São Pedro do Sul
Bombeiros de S. Pedro do Sul que recentemente abandonaram a corporação afirmaram hoje estar a ser alvo de um processo disciplinar que tem como intenção impedi-los de votar a saída da direcção na próxima Assembleia-Geral.
Bombeiros de S. Pedro do Sul que recentemente abandonaram a corporação afirmaram hoje estar a ser alvo de um processo disciplinar que tem como intenção impedi-los de votar a saída da direcção na próxima Assembleia-Geral.
"Michael Clayton — Uma Questão de Consciência é, assim, a face negra de uma profissão que se transforma em caso de polícia. O espectador já sabe que as grandes corporações não são de confiar, a única coisa que o prende é a questão de verificar se Clooney faz de herói ou de peça de engrenagem — quer dizer, verificar se, até para ele, aquelas práticas profissionais escusas não vão longe de mais. Pendência moral que o filme suporta e cujo desfecho não trará gradas surpresas, pois confortar o espectador é quase um dever."
"Persépolis, como «novela gráfica», é um trabalho, com muito de autobiográfico, da iraniana Marjane Satrapi, publicado em quatro volumes entre 2000 e 2003, e constituindo um notável sucesso de vendas. A sua passagem ao cinema faz-se a quatro mãos (o que é uma forma de dizer, dado que a equipa de trabalho era composta de dezenas de pessoas), contando Marjane Satrapi com a colaboração do seu amigo Vincent Paronnaud na realização."
"Para quem conhece a obra original, o resultado é absolutamente surpreendente. Pela primeira vez o universo de uma banda desenhada transfere-se integralmente para a animação, sem perda das suas qualidades. Esta passagem de um meio para o outro tem-se revelado uma verdadeira viagem entre Cila e Caribdes: ou a banda destrói o filme, ou o filme a banda. Das dezenas de experiências feitas nenhuma resultou verdadeiramente satisfatória. Astérix, Tin Tin e Lucky Luke (para nos ficarmos pela banda desenhada de expressão francesa) acabaram, geralmente, transformados em tristes monos na passagem ao cinema (ou televisão) de animação. Esta qualidade de Persépolis deve-se, em grande parte, ao sentido de ritmo que o filme tem, um ritmo próprio que, visualmente, corresponde ao que o leitor aplica no acompanhamento das vinhetas, um movimento aqui realizado inconscientemente e que ali se materializa. E também graças a uma narrativa eminentemente cinematográfica, aliás, já existente na sua origem gráfica, mas que no filme é acrescido de fórmulas próprias, como a utilização de alguns momentos coloridos, num filme que de resto é inteiramente a preto e branco, e que correspondem à narração, sendo portanto «flash-backs», a partir dos planos a cores de Marjane no aeroporto."
"O desafio ao status quo do cinema de animação não podia ser maior. Numa altura em que alguns estúdios (a Disney) anunciam o abandono «definitivo» da animação tradicional, de fotograma a fotograma e a duas dimensões, pelas três dimensões, numa altura em que os «animadores» passaram a ser os computadores, e a Pixar surge como a quintessência do trabalho no género, um filme como Persépolis vem mostrar que o esforço manual e a inspiração valem bem uma boa dúzia de «máquinas inteligentes». Daí que seja bastante interessante o resultado que será conhecido na noite do dia 24 da votação dos membros da Academia de Hollywood nesta categoria, dado que Persépolis é candidato ao Óscar do melhor filme de animação, tendo como rivais Ratatui da Disney-Pixar e Dia de Surf da Sony. Se são os pesos pesados da indústria que ganham ou se é a aventura individual de Marjane Satrapi. A verificar-se a sua vitória só teremos de nos congratular, por ser bem merecida."
"Persépolis é uma verdadeira lição de história, contada com humor e paixão. É a história do Irão, desde o tempo em que se chamava Pérsia e tinha à sua frente o Xá Reza Pahlevi, evocando de passagem a forma como este chegou ao poder com a ajuda dos EUA, através da CIA, em troca, pois claro!, da exploração do petróleo. A jovem Marjane é filha de uma família de opositores, com um tio comunista e preso pela polícia política. A queda do Xá é vista como uma libertação, mas este sentimento rapidamente dá lugar à frustração com a instauração da República Islâmica, e o seu séquito de imposições religiosas fundamentalistas. Marjane sairá do país, primeiro para Viena onde decorrem as suas crises de adolescência e os seus primeiros amores, e depois para Paris, após um regresso a Teerão onde tenta integrar-se na «nova ordem» fazendo, inclusive, um casamento falhado."
"Haverá Sangue estará mais perto do filme que revelou o realizador, Jogos de Prazer (Boogie Nights), com o seu tom realista, quase em estado bruto. Contudo, todos eles apresentam as marcas conhecidas de Anderson: a mestria técnica com a utilização habitual de sinuosos movimentos de câmara, uma insólita e hábil exploração da música na banda sonora (onde se destaca a que acompanha a descoberta do petróleo) e, como sempre, uma fabulosa direcção de actores (aliás, não há, praticamente, filme seu em que algum dos intérpretes não seja premiado ou nomeado, até Adam Sandler o foi para o Globo de Ouro em Embriagado de Amor), a que se acrescenta, neste caso, a notável fotografia de Robert Elswitt (colaborador habitual de Anderson), de tom escuro e rugoso, muito justamente nomeada para o Óscar e que é uma das oito nomeações que o filme leva para a corrida."
"Daniel Day-Lewis (cujo trabalho em Em Nome do Pai e Gangs de Nova Iorque ninguém esquece) é outro dos nomeados e o grande favorito, tendo acabado de receber esta semana o BAFTA (o Óscar britânico), isto enquanto espera pela consagração (mais uma) na cerimónia dos Óscares (se problemas não surgirem por causa da greve dos argumentistas)."
"A personagem de Daniel Day-Lewis, Daniel Plainview (e o apelido não deixa de ser particularmente simbólico), é um homem obcecado apenas por uma coisa: por ele próprio. É como se o mundo não existisse, ou existisse apenas na forma como o concebe, como instrumento para construir a sua fortuna."
"Plainview é uma «força da natureza», implacável e brutal, com a astúcia de um animal e a dissimulação de um humano, capaz de enfrentar tudo e todos ou esperar a melhor oportunidade para desferir o golpe, mesmo que essa espera possa significar humilhação. O seu longo conflito com o pregador Eli Sunday (Paul Dano) é o exemplo perfeito. O irmão de Eli (interpretado pelo mesmo Paul Dano) convencera Plainview a adquirir, para prospecção, os terrenos da família, mas Eli, um pregador obcecado pela construção da sua igreja, a da «Terceira Revelação», mostra-se um adversário à altura de Plainview. Numa sequência magistral, Eli «obriga» o prospector a «aceitar» a sua igreja. Plainview entra no jogo para preparar uma desforra memorável."

"A grande habilidade do argumento (também da responsabilidade de Haggis) é a de não querer impor (pelo menos aparentemente) ao espectador qualquer ângulo particular de visão (que era igualmente a forma como se desenvolvia Crash, passando também para a narrativa em que se cruzavam múltiplos episódios e olhares). O espectador vai, antes, acompanhando o desenvolvimento da investigação e adquirindo os conhecimentos necessários, em simultâneo com a personagem principal, Hank Deerfield (Tommy Lee Jones, num papel que já lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor deste ano), processo que o levará às suas próprias conclusões. "
"Mais: a personagem de Hank não é ninguém contestatário que queira pôr em causa, de qualquer modo, a hierarquia ou a função militar. Ele é membro dela, acredita nela e toda a sua vida se funde com ela, o que torna, portanto, a sua evolução mais significativa. Evolução essa que se pode resumir nas cenas de abertura e de fecho do filme. No começo, dentro do campo militar, Forte Rudd, Hank aponta o erro de um oriental ao colocar a bandeira americana no mastro, explicando-lhe que, invertida como está, significa, em termos militares, um pedido de socorro de soldados em perigo. No final, depois do drama que viveu, é Hank que propositadamente levanta, no mastro no quintal da sua casa, a bandeira invertida."
"Hank é um oficial de carreira que, com a mulher, Joan (Susan Sarandon), espera o regresso do filho, também ele militar, de uma missão no Iraque e que acaba por ser confrontado com a notícia do seu desaparecimento, sendo depois encontrado morto. Conhecendo a corporação, Hank sabe que a hierarquia não lhe dará os elementos todos se houver algo de incómodo, tanto mais que os militares conseguem que a jurisdição da investigação lhes seja atribuída. Porém, Hank consegue, graças a um artifício legal, que ela seja passada para a polícia civil, ficando encarregada a detective Emily (Charlize Theron)."
"No Vale de Elah toma agora a forma de um policial clássico, com o desfile de testemunhas e os colegas da vítima, que a pouco e pouco vão surgindo como potenciais suspeitos. O que se esconde atrás da pose e dos estereótipos da linguagem militar? É o que, a pouco e pouco, Hank e Emily vão descobrindo, uma verdade que revela antes de mais como os homens se transformam em máquinas assassinas e irracionais, algo a que nem os mais bem intencionados e formados escapam. As gravações que o filho foi fazendo com o telemóvel ao longo da sua missão no Iraque são o testemunho gritante dessa transformação. No regresso da guerra houve algo que se perdeu em todos e que se manifesta por vezes numa violência irracional."
Escrevo estas linhas [sobre as aventuras de Sócrates projectista] porque Belmiro de Azevedo me pediu, ou, Belmiro de Azevedo pediu a José Manuel Fernandes que me pediu para escrever estas linhas. Como a SONAE perdeu a OPA sobre a PT, o desejo de vingança do “grupo” é enorme e é para isso que existe o Público e o Cerejo, o “novo pide”, para vilipendiar o pobre do proto-engenheiro Sócrates que, há vinte anos, fazia uns projectos para uns amigos que, por coincidência, não os podiam assinar, graciosamente é claro, sem qualquer da burocracia que faria as Finanças hoje grelhar um cidadão nas sinistras suspeitas de fugir ao fisco. Ou pior, como escrevo no Público, escrevo estas linhas para agradar a Belmiro de Azevedo ou a José Manuel Fernandes que não as pediram, mas vão ficar agradados por eu as ter escrito e alguma recompensa me hão-de dar. Ou pior ainda, escrevo estas linhas para que o senhor Primeiro-ministro e o seu gabinete saibam que a “a mim ninguém me cala” e por isso, como fizeram com Manuel Alegre, me dêem a cabeça de um ministro numa bandeja para me amansar. Eu digo já qual é o ministro... Ou pior do pior, mãe de todos os piores, escrevo estas linhas para tramar a tríade Menezes – Lopes – Ribau que a última coisa que querem é que Cerejo olhe para eles com o mesmo olhar com que olha para as casas elegantes que enxameiam a Guarda com assinatura de José Sócrates. Ou pior ainda, o absoluto pior, o pior que encerra o puro mal, porque no meu ignoto canto, mergulhado na raiva pura, no monstro verde, na bílis do mais total ressentimento, invejo o sucesso brilhante do engenheiro Sócrates como desenhador e projectista, um homem que faz, que tem obra feita no distrito da Guarda, enquanto eu não durmo à noite porque apenas pertenço àquela confraria inútil que só escreve livros e artigos, mergulhada na sua própria peçonha.
«Eu recebi um e-mail de uma associação de defesa dos animais a pedir dinheiro, porque eles tinham feito um grande trabalho em Campia, que tinha evitado que o Carnaval fizesse a maldade em relação ao gato, e que então deviam contribuir com dinheiro para a associação Animal», afirmou Telmo Antunes.
Se pega a moda de ir vasculhar o passado pessoal e profissional dos políticos antes de o serem, mesmo que tenha sido há décadas, ainda haveremos de ver um grande "jornalismo de investigação" sobre as pequenas e médias malfeitorias juvenis de todos os políticos no activo, incluindo saber se alguma vez escreveram obscenidades na carteira da escola, se copiaram nos testes escritos, se não devolveram um livro à biblioteca do liceu, se viajaram em transportes públicos sem pagar, se "abafaram" alguma galinha para uma farra estudantil, se fumaram erva quando ainda era ilegal, se frequentaram bordéis, etc. etc.
De resto, ninguém elegeu Sócrates por causa das suas perspectivas de beatificação. Elegeram-no porque ele não era Santana. E em 2009, Sócrates terá ainda essa vantagem, e mais outra: também não é Menezes. Assim descansado à direita, o Governo pôde dedicar-se à esquerda. Ora, a última remodelação ministerial, tal como a candidatura de António Costa em Lisboa no ano passado, mostrou não só essa atenção à esquerda, que todos notaram, mas outra coisa mais importante: a facilidade com que o Governo puxa a si, quando quer, a célebre “esquerda do PS”. Ralha muito, mas vem sempre quando a chamam.
...e de quase toda a nossa esquerda, mostra como o anti-bushismo não é bom para a qualidade do pensar. É que Obama, comparado com Hillary Clinton ou com John McCain, tem pouco lá dentro. Nem saber, nem experiência, nem consistência. Pode vir a ganhar tudo isto, mas para já não tem. Mais um produto da fábrica de plástico, jovem, simpático, bom ar, bom falador, muito teatro de convicções, e politicamente correcto na cor, nem muito preto, nem muito branco, mais um teste para a tese de Kissinger de que cada vez mais as condições para se ser eleito presidente nada tem a ver com as condições para se exercer bem o seu cargo.
"Mas foi a partir de 1979 que o nome de Sweeney Todd voltou a ganhar a sua sinistra ressonância, após o musical de Stephen Sondheim, que logo em 1982 seria adaptado para a televisão. Sweeney Todd, um verdadeiro marco na história do espectáculo musical e um sucesso em todo o lado (encenado também entre nós), que pode ser visto como uma autêntica «ópera de terror», era ideia já antiga dos produtores para um novo filme, previsto inicialmente para ser realizado por Sam Mendes (o autor de Beleza Americana). Mas a dificuldade em encontrar os intérpretes que ele desejava levou à sua saída do projecto, que passou, então, para Tim Burton."
"E não podia ter caído em melhores mãos. Porque o universo sinistro e sombrio da tragédia de Sweeney Todd casa-se perfeitamente com o do autor de A Noiva Cadáver, fazendo o realizador reencontrar-se com o melhor da sua obra. Burton reuniu os seus actores fetiches, Johnny Depp e Helena Bonham Carter, para os papéis do sinistro par. A inexperiência deles em musicais não foi problema, porque ambos se revelaram detentores de vozes à altura da composição de Sondheim."
"Sweeney Todd: o Terrível Barbeiro de Fleet Street é uma obra-prima e poderia mesmo considerar-se um filme «total», porque é um deslumbramento visual e perfeito em todos os departamentos da produção, da fotografia de Dariusz Wolski (responsável pela de Piratas das Caraíbas), com os seus tons sombrios que parecem uma espécie de preto e branco riscados com frequência e de forma fulgurante pelos tons vermelhos do sangue das vítimas, à direcção artística de Dante Ferretti (o de Gangs de Nova Iorque), com uma Londres saída dos filmes de terror dos anos 30, passando pelos figurinos de Colleen Atwood (colaboradora habitual de Tim Burton e Óscar da Academia pelo seu trabalho em Memórias de Uma Gueixa) e, naturalmente, pela música de Stephen Sondheim."