony Gilroy
Com: George Clooney, Tilda Swinton, Sydney Pollack
Género: Dra, Thr
Classificação: M/12
EUA, 2007, Cores, 119 min.

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"Ele é um advogado muito especial numa grande firma de advogados que está em vias de preparar a sua fusão — e, com isso, fazer ganhar ao poderoso Marty Bach (Sydney Pollack) um enorme punhado de dólares. É preciso que nada corra mal, portanto. Ele é um «fixer», impecável George Clooney de fatos caros, cabelo arrumado, voz calma, o perfil correcto para um tipo que ajuda a limpar a porcaria e a resolver os problemas, seja a safar um político com dinheiro sujo, uma esposa que andou por camas indevidas ou um colega que perdeu a compostura quando começou a ver que tinha demasiada sujidade em cima da pele. Ter um dos seus quadros a disparatar num momento destes não é o melhor para os objectivos de Bach. Há que tratar do assunto... "

"Michael Clayton — Uma Questão de Consciência é, assim, a face negra de uma profissão que se transforma em caso de polícia. O espectador já sabe que as grandes corporações não são de confiar, a única coisa que o prende é a questão de verificar se Clooney faz de herói ou de peça de engrenagem — quer dizer, verificar se, até para ele, aquelas práticas profissionais escusas não vão longe de mais. Pendência moral que o filme suporta e cujo desfecho não trará gradas surpresas, pois confortar o espectador é quase um dever."



"A solidez profissional que o filme transpira é assente num cuidado argumento (Tony Gilroy é mais argumentista que realizador) que o elenco sustenta. George Clooney, Sydney Pollack, Tilda Swinton ou Tom Wilkinson são invariavelmente bons. Dirão os mais exigentes, contudo, que falta a Michael Clayton — Uma Questão de Consciência energia dramatúrgica, domínio do ritmo — e é verdade. Já vimos muitos filmes sobre questões morais que seguíamos com mais interesse e que, sobretudo, tinham outras aspirações. Este é uma semidesilusão."
Jorge Leitão Ramos, Expresso de 23/02/2008

25.2.08

And the winner is...

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Filme: Este País não é para Velhos *
Realizador: Ethan e Joel Coen
Actor: Daniel Day-Lewis
Actriz: Marion Cotillard
Actor Secundário: Javier Bardem
Actriz Secundária: Tilda Swinton[mais]


* O filme "Este País não é para Velhos", dos irmãos Joel e Ethan Coen, grande vencedor dos Óscares deste ano, abre hoje o XXVIII Fantasporto.

Os manos Castro...

24.2.08

Persépolis
Título original: Persepolis
De: Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud
Com: Chiara Mastroianni (Voz), Catherine Deneuve (Voz), Danielle Darrieux (Voz)
Género: Ani, Dra
Classificação: M/12
EUA/FRA, 2007, Cores e P/B, 95 min.

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"Num recente número especial de «Les Inrockuptibles» dedicado à banda desenhada, entre as «100 bandas desenhadas indispensáveis» ali repertoriadas, Persépolis ocupa a quinta posição. À sua frente (em terceiro lugar), o bem conhecido Maus. Se destacamos a obra de Art Spiegelman é porque a autora de Persépolis reconhece ter sido uma das principais influências estéticas na sua criação."

"Persépolis, como «novela gráfica», é um trabalho, com muito de autobiográfico, da iraniana Marjane Satrapi, publicado em quatro volumes entre 2000 e 2003, e constituindo um notável sucesso de vendas. A sua passagem ao cinema faz-se a quatro mãos (o que é uma forma de dizer, dado que a equipa de trabalho era composta de dezenas de pessoas), contando Marjane Satrapi com a colaboração do seu amigo Vincent Paronnaud na realização."

"Para quem conhece a obra original, o resultado é absolutamente surpreendente. Pela primeira vez o universo de uma banda desenhada transfere-se integralmente para a animação, sem perda das suas qualidades. Esta passagem de um meio para o outro tem-se revelado uma verdadeira viagem entre Cila e Caribdes: ou a banda destrói o filme, ou o filme a banda. Das dezenas de experiências feitas nenhuma resultou verdadeiramente satisfatória. Astérix, Tin Tin e Lucky Luke (para nos ficarmos pela banda desenhada de expressão francesa) acabaram, geralmente, transformados em tristes monos na passagem ao cinema (ou televisão) de animação. Esta qualidade de Persépolis deve-se, em grande parte, ao sentido de ritmo que o filme tem, um ritmo próprio que, visualmente, corresponde ao que o leitor aplica no acompanhamento das vinhetas, um movimento aqui realizado inconscientemente e que ali se materializa. E também graças a uma narrativa eminentemente cinematográfica, aliás, já existente na sua origem gráfica, mas que no filme é acrescido de fórmulas próprias, como a utilização de alguns momentos coloridos, num filme que de resto é inteiramente a preto e branco, e que correspondem à narração, sendo portanto «flash-backs», a partir dos planos a cores de Marjane no aeroporto."

"O desafio ao status quo do cinema de animação não podia ser maior. Numa altura em que alguns estúdios (a Disney) anunciam o abandono «definitivo» da animação tradicional, de fotograma a fotograma e a duas dimensões, pelas três dimensões, numa altura em que os «animadores» passaram a ser os computadores, e a Pixar surge como a quintessência do trabalho no género, um filme como Persépolis vem mostrar que o esforço manual e a inspiração valem bem uma boa dúzia de «máquinas inteligentes». Daí que seja bastante interessante o resultado que será conhecido na noite do dia 24 da votação dos membros da Academia de Hollywood nesta categoria, dado que Persépolis é candidato ao Óscar do melhor filme de animação, tendo como rivais Ratatui da Disney-Pixar e Dia de Surf da Sony. Se são os pesos pesados da indústria que ganham ou se é a aventura individual de Marjane Satrapi. A verificar-se a sua vitória só teremos de nos congratular, por ser bem merecida."

"Persépolis é uma verdadeira lição de história, contada com humor e paixão. É a história do Irão, desde o tempo em que se chamava Pérsia e tinha à sua frente o Xá Reza Pahlevi, evocando de passagem a forma como este chegou ao poder com a ajuda dos EUA, através da CIA, em troca, pois claro!, da exploração do petróleo. A jovem Marjane é filha de uma família de opositores, com um tio comunista e preso pela polícia política. A queda do Xá é vista como uma libertação, mas este sentimento rapidamente dá lugar à frustração com a instauração da República Islâmica, e o seu séquito de imposições religiosas fundamentalistas. Marjane sairá do país, primeiro para Viena onde decorrem as suas crises de adolescência e os seus primeiros amores, e depois para Paris, após um regresso a Teerão onde tenta integrar-se na «nova ordem» fazendo, inclusive, um casamento falhado."



"Perdoem-me se o breve resumo do argumento dá a entender algo de «didáctico» (no mau sentido) e «maçudo». Porque Persépolis é tudo menos isso. É uma verdadeira explosão de alegria e de amor à vida, mesmo nos seus momentos mais dramáticos. É verdadeira poesia animada, como não víamos desde o «velho» As Aventuras do Príncipe Achmed, de Lotte Reiniger, feito em 1927. Ah! É verdade! E temos as vozes belíssimas e perfeitamente adaptadas (nesta versão original francesa) de Chiara Mastroianni (Marjane), Catherine Deneuve (a mãe) e Danielle Darrieux (a avó)."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 23/02/2008

22.2.08

LOCAL
São Pedro do Sul


A REFER...


...e as autarquias por ela atravessadas vão transformar a antiga linha de caminho-de-ferro do Vale do Vouga numa ecopista. O objectivo é ligar Viseu a Sernada do Vouga. Os representantes das sete autarquias, Viseu, São Pedro do Sul, Vouzela, Oliveira de Frades, Sever do Vouga, Águeda e Albergaria-a-Velha, estão confiantes no avanço do projecto. Segundo Luís Vasconcelos, presidente da câmara de Oliveira de Frades, “ficou já decido avançar com o projecto”.

19.2.08

Comunicado de Osama bin Laden...

LOCAL
São Pedro do Sul




O ex-Ministro da Saúde, Correia de Campos, deixou pronto e assinado, antes de abandonar funções, o despacho definindo a rede de urgências hospitalares do Serviço Nacional de saúde.
Sol, de 19/02/2008

17.2.08

Haverá Sangue
Título original: There Will Be Blood
De: Paul Thomas Anderson
Com: Daniel Day-Lewis, Martin Stringer, Kevin J. O'Connor
Género: Dra
Classificação: M/12
EUA, 2007, Cores, 158 min.

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"Os admiradores de Paul Thomas Anderson, o autor de Magnólia, talvez se sintam defraudados face a Haverá Sangue. Não encontram aqui aquelas situações insólitas, quase surrealistas, ou a sofisticação narrativa das histórias entrecruzadas que eram algumas das marcas daquele filme."

"Haverá Sangue estará mais perto do filme que revelou o realizador, Jogos de Prazer (Boogie Nights), com o seu tom realista, quase em estado bruto. Contudo, todos eles apresentam as marcas conhecidas de Anderson: a mestria técnica com a utilização habitual de sinuosos movimentos de câmara, uma insólita e hábil exploração da música na banda sonora (onde se destaca a que acompanha a descoberta do petróleo) e, como sempre, uma fabulosa direcção de actores (aliás, não há, praticamente, filme seu em que algum dos intérpretes não seja premiado ou nomeado, até Adam Sandler o foi para o Globo de Ouro em Embriagado de Amor), a que se acrescenta, neste caso, a notável fotografia de Robert Elswitt (colaborador habitual de Anderson), de tom escuro e rugoso, muito justamente nomeada para o Óscar e que é uma das oito nomeações que o filme leva para a corrida."

"Daniel Day-Lewis (cujo trabalho em Em Nome do Pai e Gangs de Nova Iorque ninguém esquece) é outro dos nomeados e o grande favorito, tendo acabado de receber esta semana o BAFTA (o Óscar britânico), isto enquanto espera pela consagração (mais uma) na cerimónia dos Óscares (se problemas não surgirem por causa da greve dos argumentistas)."

"A personagem de Daniel Day-Lewis, Daniel Plainview (e o apelido não deixa de ser particularmente simbólico), é um homem obcecado apenas por uma coisa: por ele próprio. É como se o mundo não existisse, ou existisse apenas na forma como o concebe, como instrumento para construir a sua fortuna."

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"Este quase solipsismo tem uma exposição perfeita na notável sequência de abertura, em que Plainview escava numa mina em busca de prata. Ao mesmo tempo que descobre o minério, um acidente fá-lo cair no poço da mina, partindo-lhe a perna. Plainview iça-se sozinho, sem qualquer ajuda, e é dessa forma que vai prosseguir a sua vida. Há, sim, a presença do garoto, que recolhe quando este fica órfão noutro acidente de prospecção de petróleo. Mas este não é mais do que um dos seus «instrumentos» (como mais tarde o dirá) para provocar simpatia durante as conferências de negócios. Quando outro acidente, desta vez na prospecção de petróleo, deixa o garoto surdo, Plainview começa, paulatinamente, a afastá-lo, acabando por abandoná-lo, entregue a uma instituição, e anos mais tarde, com ele já adulto, o reencontro será quase sinistro, sublinhando ainda mais o carácter de Plainview."

"Plainview é uma «força da natureza», implacável e brutal, com a astúcia de um animal e a dissimulação de um humano, capaz de enfrentar tudo e todos ou esperar a melhor oportunidade para desferir o golpe, mesmo que essa espera possa significar humilhação. O seu longo conflito com o pregador Eli Sunday (Paul Dano) é o exemplo perfeito. O irmão de Eli (interpretado pelo mesmo Paul Dano) convencera Plainview a adquirir, para prospecção, os terrenos da família, mas Eli, um pregador obcecado pela construção da sua igreja, a da «Terceira Revelação», mostra-se um adversário à altura de Plainview. Numa sequência magistral, Eli «obriga» o prospector a «aceitar» a sua igreja. Plainview entra no jogo para preparar uma desforra memorável."



"Haverá Sangue é um filme poderoso e brutal, herdeiro da melhor tradição clássica, com uma personagem cujo percurso chega, por vezes (a enorme mansão que Plainview habita sozinho no final), a lembrar o de Charles Foster Kane em Mundo a Seus Pés."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 16/02/2008

14.2.08

Sedução, Conspiração
Título original: Lust, Caution
De: Ang Lee
Com: Tony Leung Chiu Wai, Joan Chen, Wei Tang
Género: Dra, Thr
Classificação: M/18
China/EUA/Hong-Kong/Taiwan, 2008, Cores, 157 min.

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Jorge Leitão Ramos, Expresso de 09/02/2008

13.2.08

O aquecimento global...

LOCAL
São Pedro do Sul

Frases que impõem respeito...


«Fátima Pinho assumiu a liderança da oposição com coragem e tem-se afirmado como um rosto para quem os sampedrenses podem olhar com esperança no futuro.»

Como se constata aqui...

12.2.08

LOCAL
São Pedro do Sul
[em actualização]


Os bombeiros estão contra o presidente da direcção e dizem que com ele à frente a associação não tem futuro. Ameaçam só regressar à corporação se o responsável sair.


*


«Estamos descontentes com a forma como a direcção agiu com o comandante (João Cunha, que abandonou recentemente o cargo) e quisemos demonstrar isso», justificou Jorge Oliveira, bombeiro há 13 anos, em declarações hoje à Agência Lusa.

Segundo Jorge Oliveira, João Cunha «foi empurrado pela direcção a sair, porque não se entendiam bem».

«Esta decisão é para manter, só voltamos se a direcção toda sair«, frisou, acrescentando que, desta forma, a corporação deixa de poder contar com cerca de metade dos elementos que habitualmente integravam as escalas de serviço.

*

«Vai-te embora, vai-te embora...»
in Rádio Vouzela


*

Direcção da corporação acusada de pressionar abandono do cargo por João Cunha.

*

João Cunha, que admite ter entrado em ruptura com a direcção depois de 13 anos no comando, não quis revelar publicamente os motivos para esta saída, dizendo que o faz a bem da imagem dos bombeiros.

O ex-comandante afirmou ainda ter ficado satisfeito com a atitude demonstrada pelos antigos colegas.

*

O Lado Selvagem
Título original: Into The Wild

De: Sean Penn

Com: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt
Género: Dra

Classificação: M/12
EUA, 2008, Cores, 140 min.

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M. Cintra Ferreira, Expresso de 09/02/2008

10.2.08

No Vale de Elah
Título original: In the Valley of Elah
De: Paul Haggis
Com: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Susan Sarandon, Jonathan Tucker
Género: Dra, Thr
Classificação: M/16
EUA, 2007, Cores, 121 min.

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"O argumentista de Clint Eastwood (Million Dollar Baby, Bandeiras dos Nossos Pais e Cartas de Iwo Jima), que se impôs como realizador com Crash (que lhe valeu também o Óscar de Melhor Argumento), regressa com uma das obras mais sugestivas do ano, que tem por pano de fundo a guerra que os Estados Unidos da América travam no Iraque. Ao contrário de alguns outros filmes recentes sobre o mesmo assunto (Censurado, de Brian de Palma, por exemplo), No Vale de Elah não se refere ao conflito em si, isto é, este não está presente nos campos de batalha, à excepção de breves planos que se integram na explicação decisiva dos acontecimentos (neste caso, a forma como eles são apresentados é sugestiva: resumem-se às gravações feitas em telemóvel pelo filho da personagem de Tommy Lee Jones), tratando exclusivamente de reflexos que ele tem em muitos dos operacionais de regresso a casa."

"A grande habilidade do argumento (também da responsabilidade de Haggis) é a de não querer impor (pelo menos aparentemente) ao espectador qualquer ângulo particular de visão (que era igualmente a forma como se desenvolvia Crash, passando também para a narrativa em que se cruzavam múltiplos episódios e olhares). O espectador vai, antes, acompanhando o desenvolvimento da investigação e adquirindo os conhecimentos necessários, em simultâneo com a personagem principal, Hank Deerfield (Tommy Lee Jones, num papel que já lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor deste ano), processo que o levará às suas próprias conclusões. "

"Mais: a personagem de Hank não é ninguém contestatário que queira pôr em causa, de qualquer modo, a hierarquia ou a função militar. Ele é membro dela, acredita nela e toda a sua vida se funde com ela, o que torna, portanto, a sua evolução mais significativa. Evolução essa que se pode resumir nas cenas de abertura e de fecho do filme. No começo, dentro do campo militar, Forte Rudd, Hank aponta o erro de um oriental ao colocar a bandeira americana no mastro, explicando-lhe que, invertida como está, significa, em termos militares, um pedido de socorro de soldados em perigo. No final, depois do drama que viveu, é Hank que propositadamente levanta, no mastro no quintal da sua casa, a bandeira invertida."

"Hank é um oficial de carreira que, com a mulher, Joan (Susan Sarandon), espera o regresso do filho, também ele militar, de uma missão no Iraque e que acaba por ser confrontado com a notícia do seu desaparecimento, sendo depois encontrado morto. Conhecendo a corporação, Hank sabe que a hierarquia não lhe dará os elementos todos se houver algo de incómodo, tanto mais que os militares conseguem que a jurisdição da investigação lhes seja atribuída. Porém, Hank consegue, graças a um artifício legal, que ela seja passada para a polícia civil, ficando encarregada a detective Emily (Charlize Theron)."

"No Vale de Elah toma agora a forma de um policial clássico, com o desfile de testemunhas e os colegas da vítima, que a pouco e pouco vão surgindo como potenciais suspeitos. O que se esconde atrás da pose e dos estereótipos da linguagem militar? É o que, a pouco e pouco, Hank e Emily vão descobrindo, uma verdade que revela antes de mais como os homens se transformam em máquinas assassinas e irracionais, algo a que nem os mais bem intencionados e formados escapam. As gravações que o filho foi fazendo com o telemóvel ao longo da sua missão no Iraque são o testemunho gritante dessa transformação. No regresso da guerra houve algo que se perdeu em todos e que se manifesta por vezes numa violência irracional."



"No Vale de Elah é um filme sobre a perda e uma interrogação sobre o sentido dessa perda. Mas talvez não alcançasse a força quase trágica que possui sem a contribuição de Tommy Lee Jones. De facto, é ele quem domina inteiramente o filme, é ele que marca as suas variações dramáticas e dá o mote para todos os seus comparsas. Mesmo uma Charlize Theron admiravelmente desglamourizada parece ceder ao seu magnetismo e acompanhar o seu movimento como o par de uma dança. Se um Óscar é merecido este ano (e a sua concorrência é de peso) é inteiramente para o seu trabalho em No Vale de Elah."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 10/02/2008

A teoria da conspiração...

Escrevo estas linhas [sobre as aventuras de Sócrates projectista] porque Belmiro de Azevedo me pediu, ou, Belmiro de Azevedo pediu a José Manuel Fernandes que me pediu para escrever estas linhas. Como a SONAE perdeu a OPA sobre a PT, o desejo de vingança do “grupo” é enorme e é para isso que existe o Público e o Cerejo, o “novo pide”, para vilipendiar o pobre do proto-engenheiro Sócrates que, há vinte anos, fazia uns projectos para uns amigos que, por coincidência, não os podiam assinar, graciosamente é claro, sem qualquer da burocracia que faria as Finanças hoje grelhar um cidadão nas sinistras suspeitas de fugir ao fisco. Ou pior, como escrevo no Público, escrevo estas linhas para agradar a Belmiro de Azevedo ou a José Manuel Fernandes que não as pediram, mas vão ficar agradados por eu as ter escrito e alguma recompensa me hão-de dar. Ou pior ainda, escrevo estas linhas para que o senhor Primeiro-ministro e o seu gabinete saibam que a “a mim ninguém me cala” e por isso, como fizeram com Manuel Alegre, me dêem a cabeça de um ministro numa bandeja para me amansar. Eu digo já qual é o ministro... Ou pior do pior, mãe de todos os piores, escrevo estas linhas para tramar a tríade Menezes – Lopes – Ribau que a última coisa que querem é que Cerejo olhe para eles com o mesmo olhar com que olha para as casas elegantes que enxameiam a Guarda com assinatura de José Sócrates. Ou pior ainda, o absoluto pior, o pior que encerra o puro mal, porque no meu ignoto canto, mergulhado na raiva pura, no monstro verde, na bílis do mais total ressentimento, invejo o sucesso brilhante do engenheiro Sócrates como desenhador e projectista, um homem que faz, que tem obra feita no distrito da Guarda, enquanto eu não durmo à noite porque apenas pertenço àquela confraria inútil que só escreve livros e artigos, mergulhada na sua própria peçonha.

Deve haver coisas ainda muito piores, mas a minha imaginação não chega lá.
Poluição...

8.2.08

LOCAL
Vouzela

«Eu recebi um e-mail de uma associação de defesa dos animais a pedir dinheiro, porque eles tinham feito um grande trabalho em Campia, que tinha evitado que o Carnaval fizesse a maldade em relação ao gato, e que então deviam contribuir com dinheiro para a associação Animal», afirmou Telmo Antunes.

A Animal considera que Telmo Antunes «produziu afirmações insultuosas e sugestivas de algo que de facto não aconteceu, feitas com base na confusão e na ignorância que claramente o (des)conduziram em todo este processo».

Neste âmbito, diz estar a considerar e estudar a hipótese de proceder judicialmente contra Telmo Antunes, para o responsabilizar por estas «alegações e afirmações graves, baixas e a todos os títulos descabidas».

Pub...

A voz do dono...

Se pega a moda de ir vasculhar o passado pessoal e profissional dos políticos antes de o serem, mesmo que tenha sido há décadas, ainda haveremos de ver um grande "jornalismo de investigação" sobre as pequenas e médias malfeitorias juvenis de todos os políticos no activo, incluindo saber se alguma vez escreveram obscenidades na carteira da escola, se copiaram nos testes escritos, se não devolveram um livro à biblioteca do liceu, se viajaram em transportes públicos sem pagar, se "abafaram" alguma galinha para uma farra estudantil, se fumaram erva quando ainda era ilegal, se frequentaram bordéis, etc. etc.
Proponho mesmo mais duas medidas: (i) que todos os candidatos a cargos políticos façam uma declaração, sob compromisso de honra, em como nunca praticaram nenhum desses actos de delinquência cívica, manifestamente incompatíveis com uma futura carreira política; e (ii) que seja oficialmente emitida uma cartilha para todos os futuros políticos, estipulando as normas de conduta que todos os candidatos devem impreterivelmente respeitar como condição de um político virtuoso.

7.2.08

O Eleven...

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...assim chamado por ser propriedade de onze sócios, entre eles o Dr. José Miguel Júdice —, construído de raiz no Jardim Amália Rodrigues, a norte do Parque Eduardo VII, ocupa terreno camarário. Ontem ficou a saber-se o valor da renda mensal do seu usufruto: quinhentos euros. Quinhentos euros é menos do que custam certos vinhos da lista (como demonstrado aqui, uns quantos custam cerca de três mil). No Eleven, cuja vista domina Lisboa até ao rio, quinhentos euros corresponde a uma refeição parcimoniosa para três pessoas (em datas especiais com menu fixo é mais barato). OK. Quando essa renda foi fixada, ainda António Costa não era presidente da Câmara de Lisboa. Mas agora é. Terá sido o vereador José Sá Fernandes a fazer esta espantosa revelação. Assim não vamos lá.

De resto, ninguém elegeu Sócrates por causa das suas perspectivas de beatificação. Elegeram-no porque ele não era Santana. E em 2009, Sócrates terá ainda essa vantagem, e mais outra: também não é Menezes. Assim descansado à direita, o Governo pôde dedicar-se à esquerda. Ora, a última remodelação ministerial, tal como a candidatura de António Costa em Lisboa no ano passado, mostrou não só essa atenção à esquerda, que todos notaram, mas outra coisa mais importante: a facilidade com que o Governo puxa a si, quando quer, a célebre “esquerda do PS”. Ralha muito, mas vem sempre quando a chamam.


O testemunho de Nick...

6.2.08

Marinho Pinto, por Júdice...

Uma parte da nossa direita...

...e de quase toda a nossa esquerda, mostra como o anti-bushismo não é bom para a qualidade do pensar. É que Obama, comparado com Hillary Clinton ou com John McCain, tem pouco lá dentro. Nem saber, nem experiência, nem consistência. Pode vir a ganhar tudo isto, mas para já não tem. Mais um produto da fábrica de plástico, jovem, simpático, bom ar, bom falador, muito teatro de convicções, e politicamente correcto na cor, nem muito preto, nem muito branco, mais um teste para a tese de Kissinger de que cada vez mais as condições para se ser eleito presidente nada tem a ver com as condições para se exercer bem o seu cargo.

5.2.08

Os projectos de José Sócrates...

...uma investigação do Público, aqui!

4.2.08

A construção dos discursos políticos...

[clicar sobre a imagem para a aumentar]
Mas a remodelação mostra mais: a ano e meio de eleições, o primeiro-ministro deixou de pensar no país. Começou a pensar no partido e nas esquerdas. E na melhor forma de os unir e arregimentar. Não por acaso, as escolhas de Sócrates pretendem contentar a oposição interna (Ana Jorge) e a oposição externa (Pinto Ribeiro), um gesto que não se explica apenas pela crescente contestação à esquerda. Explica-se, sobretudo, com a inexistente oposição à direita, o que permite a Sócrates preocupar-se apenas com o seu quintal. É o retrato perfeito da política caseira.
João Pereira Coutinho, Expresso de 02/02/2008

2.2.08

Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street
Título original: Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street
De: Tim Burton
Com: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen
Género: Mus, Thr
Classificação: M/12
EUA/GB, 2007, Cores, 116 min.

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"Entre o «fait-divers» e a lenda urbana, a história de Sweeney Todd assombra o clássico «fog» londrino desde o século XIX e as ruelas sombrias e escuras da capital britânica, na visão vitoriana que o cinema nos tem transmitido, desde a incursão de Hitchcock no caso de Jack o Estripador em 1927 com The Lodger. Quanto a Sweeney Todd e à sua sinistra cúmplice, Mrs. Lovett, o cinema deu-lhes alguma atenção por essa altura em três filmes, um de 1926, outro de 1928 e o último, e mais conhecido, de 1936, numa realização de George King."

"Mas foi a partir de 1979 que o nome de Sweeney Todd voltou a ganhar a sua sinistra ressonância, após o musical de Stephen Sondheim, que logo em 1982 seria adaptado para a televisão. Sweeney Todd, um verdadeiro marco na história do espectáculo musical e um sucesso em todo o lado (encenado também entre nós), que pode ser visto como uma autêntica «ópera de terror», era ideia já antiga dos produtores para um novo filme, previsto inicialmente para ser realizado por Sam Mendes (o autor de Beleza Americana). Mas a dificuldade em encontrar os intérpretes que ele desejava levou à sua saída do projecto, que passou, então, para Tim Burton."

"E não podia ter caído em melhores mãos. Porque o universo sinistro e sombrio da tragédia de Sweeney Todd casa-se perfeitamente com o do autor de A Noiva Cadáver, fazendo o realizador reencontrar-se com o melhor da sua obra. Burton reuniu os seus actores fetiches, Johnny Depp e Helena Bonham Carter, para os papéis do sinistro par. A inexperiência deles em musicais não foi problema, porque ambos se revelaram detentores de vozes à altura da composição de Sondheim."

"Sweeney Todd: o Terrível Barbeiro de Fleet Street é uma obra-prima e poderia mesmo considerar-se um filme «total», porque é um deslumbramento visual e perfeito em todos os departamentos da produção, da fotografia de Dariusz Wolski (responsável pela de Piratas das Caraíbas), com os seus tons sombrios que parecem uma espécie de preto e branco riscados com frequência e de forma fulgurante pelos tons vermelhos do sangue das vítimas, à direcção artística de Dante Ferretti (o de Gangs de Nova Iorque), com uma Londres saída dos filmes de terror dos anos 30, passando pelos figurinos de Colleen Atwood (colaboradora habitual de Tim Burton e Óscar da Academia pelo seu trabalho em Memórias de Uma Gueixa) e, naturalmente, pela música de Stephen Sondheim."



"Sweeney Todd é uma história de loucura e vingança, de como um jovem e feliz barbeiro (os breves planos da sua vida nesta fase contrastam com o resto do filme pela sua luminosidade e suave textura) se transforma num maníaco assassino, perseguindo uma vingança contra o lúbrico juiz Turpin (Alan Rickman), responsável pela sua tragédia quando o condena injustamente ao degredo para lhe roubar a mulher. Regressando 15 anos depois, transfigurado e amargurado, vai utilizar os seus talentos de barbeiro para a sua vingança. Enquanto não lança a mão ao juiz, vai «alimentando» a padaria da sua cúmplice, Mrs. Lovett, para a elaboração de tartes, adivinha-se de quê. Mas o horror puro está marcado por um humor que roça o grotesco graças às fabulosas interpretações dos actores. Um filme perfeito para ver e rever."
Manuel Cintra Ferreira, Expresso de 02/02/2008
LOCAL
São Pedro do Sul